Gastronomia, vinhos e viagens, por Luciana Mastrorosa – jornalista especializada em gastronomia

Guloseima


Páscoa chegando! 0

Posted on fevereiro 28, 2015 by Luciana Mastrorosa
chocolates-chianti500

Bombons da Chianti Chocommelier: matéria-prima belga, ingredientes de qualidade e frescor acima da média. Foto: Luciana Mastrorosa/ Guloseima

Não sei você, mas eu amo chocolate. É meu doce favorito por excelência. E Páscoa é a melhor época para encontrar novidades, provar uma combinação inusitada, algo diferente. Ou mesmo ater-se ao tradicional, que já é maravilhoso.

Por aqui, começamos as pesquisas com os bombons da Chianti Chocommelier. A proposta da casa – que fica num endereço bastante charmoso, em Pinheiros – é combinar chocolate e outros itens, como vinhos, uísque, café e até azeites. Na nossa primeira visita, ficamos nos bombons. Todos muito frescos, elaborados com chocolate belga e ingredientes de primeira.

Provamos o de Nutella, o de gianduia, a trufa amarga de limão siciliano com manjericão (delícia!), o coração dourado de doce de leite com macadâmia… Dá para escolher itens variados e compor caixinhas de diversos tamanhos (a com 12 unidades custa R$ 51). Há também barrinhas ao leite e amargas, com e sem castanhas, e algumas sem lactose. Para a Páscoa, eles também estão fazendo ovos, mas isso fica para outro post. :)

Ah, vale mencionar que o atendimento foi nota 10. Coisa rara de se ver em época de muita “gourmetização” e pouca entrega.

Chianti Chocommelier
chiantichocommelier.com.br

Como cozinhar sem água 0

Posted on fevereiro 02, 2015 by Luciana Mastrorosa
Água: economizar é para já. Foto: Luciana Mastrorosa/ Guloseima

Água: economizar é para já. Foto: Luciana Mastrorosa/ Guloseima

A sombra de um futuro complicado tem me tirado o fôlego já há alguns meses. Acredito que todos nós, moradores de São Paulo, nos fazemos diariamente a fatídica pergunta: O que vai acontecer se a água secar de vez?

Tenho matutado muito sobre isso e é inevitável lembrar de M.F.K. Fischer em seu (ótimo) livro “Como cozinhar um lobo” (Ed. Companhia das Letras). A autora escreveu essa obra por conta da guerra, mas continua sendo um tratado bastante atual de como sobreviver em tempos de turbulência. Veja se não tem tudo a ver com o que enfrentamos hoje:

“Apesar de toda a conversa e todo o estudo sobre nossos próximos anos, e todas as ponderações sobre o que eles reservam para nossos filhos, (…) parece claro para nós que muitas coisas estão erradas atualmente e podem ser, devem ser mudadas. Nossa crença é cheia de ‘furos’. Faltam peças ao nosso jogo de armar. Uma das falácias mais óbvias refere-se ao que devemos comer. Os homens sábios sabem desde sempre que uma nação vive do que seu corpo assimila, bem como do que sua mente adquire como conhecimento. Então, quando a abominável necessidade da máquina da guerra engole aço, algodão e humanidade, nosso próprio mecanismo secreto, pessoal e privado deve ser mais forte, em benefício do conforto egoísta, assim como para o bem dos ideais nos quais acreditamos que acreditamos.” (p. 17)

É claro que sabemos de quem é a “culpa”, no sentido geral da crise da água. Mas é necessário ponderar que também nós, aqui da outra ponta da cadeia, longe das tomadas de decisões, também temos nossa parcela de culpa e, principalmente, de responsabilidade. A água não é um recurso infinito, como custamos a acreditar. E, em sua finitude, precisa ser usada com responsabilidade, carinho e cuidado, como tudo, aliás, deveria ser. Precisamos pensar como um todo: um ato aqui gera uma reação acolá, e, assim, sucessivamente. Dá para ter água no sudeste desmatando a Amazônia? Não. Dá para ter água em qualquer lugar do Brasil transformando tudo em pasto, plantação de soja transgênica, milho e cana para virar álcool? Sinto muito, a única resposta possível é NÃO. Não, mesmo.

A gente pode fazer a nossa parte, porém, no dia a dia, nas pequenas tomadas de decisão. A primeira delas, e mais óbvia, é economizar recursos – leia-se água. Mas não basta fechar as torneiras, tomar banhos curtos, ser comedido em seu uso. É preciso pensar em toda a cadeia da água, nas coisas que compramos e que usam litros e litros de água boa para serem feitos, nas nossas escolhas alimentares. Comer mais em casa, mais comida de verdade, menos industrializados. Desperdiçar menos comida. Reutilizar a água de cozimento de legumes e verduras para fazer outros pratos.

Mas, principalmente, é preciso repensar o que se come e em quais quantidades. E questionar as necessidades que criamos em nome de uma vida “saudável” que, muitas vezes, nem é tão saudável assim. Ou você acha mesmo que é necessário tomar suco de soja transgênica, entupido de conservantes, adoçantes artificiais, com sabor que nem de longe lembra algo vivo? Será que a gente precisa mesmo viver à base de industrializados o tempo todo? Quantos litros de água são necessários para produzir essa soja que você consome apenas por julgar mais “saudável” (e não é) ou por preguiça ou por praticidade?

Carne vermelha é outro exemplo. Eu adoro, sou uma onívora no sentido mais estrito da palavra. Mas sei que é impossível consumir carne todos os dias, pois isso tem um impacto – não apenas no meu bolso, mas no “bolso” do planeta.

Embalagens, já pensou em quantas embalagens podemos economizar comprando itens a granel? Ou reaproveitando vidros para guardar ervas, especiarias, azeitonas? Todos os dias podemos fazer alguma coisa, a escolha é nossa.

Enfim.

Por aqui, já estabelecemos algumas medidas práticas para economizar água. O que pode ser reutilizado – a famosa água de reuso, como a do banho ou da máquina de lavar roupa – vai para um galão e terá como destino lavar a área de serviço, o banheiro, usar como descarga.

A água para cozinhar também está sendo utilizada de maneira mais inteligente. Prefiro usar ingredientes que incorporem a água em seu cozimento: por exemplo, arroz, feijão. Mas, caso cozinho macarrão, tento reutilizar essa água para produzir um novo alimento, como uma sopa. O mesmo vale para o cozimento de legumes no vapor, etc. Tudo vira caldo.

Na dúvida, se não houver água, frite na gordura. Em vez de ovo cozido, ovo frito ou mexido. Não é necessário afogar o alimento em gordura; no mais das vezes, é necessária uma pequena quantidade para dar conta da cocção. E, claro, consuma alimentos crus sempre que possível – a água de sua higienização vira água de reuso, portanto, não se perde.

E, assim, vamos revendo, pouco a pouco, nossos hábitos perdulários de consumo. Eu, de minha parte, adoraria ter uma casa com quintal, deixar os jardins com terra absorverem a água da chuva, colocar uma cisterna para acumular as preciosas gotas… Mas me viro com minhas pequenas conquistas diárias de apartamento, reciclando (e, principalmente, diminuindo) meu lixo, reaproveitando potes, cozinhando em casa sempre que possível, aproveitando tudo do ingrediente, dos ossos às raízes. De gota em gota, vamos construindo um futuro melhor.

Três receitas com especiarias 0

Posted on janeiro 27, 2015 by Luciana Mastrorosa
clube-bombay500

Todo mês, o sócio do Clube Bombay recebe uma seleção de ervas, pimentas e especiarias em casa. Foto: Luciana Mastrorosa/Guloseima

A Bombay, tradicional marca de comércio de especiarias no Brasil, está lançando um clube para os apaixonados por esses sabores. Todo mês, por um custo de R$ 50 a R$ 65, o assinante recebe em sua casa um kit com temperos e condimentos. Cada um deles, acompanhado de sua respectiva ficha técnica, para que o cozinheiro conheça um pouquinho mais sobre a seleção da vez.

Recebemos um desses kits para testar, e o nosso veio com três especiarias incríveis: manjericão liofilizado (com as folhinhas íntegras e secas, bastante perfumado), cúrcuma (ou açafrão-da-terra, um pó bem amarelado, com sabor terroso, excelente para arroz); e biryani masala (mistura de especiarias indiana, com ingredientes como cravo, cebola, noz-moscada, cominho, louro, anis-estrelado, etc; um perfume que só!).

Cada fichinha traz, ainda, uma receita com a especiaria em questão, para facilitar a vida do cozinheiro sem muito traquejo com as panelas. Por aqui, os ingredientes viraram três pratos simples e muito fáceis: gnocchi ao sugo com manjericão, frango assado com especiarias e arroz de cúrcuma para acompanhar.

Para virar sócio do clube Bombay, pode-se fazer a inscrição direto no site da marca: www.bombayhs.com.br

Quer botar a mão na massa? Comece por aqui:

GNOCCHI AO SUGO COM MANJERICÃO
2 porções fartas

Gnocchi
500 g de batatas (de preferência, Asterix, bem seca)
150 g de farinha de trigo (1/2 xícara de chá)
1 ovo
1 pitada de sal
Queijo parmesão ou grana padano ralado para acompanhar

Molho sugo
500 g de tomate sem pele e sem sementes (ou 1 lata de tomate pelado)
1 colher (sopa) de manjericão liofilizado
1 dente de alho grande, picado
1/3 de cebola grande, picada
1 colher (sopa) de manteiga
Azeite de oliva quanto baste
Sal e pimenta-do-reino a gosto

Molho sugo
Doure a cebola com um pouco de azeite numa panela pequena, em fogo baixo. Assim que estiver transparente, junte o alho picado e doure ligeiramente. Acrescente os tomates picados, uma pitada de sal e uma de pimenta moída na hora. Ao ferver, baixe o fogo e deixe apurar por cerca de 15 minutos. Prove os temperos e acrescente o manjericão. Acrescente a manteiga para suavizar o sabor e deixar o molho mais untuoso. Se desejar, acrescente outras ervas, como orégano seco e tomilho fresco.

Gnocchi
Lave bem as batatas e cozinhe-as, inteiras e com casca, em água temperada com sal. Assim que estiverem macias, escorra a água, deixe esfriar um pouco e tire a casca. Passe as batatas, ainda quentes, pelo espremedor. Coloque a farinha num recipiente grande e acrescente a batata amassada e uma pitada de sal. Misture com as mãos e adicione o ovo inteiro. Amasse bem, formando uma massa leve e ligeiramente grudenta. Coloque um pouco de farinha de trigo sobre uma superfície e adicione um pedaço da massa. Forme um rolinho comprido com a massa (ela vai deixar de grudar nas mãos graças à farinha) e corte-o em quadradinhos. Se desejar, amasse ligeiramente cada quadradinho com um garfo, para formar estrias. Reserve os gnocchi numa forma grande, enfarinhada. Proceda da mesma forma com o restante da massa. Quando estiverem prontos, cozinhe os gnocchi em bastante água fervente temperada com um pouco de sal. Assim que subirem à superfície, retire-os com uma escumadeira e coloque-os num refratário com um fio de azeite. Sirva-os com o molho sugo e bastante parmesão ou grana padano ralados na hora.

FRANGO ASSADO COM ESPECIARIAS
2 porções

2 coxas e 2 sobrecoxas de frango caipira
1 colher (sopa) de biryani masala (mistura de especiarias indianas)
1/2 cebola em fatias finas
2 dentes de alho picadinhos
1/2 limão (suco)
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de azeite de oliva
1/2 xícara (chá) de vinagre puro de cidra (não use vinagre comum de supermercado, apenas vinagre verdadeiro)
2 conchas de caldo de frango

Tempere os pedaços de frango com o suco de limão, o alho, a cebola, o vinagre. Esfregue bem com o biryani masala e tempere com o sal e a pimenta. Deixe descansar por pelo menos 30 minutos. Regue uma assadeira pequena com um fio de azeite. Preaqueça o forno em temperatura alta por 10 minutos e leve o frango para assar, descoberto, por 20 minutos (ou até os pedaços tomarem uma cor dourada). Retire do forno, regue com mais azeite, cubra a assadeira com papel-alumínio. Baixe a temperatura do forno para 180 oC e asse por mais 30 a 40 minutos, até o frango ficar macio e com a carne bem cozida, mas ainda suculento. Sirva com salada verde e arroz de cúrcuma.

ARROZ DE CÚRCUMA
2 porções

1 xícara (chá) de arroz agulhinha
2 xícaras (chá) de água
1 colher (café) de cúrcuma em pó
1 colher (café) de sal
1 dente de alho picadinho
1 folha de louro
1 fio de azeite de oliva

Doure o alho picado, em fogo baixo, com um fio de azeite. Acrescente o arroz, o sal, a cúrcuma e a folha de louro. Misture bem. Junte a água, mexa e deixe ferver. Abaixe o fogo para o mínimo, mantenha a panela entreaberta e cozinhe por cerca de 15 minutos ou até toda a água secar. Desligue o fogo, tampe e deixe repousar por 10 minutos antes de servir.



↑ Top