Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for julho, 2006


Café Havanna, e o verdadeiro alfajor 0

Posted on julho 31, 2006 by Luciana Mastrorosa

Foto: Havanna Café, divulgação
Provei o alfajor com cobertura de chocolate. Muito leve e saboroso!

Depois de uma sexta-feira amalgamada com um sábado (por motivos tristes), e uma noite mais um dia inteiros sem dormir, amanheceu o domingo cinza, chuvoso e melancólico. Preguiçoso mesmo, após 15 horas de sono recuperadas.

Era aniversário de mi amor, mas estávamos tristes e de luto. Não caberia festas. Por isso decidi levá-lo para conhecer um lugar novo na cidade, o café Havanna. Praticamente uma instituição argentina, o Havanna instalou duas unidades em São Paulo: uma na parte badalada da Bela Cintra, a outra no igualmente badalado Shopping Iguatemi.

Resolvemos conhecer a unidade da Bela Cintra. O lugar é bonito, charmoso e exala um aroma aconchegante de café. As luzes amarelas combinaram com o clima sombrio da cidade. Mas, como tudo nesta São Paulo carente de opções, estava lotado.

Para não chatear mi amor, optamos por comprar os tradicionais alfajores (os originais argentinos) e experimentar os havannets, enormes pingos de doce de leite cobertos com chocolate. Apesar do preço um pouco salgado (4 reais a unidade, tanto do alfajor, quanto do havannet), ficamos muito contentes com a aquisição. O atendimento foi atencioso, embora as filas de espera das mesas perturbavam e confundiam os freqüentadores que só queriam comprar um doce e sair (nosso caso).

Para quem gosta do tradicional doce argentino, vale provar o alfajor do Havanna: o chocolate é meio amargo e os biscoitos que envolvem o doce de leite têm um leve aroma de limão. Acho que esse é o maior diferencial. Para adoçar a vida, vale a pena.

Quanto aos havannets, são um exagero de doce de leite que, se não anima, pelo menos adoça que é uma loucura. Tem com cobertura de chocolate branco ou preto.

Vai lá:

- Rua Bela Cintra, 1829
- Shopping Iguatemi: Av. Brig. Faria Lima, 2232 - 1º
piso

* Post originalmente publicado no UOL Blog. Para ler os comentários antigos, clique aqui.

Balinhas de flor 0

Posted on julho 28, 2006 by Luciana Mastrorosa

Anis de l´Abbaye de Flavigny
Minhas favoritas são as de violeta… Têm gosto de perfume, mesmo!

Segundo meu irmão, parecem ovinhos de lagartixa, do tipo que apareciam no telhado da nossa antiga casa. Segundo meus amigos, têm gosto de perfume. Para mim, é um dos doces que mais me trazem lembranças boas. Trata-se de pequenas bolinhas brancas, com cheiro – e gosto – de flor: as balinhas de aniz da Flavigny!

Minhas favoritas são as de violeta. Mas tem também de rosa, de flor-de-laranjeira, de menta e natural. As “naturais” têm o sabor puro do aniz, ou erva-doce, material onipresente em todos os sabores.

Descobri essas balinhas por acaso, numa viagem. Tenho paixão por violetas e latinhas, de modo que quando meus olhos encontraram aquela lata com tampinha arroxeada, salpicada de flores de violeta, intuí que só poderia ser coisa boa.

Infelizmente, só consigo um “refil” das pequenas quando alguém viaja para a França. Sim, as balinhas são de origem francesa, de uma fabriquinha chamada Anis de l´Abbaye de Flavigny. Foram eles que inventaram a delicadeza.

* Post originalmente publicado no UOL Blog. Para ler os comentários antigos, clique aqui.

É dia de gastronomia! 0

Posted on julho 27, 2006 by Luciana Mastrorosa

Toda quinta-feira é dia de ler, feliz, a Folha e o Estadão, porque eles trazem matérias especializadas em gastronomia.

Eu acho incrível ler matérias especializadas em gastronomia! Sim, já me acusaram de dondoca e de sem-o-que-fazer. Mas eu não me importo. Eu gosto das boas coisas da vida, oh, sim, eu gosto!

Para facilitar sua vida, leitor amado, eu vou deixar de presente o link da Ilustrada e do caderno Paladar.

A maioria das matérias é fechada para assinantes, mas dá para ler algumas. Vejam lá:

- Ilustrada (imperdível, sempre: coluna da Nina Horta e dicas do Josimar Melo)
-
Paladar (comecei a ler recentemente, mas já me pareceu bem bom; a matéria de hoje é sobre samosas, os pasteizinhos indianos)

* Post originalmente publicado no UOL Blog. Para ler os comentários antigos, clique aqui.

Toranja, grapefruit, pamplemousse 0

Posted on julho 26, 2006 by Luciana Mastrorosa

Pamplemousse - Foto: Luciana M.
Grapefruits adquiridos diretamente das gôndolas do Pão de Açúcar

Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto descobrir coisas novas. Novos sabores, novos cheiros, novas paisagens. Gosto disso, de descobrir. Este ano, na viagem inesquecível que fiz lá para as bandas de Paris, conheci uma fruta matreira, amarga, vermelha como sangue (por dentro!), e com um odor que eu levaria comigo para todos os lugares: o grapefruit.

No Brasil, infelizmente não temos o hábito de comer – ou tomar o suco – do nosso amigo grapefruit, também conhecido, em terras tupiniquins, como toranja, pomelo ou pomelo-rosado. Nomes feios para uma fruta tão feliz! Prefiro chamá-la por seu nome afrancesado, me lembra a poesia dos cafés da manhã na cidade mais linda do mundo. “Em França”, costumam chamar a frutona de pamplemousse. Não é belo?

É sim. Mas então, em Paris, eu tomava todo-santo-dia um copo de suco de pamplemousse no café da manhã, enquanto as hordas de turistas preferiam o suco de laranja passada e comiam loucamente ovos, e potes e potes de iogurtes. Também comiam coisas que boiavam em um molho estranho. Eu preferia fazer como meus amigos franceses: comia um bom e velho croissant, com meu suco rosa e feliz, e meu dia estava salvo!

Quando retornei da voyage, fiquei com crise de abstinência e me aventurei a encontrar, numa segunda-feira à noite, pomelos lindos e maduros (jesus, que coisa erótica) em algum supermercado. Achei! O Pão de Açúcar tinha vários, todos cheirosos e bonitos e com a polpa vermelhinha, vermelhinha.

Fiz o suco. Amargo como o diabo gosta, e com tanta vitamina C que eu podia sentir as moléculas saltitando em minhas veias. Mas… decepção! O suco que eu tomava “em França” era diferente… Mais doce, talvez. Mais velhinho, talvez. Passado, bem provável.

Mas fato é que deixou saudade. E muita. Uma saudade rosada e amarguinha, como as boas saudades devem ser.

Caldo verde 0

Posted on julho 25, 2006 by Luciana Mastrorosa

Caldo Verde - Foto: Luciana M.
Como fotógrafa, eu sou uma ótima cozinheira!

Em homenagem à minha cunhada, filha de portugueses, vou postar uma receita típica de sua família: o Caldo Verde. Trata-se de um bom caldo preparado com lingüiça portuguesa defumada, de boa qualidade, couve fresca, picada finamente, e um bom punhado de batatas… Mas o fundamental nessa receita é ter sempre à mão um bom azeite extra-virgem (nem precisa ser o português, necessariamente… Tenho utilizado azeites excelentes – e com bons preços – da Olitalia).

Basicamente, você vai precisar de:

- 6 batatas grandes ou 8 médias
- 8 folhas de couve bem grandes (mais ou menos meio maço grande)
- 1 lingüiça portuguesa defumada
- alho
- azeite extra-virgem
- água o quanto baste para a sopa

Tire a pele da lingüiça e descarte. Corte e a lingüiça em rodelas e reserve. Coloque água para ferver num caldeirão (cerca de 2 litros); quando ferver, acrescente as lingüiças e deixe aferventar. Enquanto isso, descasque as batatas e corte em pedaços pequenos. Quando a lingüiça estiver aferventada, retire-a da água e aproveite esse caldo para cozinhar as batatas. Enquanto isso, lave bem a couve e corte em fatias muito fininhas (o mais fininho que conseguir!). Quando as batatas estiverem cozidas, retire-as da água com uma escumadeira e passe-as pelo espremedor de batatas, até virar um purê. Deixe o caldo fervendo e junte novamente as lingüiças pré-cozidas e agora o purê de batatas. Mexa bem. O caldo vai engrossando levemente. Acrescente toda a couve e vá mexendo. Deixe ferver, mexendo de vez em quando. À parte, frite 3 dentes de alho grandes (bem picadinhos) em uma porção generosa de azeite. Quando estiverem douradinhos, coloque uma concha do caldo da sopa no refogado e mexa bem, levando tudo ao caldeirão. Prove o sal, deixe engrossar o caldo e sirva estupidamente quente!

Fica melhor ainda se acompanhado de pão ou torradas, com um grande fio de azeite cobrindo a sopa! :)

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Dia de sol, dia de sorvete 0

Posted on julho 25, 2006 by Luciana Mastrorosa

Estou com saudade, muita saudade, da praia. São Paulo está bem no meio do inverno, há um bonito sol amarelinho aparecendo, mas a poluição beira o insuportável. Nessas horas eu penso nas pequenas alegrias que o verão, só o verão, pode nos dar: um sorvete, um céu azul, temporais que limpam tudo e deixam a cidade com um cheiro de grama molhada.

Um mergulho no mar, água de côco, milho verde, sentada na areia, olhando o sol. E o sol que parece limpar todo o mofo acumulado em um ano (mais?) inteiro trancada na redação, olhos presos no computador.

As melhores coisas na vida da gente acabam acontecendo assim, sem aviso, devagarinho, quase no susto. Um sorvete no fim de tarde quente de inverno pode ser assim, uma surpresa doce, delicada, um reflexo da verdadeira felicidade.

* Post originalmente publicado no UOL Blog. Para ler os comentários antigos, clique aqui.



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