Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Toranja, grapefruit, pamplemousse

Posted on julho 26, 2006 by Luciana Mastrorosa

Pamplemousse - Foto: Luciana M.
Grapefruits adquiridos diretamente das gôndolas do Pão de Açúcar

Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto descobrir coisas novas. Novos sabores, novos cheiros, novas paisagens. Gosto disso, de descobrir. Este ano, na viagem inesquecível que fiz lá para as bandas de Paris, conheci uma fruta matreira, amarga, vermelha como sangue (por dentro!), e com um odor que eu levaria comigo para todos os lugares: o grapefruit.

No Brasil, infelizmente não temos o hábito de comer – ou tomar o suco – do nosso amigo grapefruit, também conhecido, em terras tupiniquins, como toranja, pomelo ou pomelo-rosado. Nomes feios para uma fruta tão feliz! Prefiro chamá-la por seu nome afrancesado, me lembra a poesia dos cafés da manhã na cidade mais linda do mundo. “Em França”, costumam chamar a frutona de pamplemousse. Não é belo?

É sim. Mas então, em Paris, eu tomava todo-santo-dia um copo de suco de pamplemousse no café da manhã, enquanto as hordas de turistas preferiam o suco de laranja passada e comiam loucamente ovos, e potes e potes de iogurtes. Também comiam coisas que boiavam em um molho estranho. Eu preferia fazer como meus amigos franceses: comia um bom e velho croissant, com meu suco rosa e feliz, e meu dia estava salvo!

Quando retornei da voyage, fiquei com crise de abstinência e me aventurei a encontrar, numa segunda-feira à noite, pomelos lindos e maduros (jesus, que coisa erótica) em algum supermercado. Achei! O Pão de Açúcar tinha vários, todos cheirosos e bonitos e com a polpa vermelhinha, vermelhinha.

Fiz o suco. Amargo como o diabo gosta, e com tanta vitamina C que eu podia sentir as moléculas saltitando em minhas veias. Mas… decepção! O suco que eu tomava “em França” era diferente… Mais doce, talvez. Mais velhinho, talvez. Passado, bem provável.

Mas fato é que deixou saudade. E muita. Uma saudade rosada e amarguinha, como as boas saudades devem ser.

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