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março 14, 2007 by
Luciana Mastrorosa
Meu gosto pelas panelas começou desde criança, quando aprendi a fazer omelete. Eu quebrava os ovos e tentava, muitas vezes, não fazer a delicada mistura despedaçar na frigideira escura e antiga da minha mãe.
Gostava de me arriscar na cozinha, preparando coisas simples, doce de leite, biscoitos (variações e variações de biscoitos…), nada muito requintado ou difícil. Arroz, por exemplo, só me arrisquei a preparar mais tarde, já morando sozinha. Eu sentia muita insegurança ao preparar arroz e feijão, essas coisas do dia-a-dia.
Talvez por isso eu tenha optado por preparar um macarrão – que ficou horrível, diga-se – a primeira vez que decidi cozinhar para mim mesma, numa casa que eu dividia com meu namorado, à época, e uma tonelada de amigos.
Num certo momento da minha vida, eu achava que cozinhar não combinava, digamos assim, com uma imagem de “mulher moderna”. Eu achava bonito dizer “puxa, não sei fazer nem arroz”, dava um certo orgulho. Mais tarde aprendi que era tudo bobabem e que aquilo fazia parte da minha fúria adolecescente. Porque, convenhamos, preparar uma boa comida, ainda que seja só para nós mesmos, é delicioso.
Não tenho nada contra quem não cozinha, evidentemente. Mas eu precisava aprender. Eu não gosto de comer mal, e foi isso, mais do que tudo, o que me trouxe de volta às panelas.
Isso, é claro, e a saudade imensa, voraz, que eu sentia da comida da minha mãe. Eu era uma menina mimada e não sabia. Só fui descobrir o fato quando me deparei com uma cozinha inteira só pra mim, morando sozinha.
No começo, tive a fase dos congelados. Depois, passei a investir nas saladas. Até pouco tempo, nunca tinha me arriscado a fritar (por imersão) nem batatinhas.
Mas por que eu estou dizendo tudo isso? Por que eu me peguei pensando, nessa fase tão corrida da minha vida, que não é demérito algum gostar de cozinhar, cuidar da casa, das pequenas rotinas. Antes eu não sentia falta disso, mas cada vez mais tenho gostado dessas coisas do lar. O que eu continuo detestando é a obrigação. Por obrigação, eu faço poucas coisas nesta vida, e olhe lá!
hehe!
Encarnei tão forte o espírito da coisa que, no domingo, me peguei inventando uma receita simples, de bolinhos de peixe, que fritei aos montes para os amigos que estavam em casa, e todos adoraram.
Acho que o mais precioso dessa aventura é que ela mal começou. A cada visita aos blogs amigos, a cada receita que descubro, quero saber mais e mais.
Tanto que uni a delícia de cozinhar à delícia de escrever, e é por isso, só por isso, que estou escrevendo o comecinho destas memórias gastronômicas que, agora, vão ficar mais ricas com a colaboração de todos vocês, amigos leitores.
E viva os bolinhos!

Bolinhos de atum
- 3 batatas médias, cozidas com sal e amassadas
- 2 latas de atum (em água), escorridas
- 1/2 cebola picadinha
- 2 dentes de alho picadinhos
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- 1 colher (sopa) de azeite
- 1 colher (chá) de sal grosso
- 1 1/2 colher (chá) de molho inglês
- pimenta-do-reino fresca, moída na hora, de preferência
- 4 ovos inteiros
- 1 colher (sopa) de farinha de trigo
- cheiro-verde picadinho (um punhado)
- óleo para fritar
Primeiro, cozinhe as batatas com sal. Quando estiverem cozidas, escorra, amasse e deixe esfriar. Enquanto isso, misture o atum, o sal, a pimenta-do-reino, o cheiro-verde picadinho, as gemas e 1 colher de manteiga. Use a outra colher de manteiga para refogar o alho e a cebola, junto com o azeite. Quando estiver frio, junte à mistura.
Mexa bem e misture as batatas. Acrescente a farinha de trigo e o molho inglês e mexa mais um pouco. Bata as claras em ponto de neve e adicione à massa, delicadamente. Quando a massa estiver pronta, aqueça bastante óleo numa frigideira funda e frite os bolinhos, às colheradas. Retire quando estiverem dourados e crocantes por fora, e deixe escorrer em folhas de papel-toalha. Sirva imediatamente.
É um ótimo petisco para comer junto àquela cerveja bem gelada. Com gotas de molho de pimenta Tabasco, fica um delírio.