Ora, cebolas!
Todo mundo tem um “tabu gastronômico”, aquela comida ou ingrediente que tem medo até de olhar. Em uma visitinha a um restaurante por quilo, qualquer um, você troca uma ou duas frases com seus amigos comensais e de repente alguém sempre solta um “não gosto de alho”, “detesto camarão”, “não como verduras”. Alguns chegam ao ponto de não gostar de chocolate, veja você.
Eu me achava uma criatura sem preconceitos, livre, leve e solta, disposta ao que desse e viesse, até começar a ler o livro “O homem que comeu de tudo”, de Jeffrey Steingarten, o crítico da revista Vogue America. Um luxo, o rapaz.
Num dos primeiros capítulos, ele faz um mea-culpa e descreve uma listinha de ingredientes e comidinhas que não podia sequer sentir o cheiro: “suas fobias alimentares”. A listinha do sr. Steingarten inclui de insetos a comidas azuis, passando pelo “kimchi”, a tradicional conserva (apimentada!!) coreana.
Após ler a divertida lista do crítico gastronômico estrelado, fiquei feliz e triste. Feliz por gostar de várias coisas que ele tinha, digamos, medo de experimentar, como mariscos, que eu adoro. E triste porque, bem, eu preciso confessar: eu não gosto de cebola.
Mas antes, um esclarecimento: eu uso cebola para temperar pratos cozidos, fritos, assados. A cebola é fundamental em certas preparações, por isso, com o tempo, aprendi a cortar tudo muito miudinho e refogar bem. Cebolas fritas na manteiga com azeite e um tiquinho de alho perfumam a vizinhança toda, comprove! Cebolas em rodelas também uso bastante, hoje, depois de muito treino.
Mas as cebolas cruas, realmente, são o meu maior tabu culinário, de todos os tempos. Quando viajo para outros países, eu me sinto na obrigação de aprender a palavra “cebola” no idioma em questão. Eu aprendo, também, a frase clássica: “Tem cebola na salada? Eu quero sem cebola, por favor. Sim, sem cebola”. Meus amigos que me acompanharam podem comprovar, pergunte a eles.
Minha mãe mentiu para mim; ela me disse que, ao ficar adulta, eu passaria a “adorar alho e cebola”, que meu paladar infantil detestava. É meia-verdade, mãe. Eu, hoje, adoro alho. Mas cebola crua, não, obrigada.
Ano passado, eu tomei sopa de cebola, à moda servida (em outras épocas) pelo Ceasa, e até gostei. Mas, novamente: era cebola ralada, muito cozida, e banhada em queijo. Quando em Paris, ignorei os apelos do frio e as dicas dos meus amigos para encarar a famosa “soupe à l´oignon”. Perdi a oportunidade, eu sei.
É um tabu. Talvez eu quebre, talvez não. Adoraria saber que os chefs estrelados detestam algum ingrediente também.
Fiz até uma listinha para vocês trocarem idéias comigo, olhem:
Não gosto de:
- cebola crua
- chuchu
- quiabo
Não comi e não gostei (ai!)
- rins
- língua
- molleja (timo)
Em compensação, eu gosto de escargot, fígado, dobradinha, jiló, pimentas, frutos do mar, ovas, queijos fortes e picantes, temperos inusitados, coentro, carnes estranhas, peixes esquisitos, peixe cru, embutidos em geral e, olha a proeza, eu como queijo gorgonzola desde criancinha!
Agora, convido todos a dividirem comigo os seus “desgostos” alimentares, para eu ficar mais feliz!


Esse negócio do “aprender a pedir em vários idiomas” me fez lembrar daquela pizza horrenda de Veneza. Mas enfim, eu não gostava de berinjela (beringela?) até descobrir a versão “à parmegiana”. É assim que a salada funciona comigo: tem que ter alguma coisa “não-light” pra que eu coma sem traumas. O resto pode vir.