Tempo de chocolate
Eu tenho uma maniazinha nessa época de Páscoa: meu primeiro ovo de chocolate é sempre o menor que encontro, daqueles que a gente chamava, “antigamente”, de ovo número 1. Aquele que não traz nada dentro, talvez um ou dois bombons minúsculos.
Pois é, eu adoro. A Páscoa rendeu alguns momentos de muita frustração na minha infância, porque eu sempre queria, naturalmente, os ovos gigantes e cheinhos de bombons e surpresas dentro.
Mas eu não ganhava esses ovos grandes, buá. Acho que veio daí – e da minha poderosa imaginação – a capacidade de me encantar com os pequenos ovos de Páscoa de modo que, ainda hoje, preservo a minha preciosa tradição de comprar um ovinho pequenino para mim mesma quando começo a avistá-los nos corredores dos supermercados.
Ninguém entende muito bem essa mania, acham pitoresco. Mas hoje eu vou explicar.
Quando eu era criança, não me lembro de haver essas lojas deliciosas e chiques repletas de ovos dourados, nozes cobertas com chocolates, delicadezas de toda sorte para encantar crianças e adultos.
Talvez elas já existissem, mas fato é que eu não as conhecia naquela época.
Eu lembro que a Lacta fazia dois ovos de Páscoa gigantescos que representavam meu sonho de consumo: um era embrulhado em papel dourado, com bolinhas coloridas, e outro, em papel prateado, com as mesmas estampas.
Eu imaginava que podia haver todo um universo de possibilidades lá dentro, coisas como brinquedinhos, pequenas bonecas, mini-ovos de chocolate, essas pequenices lúdicas que enchem os olhos de qualquer criança.
Um dia eu ganhei um desses. Meu irmão ganhou o dourado, porque ele era mais velho (e menino). E eu… bem, eu ganhei o prateado, que estava, assim, TODO quebrado.
Os anos passaram, eu fiquei adulta, amadureci, etc, mas essa lembrança frustrante assalta minha memória toda bendita vez que olho para os corredores cheios de ovos de Páscoa.
Nesse meio tempo, já ganhei preciosidades de chocolate, como uma inesquecível cestinha de palha e madeira, recheada com ovos de casca de verdade, inteiramente recheados do mais puro chocolate Kopenhagen, de vários tipos: branco, preto, gianduia, crocante.
Já ganhei um ovão deeeste tamanho, com bombons de variados sabores, e coelhos de chocolate, e garrafinhas com licor, e pipocas cobertas com chocolate, buquês de rosas com botões de chocolate, caixas em formato de coração com laços de fita…
Mas nada me fez superar, ainda, a dor infantil de ganhar um ovo de Páscoa quebrado. Amigos: jamais façam isso com suas crianças, é pecado e deixa seqüelas na vida adulta. Vejam o meu caso! hehehehe
Por isso que aprendi a dar valor aos ovinhos de Páscoa mínimos, aqueles que vêm com lacinhos e papel de embrulho, e que podem revelar alguma surpresa dentro.
Eu acredito nisso. Ainda.

É… eu tb tenho traumas de Páscoa. Eu ra pequena ainda, e o que eu mais queria era ganhar o ovo de chocolate branco Lacta, que na época era a maior novidade! A todos que me perguntavam: era somente esse que eu queria!! e estavacrente que assim seria. Quando não, de minha surpresa, ao acordar e olhar para minha cestinha, me deparo com um saco (gigantesco, diga-se de passagem) cheio de Sonho de Valsa e mini-ovinhos. Senti muita vontade de chorar na hora, mas me contive por achar um tanto quanto mal-agradecido de minha parte…
Desde então peguei uma certa aversão dos ovos “de marca”. Páscoa para mim, só ovo caseiro (exceção à maravilhosa Kopenhagen) ou – olhe só – bombom Sonho de Valsa!!! hahaha
Beijoks