Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for maio, 2007


Preciosa comida japonesa 1

Posted on maio 23, 2007 by Luciana Mastrorosa

Você gosta de comida japonesa? Se a resposta for ‘não’, você não sabe o que está perdendo. Há restaurantes interessantíssimos em São Paulo que se esmeram para oferecer iguarias da culinária japonesa em suas diferentes vertentes, e com algumas invencionices também.

Prefiro, no entanto, experimentar a linha mais tradicional da cozinha em questão, sem as aventuras de maionese e cream cheese no meu sushi.

Ikuras

Muita gente evita conhecer a culinária japonesa por achá-la cara demais. De fato, não é exatamente barata, mas há bons lugares onde se pode provar delícias como sushi (aquele enroladinho com alga e arroz), sashimi (peixe cru), tempura (legumes ou camarões fritos com massinha), sem estourar o limite do cartão.

Há um restaurante muito simpático em Pinheiros que atende pelo nome de Yokozuna. Logo que mudei para o bairro, tentei alguns restaurantes japoneses e achei ok. Até encontrar o Yokozuna. Porque o Yokozuna é mestre!

Eles têm pratos a la carte e um rodízio de altíssima qualidade. Se você pedir o rodízio, vai se divertir com pratos quentes e frios. Entre os quentes, anchova grelhada, cogumelos shimeji com cebolinha, tempura de legumes, yakissoba e deliciosos (imperdíveis!) guiozas.

Entre os frios, há sempre fatias de salmão e atum fresquíssimos e o ‘peixe branco’ do dia, igualmente fresco. Há ainda uma variedade de sushis com os mesmos peixes, pepino e salmão tostado. E temakis! Muito, muito bom. A apresentação é sempre caprichada também: um luxo.

Para acompanhar, saquê gelado ou quente, a depender da temperatura lá fora.

Mas eu preciso falar das ikuras. Ah, as ikuras, meu Deus, um sopro de vida, uma alegria, um gosto de mar represado em cada bolinha rosada. Ikuras são ovas de salmão salgadas, como o caviar de esturjão. Mas, em vez de pequeninas e negras, as ikuras são rosadas, femininas, deliciosas. Posso comer um quilo delas sem enjoar. E o sushi feito com ikuras, no Yokozuna, é praticamente um milagre, de tão bom.

Esses não acompanham o rodízio, mas você pode pedir um parzinho de sushis de ikura, de entrada. E, com um gole de saquê, imaginar que a vida, sim, pode valer a pena.

Corre lá:

Yokozuna
Rua Simão Álvares, 445 – Pinheiros – SP/SP
11 3813-4144

Queijos, romance e champanhe 1

Posted on maio 18, 2007 by Luciana Mastrorosa

Maio é o mês das noivas e eu quase fui uma noiva de maio. Não fui porque não quis, naturalmente. Do contra como sou, escolhi me casar em abril. Dia 29 passado completamos um ano de casório. Passa rápido, é o que todos dizem. E passa mesmo.

Parece que foi outro dia a loucura de correr atrás de buffet, bem-casados, vestido, sapatos, lista de convidados, convites. Uma loucura divertida e deliciosa, mas cansativa.

Queijos e... Veuve Clicquot

Um ano depois, a correria não dá muita trégua para os suspiros de amor, é bem verdade. E o trabalho, trabalho, trabalho também não! Mesmo assim, conseguimos comemorar a data, depois de um dia cansativo de labuta (sim, eu trabalhei num domingo), com acepipes descomplicados, mas muito interessantes: queijos, presunto cru, pão italiano e… champanhe!

Eu concordo com a francesa Mireille Guiliano (aquela do “Mulheres francesas não engordam”): um champanhe borbulhante e loucamente gelado é a melhor companhia para as celebrações. Não experimentei todos os que gostaria (ainda), mas já tenho um eleito: Veuve Clicquot. A viúva entendia do riscado, a pilantra, e contribuiu para o desenvolvimento de um dos melhores champanhes do mundo.

Gruyère, queijo de cabra, gorgonzola, presunto cru e rosbife, com um azeite estupidamente grosso, de tão virgem, casam deliciosamente com um Veuve Clicquot. Eu também concordo com Dom Pèrignon: vejo estrelas ao beber champanhe. Sempre.

Um doce de nome alfajor 1

Posted on maio 16, 2007 by Luciana Mastrorosa

Ano passado ganhei uma caixa dos alfajores Havanna, autênticos argentinos, do meu querido André. A caixa, linda e amarela, vinha com dois tipos de alfajor: um com a cobertura clássica, de açúcar, e outro com cobertura de chocolate amarguinho.

Dentro de cada alfajor, a delícia do doce de leite. De um tipo levemente mais escuro do que encontramos no Brasil, sem grânulos de açúcar, na medida exata da doçura.

Na mesma época, abriu no Brasil a primeira loja Havanna, e eu experimentei uma coisinha aqui, outra ali, numa tarde de chuva muito escura e talvez um pouco triste. Mas a delicadeza dos alfajores espantou um pouquinho da melancolia e deixou aquele dia mais feliz.

Alfajores Havanna

Agora, em pleno outono de luzes vermelhas na tarde, fiquei com uma vontade bem grandona de dar uma passadinha no Havanna, tomar um café, ler uma revista, papear. Mas os compromissos, né? A vida corre, apertada.

Quem sabe no sábado? Mas fica a sugestão de presente: uma caixa de alfajores Havanna vale muito. Eu posso aceitar uma, facilmente. :)

Conheça:
http://havanna.com.br/

A conquista pelo estômago 0

Posted on maio 15, 2007 by Luciana Mastrorosa

Honestamente, sou da opinião de que todo mundo deveria aprender a cozinhar, ainda que fosse o trivial, a comida boa de todo dia. Homens e mulheres. Cozinhar é um ato de entrega, e um santo remédio para amenizar tristeza e ansiedade. Funciona de fato, pelo menos para mim.

A idéia não é se tornar um expert. Claro, você sempre pode se tornar um, se quiser. Mas a intenção é conseguir preparar receitas simples para agradar quem você ama.

Gosto de preparar refeições enormes, para as festas de família. Acho que aprendi isso com minha mãe, que sempre orquestrou os almoços barulhentos em casa, na época que meus avós ainda estavam vivos.

Hoje em dia, divido o bastão de “cozinheira da família” com a mamma, naturalmente, e com a Angelina, tantas vezes citadas neste blog (e que está brava comigo porque me mandou tantas coisas boas pra postar e eu ainda não consegui, ai! Juro que vou postar, viu?)

Bem, mas eu estava mesmo dizendo que acho que todo mundo devia aprender a cozinhar um pouquinho. A Isabel Allende escreveu um livro muito interessante sobre comida, Afrodite. Numa das passagens, ela conta a história da transformação que um homem sofreu (para melhor) aos olhos de uma mulher depois de pegar nas panelas e misturar ingredientes e preparar um jantar maravilhoso para sua pretendente.

À primeira vista, o homem ruivo parecia o personagem perfeito de mais um encontro que terminaria em nada. Mas, ao tomar posse da cozinha, o homem mostrou todo o seu charme e sensibilidade e conquistou a moça.

Não é bonito? Eu acho. Gosto dessas histórias, de algum final feliz.

Então, que tal começar agora a pensar num jantar especial para sua amada? Nesse tempinho frio, improvise sua versão do clássico francês boeuf bourguignon. Eu te dou umas dicas, e você agarra o seu amor… pelo estômago ;)

“Boeuf Bourguignon chez moi”

- 1/2 kg de coxão mole em tiras
- 50 gramas de bacon em cubinhos
- 2 cebolas pequenas
- 1 vidro pequeno de cogumelos
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- azeite
- 2 dentes de alho
- 2 copos de vinho tinto (Borgonha é melhor)
- sal e pimenta-do-reino a gosto

Primeiro, frite o bacon com um fio de azeite numa panela, até ficar bem dourado. Reserve. Agora, derreta a manteiga e doure a cebola. Quando estiverem douradinhas, junte o alho, mexa bem, e acrescente os cogumelos. Reserve.

Frite metade da carne numa caçarola grande, com um fio de azeite. É importante fritar a carne em porções pequenas, para que ela fique douradinha. Frite até deixar queimar levemente (eu disse levemente!) o fundo da panela. Reserve junto ao bacon e frite a outra metade da carne, seguindo os mesmos procedimentos.

Quando estiver pronta, misture com o restante da carne. Mantenha a caçarola no fogo e despeje o vinho tinto. Raspe bem o fundo da panela para que o suco da carne se misture ao vinho. Cozinhe por alguns minutos e misture a carne, o bacon, a cebola e os cogumelos reservados. Mexa bem, acerte o sal, coloque pimenta-do-reino e deixe o molho reduzir levemente.

Quando a carne começar a desprender um aroma adorável, prove e desligue o fogo.

Sirva com arroz branco, ervilha-torta passada na manteiga, e o restante do vinho. E, sim, veja estrelas. Muitas delas!

Está de folga? Conheça o Veloso! 1

Posted on maio 12, 2007 by Luciana Mastrorosa

É sábado, você está de folga, não está tão frio assim. Seus amigos e seu amor estão disponíveis para o seu abraço e para conversar horas e horas, sem pressa.

Seria um bom dia para ir à praia, só para olhar o mar e botar o papo em dia. Mas… Você está em São Paulo, e São Paulo não tem praia.

Tudo bem, você pensa. Para que praia se você pode ir ao Veloso?

O Veloso é um daqueles botequins com um ar retrô, com cara e jeito de bar do Rio de Janeiro de antigamente. Inclusive, o bar é uma homenagem a um botequim de mesmo nome que funcionou em Ipanema até 1967 e que foi definido pelo poeta Vinícius de Moraes como “um bar de homens discretos, onde ninguém incomoda ninguém e cujo maior prazer consiste em falar sem dizer grande coisa”. Adoro!

Tem poucas mesinhas dentro e algumas na calçada. Mas o mais bacana é que o bar fica numa praça atrás da caixa d´água da Vila Mariana, na zona sul, o que acaba sendo um oásis em meio ao caos paulistano. Você senta, pede uma caipirinha de frutas vermelhas (adorável) ou um chope, um escondidinho bem quente e fica ali, olhando a pracinha, olhando as pessoas, olhando o movimento…

Chame os amigos, é bom ir de turma. Peça uma porção de coxinhas, que concorrem ao título de melhor da cidade, fácil. São crocantes por fora, têm uma camada finíssima de massa e um recheio cremoso divino.

Aí você aproveita e divide uma cachaça com seus queridos: peça a carta e escolha!

Então, mais alegre, você pode fechar a noite pedindo uma porção dos excelentes bolinhos de carne e ouvindo as histórias divertidas dos seus amigos mais queridos.

Hum… E, quem sabe, fazer uma hora na rua e esperar a manhãzinha chegar para tomar café com leite e comer um pão na chapa na padaria? Mas isso fica para outro post! Prometo ;)

Vai lá e toma uma caipirinha por mim. De frutas vermelhas, com vodka:

Veloso Bar
Rua Conceição Veloso, 56 – Vila Mariana
11 5572-0254
http://www.velosobar.com.br/

Comida de Papa 1

Posted on maio 10, 2007 by Luciana Mastrorosa

A visita de Bento XVI está convulsionando as ruas da capital paulista, especialmente na região central. Vocês já foram ao Mosteiro de São Bento, onde o Papa está hospedado? Merece uma visita. Além da bela construção, você ainda pode comprar bolos, pães e geléias artesanais.

Será que o Papa vai provar essas delícias? Talvez. Apesar de ser considerado um apreciador da boa mesa, Bento XVI escolheu coisas simples e triviais para sua visita ao Brasil.

Constam do cardário itens como sopa de palmito, nhoque de mandioquinha, bolo de banana e bolo de fubá. Tudo bem Brasil, alimentos que poderíamos comer todos os dias, se quiséssemos. Segundo o Mosteiro, as únicas restrições no cardápio do Papa foram frutos do mar e cogumelos. Curioso. Tem mais detalhes aqui.

Talvez palmito, banana e mandioquinha – tão triviais para nós, brasileiros – sejam coisas exóticas e simpáticas aos olhos do Papa, acostumado a comer qualquer alimento que quiser.

A escritora espanhola Eva Celada dedicou-se por anos na realização de uma pesquisa sobre os hábitos alimentares dos pontífices. Foi difícil, naturalmente, porque o Vaticano não é exatamente muito afeito a ficar divulgando seus hábitos (e segredos) por aí. Mesmo assim, ela driblou as dificuldades e escreveu um livro lindo, com fotos incríveis e histórias apetitosas.

Já tem tradução no Brasil: Os Segredos da Cozinha do Vaticano, da Editora Planeta do Brasil.

Imagine poder comer, todos os dias, qualquer coisa que se queira? Parece que Bento XVI tem um fraco por… pudim de abacaxi!

E você, o que comeria se pudesse escolher qualquer coisa, agora? Eu tenho meus escolhidos: blinis, caviar e champagne gelado. Ou vodka. Da boa, naturalmente.

Amores e vinhos 1

Posted on maio 07, 2007 by Luciana Mastrorosa

O vinho é um alimento vivo, dizem os especialistas. E é também um espelho do tempo em que foi produzido: o plantio das videiras, o amadurecimento dos cachos, a delicadeza da colheita. Depois, os tanques, os barris de madeira, o tempo adormecendo, amadurecendo, afinando os compassos até a hora de ir para as garrafas e esperar, novamente. O tempo do vinho é esperar.

Vinhos na Expo Vinis

Até que alguém se encante, compre a garrafa, a trate com carinho, deixe-a gelar só um pouco, para ficar na temperatura certa. A temperatura, para o vinho, é fundamental. Quente, a bebida deixa que o álcool engane os sentidos. Gelado demais, os aromas delicados não conseguem se desprender. No ponto, porém, o vinho pode ser de uma sutileza encantadora.

Tudo isso para dizer que estou apaixonada. Por todos eles: tintos, rubros, violáceos, brancos, dourados, cor de palha, terrosos. Estive na Expo Vinis e, apesar do calor dantesco e da quantidade incrível de pessoas, pude observar de perto, bem de pertinho, famílias inteiras de vinhos aqui e ali, espalhados em estandes e taças, muitas taças.

E me ocorreu que os bebedores de vinho sempre são felizes. O sorriso daquela gente toda não me desmentia.

Na penúltima aula do curso na ABS, o professor indicou combinações interessantes para conquistar o coração de incautos rapazes e donzelas adoráveis que entendam (ou não) do riscado. A turma, já levemente aturdida por umas taças de poderoso vinho Madeira, deu seus pitacos e apontou o champanhe (o verdadeiro) como um afrodisíaco interessante para as conquistas amorosas.

O professor concordou, mas lembrou que champanhe pode soar um pouco óbvio. Então, para impressionar as moças, foi sugerido um Gewurztraminer, aquele vinho branco delicado com perfume de rosas. Quem resiste?

Para impressionar os rapazes, o professor indicou um bom Bordeaux; disse que os meninos tendem a preferir vinhos mais pungentes e, preferencialmente, tintos.

Alunos e alunas adoraram as dicas e juraram colocar em prática. Para ficar no assunto do dia, recomendo este texto delicioso do New York Times em que a moça, crítica de vinhos, resolve agradar seu encanador com algumas garrafas para oferecer a cada diferente paixão.

Tudo muito bonito e elegante, como merecem as grandes conquistas de amor.

Flores e seus frutos 1

Posted on maio 07, 2007 by Luciana Mastrorosa

Tem um pé de romã no quintal ao lado do meu prédio. De tempos em tempos, a árvore fica carregada e eu incomodada porque ninguém colhe os frutos. A árvore fica cheinha de romãs maduras, gordinhas, algumas levemente bicadas pelos pássaros.

Romã

Eu gosto muito de romãs, mas fico com vergonha de roubar as frutas da árvore que praticamente se curva sobre o estacionamento do prédio. No final do ano passado, não resisti à tentação e peguei duas frutas maduras. E elas estavam preciosamente no ponto, coroadas por milhares de pontinhos doces, e fizeram a alegria dos supersticiosos familiares na virada do ano.

Especialmente porque a família comprou romãs no mercado… E elas estavam pretas por dentro! Completamente estragadas.

Mas as sobreviventes do meu quase quintal, desta cidade louca e poeirenta, estavam suculentas e vermelhas, como a própria vida.



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