Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for junho, 2007


Fruit de la passion, passion fruit, frutto della passione… 5

Posted on junho 28, 2007 by Luciana Mastrorosa

“Fruta da paixão”. Assim é como nossos amigos franceses e italianos, entre outros, chamam o tropicalíssimo maracujá. Versátil, é o tipo de fruta que casa bem com doces e salgados. Seu azedinho pode acompanhar molhos para peixes, como o salmão. E vai melhor ainda em combinação com o chocolate. Aliás, qualquer fruta mais ácida tem um casamento feliz com chocolate. Lembra dos fondues? Sempre tem morango, uvas verdes e mixirica para acompanhar o creme achocolatado.

Trufas de maracujá

E o que dizer das trufas? Minha querida Angelina apresentou uma receita encantadora de trufas de chocolate ao leite com recheio de chocolate branco e suco de maracujá. Você pode resistir? Eu não pude: comi umas cinco!

O mimo ficou por conta da embalagem, um papel celofane furta-cor. É muito elegante, essa minha cunhada. Meu irmão tem muita sorte, ô se tem!

Anote, faça em casa e alegre o fim de semana de quem você ama:

Trufa de maracujá

- 500g de chocolate ao leite para cobertura
- 1 lata de creme de leite sem soro
- 1 colher (chá) de manteiga
- 500g de chocolate branco
- 1/2 xícara (chá) de suco de maracujá concentrado

Leve uma tigela ao banho-maria. Derreta a manteiga, junte o creme de leite e misture. Não deixe ferver! Tire do fogo e junte o chocolate branco rapidamente, mexendo até derreter por completo. Acrescente o suco de maracujá aos poucos, até ficar um creme denso. Deixe esfriar e leve para gelar por 30 minutos.

Feito isso, prepare a cobertura. Derreta o chocolate ao leite em banho-maria (não deixe ferver, não deixe o chocolate queimar, não deixe entrar nenhuma gotinha de água sequer dentro do chocolate. Nem vapor!). Depois de derretido, transfira a tigela com o chocolate ao leite para uma travessa com água e gelo, para dar um choque térmico.

Pegue o creme de maracujá que você levou à geladeira e forme bolinhas. Cubra com o chocolate ao leite derretido e leve para gelar por aproximadamente 20 minutos, ou até o chocolate ficar opaco. Quando estiver durinha e com cara de bombom, embrulhe sua trufa com a embalagem mais linda que tiver. Ou simplesmente coloque todas elas, empilhadas, num prato bonitão.

Dica da Angelina: se quiser o recheio da trufa mais durinho, deixe o doce pronto de um dia para outro na geladeira.

Dica da Lu: Trufa de maracujá é um bom presente para aquele seu amigo chocólatra que não perdoa os seus bombons quando visita sua casa. Ou para aquela amiga que precisa de uma forcinha naqueles dias em que dá uma vontaaaade de comer um docinho, sabe? Ou para conquistar aquele moço difícil, difícil.

Um agradinho nunca é demais ;)

Arraiá do bão 1

Posted on junho 27, 2007 by Luciana Mastrorosa

Passando rapidinho para dar uma dica antes que seja tarde: a festa junina da Igreja do Calvário, em Pinheiros, está imperdível!

Se você curte um arraiá do bão, vale a pena pagar R$ 5,00 de entrada e se divertir com comidinhas típicas como bolo de milho, espetinhos, canjica, arroz doce, quentão, vinho quente…

Destaque para a deliciosa barraca portuguesa (sim, portuguesa!), com alheiras incríveis, bolinhos de bacalhau e caldo verde! Tudo muito saboroso e com preços ótimos. Na barraca portuguesa há ainda mesinhas para sentar e esquecer da vida. E tem vinho, veja você!

A festa acontece todo sábado e domingo, a partir das 17h, durante o mês de junho. Este ano, a festa vai até dia 8 de julho. Nas noites estreladas e de lua alta, junte os amigos e gaste um bom tempo sentado na escadaria da igreja, vendo o movimento de gente de todas as idades se divertindo como se fosse naquelas festas de antigamente.

E não esqueça: se conhecer uma festa junina ótima, deixa a dica aqui nos comentários!

Vai lá e me diz:

Festa junina da Igreja do Calvário
Rua Cardeal Arcoverde, 950
Esquina com av. Henrique Schaumann – Pinheiros – São Paulo/SP

Quase a Grécia 1

Posted on junho 19, 2007 by Luciana Mastrorosa

Conheci o mais famoso representante da culinária grega em São Paulo, o restaurante Acrópoles. Em pleno centro da cidade, em meio ao burburinho das lojas de roupas e acessórios e calçados do Bom Retiro, o Acrópoles é uma opção interessante para quem deseja comer rápido, sem abrir mão da qualidade.

Mas cuidado: apesar do ambiente ser completamente informal (atendimento idem), os preços não são exatamente baixos.

O Acrópoles é especialista em pratos típicos da culinária grega, especialmente os frutos do mar. Provei polvo ensopado e moussaka, aquele prato delicioso que leva berinjela, carne moída, molho e creme branco, em camadas.

Tudo no Acrópoles é informal – mesmo! O cliente entra, senta, pede as bebidas e vai direto para a cozinha, escolher a comida entre os pratos servidos no dia, direto dos fartos panelões.

Parece um pouco confuso, a princípio, mas não se incomode: basta entrar no clima.

Na dúvida, olhe para o lado e veja como os “locais” se comportam. Durante minha visita, famílias inteiras de descendentes de gregos falavam alto, comiam suas saladas e se esbaldavam com o polvo ensopado (delicioso e macio), sem se importar com a fila que se formava na porta, ou com o barulho de vozes, pratos, passos.

Tenho certeza de que, em algum momento, aquela gente ia se levantar e dançar alguma coisa. Seria perfeito! Mas saímos logo depois do cafezinho, porque o dono do restaurante já tinha prometido a nossa mesa para uma família que estava, levemente, nos pressionando…

Da próxima vez, vou pedir um ouzo (aquele aguardente forte e com gosto de anis) e demorar mais, muito mais, para comer. Vou começar com uma salada, depois pedir um prato, mais um ouzo, uma água gelada, outro prato, e demorar muito para tomar o cafezinho.

Tenho certeza que alguém vai começar a dançar, vai ser só uma questão de tempo. Ah, vai!

***

Acrópoles
Rua da Graça, 364
Bom Retiro – Centro – SP/SP
11 3223-4386

Uma idéia de preço: gastamos cerca de R$40 por pessoa, com um prato do dia e uma bebida, cada um. O café era cortesia da casa.

Aperitivo 1

Posted on junho 15, 2007 by Luciana Mastrorosa

Um pouco gripada, um pouco de molho, mas com muitos afazeres, pensei: quero preparar algo divertido, mas que dê uma alegria para meu paladar um pouco afetado pelos espirros.

Lembrei que minha querida Angelina, que sempre contribui com delícias para este blog, me passou uma receita simples, rápida e deliciosa, especialmente para receber os amigos quando se tem pouco tempo para cozinhar: filé aperitivo.

É bem do tipo daqueles filés que você pede em botecos deliciosos, com a diferença fundamental de que é preparado em casa, do jeito que você mais gostar. Vamos lá:

Filé aperitivo à moda da Angelina

- 1 copo americano de azeite de oliva
- 2 dentes de alho amassados
- 1 pitada de cebolinha picada
- 4 bifes de filé mignon ou contra-filé sem gordura
- 1 tablete ou (ou 1 envelope) de caldo de carne
- 1 pitada de manjericão fresco picado
- 1 pitada de orégano
- 1 alho-poró picado
- 1 pimenta vermelha malagueta picada, sem as sementes
- 1 cálice de conhaque
- 1 pitada de molho de mostarda
- 1 lata de creme de leite

Em uma panela, adicione o azeite, o alho e a cebolinha, deixando dourar um pouco em fogo baixo. Em seguida, adicione a carne e o tablete de caldo de carne e deixe dourar mais um pouquinho. Acrescente o cálice de conhaque e deixe apurar. Coloque o alho-poró em fatias, o manjericão fresco, o orégano, a pimenta malagueta e a mostarda.

Mexa tudo e deixe o caldo que vai se formar secar um pouco. Quando o caldinho da carne começar a secar, acrescente o creme de leite e não deixe ferver para não talhar. A consistência não pode ficar mole! Tire do fogo (baixo) quando estiver cremoso, mas não líquido.

Acompanhe com pão italiano, ou (em último caso, diz Angelina) pão francês. Sirva um vinho tinto de qualidade e faça um punhado de amigos mais feliz.

Namorados 1

Posted on junho 11, 2007 by Luciana Mastrorosa

“Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!”

Flores

Acho interessante que nosso Dia dos Namorados caia exatamente no outono. Se comemorássemos a data no dia 14 de fevereiro, como o mundo inteiro faz, teríamos um Dia dos Namorados em pleno verão, corpos suados, a moleza de fevereiro. Mas em junho, as noites de outono inspiram até a menos romântica das criaturas a pensar em amor, viver de amor: céu estrelado, tardes rosadas, uma brisa leve e fria que convida ao abraço.

Você acha que a data é comercial? Pode ser, sim. Mas eu não vejo mal em celebrar um pouquinho o amor em tempos tão difíceis quanto os nossos, em que as manchetes dos jornais (e dos sites) só falam de coisas ruins, blablablá. Por que não pegar um dia, um diazinho no meio da semana, para curtir aqueles que amamos?

Um bistrô é uma opção bacana para quem pretende jantar num restaurante simpático para comemorar a data. O Ça Va e o Café Pittoresque oferecem jantares especiais para o Dia dos Namorados, com entrada, prato principal e sobremesa. Um pequeno luxo à moda francesa. Mas, por favor, damas e cavalheiros: façam reserva antes. É triste pegar fila até em Dia dos Namorados.

Para quem não está disposto a encarar o trânsito da cidade para trocar juras de amor, sugiro um jantar em casa, preparado com carinho. Nada muito elaborado: bastam alguns frios, pães, talvez uma sopinha boa para aquecer a alma. Pistaches e castanhas salgadas aguçam o paladar, e um espumante sempre vai bem nessas horas.

Para a sobremesa, trufa de chocolate para comer de colher, a dois, e talvez uns morangos para fazer uma graça.

Um café quentinho com biscoitinhos podem encerrar a refeição, dando espaço para que o casal apaixonado aproveite o que resta da noite para fazer nada mais a não ser ficar junto, bem juntinho, e esquecer que lá fora está frio, está quente, está morno, está chato, está cheio…

***

Os versos que abrem este texto são do poeta chileno Pablo Neruda, que sabia como partir um coração de tanto, mas tanto amor.

Aliás, para quem gosta, um bom livro do Neruda é um presente lindo para o Dia dos Namorados. Que tal “Os versos do Capitão”, para começar? Se estiver apaixonado, mas triste, tente os “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”.

Ah, não sabe como fazer trufa? Derreta 500 g de chocolate ao leite (ou meio amargo), sem deixar entrar vapor, nem queimar o chocolate. Retire do fogo e misture 1 lata de creme de leite, mexendo sempre, até ficar uma consistência cremosa. Misture 1 ou 2 colheres (sopa) de conhaque e mexa, mexa, mexa. Se gostar, acrescente avelãs em pedaços, nozes ou quaisquer outras castanhas. Leve à geladeira e sirva assim, às colheradas. Com morango e cerejas fica lindo.

Um ano de viagens? Eu quero! 1

Posted on junho 06, 2007 by Luciana Mastrorosa

Frances Mayes é professora de literatura. E tem um dom inegável: escrever. Especialmente relatos de viagens. Ela ficou conhecida mundialmente com o livro Sob o Sol da Toscana, que narrava suas aventuras ao comprar uma casa antiga, perfeita, na região italiana que dá nome ao livro.

O livro virou filme, o filme correu o mundo, e tudo bem.

Agora ela lançou um novo livro, delicioso, chamado Um ano de viagens. São 365 dias de “passeios apaixonantes pela Europa, Marrocos e Turquia”, como diz o subtítulo da obra.

Imagina que sonho passar um ano inteirinho viajando ao lado do seu amor? Conhecendo comidinhas, povos, culturas, idiomas, frio e calor em outras terras, entre outras gentes? Eu quero, e quero agora!

Nesse ponto você está se perguntando: mas esse não é um blog de comida? É, estimado leitor. E é por isso que estou indicando essa leitura. Uma das coisas mais divertidas nos livros da senhora Mayes é o olhar gastronômico da autora. Logo no comecinho, ela descreve as tapas espanholas que provou. Só um pouquinho para vocês verem que o negócio é tentador:

“Experimentamos batatas com uma maionese picante e presunto, anchovas marinadas, fatias grossas de lombo de porco com um molho verde de pimenta, espinafre com bacon, nozes e uma mistura de peixes fritos, tudo em porções do tamanho de um pires. O vinho branco tem gosto de xerez. (…) Peço alguma coisa que não seja dos barris de Jerez, e o Muga, um Rioja branco, é leve e picante, ótimo com o queijo branco torta del casar, tão macio que se pode comer de colher”.

É por essas e por outras que eu adoro a Frances.

Só um detalhe: ela e o marido, Ed, abriram mão de seus empregos fixos numa tradicional universidade americana para passarem esse ano juntos, viajando, olhando para o mundo. Eles não são mais garotos, podem se dar a certos luxos.

E o detalhe romântico da coisa: Ed entregou seu pedido de demissão no Dia dos Namorados, “e voltou para casa com três dúzias de rosas amarelas”.

O amor é mesmo um negócio impossível.

Um ano de viagens
Frances Mayes
Editora Rocco



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