Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for dezembro, 2007


Rituais e um recadinho de Ano Novo 1

Posted on dezembro 31, 2007 by Luciana Mastrorosa

“We all go round and round
Partners are lost and found
Looking for one more chance
All I know is we are all in the dance”

Você tem rituais de Ano Novo? Eu tenho alguns. Mas os que mais me agradam são, sem dúvida, aqueles que envolvem comida. Cresci observando minha avó entregar uma folha de louro a todas as pessoas da família. E ela pedia: “tem que guardar a folhinha na carteira, para dar sorte”.

Hoje em dia, minha mãe dá continuidade à tradição da folhinha de louro, e eu também.

Lentilhas e uvas
Além do louro, lentilhas são fundamentais: adoro dar umas garfadas numa boa lentilha na virada do ano. E uvas verdes? Dizem que é preciso comer 7 grãozinhos, outros falam em 12. O que importa é que as uvas-itália, bem gordas e doces, também são associadas à sorte e fartura.

Aves, não!
Tem também as carnes dos pratos principais. Reza a lenda que não se pode comer aves na virada, porque são bichos que “ciscam para trás”. Por outro lado, peixes são bem-vindos, assim como porco, por representarem abundância e fartura (especialmente o segundo). Se for assim, o salmão é meu herói: tem que nadar loucamente até conseguir achar um local propício para se reproduzir. É o máximo da persistência, fé e perseverança!

Queridas romãs
Mas de tudo isso, minha comida favorita de réveillon é a romã. Eu fico encantada com o suco avermelhado que sai da fruta quando a partimos ao meio, as sementinhas vermelhas… Puro símbolo de prosperidade!

Mas este ano não consegui romãs para minha ceia de réveillon, e apelei para uma garrafa de Grenadine, que deveria ser um xarope de romã, mas… Na versão que comprei, é feito com frutas vermelhas! Como pode?

Com romã ou sem romã, vestindo branco ou dourado ou vermelho, meu pensamento para 2008 vai ser voltado somente para coisas boas, especialmente novos sonhos tornando-se realidade.

‘We are all in the dance’
Deixo com vocês a música que marcou 2007 para mim, e que eu continuo ouvindo todo dia, pelo menos uma vez, para lembrar que a vida vale a pena, apesar de tudo:

[youtube]AGc71qCZ_SY[/youtube]

A música, “La même histoire”, é interpretada pela cantora Feist e encerra o lindo filme “Paris, te amo”, que vi na minha primeira viagem ao Rio deste ano. A frase que abre este texto, aliás, é desta música, assim como estas que vou deixar para finalizar o post:

“Quel est donc
Ce lien entre nous
Cette chose indéfinissable?”

Qual é essa ligação entre nós? Não sei. Mas sei que tudo que é amor e felicidade e prosperidade e sorte estará no meu coração na virada, para que 2008 seja lindo e traga coisas boas para todos nós!

Feliz Ano Novo! 0

Posted on dezembro 29, 2007 by Luciana Mastrorosa

Mais uma vez, estamos às vésperas do Ano Novo. O Natal passou e eu dei uma sumida, eu sei, mas tenho algumas justificativas. Passei uns dias no Rio de Janeiro indo à praia, lendo o novo livro da Isabel Allende na rede, na varanda, e me divertindo a valer com amigos paulistas e cariocas, conhecendo novos sabores, amando, enfim.

O Rio estava lindo, apesar de nublado, mas eu fiquei levemente atrapalhada por conta de uma contração muscular no ombro direito; na prática, uma dor dos infernos causada por uma mochila pesada demais, e que durou mais de uma semana! Mas agora estou melhor e pronta para outra. ;)

O Natal passei em São Paulo mesmo, com toda a família reunida e uma ceia farta, com dois perus, tender com frutas, salada de maionese, muitas folhas verdes e tomates e azeitonas e pavê de chocolate tradicional e frutas frescas e secas e panetone, ai! Devo ter engordado uns 2 kg, mas ainda espero avidamente pela ceia de Réveillon.

Eu adoro esta época do ano! Para mim, funciona MESMO como um momento de observar os 365 dias que passaram e pensar: será que é isso mesmo que eu quero? 2007 foi um ano de certa forma sofrido para mim, mas que me trouxe também alegrias ímpares, como escrever para este blog, por exemplo.

E ano que vem, 2008 querido que chega, mais surpresas boas acontecerão, tenho fé!

E, claro, novas comidinhas, receitas, guloseimas, sonhos e delícias vão ser o recheio desses 365 dias novíssimos em folha que estão chegando.

Quero desejar um feliz e lindo Ano Novo para todos vocês, e agradecer pela companhia até agora!

Para brindar, champanhe, sempre. Viva 2008! :)

Abrindo o champanhe

Trivial mineiro 1

Posted on dezembro 13, 2007 by Luciana Mastrorosa

Já falei neste blog sobre um dos meus restaurantes favoritos em São Paulo, o Consulado Mineiro.

Quando penso em uma comida boa e quentinha, penso no Consulado. Este ano reuni alguns amigos queridos para comemorar meu aniversário lá, e tirei muitas fotos dos pratos deliciosos do trivial mineiro. Hehe!

Neste dia de friozinho, com garoa e tudo, eu queria muito almoçar lá. Ou jantar! Ou os dois… Vejam as fotos e me digam se não dá água na boca:

Zona da Mata: mandioca frita, carne seca desfiada e acebolada, feijão, arroz, couve fresquinha

Consulado Mineiro

Costelinha à mineira: com limão espremido, é um dos meus pratos favoritos de todos os tempos; destaque para o tutu de feijão que, com uma gota de pimenta, alegra qualquer vida

Consulado Mineiro

Vaca atolada: cozido bem forte, delicioso, com caldo engrossado de mandioca e pedaços generosos de costela bovina, macios como o céu

Consulado Mineiro

À moda russa 1

Posted on dezembro 11, 2007 by Luciana Mastrorosa

Em novembro conheci o Café Pittoresque, um restaurante pequenino que serve especialidades da culinária russa. Como não conheço nada desse tipo de cozinha – salvo por inúmeras versões de estrogonofe (que, dizem, é um prato de origem russa), decidi provar os menus degustação, com entradas quentes e frias e um prato principal.

Para começar, pedimos o couvert (R$ 4 por pessoa), composto de pão preto em tirinhas frito na manteiga com alho, berinjelas marinadas (boas, nada ácidas), fatias de pão fresco e manteiga:

Café Pittoresque

Para acompanhar, vodka Russkiy Razmer, a R$ 9 a dose. Achei caro para um copinho tão pequeno. Aliás, detalhe para o copinho: lindo, com aquela carinha retrô que anda tão em voga ultimamente. As louças e copos, disse o garçom, são todas importadas da Rússia.

Café Pittoresque

Enquanto nossos amigos não chegavam, provamos o couvert calmamente, aproveitando para dar uma olhadela no cardápio. O garçom simpático nos disse que seria melhor pedir apenas dois menus-degustação (que acompanham entradas – zakuski – quentes ou frias) e dois pratos principais, para atender aos apetites de quatro pessoas. Bom.

Segundo meu amigo Gabriel, o garçom subestimou seu apetite! Eu também acho, na verdade. O zakuski frio (R$ 25) estava excelente, todos na mesa concordaram: fatias de pão preto, salmão defumado, creme maturado (leve demais para o meu gosto, mas ok), ovas de capelin, beterraba em conserva, congumelos marinados e as mesmas berinjelas (boas) do couvert. Eu poderia comer pratos e mais pratos dessa combinação!

Café Pittoresque

O zakuski quente (R$ 25) já levantou mais críticas dos comensais. No prato coletivo tinha: pasteizinhos (muito!) massudos de carne e queijo, folhado de berinjela (bom), almôndegas com molho condimentado (ok), e cogumelos ao creme (estes sim, muito bons).

Café Pittoresque

Depois das entradinhas, pedimos os pratos: dois estrogonofes, um frango ao creme de avelãs e um salmão cozido no açafrão com batatas e cogumelos ao creme. Para chateação dos meus convidados, provei um pouquinho de tudo (hehehe), e cheguei à conclusão de que o ‘verdadeiro’ estrogonofe é mesmo bom, mas eu gosto também da nossa versão abrasileirada.

Café Pittoresque

O salmão estava gostoso, com destaque total para as incríveis batatas cozidas ao creme com cogumelos frescos (já mencionei que AMO cogumelos?):

Café Pittoresque

Mas, na minha opinião, o prato campeão da noite foi mesmo o frango ao creme de avelãs, acompanhado de arroz, com um molho muito delicado e saboroso. Para beber? Mais vodka, é claro! Não sem uma certa dor no coração, porque a dose é realmente cara. O copinho de Waltz Boston saía por R$ 10,50! Caro.

Café Pittoresque

De sobremesa, nossos amigos pediram um mil-folhas ao creme de nozes que estava também bom. Mas meu forte não é sobremesa, de modo que só provei um pedacinho.

Café Pittoresque

Para finalizar, cafés. Nessa hora, o movimento já chegava ao final e apenas uma ruidosa mesa (de conhecidos do chef Luc Talon, imagino) fazia festa no salão iluminado, alegres pela conversa animada e pela vodka abundante.

Os queridos blogueiros do Brincando de Chef e do Gourmandise também visitaram o Pittoresque, mas tiveram uma visão diferente da minha. Vale a pena ler o delicioso relato :)

Quer conhecer?

Café Pittoresque
Rua Fradique Coutinho, 832
Fone: (11) 3097-0939 – São Paulo/SP
http://www.cafepittoresque.com.br/

Boteco para as festinhas com amigos 1

Posted on dezembro 10, 2007 by Luciana Mastrorosa

Fim de ano chegando e, com ele, mil e um compromissos: festa da ‘firma’, amigo secreto, reuniões para rever os amigos mais queridos, preparações para viagens e, claro, plantão de réveillon. Quem mandou ser jornalista? ;)

Mas, apesar da correria, eu adoro esta época do ano. Fico mais feliz, sempre. Gosto do Natal, gosto de comemorar o Ano Novo, mesmo que eu tenha de trabalhar. É o espírito de novidade que me move.

Quer uma sugestão de boteco bacana para celebrar com os amigos? O Canto Madalena! É charmoso, com uma decoração que lembra um brechó: geladeiras antigas, antigüidades, mesas de madeira escura, cadeiras diferentes, toalhas de chita com rendinhas na ponta… E cachaças ótimas:

Canto Madalena

Fica na Rua Medeiros de Albuquerque, 471, na Vila Madalena (SP). O telefone de lá é (11) 3813-6814, se você quiser fazer reserva antes.

Além das cachaças ótimas, o boteco tem comidinhas que não deixam nada a desejar. Destaque para os pastéis de camarão, sequinhos, e para o escondidinho. A caipirinha de morango com vodka também é uma delícia!

E como a casa é grande e espaçosa, dá para juntar uma turma volumosa que a festa continua boa! Este ano comemorei meu aniversário lá, e não tive nenhum problema, apesar de ter juntado umas 20 mesas! :D

E a novidade é Red Angus 1

Posted on dezembro 07, 2007 by Luciana Mastrorosa

São Paulo ganha mais um excelente restaurante para os apreciadores de carne: o Fazenda MC – Red Angus Beef. O novo investimento do empresário Eloy Tuffi abriu ontem para o público, depois de alguns jantares e eventos fechados para convidados.

Antes da inauguração oficial, a casa promoveu o Festival Red Angus para divulgar o restaurante e apresentar a deliciosa carne que será servida no local. As propagandas indicam que a carne do gado Red Angus é reconhecida pela maciez, suculência e sabor. E é preciso admitir: os cortes realmente impressionam pela excelência.

Tive a oportunidade de participar do jantar para a imprensa e me surpreendi com o sabor e maciez da carne. Além disso, os cortes vinham no ponto exato para o consumo, nada dos excessos das carnes malpassadas, ou da dureza dos cortes que ficaram tempo demais no fogo.

O jantar

O jantar começou com um coquetel simpático, em que pude dar um giro e conhecer o espaço de 3 mil metros quadrados do restaurante, que fica na avenida Henrique Schaumann, naquela região estratégica em que pelo menos duas churrascarias farão companhia para o Red Angus Beef.

Para começar, espumante Chandon:

Festa Red Angus

O local, antes um bar que fez sucesso por muito anos, foi totalmente redecorado e chama a atenção pelos móveis pesados, classudos, madeiras nobres em todos os cantos, lustres. Tudo muito suntuoso, mas sem soar ostensivo demais. Pelo menos foi essa a minha primeira impressão do local, tenho que voltar lá depois da inauguração para checar tudo de novo, à luz do dia.

Ao coqueteu seguiu-se um jantar excelente, com salada de endívias e salmão defumado com molho de mostarda para começar, acompanhada de pães pequeninos e pãezinhos de queijo:

Festa Red Angus

Logo depois, pudemos experimentar os cortes de Red Angus, ao ponto, perfeitos, mais um corte de frango na brasa, que também surpreendeu. Para acompanhar, arroz, quiabo no azeite, cenoura ralada e cebola. Tudo isso regado a um bom tinto argentino e água mineral:

Festa Red Angus

De sobremesa, minipudim de leite, bem brasileiro, e mousse de chocolate com nozes carameladas e calda de frutas vermelhas.

Festa Red Angus

Vale a pena fazer uma visita para conhecer a nova casa em Pinheiros:

Fazenda MC – Red Angus Beef
Abertura oficial para público: 6 de dezembro
Rua Henrique Schaumann, 251 – Pinheiros – São Paulo/SP
Segunda a domingo, das 12h às 15h (almoço) e das 18h às 23h30 (jantar)
Couvert: R$ 12,90

É importante saber: a nova casa não aceita cheques, mas aceita cartões de crédito

Para o conforto da alma 0

Posted on dezembro 06, 2007 by Luciana Mastrorosa

Tem dia que a gente precisa mesmo é de uma boa sopinha! Alguns pratos e alimentos são muito confortáveis para momentos de crise, apreensão, estresse, essas coisas da vida moderna.

Para mim, poucas preparações são mais curativas do que sopa. É simples, aquece o estômago e conforta a alma. E nesta época louca de fim de ano, que eu adoro, há poucas oportunidades para tomar uma sopinha, porque o verão começa a chegar e aí, amigos, só salada! :)

Por isso, aproveite os dias de cansaço extremo e prepare uma sopinha básica de ervilha, calculando as quantidades no olho. Vai te fazer bem:

Sopa de ervilha

Sopa de ervilha simples à moda da Lu

- 1/2 pacote de ervilha seca
- 1 tomate maduro
- 1 alho-poró (só o talo, bem lavado)
- 1 colher (sopa) de arroz
- 1/2 cebola ou 1 cebola pequenina
- 2 dentes de alho
- cebolinha picada
- coentro picado
- azeite
- água
- sal

Lave bem as ervilhas num escorredor de arroz e coloque numa panela. Cubra com água e deixe ferver. Se quiser, pode acrescentar caldo de legumes (feito em casa ou 1 envelope, em pó).

Enquanto isso, tire a pele do tomate e as sementes, e pique em cubinhos. Lave bem o alho-poró e corte em tirinhas. Quando a ervilha começar cozinhar, acrescente o arroz (já lavado). Acrescente também o alho-poró.

Mexa sempre, até o caldo começar a engrossar. Numa frigideira à parte, frite a cebola e o alho no azeite. Refogue e acrescente os tomates e os demais temperos. Junte, então, uma concha da sopa e refogue mais um pouquinho, com um tantinho de sal. Feito isso, despeje essa mistura na sopa e corrija o sal.

Vá mexendo sempre até ficar cremoso. Se as ervilhas continuarem durinhas e o caldo começar a secar, acrescente mais água quente e mexa até a sopa ficar macia e aveludada. O creme tem que ficar verdinho e facílimo de tomar, sem esforço algum.

Quando estiver pronta, coloque em cumbucas e sirva com queijinhos cortados ou parmesão ralado, pão torrado, um fio de azeite e pimenta-do-reino moída na hora. É para deixar qualquer um feliz.



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