Os pequenos (grandes) prazeres da vida
As coisas mais simples da vida acontecem quase que por acaso, quase sem perceber. Depois de pedir demissão do meu emprego, me deparo com a frase: o que vou fazer agora?
Vou viver, penso e respondo a mim mesma. Viver, simplesmente. Encontrar os pequenos prazeres da vida, encontrar os grandes prazeres da vida. Trabalhar com alegria, com gosto, com aquilo de que gosto muito, comidas, cheiros, sabores.
Coisas em que penso: feijoada no almoço de sábado, vodka com gelo no fim da tarde, sorvete num dia quente, torta de maçã num dia frio. O macarrão com almôndegas da minha mãe, o sabor do estrogonofe russo, o leve doce-amargo dos aspargos grelhados, o verão. O gosto do mar e do sol na minha boca, gosto de sol? Pois é, gosto de sol.
Os perfumes de lavanda, camomila, erva-doce, capim-limão. A casquinha da torta de palmito recém-aprendida, a alegria de tirá-la do forno e recebê-la, ainda quente, como um filho. Os morangos com açúcar e creme, em quantidades de pote. O milho verde cozido, cheirando a manteiga, sal e calor. A terra, a terra de onde brotam milhões de coisas: temperos e cheiros-verdes, alecrim, salsa, coentro. E mais orégano fresco, que eu quase nunca vi.
E ainda as frutas, é tempo de caqui, os figos que fizeram os corvos perderem a linda voz, o mel que as abelhas levam tempo para produzir e – zás! – acaba em um segundo em cima dos crôstolis fritos, receita da vó, da mãe, da tia. De todas as mulheres minhas ancestrais, talvez suas também.
O que vou fazer agora? Comer um pedaço de torta, olhar a tarde azul-cinza da janela, fazer um chá de verbena, que verbena é erva poderosa, garante meu marido, que não acredita em mandingas, veja você.
Vou fazer agora o que deveria ter feito toda a minha vida: viver. Um pouquinho mais, um pouquinho mais. E hoje, e sempre.


É isso. a gente só precisa viver um cadinho. Juntos, diga-se! Beijocas, Zé
É sim, lindo. É sim!
bjssss