Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Retrato em branco e preto

Posted on agosto 12, 2008 by Luciana Mastrorosa

“O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto, evito tanto
E que no entanto volta sempre a enfeitiçar”

Eu sou uma garota muito festeira. Celebro casamentos, nascimentos, batizados, dias das mães, dos pais, Natal e Ano Novo. Mas, de tudo, o que eu gosto mesmo é de aniversários.

Costumo brincar com meus amigos que quero ser uma velhinha feliz, comemorando meu aniversário e tomando champanhe aos noventa anos de idade. Que festa, hein? Outro dia tive um treinamento de trabalho num hotel e, no café da manhã (eu adoro cafés da manhã de hotel!), discutia com meus amigos como seria minha festa incrível quando eu fosse muito, muito rica, e tivesse um hotel inteiro à minha disposição. (Sonhar não custa nada…)

Resultado: a festa seria comemorada no terraço do hotel, no último andar, com todos os meus amigos (então velhinhos) numa festa com muita luz, lantejoulas, champanhe, caviar, docinhos bonitos, zebras, bichos folclóricos e tudo o que uma festa maluca dessas tem direito. Ah, seria a glória! Meus amigos adoraram a possibilidade, contribuíram com idéias, e eu fiquei muito feliz de ter amigos tão malucos quanto eu. E eu ainda ganhei uma pastilha de chocolate com uma borboleta dourada, e fiquei com “borboletas no estômago”. É. Até hoje.

E eu, você sabe, sou o tipo de pessoa que cozinha quatro pacotes de conchiglione, aquelas conchas de macarrão, e recheia tudo e faz dois – eu disse DOIS – caldeirões de ragu alla bolognese para… sete pessoas? Ok, era para ser uma festa para doze pessoas, mas algumas faltaram por motivo de força maior. Nunca treze à mesa, certo? Mas sete, pode!

E eu sou bem o tipo de pessoa que coloca todas as conchas recheadas e cobertas de molho e cobertas de parmesão “do bom” no forno para servir alegremente a uma família inteira, pensando sempre na possibilidade de amigos chegarem, e ainda pensando na esperança do sobrinho ou sobrinha lindo ou linda que virá em breve, já está quase lá :) .

Sim, somos um pouco exagerados quanto às festas, eu sei. Meu marido olha horrorizado para tudo isso e, no meu íntimo, tenho certeza de que ele se arrepende um pouquinho do enlace… ;) Mas só um pouquinho, talvez. Quem sabe?

Porque, você sabe, eu gosto muito de festas, eu sou uma festeira de primeira linha, e faltam poucos, pouquíssimos meses para o meu aniversário, mas eu já estou planejando quantos virão, onde será a festança, o que devo oferecer para os convivas e quantos litros de champanhe, vinho, refrigerante e água (eu adoro água) servirei para as criaturas alegres que festejarão minhas três décadas de vida, e tantas outras que virão.

E só para dizer que não é coisa minha, mas é de família: no domingo passado, mamãe me liga dizendo que precisa de mais um quilo de farinha, porque pode faltar para completar a SEXTA receita de massa de esfiha que ela e minha cunhada estavam preparando para o almoço de Dia dos Pais… Resultado: esfihas de carne e de queijo e de verduras distribuídas para toda a família, em quantidade para durar uma semana…

Não é? Eu amo minha família. E meus amigos. E todos aqueles malucos que me pegam pela mão, acreditam na minha doidice e dizem: estou aqui, pode contar comigo.

Porque a vida, amigos, pode ser uma festa. Sempre.

1 to “Retrato em branco e preto”

  1. Marcello disse:

    Essa fartura nas festas é bem típico na nossa família! E é aí que está toda a graça! Sempre foi assim e sempre será.
    Mas, nem todos entendem o porquê de tudo isso. Coitados, não sabem o que estão perdendo…
    Mangia que te fa benne, catzo!

    Hahahaha! Pois é! Mas não é a fartura pela fartura, acho que o gosto de agradar todo mundo vem antes :)



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