No Caverna Bugre
Esta semana visitei o Caverna Bugre, na rua Teodoro Sampaio que, entre outras coisas, é a rua dos músicos e das lojas de instrumentos musicais, dos móveis e do comércio popular de roupas, brinquedos, sapatos… A rua é comprida, e cada trecho tem uma “especialidade”, digamos assim.
No começo da rua, pertinho do Hospital das Clínicas, está o Caverna, um desses restaurantes antigos, que servem pratos enormes e pesadões, de inspiração alemã, desde 1950! O prato mais pedido da casa é o filé alpino, um filé fininho coberto com copa, provolone e catupiry, gratinado, mais arroz e molho inglês, e dá para duas pessoas.
Mas na minha primeira visita eu arrisquei outro prato, o kassler: bisteca suína ligeiramente defumada, frita, acompanhada de salsichas (uma das quais branca, de vitela), batata cozida e chucrute. Mesma coisa: um prato serve mais do que bem duas pessoas e é, de fato, pesado, como eu já havia previsto. De entrada, pedi croquetes de carne, que vieram salpicados por um tempero de sabor estranho, o sal de aipo. Para acompanhar, cerveja de trigo, Erdinger, servida naqueles copos enormes.
Pedi o kassler porque tenho um certo afeto por esse prato. A primeira vez que provei kassler foi há muito tempo, num restaurante delicioso que, infelizmente, não existe mais, o Kakuk. Eu era uma adolescente ainda, começando a me ligar nessa idéia de sabores e novas comidinhas, e lembro que torci o nariz quando meu namorado da época me convidou para jantar lá, com seu pai.
Mas que nada! Logo me apaixonei pela comida. O kassler do Kakuk era macio, rosado, e tinha purê de maçã e purê de ervilha como acompanhamentos, além do tradicional chucrute. Amei. Nunca mais encontrei um purê de ervilha feito daquela forma, macio e verdinho, mas consistente.
E o ambiente era uma delícia, parecia um vagão de trem, com mesas e bancos de madeira escura, reservados, cada um na sua “cabine”. Lembro até do que conversamos naquele dia: Agatha Christie! Certas coisas a memória não apaga… Devo esta lembrança deliciosa ao saudoso Melo, meu ex-sogro, que me apresentou o Kakuk e também o Gigetto, mas isso eu conto em outra história.
O Kakuk ficava na Santa Cecília, e fazia o melhor kassler que provei até hoje. A bisteca do Caverna Bugre é boa, mas não tanto quanto à do falecido Kakuk… Ainda estou na busca.
Em tempo: o filé alpino, carro-chefe do Caverna Bugre, é bastante apetitoso. Um pouco pesado, prato de antigamente, mas vale como um grande clássico de São Paulo, o que lhe rendeu até prêmio Paladar em 2008!
***
Caverna Bugre
Rua Teodoro Sampaio, 334
(Na altura do Hospital das Clínicas)
Fone: (11) 3085-6984
São Paulo – SP
* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.

Ai meu deus o Kakuk…
Eu trabalho com oeditor de videos mas tenho um blog sobre comida…
E me lembro muito bem como eu comecei a gostar de comida e eu nasci e morei até meus 23 anos no predio em cima do Kakuk ou seja toda data festiva meu pai me levava no Kakuk….
Que saudades louca faz tanto tempo que eu não pensava mais nele…
Vc não imagina como vou dormir feliz hoje pensando nos bons momentos que tive lá…
Eu gostava muito de uma sopa acho que de aspargo que vinha com uma massa cobrindo a panela nossa só de lembrar como era furar aquele pão e ver a sopa escorerrer pra dentro do prato ai.. até doi.
mil beijos