Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for março, 2009


Primeiras vezes 3

Posted on março 31, 2009 by Luciana Mastrorosa

Pronto, amigos, estou de volta. Recuperada, comendo de tudo novamente. Como é bom estar com a boca em dia!

Fim de semana passado foi um momento de muitas “primeiras vezes” na minha cozinha. Fiz uma foccacia pela primeira vez (as do curso não valem, né!), fiz um fumet de peixe sozinha pela primeira vez e fiz a melhor lula ensopada da minha vida. Isso sim é que é primeira vez! :P

Hoje vou ensinar a fazer a foccacia, para que vocês tenham o gostinho de preparar uma massa em casa alguma vez na vida. O cheiro da foccacia assando é tranquilizador, acredite.

Como já comentei por aqui, minha cozinha é pequenina, não tenho muito espaço para amassar a massa de pão, foccacia, pizza, como se deve. Mas improvisei no granito da pia – devidamente limpa – e foi um sucesso. É muito bom sovar a massa, parece que descarrega as tensões!

Só errei no recheio da foccacia. Em vez de colocar linguiça portuguesa crua, em rodelas, decidi assá-las antes. Fail. Ficaram duras e crocantes além da medida, embora o sabor fosse bom.

(Agora estou num momento “massa-descontrol”, de modos que comprei duas formas de pizza para fazer pizza caseira e agradar o maridón. Sim, ele não tem nada de gourmet: seus pratos favoritos são pizza e pipoca. E isso lá é prato? Bem, gosto não se discute, é o que dizem…)

Mas, voltando à foccacia: para uma primeira tentativa, a massa ficou saborosa, mas eu preferia que ela ficasse um pouco mais aerada. Acho que preciso caprichar mais na hora de sovar.

E foccacia, você sabe, pode levar qualquer coisa como recheio. A clássica leva somente alecrim e sal grosso, para se ter uma idéia. Mas fica ótima com tomate e alho confitado, fatias de cebola carameladas, linguiça seca, atum, sardinha… Uma infinidade de sabores. Misturar ervas frescas ou secas na massa também pode dar resultados interessantes, é só uma questão de testar.

E fica melhor ainda se consumida bem quentinha, recém-saída do forno. Quando esfria, a massa endurece ligeiramente e perde um pouco da graça, eu acho. Gosto de tudo quente.

Quer aprender a fazer foccacia também? Vamos lá!

Foccacia de linguiça portuguesa e pesto

foccacia-pronta

- 7,5gr de fermento biológico seco instantâneo (ou, se preferir, 15 g de fermento biológico fresco)
- 2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 colher (chá) de açúcar
- 200ml de água morna
- 1 colher (chá) de sal
- 6 colheres (sopa) de azeite extra-virgem
- sal grosso para polvilhar a massa
- azeite extra-virgem para regar, ao final

Para o recheio

- 1/2 linguiça portuguesa crua, em rodelas
- 4 alhos assados
- folhinhas de tomilho fresco
- 2 colheres (sopa) de molho pesto

Para preparar a foccacia, é importante tomar cuidado para não matar o fermento. Por isso,  a primeira coisa a fazer é juntar, numa vasilha pequena, o fermento, o açúcar e metade da água morna. Morna mesmo! Se for muito quente, o fermento morre e nada de massa.

Misture bem e deixe descansar por mais ou menos 10 minutos. A mistura vai mudar de cor e de cheiro, criando borbulhas.

Enquanto isso, numa forma maior, junte a farinha e o sal. Faça um vulcão no meio e coloque o fermento, já crescidinho, o azeite e a outra metade da água. Misture bem e, quando estiver com uma cara de massa, despeje tudo no granito (ou numa superfície lisa e muito limpa), polvilhado com farinha.

Amasse, sove, aperte a massa, sempre acrescentando um pouquinho de farinha para não grudar nas mãos. Quando a massa estiver dourada e lisa, deixe-a descansando numa tigela grande, coberta com um pano limpo e ligeiramente úmido por mais ou menos uma hora e meia, ou até a massa dobrar de tamanho.

Quando a massa já tiver crescido, abra-a numa forma (retangular ou redonda) untada com óleo. Faça pequenos buraquinhos sobre a massa, onde você vai colocar os recheios. Por fim, salpique com sal grosso, distribua o pesto nas covinhas e regue com azeite.

Leve ao forno pré-aquecido por cerca de 30 minutos, até que a massa comece a ficar dourada.

Ao tirar do forno, regue com mais azeite e sirva. Nham! :D

Quer ver um mini-passo-a-passo da receita? Clique no slideshow aí embaixo:

Em recuperação 2

Posted on março 27, 2009 by Luciana Mastrorosa

Ai, ai, ai… Nunca pensei que tirar um dentinho poderia dar tanto trabalho e fraqueza e moleza por uma semana… Depois de dias tomando líquidos, comecei a comer comidas sólidas de novo, mas sinto um cansaço inexplicável e uma fome de leão, que não passa nunca.

Para piorar, os remédios todos deixam meu pobre estômago em frangalhos, e eu passo mal. Mal, mal. Droga.

Como prêmio de consolação, vou dedicar esta sexta-feira ao ócio completo, e pensar em cardápios gostosos de Páscoa. Tenho sonhado com bolinho de bacalhau crocante, cordeiro assado com batatas e alecrim, e toda sorte de comidinha boa de festa, de celebração.

E tenho sonhado mais ainda com chocolates escuros, lustrosos, e com uma quantidade exagerada de cacau. A depender das minhas vontades, acho que vou ficar boa logo…

Espero, né? Por hoje, o que eu quero mesmo é um prato bem quentinho e simples, com carne vermelha. Estou precisando é de uma boa “sustância” para me recuperar e voltar com as receitinhas aqui…

Desejem-me sorte!

Agradecendo as gentilezas 4

Posted on março 25, 2009 by Luciana Mastrorosa

Semana passada, duas blogueiras queridas prestaram homenagens ao Guloseima.

Aninha e Lu, só posso agradecer imensamento pelo carinho e apoio! Voltem sempre, a casa é sua! ;)

A Analu publicou a homenagem na Cabana Bacana, o delicioso blog de casa, comida e decoração que ela mantém, sempre com novidades quentinhas e preciosas. Você pode ler o doce texto da Aninha aqui.

A Lu publicou dois posts falando, adivinhe?, de comida de novela!, no blog Próximos Capítulos. Inicialmente, ela sugeriu que eu escrevesse esses posts, já que o assunto tem tudo a ver comigo.

Mas, como ela tem um blog de novela – e uma memória muito melhor que a minha para as tramas novelescas – pedi que ela escrevesse os posts, e ficaram ótimos. Leia aqui o Guloseimas das novelas e aqui O Frango Nobre de Raquel Acioli. Tem até receita!

Merci beaucoup! ;)
***

Aproveito para deixar um recadinho: hoje é o lançamento do livro da Alê Blanco, do blog Comidinhas! A noite de autógrafos de “O Melhor do Comidinhas” vai ser na livraria Saraiva, no shopping Higienópolis, a partir das 19h30. Eu vou, vamos lá? :) Sucesso, Alê!

A rica culinária indiana 2

Posted on março 24, 2009 by Luciana Mastrorosa

Sou apaixonada pelos aromas e cores da culinária indiana, que uma amiga me apresentou lá pelos idos de 2000, quando trabalhávamos juntas perto do restaurante Ganesh.

Tandoor

Tandoor por guloseima, no Flickr

O Ganesh, assim como o Govinda e o Tandoor, são alguns dos mais tradicionais representantes da culinária indiana em São Paulo. Quem fica com água na boca de ver as preparações da novela Caminho das Índias pode provar um pouquinho do tempero indiano nesses restaurantes.

Muito aromática, a comida indiana abusa dos temperos e ervas, como cominho, coentro, canela, cravo, assa-fétida, feno grego, mas sem resultar em algo enjoativo. A comida também pode ser bem apimentada, por isso é bom informar-se com o garçon antes de fechar o pedido. Em alguns restaurantes, como o Ganesh, os pratos são classificados com “estrelas” de pimenta, sendo uma estrela o mais fraco e 4 estrelas o mais forte. Eu nunca passei do número dois, e olha que adoro pimenta!

Para começar com algo mais simples, peça as samosas, pasteizinhos recheados de batatas e ervilhas, ou ainda de frango. Os restaurantes indianos costumam ter uma boa oferta de pratos vegetarianos, o que agrada, e muito, aqueles que não comem carne.

Para beber, experimente o lassi, uma bebida refrescante feita à base de iogurte, que pode ser misturada com frutas ou tomada pura. É boa para aliviar aquele gostinho residual de pimenta, caso você tenha exagerado um pouquinho na dose.

Tandoor

Tandoor por guloseima, no Flickr

E, para completar, não deixe de provar os chutneys de entrada, que a maioria dos restaurantes oferece, para serem consumidos com o delicioso naan, um tipo de pão indiano, assado na hora no forno tandoor. É uma das melhores partes da refeição.

Todas as fotos que ilustram este post foram clicadas por mim no restaurante Tandoor. O arroz vermelhinho tem um aroma incrível de especiarias, e os outros dois pratos mostram o delicioso curry de frango que comemos por lá. Repare nas delicadas panelinhas em que as comidas são servidas. Parece pouco, né? Mas não é, não. A porção dá para duas pessoas, se você tiver comido os deliciosos pãezinhos e chutneys de entrada. E, quem sabe, uma ou duas samosas de batatas? Nham! :D

Deixo com vocês uma receitinha básica de curry, que faço em casa há muito tempo, variando apenas nos acompanhamentos. É prática e dá um gostinho diferente ao frango de todo dia.

Curry simples de frango com maçã

- 50o g de peito de frango cortado em cubos

- 1 a 2 maçãs pequenas e azedinhas, descascadas e cortadas em cubos

- 1 xícara de creme de leite fresco

- 1 xícara de caldo de frango

- 1 pau de canela

- 4 cravos-da-índia

- 1 colher (sopa) de azeite

- 1 colher (sopa) de manteiga

- 1 cebola pequena

- 2 a 3 dentes de alho picadinhos

- castanha-de-caju a gosto para finalizar

- 1 colher (sopa) de curry em pó (de boa qualidade)

- sal e pimenta-do-reino a gosto

Derreta o azeite e a manteiga numa panela funda e frite a cebola e o alho até ficarem ligeiramente cozidos, mas sem dourar. Feito isso, acrescente os cubos de frango e deixe fritar até tudo ficar douradinho. Nesse ponto, misture o curry, os cravos, a canela e a maçã, e despeje a xícara de caldo de frango, quente.

Deixe cozinhar por alguns minutos, acrescente a pimenta-do-reino moída e um pouquinho de sal e mexa bem. Quando tudo estiver amarelinho, acrescente o creme de leite fresco e, em fogo brando, cozinhe tudo até que o creme fique espesso e as maçãs estejam cozidas.

Retire os cravos e a canela em pau e sirva, bem quente, com arroz branco e castanha-de-caju picadinha.

Este prato acompanha muito bem também um pouco de chutney de manga ou ainda fatias de manga fresca, fatias de banana ou coco fresco ralado.

Se quiser apimentar ainda mais seu prato, acrescente uma pimenta dedo-de-moça picadinha, sem as sementes, no preparo.

Tem alguma boa indicação de restaurante indiano? Deixe seu comentário aqui no Guloseima!

***

Restaurantes indianos em São Paulo

Ganesh

Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Morumbi
São Paulo /SP
Fone: (11) 5181-4748

Govinda

Rua Princesa Isabel, 379 – Brooklin
São Paulo/SP
Fone: (11) 5092-4816

Tandoor

Rua Doutor Rafael de Barros, 408 – Paraíso
São Paulo/SP
Fone: (11) 3885-9470

Dieta líquida 5

Posted on março 23, 2009 by Luciana Mastrorosa

Estou desde sábado à base de uma dieta líquida e fria. Extraí um bonito dente do siso que, infelizmente, não conseguiu encontrar espaço suficiente para ser feliz na minha boca pequena.

A cirurgia, apesar de ser sempre aflitiva, correu bem, deu tudo certo. O duro é o “pós-operatório”, digamos assim. Nunca senti tanta vontade de comer um bom bifão grelhado, com salada verde, arroz, macarrão, almôndegas… Mas tudo o que posso ingerir nesses primeiros dias é líquido, muito líquido, de preferência frio ou gelado.

E dá-lhe sopa fria (algumas vezes, no canudinho), sucos e leite, muito leite, para não arrebentar o pobre estômago com a variedade incrível de remédios para evitar infecções e desinchar meu rosto (mas, eu ainda pareço o Kiko, do Chaves, segundo meu marido).

E o café da manhã? Sem pão, sem cereais, com café com leite frio. Ave Maria! Mas pelo menos sobrevivi até agora, bravamente. Hoje começam as comidas pastosas e mornas. E amanhã, segundo a listinha da doutora, “vida normal” na cozinha.

Mas eu me conheço. Enquanto houver pontos na gengiva, não haverá carnes duras para mim, nem pratos difíceis demais para mastigar. Afinal, a gente só sente falta dos nossos dentinhos quando mais precisamos deles. E uma semana assim, com comidas levinhas, pode até ser bom para dar uma desintoxicada…

O mais difícil é ficar longe do fogão e do calor, não posso nem preparar as comidinhas gostosas para mim. Mas hoje vou de purê de batata com patê de fígado, para mais proteínas e menos carboidratos. E, claro, com muito azeite extra-virgem, que é o que me salva sempre.

Se alguém tem uma receita boa de comida molinha e morna ou fria, me escreva. Ideias novas nunca são demais. :) E, de preferência, salgadas… Porque eu adoro sorvete, mas ninguém aguenta comer só doces todos os dias, né? ;)

E obrigada mamãe, papai e marido, pelos paparicos e pelas infindáveis sopinhas boas. E ao Gigio que, novamente, me salvou mais um dia com seu delicioso capeletti in brodo. Desta vez, frio e batido no liquidificador. Mas ainda assim, capeletti in brodo. :D

Um limoeiro para lembranças doces 1

Posted on março 20, 2009 by Luciana Mastrorosa

Meu apartamento não tem campainha. Como as duas cachorrinhas latem para avisar quando algo está diferente na porta, nunca me preocupei em instalar a campainha. Apartamento pequeno, com porteiro, a gente sempre sabe o que se passa…

Vai daí que acordei atrasada e lembrei que havia marcado com meu pai. A porta da sala estava trancada, de modo que as cachorras não poderiam ouvir o que se passava lá fora. Sobressaltada, levantei correndo e dei de cara com meu pai esperando atrás da porta de entrada. O porteiro não me avisou que ele já tinha chegado… Sexto sentido, eu? Imagiiiina! :P

E aí a sexta-feira, primeiro dia de outono, começou desse jeito, meio maluca, e faltando água em casa, ainda por cima. Irritada, resolvi ler meus blogs favoritos, como o Come-se, da Neide Rigo. E foi aí que eu lembrei do limoeiro da minha rua antiga.

Não conheço a Neide pessoalmente, mas gosto daquilo que ela mostra no blog. As conversas de casa e boa comida, de refeições simples e festivas com amigos, as plantas e ervas e árvores no quintal.

Puxa, como eu adoro quintais! Vi as fotos, e pensei imediatamente na casa em que nasci, no bairro da Saúde. Era pequena, mas tinha quintal. E um pequeno jardim na frente, onde minha mãe tinha uma roseira mirrada, e muito hortelã e poejo. E os vasos, diversos, espalhados pela casa toda, e até uma parreira – paixão da minha mãe – e um pé de chuchu. Eu nunca gostei de chuchu, mas o pé era bonito que só.

Na minha rua, não tinha prédios. Quer dizer, tinha só um, o único do bairro todo, bem no alto da ladeira (e era uma ladeira MUITO íngreme, acredite). Hoje tem dezenas de outros prédios por lá, mas eles não fazem parte da minha memória.

A roseira da casa vizinha, sim. O limoeiro da outra vizinha, também. O limoeiro que dá título a este post, e que me trouxe uma leve melancolia hoje.

No meio da tarde, entre um papo e outro de comadres, na rua, na porta de casa, eu arrancava uma folhinha do limoeiro para sentir seu cheiro bom de limpeza. Assim que eu descobri como identificar um pé de limão, com seus espinhos, com as folhinhas lustrosas e de cheiro bom.

Essas lembranças todas começaram a se instalar levemente em mim, e de repente me pus a sonhar com uma casa com quintal. Parece loucura, nesta cidade de São Paulo grande que só Deus, megalópole, de trânsito infernal, de chuvas pesadas que transformam os bairros em puro caos. Será que ainda existe aqui uma casa pequena, de paredes caiadas, com quintal, para mim?

Deve existir, mas tudo tem seu preço. Por enquanto, guardo este sonho bem vivo e trato de cuidar do meu tomilho e da minha cebolinha, que sobrevivem arduamente na apertada área de serviço. E da minha samambaia, e da espada-de-são-jorge, que me acompanha desde minha primeira casa.

Guerreira, ela. Eu também sou.

Rabada com polenta no Nello’s 2

Posted on março 19, 2009 by Luciana Mastrorosa

Sábado à noite, vontade de comer comida italiana, mas sem pique para ir ao mercado. Decidimos, então, procurar uma das inúmeras cantigas gostosas do bairro, e acabamos parando no Nello’s, em Pinheiros.

Já tinha ouvido falar nela, sobretudo por causa do dono, consagrado na telinha por causa daquele comercial cujo jargão era “bonita camisa, Fernandinho!”. Coisas da minha, da sua, da nossa época. ;)

Apostamos no lugar e na fama para saber se a comida era realmente boa, e de bons preços. O Nello’s tem salão espaçoso, atendimento correto, mas menos cortês do que estamos acostumados em cantinas italianas, de estilo napolitano e afins. E, lá, tudo lembra Roma, das fotos e cartazes estampados nas paredes, às escolhas do cardápio. Até o tipo de descendente de italiano que frequenta a cantina é diferente, como bem observou meu marido.

Para beber, vinho tinto em meia garrafa, bom. Para comer, logo que vi as opções, fiquei interessada em… rabada com polenta, uma das sugestões especiais do dia. E não me arrependi. Olha a cara deliciosa do prato:

Nello's

Meu marido, diferentemente de mim, tem gostos mais suaves e preferiu um scalopine al limone. Daí que aconteceu de novo: os garçons sempre acham que aquela garota pequenina, loirinha e tão educada vai querer, claro, o prato mais leve… E se surpreendem enormemente quando percebem que, na verdade, ela gosta mesmo é de ossobuco, rabada com polenta, feijoada… Hahahaha!

Hummm… Os scalopine também estavam bons:

Nello's

É sempre assim! Meu marido até deixou de ficar constrangido diante dos olhares de óbvia reprovação dos garçons. Afinal, aquele moço alto e barbudo ali vai comer scalopini al limone? Onde já se viu? :D Me divirto.

Os pratos são bem servidos, com porções generosas que alimentam um comensal faminto, como estávamos naquele dia. Mas não tão generosas a ponto de meia porção servir duas pessoas, como na Cantina Gigio, outra deliciosa – e econômica – opção em Pinheiros. Mas o Gigio merece um post só dele, de tanto que já me salvou a vida. Até cappeleti in brodo eu já pedi para entregarem em casa. E estava maravilhoso!

Voltando ao Nello’s, é uma opção bastante recomendável para quem quer provar outros pratos italianos, mas com preços mais acessíveis. Fiquei bem interessada em experimentar o Fígado à veneziana, difícil de encontrar nas cantinas em geral. E, claro, para quem procura um bom e honesto prato de massa, lá também tem, com molhos tradicionais, como funghi, 4 formaggi, carbonara, puttanesca…

O site do Nello’s é ótimo e traz, além da história do restaurante, o cardápio inteiro, com os preços. Assim você já sai de casa pensando no que vai comer, e no quanto quer gastar… Veja aqui o cardápio do restaurante.

***

Nello’s

Rua Antonio Bicudo, 97 – Pinheiros -São Paulo/SP
Fone: (11) 3082-4365

Na Liberdade 1

Posted on março 17, 2009 by Luciana Mastrorosa

Gosto muito de passear pela Liberdade. Tenho uma grande admiração pelo povo japonês, e um dos países que sonho visitar é o Japão.

Com a comida, claro, não poderia ser diferente. Conheci a comida japonesa meio “tarde”, aos 20 e poucos anos, porque meus pais – descendentes de italianos e portugueses – não podiam imaginar como é deliciosa a comida japonesa. Eles nem queriam tentar, a bem da verdade.

Restaurante Itidai

Mas, aos 20 e poucos, eu tinha uma gastrite brava. E meu namorado da época me indicou a comida japonesa, dizendo que era mais leve e que eu poderia comer sossegada. Ok, vamos lá, pensei.

Comecei com um combinado de sushis e sashimis, desses de restaurante de shopping. A princípio, só conseguia comer salmão cru. Achava peixe branco, de todo tipo, um horror. Borrachudo.

Mas, aos poucos, a curiosidade foi maior. E hoje eu adoro atum gordo (muito mais que salmão), robalo, peixe-prego, e toda sorte de peixes crus. Só não consegui gostar ainda de natô, grãos de soja fermentados, com um aroma muito pungente. Já saí de um restaurante por causa disso, admito… Não consegui ficar perto do senhorzinho que, feliz, comia seu natô… Dizem que ele é a grande prova para quem REALMENTE gosta da culinária japonesa… Sendo assim, acho que preciso experimentar mais um pouco.

Pois bem. Outro dia, fazendo pesquisas sobre comida japonesa, decidi – junto com amigos – jantar na Liberdade. Tarde da noite, encontramos o restaurante Itidai, que ficaria aberto até meia-noite. Voilà!

De entrada, com muita fome, pedi um temaki de tobiko, ovas douradas de peixe-voador. Levemente decepcionantes, para quem ama as ikuras (ovas de salmão), como eu. Sabor suave demais.

Restaurante Itidai

Como prato principal, optei por um teishoku de sashimi. Além do peixe cru – fatias de atum, salmão, peixe-prego e um peixe branco maravilhoso (que não consegui identificar qual era), vieram também arroz, missoshiro, tofu em pedaços com gengibre ralado e cebolinha e uma tigela de moyashi, brotos de feijão, puxados levemente no shoyu. Excelentes!

Restaurante Itidai

Para completar, ainda petisquei as enguias que meu amigo pediu: vinham numa caixinha, sobre arroz, e cobertas com um molho agridoce. Boas, mas gordurosas, como são as enguias, e com aquele gosto de “terra”, típicos dos peixes de rio. (Se estiver errada, por favor, me corrijam! :D )

Restaurante Itidai

Mas o custo-benefício foi bem interessante. E, claro, é sempre incrível jantar na Liberdade no meio da semana, ainda mais saindo do restaurante tarde, por volta de meia-noite, e ver aquela chuvinha fina parecendo Tóquio nos anos 1970. Ou o que eu imagino que tenha sido Tóquio nos anos 1970. Ah, eu amo os japoneses. Muito.

Restaurante Itidai

E, claro, não poderíamos deixar de experimentar o lámen da casa: caldo agridoce, forte, quente. Delícia.

Restaurante Itidai

As enguias… Muito molho agridoce para compensar a gordura e o sabor terroso das enguias.

Restaurante Itidai

Sushis de ovas de tobiko. Gostosas, mas prefiro o sabor mais forte das ikuras. Acho que eu fui japonesa em outra encarnação. Será?

Bem-vindos à casa nova! :D 10

Posted on março 16, 2009 by Luciana Mastrorosa

Olá, amigos. Como eu disse no meu post de despedida do Blogs Abril, inauguro aqui os trabalhos na casa nova, a casa própria, o Guloseima.net.

Antes, um pouco de mim, para os que não conhecem: eu gosto de cozinhar, de viajar, de ler e de escrever sobre comida. Adoro meus amigos, amo animais e, por mim, a vida seria sempre uma festa!

Por que tenho um blog de comida? Porque amo cozinhar e receber bem. Sou jornalista, mas talvez devesse ter escolhido a profissão de chef de cozinha. Por via das dúvidas, fiz um curso de cozinha ano passado, na tradicional Escola Wilma Kovesi, em São Paulo, onde comecei a aprender um pouquinho das artimanhas da cozinha profissional. Porque para comer bem, você sabe, eu comecei o treinamento faz tempo! :D

Além de tudo, sou apaixonada pela França, por Paris, em especial. Poderia passar a minha vida lá, comendo baguettes no café da manhã, e pains au chocolat no lanche da tarde. E jantando em lugares modestos, mas deliciosos. Enquanto isso não acontece, me ocupo de estudar francês e treinar na minha cozinha pequenina as jóias da culinária francesa, como um maravilhoso Tournedo Rossini, à minha moda. ;)

Por isso escolhi uma receita doce, de personalidade forte, para inaugurar esta minha casa nova: Fondant au chocolat!

É um bolo de chocolate molinho, quase um petit gateau como o conhecemos, mas gigante. Uma fôrma inteirinha de petit gateau! :D

E fica pronto rapidamente, antes do que você possa imaginar. Por isso, fique à vontade, sente aqui na sala e aproveite a tarde tomando um cafezinho e comendo uma fatia do meu bolo molinho de chocolate à moda francesa. E seja bem-vindo à minha casa! :)

Fondant au chocolat

Fondant au chocolat

- 200 g de chocolate meio-amargo (de preferência, 60% cacau)

- 8 quadrados do mesmo chocolate

- 220 g de manteiga (NÃO pode ser margarina)

- 160 g de açúcar

- 120 g de farinha de trigo

- 4 ovos

Pré-aqueça o forno a 220 graus C. Enquanto isso, em banho-maria, derreta o chocolate cuidadosamente, e, quando estiver molinho, acrescente a manteiga e mexa bem até tudo virar um líquido marrom e brilhante.

Assim que estiver tudo derretido, tire do fogo, reserve e deixe esfriar. Enquanto isso, bata os ovos inteiros com o açúcar e vá acrescentando a farinha aos poucos, mexendo bem. Quando o chocolate estiver frio, acrescente à massa misturando com delicadeza.

Leve a mistura a uma forma alta, revestida com teflon, sem untar. Despeje metade da massa, distribua uniformemente os quadradinhos de chocolate, e cubra com o restante da massa. Leve para assar por 15 minutos e, ao tirar do forno, deixe mais 15 minutos descansando, antes de desenformar.

Sirva quente, com uma bola de sorvete de creme ou morango (o melhor que encontrar!) ou frio, acompanhado de frutas frescas (berries, preferencialmente).

O vinho que acompanha esta sobremesa maravilhosa é um Porto tinto, ou um Banyuls, francês, bien sûr. ;)

Esta receita adorável eu consegui na minha escola de francês. Porque aprender outra língua vai muito, muito além de decorar verbos da terceira conjugação.

Sopa de feijão branco, para um quase outono 2

Posted on março 13, 2009 by Luciana Mastrorosa

De repente, a tarde ficou cinza e começou a chover, do nada. Depois daquele calorão todo, é até bem agradável passar a tarde em casa, pesquisando, com a chuvinha caindo. É, o outono está chegando mesmo, embora eu nem acreditasse que ele viria este ano! :P

Mas na verdade passei por aqui para dizer que estou planejando muitas mudanças para o Guloseima, coisa boa, semana que vem conto mais, prometo explicar tudinho. Acho que vocês vão gostar! :D

Enquanto isso, deixo com vocês uma sopinha mais quente, boa para os momentos em que a gente só precisa mesmo é de uma comidinha que conforte:

Sopa de feijão branco

Sopinha

- 2 xícaras de feijão branco
- 1 litro e 1/2 de caldo de frango, legumes ou carne (ou água, se preferir)
- 1 linguiça portuguesa, seca e defumada
- 1 cebola pequena
- 3 dentes de alho
- cebolinha picada e ramos de tomilho
- azeite, sal e pimenta-do-reino, moída na hora

Deixe o feijão de molho, de um dia para o outro. No dia seguinte, escorra a água e lave o feijão. Leve para cozinhar em uma panela grande, coberto com o caldo, até amolecer. Enquanto isso, frite as linguiças em rodelas e escorra o óleo. Reserve as linguiças.

Numa frigideira, frite a cebola picadinha em um pouco de azeite, polvilhe sal, e adicione o alho picadinho também. Quando estiverem dourados, acrescente as linguiças, a cebolinha picada, o tomilho, e duas conchas do feijão cozido, com caldo. Refogue até o feijão amolecer.

Feito isso, coloque esse tempero na panela do feijão, acerte o sal e deixe a sopa apurar, para tomar gosto e o feijão ficar ainda mais molinho.

Quando estiver no ponto desejado, sirva bem quentinha, acompanhada de croutons ou fatias de pão fresquinhas.



↑ Top