Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for abril, 2009


Acarajé, como na Bahia 6

Posted on abril 23, 2009 by Luciana Mastrorosa

Sábado de sol, feriado, gripe, marido de plantão. O que fazer? Comer, oras! :)

Aceitei o convite de meu amigo Bito, o Retirante, para provar um acarajé que prometia ser “como o da Bahia”.

Bito é jornalista, interneteiro, baiano e, como tal, amante de tudo o que vem lá de Salvador e afins, como um bom acarajé.

Munidos de fome e vontade de comer, partimos – eu, ele e sua amada, Vanessa – para a Rota do Acarajé, em Santa Cecília.

As pimentas da Rota do Acarajé

Chegando lá, logo sentamos numa mesinha ainda no salão, mas perto da calçada, e estudamos gulosamente o cardápio. Para começar, é claro, acarajé. “Como na Bahia”, ou seja, completo!

Acarajé da Rota do Acarajé, em SP

Com vatapá, caruru, camarão, salada, pimenta em pasta para acompanhar. Bito e Vanessa me explicam que o bom acarajé deve ter a massa bem sequinha e crocante, para absorver bem a deliciosa pasta amarela que é o vatapá.

A Nessa pediu sem caruru (feito de quiabo), mas eu quis o meu completo, com “salada” e tudo. A “salada” é um molho feito de tomates mais para verdes, com gostinho do molho vinagrete que conhecemos (aquele do churrasco), mas sem tanta cebola. Gostei.

Pedimos o acarajé para ser comido com as mãos, comme il faut, mas Bito e Nessa não gostaram do papel que envolvia os bolinhos: frágil demais, deixava cair todo o recheio, molhou rápido e esfarelou. Nada parecido com o resistente papel usado na Bahia, que permite que se coma mais tranquilamente com as mãos.

Depois do acarajé, Vanessa pediu uma casquinha de siri, que decepcionou todo mundo: massuda, sem gosto de siri. Já comi melhores em Parati.

Casquinha de siri da Rota do Acarajé

Bito, guloso, pediu mais um acarajé. Eu, conhecendo meu estômago tamanho P, aguardei pelo prato principal: moqueca de camarão!

Estava boa, com muitos camarões, farta, mas os camarões eram pequenos, menores do que os servidos em Salvador, como observou o casal baiano.

Moqueca de camarão da Rota do Acarajé

De sobremesa, Bito escolheu uma ambrosia (doce demais, disse ele), e Nessa foi de tapioca com leite condensado e coco (mas ela deixou metade, disse que estava meio pesada). Eu fiquei com uma bolinha de sorvete de tapioca, sem muito mérito, mas boa.

No geral, gostei de tudo e, com uma cerveja geladinha, ficou melhor ainda. Mas devo admitir que faltava algo naquela moqueca. Nunca provei a autêntica baiana, mas acho que faltava um toque a mais de coentro, alguma leve acidez, não sei dizer ao certo. Mesmo a farofa de dendê e o pirão que a acompanhavam deixaram um pouco a desejar…

Mas do acarajé, gostei. Fico com água na boca de lembrar! Agora preciso mesmo é ir a Salvador para provar o autêntico. Com casquinha marrom por fora, sequinho por dentro, recheado com muita salada, vatapá, caruru e camarões. Hummmmmm….

***

Rota do Acarajé

Rua Martim Francisco, 529/533
Santa Cecília – São Paulo/SP

***

Mais relatos sobre o almoço à moda baiana? Leia o Retirante! :)

Guloseima é roxie! 8

Posted on abril 22, 2009 by Luciana Mastrorosa

A Analu, do Cabana Bacana, presenteou o Guloseima com um selinho simpático, veja só:

Meu blog é Roxie!

Acompanhando a onda, deixo abaixo as regrinhas e indico mais blogs amigos para ganharem o selo também. Vamos às regras:

1- Exibir a imagem do selo “Seu blog é Roxie!” e escrever essas regras abaixo dele. Feito!

2- Colocar quem te deu o selo nos seus blogs indicados. Já estava lá! ;)

3- Escrever 5 coisas que são Roxie (1- sobre musica, 2- sobre televisão e cinema, 3- três países que gostaria de conhecer, 4- três cores favoritas e 5- três hobbies).

- Música: para mim, Amy MacDonald é totalmente roxie!

- Televisão e cinema: adoro séries e programas sobre comida, é claro, além daquelas que falam de coisas sobrenaturais e de investigações em geral, como Supernatural e o bom e velho Arquivo X. E meu lado nerd a-d-o-r-a Startrek. Todas as temporadas! Filmes deliciosos, como A Festa de Babette, também me agradam. Um clássico para quem adora cinema e comidinhas.

- Três países que gostaria de conhecer: Inglaterra, Egito e México.

- Três cores favoritas: preto, rosa e vermelho.

- Três hobbies: cozinhar, ler e viajar.

4- Indicar 10 blogs que você ache Roxie.

Os blogs queridos que eu indico são:

1. Laurinha muda de idéia

2. Nadiando por aí

3. Cerejinha

4. Cozido Português

5. Fiando Conversas

6. Mamíferas

7. Diário de Carolina Escobar

8. Falando Russo

9. Mammoth Design

10. Retirante 2.0

5- Avisar a pessoa que você indicou, deixando um comentário para ela.

É nóis no Paladar! 10

Posted on abril 17, 2009 by Luciana Mastrorosa

Amigos, desculpem o sumiço, têm sido dias corridos. Passei para mostrar para vocês a matéria que fiz para o caderno Paladar, do Estadão. É sobre lámen, aquele macarrão que nada tem a ver com o nosso querido miojo! É beeem mais gostoso, e eu já falei dele aqui.

Cliquem, leiam e saibam mais :D

Por um fio:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos+paladar,por-um-fio,2922,0.shtm

La Casserole, para ocasiões especiais 16

Posted on abril 14, 2009 by Luciana Mastrorosa

Semana passada, para celebrar uma ocasião muito especial neste mês de tantas celebrações especiais, fomos conhecer o tradicional bistrô La Casserole.

Fica no centro de São Paulo, no largo do Arouche, bem em frente a uma romântica banca de flores. Para alguém mais sonhador, como eu, quando se entra no La Casserole, é possível relembrar os melhores momentos do centro de São Paulo, quanto tudo era muito luxuoso e belo.

Salão chique do La Casserole

Nossa visita ao restaurante – aberto desde 1954! – foi numa quarta-feira à noite, e o restaurante não estava lotado. Apenas alguns casais dividiam vinhos e pratos apetitosos, no meio do salão bonito, com cara de antigamente, muito bem cuidado.

Para celebrar, pedimos um espumante Miolo Brut e fomos muito bem atendidos pelo garçon/sommelier, que aprovou nossa escolha e explicou um pouco da evolução do mercado de espumantes no Brasil.

O couvert logo chegou à mesa, com tirinhas de pepino e cenoura, crus, arrumados num copo com um cubo de gelo. Muita manteiga fresca, pães fresquinhos e uma tigelinha de excelente tapenade também foram servidos.

Espiando de leve os pratos das mesas vizinhas (xereta!), vi que as porções eram grandes, embora não o suficiente para dividir. Dessa forma, conhecendo meu pequenino estômago, fiquei só no couvert, enquanto meu marido pediu uma omelete com ervas de entrada. Experimentei, claro, e estava deliciosa: casquinha firme por fora, molinha por dentro.

Diante de tantas opções clássicas para o prato principal, bem francesas, fiquei na dúvida se devia pedir o pato com laranja – muito tradicional na casa – mas optei por um steak tartare, que estava morrendo de vontade de experimentar. Como é feito com filé mignon cru – cortado na ponta da faca, e não moído – não é o tipo de prato que se pede em qualquer lugar. Mas o La Casserole é muito bem cotado, e eu sabia que não me decepcionaria.

Steak tartare do La Casserole

Para ele, um aromático coelho com batatas e muitas ervas frescas, com um caldo muito bom para se molhar o pãozinho. Não é fino, eu sei, mas é delicioso!

Novamente, acharam que o steak tartare era para ele, e não para mim! :P Sempre acontece isso nos restaurantes… Hehehehe!

Coelho ensopado e batatas

O fato é que o meu prato foi preparado na nossa frente pelo simpático garçon/sommelier, que nos explicou como se deve fazer um verdadeiro steak tartare. Mas o do La Casserole não leva uma gema crua, como seria o tradicional, porque os ovos no Brasil podem ter salmonela, aquela história que nós conhecemos.

Eu achei até bom, porque não gosto assim tanto de ovo cru. E o prato estava excelente, temperado na medida certa, e foi devidamente acompanhado com fatias de pão torrado e batatas fritas gordinhas e sequinhas.

Comi, comi e comi, bebi, bebi e bebi, e não sobrou espaço para a sobremesa… Mas arrematamos a refeição com um café espresso excelente, com apenas um tiquinho de açúcar para mim, acompanhado de uma madeleine. Me senti Proust.

La Casserole, voltarei. E recomendo.

***

La Casserole

Largo do Arouche, 346 – Centro – São Paulo/SP

http://www.lacasserole.com.br/

Feliz Páscoa! 0

Posted on abril 12, 2009 by Luciana Mastrorosa

Além do bacalhau assado, do bolinho de bacalhau, dos cordeiros majestosos com batatas e brócolis, dos pratos especiais que coroam o domingo de Páscoa – e o fim da Semana Santa, para os católicos -, Páscoa também é tempo de chocolate, de doces especiais… E, claro, de reunir família e amigos ao redor da mesa, pensando apenas em coisas boas: amor, paz, renovação.

Embora não seja religiosa, gosto de pensar na ideia de a Páscoa ser um momento para abrir-se para o novo, para experimentar a vida em sua plenitude, sem medo. E a gente sempre tem tanto medo, né? Medo de tudo! De fracassar, de não ter um amor, de ser um profissional ruim, de não ter uma família, etc, etc.

Por isso acho importantes essas datas em que a gente pode repensar a nossa vida e tentar fazer tudo melhor e mais bonito. E, claro, se pudermos reunir todo mundo em volta da mesa, com pratos gostosos e fartos, melhor ainda! Assim a gente pode começar a ensinar às crianças que nem só de coelhinho vive a Páscoa… Mas que pode ser muito, mas muito divertido, também, uma caça aos ovos de chocolate no jardim! :)

Na Sexta-feira Santa, minha família veio em casa e eu preparei filés de saint-peter no papillote com legumes à oriental, risoto e bolinhos de bacalhau (que ficaram bons, mas usei a batata errada sem saber…).

Hoje não vou cozinhar, pois o almoço de Páscoa já está garantido na casa dos pais do meu marido. Então, vou aproveitar o finalzinho deste domingo de Páscoa, à noite, para comer bombons e assistir seriados na TV! :)

Feliz Páscoa, amigos! Voltamos com nossa programação normal amanhã, segundona de muuuito trabalho!

Guloseimas de Páscoa 3

Posted on abril 07, 2009 by Luciana Mastrorosa

A Páscoa está chegando. Pelos dias lindos de outono que têm feito, acredito que teremos um domingo de Páscoa com friozinho, bom para comer chocolates, bacalhau e todas as delícias que costumamos preparar nesta época do ano.

Quando eu era criança, morria de medo da Sexta-feira da Paixão, como já devo ter mencionado por aqui. E sempre me frustrava com os ovos de chocolate que, no mais das vezes, eram muito MENORES do que minha gula infantil queria! :D

Hoje em dia, vejo a Páscoa de uma forma diferente. Continuo não gostando das imagens de sangue da Sexta-feira Santa, porque eu acho tortura um horror. E morrer na cruz, nem comento. Mas como é um ato de amor, eu aceito a Páscoa. Não se ofendam. É mesmo uma celebração muito bonita de paz, amor, entrega e doação. Eu é que sou muito sensível às particularidades humanas…

Para celebrar a data, selecionei algumas ideias de chocolates e ovos para dar de presente. Se você ainda não se decidiu por um, vale dar uma espiada nas dicas aí de baixo:

La vie en Douce, by Carole Crema

Páscoa La Vie en Douce, ovo MadagascarEste ano, a chef Carole Crema (minha professora querida!) investiu numa Páscoa étnica, com influências africanas e asiáticas.

O ovo Madagascar parece imperdível: 700 g de chocolate Valhrona, feito com cacau amargo de Madagascar, recheado com brittles de chocolate ao leite, da mesma origem. O preço: R$ 118.

Como gosto muito de miniovos, indico a caixa seleção, com ovinhos recheados de marshmallow, caramelo de macadâmia, waffer de gianduia, brutti ma buoni, alfajor e nutella. A caixa custa R$ 49.

Kopenhagen

Todo ano, compro miniovos recheados da Kopenhagen. Gosto do chocolate deles, apesar de ser mais mole que os chocolates de doceiras finas. Indico os ovinhos recheados de nhá benta, marzipan e chumbinho. Também gosto bastante dos ovos de casca natural, excelentes para as crianças, e um bonito presente para adultos que adoram chocolate, como eu!

E uma novidade muito interessante da Páscoa da Kopenhagen este ano: no melhor estilo bonecas russas, o 4 Clássicos é um ovo língua de gato. Aberto, revela uma casca de ovo lajotinha, outro de ovo chumbinho, e dentro de tudo, um miniovinho de nhá benta! Quero muito.

Speranza gastronomia

Páscoa Speranza GastronomiaO empório gourmet da família Tarallo, famosa pelas massas e pizzas da cantina Speranza, lança um monte de produtos gostosos para a Páscoa deste ano, todos produzidos artesanalmente.

A lista inclui colombas pascais, ovos de chocolate e bombons.

A colomba de frutas leva ameixas, nozes, uvas passas, castanhas-do-pará e vinho do Porto, e são embaladas em charmosas toalhas de mesa. O bolo pesa 1,450 kg e custa R$ 110.

A outra versão da colomba leva gotas de chocolate na massa e chocolate granulado, e segue a mesma linha de embalagem. Esta pesa 900 g e custa R$73.

Entre os ovos, o destaque vai para o ovo meio branco e meio preto com trufas, de 750 g, por R$ 85. Para quem gosta de miniovos, como eu, o saquinho com 140g de ovinhos de chocolate sai por R$ 29.

Doce de Laura

Páscoa Doce de Laura, biscoitos em forma de coelhoA doceira Laura Estima criou algumas opções apetitosas para presentear nesta Páscoa. Entre elas, biscoitos de mel em formato de coelhinhos promete agradar às crianças da família. Os saquinhos, de 150 g, custam R$8. Quem preferir, pode comprar por quilo, a R$ 48.

Outra sugestão interessante são os bolinhos de Páscoa, feitos de pão de mel e cobertos com pasta americana colorida. A unidade, de 140g, custa R$14.

Para a família, a opção é o bolo da Páscoa, coberto com glaceado de açúcar, frutas secas e cerejas, que pesa 1,2kg e sai por R$ 34.

***

Onde encontrar as sugestões acima

La Vie en Douce
Rua da Consolação, 3151 – Jardins – SP/SP
Fone: (11)

Kopenhagen
Várias lojas em SP. Para ver todos os endereços, entre no site.

Speranza Gastronomia
Av. Sabiá, 788

Doce de Laura
Rua Aspicuelta, 27 – Vila Madalena – SP/SP

Cozinha e letras 5

Posted on abril 07, 2009 by Luciana Mastrorosa

Cozinhar é preciso, viver também é preciso. Com intensidade, de preferência, e coração aberto.

Sou tão apaixonada por literatura quanto pela cozinha, mas as paixões se alternam vez por outra, de modos que hoje, por exemplo, cozinho mais do que leio. Mas não esqueço dos meus poetas, nunca. Drummond, Quintana, Sylvia Plath, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Cecília Meireles. Damas e cavalheiros, todos sagrados para mim.

Quando os meus escritores queridos misturam comida e poesia, é a glória. Neruda fez uma “ode à alcachofra” e uma “ode à ameixa”, Isabel Allende escreveu um livro inteiro dedicado à comida afrodisíaca, com belíssimas citações de outros autores. Quintana escreveu um minipoema chamado “Gostosuras”, delicioso até no nome:

“Tua saudade tem gosto de amora.
Teu beijo tem gosto de pitanga.”

Gosto muito também da M.F.K. Fisher, que sempre escreveu lindamente sobre o ato de comer, e de cozinhar. Já citei um trecho do livro dela, Como cozinhar um lobo, aqui. Esse trecho foi retirado do capítulo “Como beber à saúde do lobo”.

Outra parte do texto que adoro é do capítulo “Como seduzir o lobo”. Sempre brinco com minhas amigas que cozinhar é um ato de amor e amizade, mas também pode ser um ato de conquista e sedução. E a regra vale, é claro, para homens e mulheres. Irresistível é a pessoa que sabe cozinhar, e o faz com maestria, só para agradar o seu mais-querido. Para mim, pelo menos, é!

Mas é um fato que cozinhar exige esforço físico e, não raro, o cozinheiro fica todo amarfanhado no processo. Não é qualquer rapaz, ou garota, que consegue enxergar beleza por trás do avental respingado do(a) chef. Por isso adoro este texto da Fisher:

“Façamos o elogio, por bem ou por mal, do lobo em forma humana ou, de outro modo, quem pode, com a cara franca e sem franzir o focinho, cortejar uma cozinheira desgrenhada? Seu focinho, franzido ou liso, não deve ter nem um pouco de juízo para ignorar os cachos dela, saturados de perfumes da frigideira. Sua assim chamada cara, franca ou torta como a de um lobo, não deve ter olhos ou ser caridosa demais, para evitar pelo menos uma olhada cruel para o seu nariz brilhoso e seus lábios mordidos e para os restos gretados da manicure da semana passada. Em outras palavras, qualquer lobo normal seria tolo se avaliasse uma cozinheira desgrenhada por sua aparência, uma vez que o próprio fato de estar desgrenhada deveria provar para ele a natureza devassa dela.”

E o mais divertido: ela ensina às cozinheiras a terem sempre um espelho na cozinha, talvez também um batom e um pó compacto, para dar aquela conferida básica no visual antes de seus convidados entrarem na cozinha. Ainda não segui o truque do espelho, mas achei prático e muito útil. E nunca falta um batonzinho sempre à mão. ;)

Para terminar o post de cozinha e letras, deixo com vocês uma parte do poema “Devorando o mundo”, de James Tipton. Achei o original, em inglês, para quem quiser ler até o fim.

Esta versão aí de baixo foi publicada, traduzida, no livro Afrodite, da Isabel Allende. Acho muito apropriado para o tema de hoje. Cozinhar é também devoção, entrega e amor.

Devorando o mundo

“Nasci com a boca aberta…
entrando neste mundo suculento
de pêssegos e limões e sol maduro
e esta rosada e secreta carne de mulher;
este mundo onde a ceia está
no hálito do deserto sutil
nas espécies do mar distante
que flutuam no sonho tarde da noite.

Nasci em alguma parte entre
o cérebro e a romã
saboreando as texturas deliciosas
de cabelo e mãos e olhos,
nasci do cozido do coração,
do leito infinito, para caminhar
sobre esta terra infinita.

Quero alimentar-te com as flores de gelo
desta janela de inverno,
dos aromas de muitas sopas,
do perfume de velas sagradas
que por esta casa de cedro me persegue.
Quero alimentar-te com a lavanda
que se desprende de certos poemas,
e da canela de maçãs assando,
e do prazer simples que vemos
no céu quando nos apaixonamos.

Quero alimentar-te com a terra acre
onde colhi alhos,
quero alimentar-te de memórias
surgindo dos troncos de álamo
quando os parto
e da fumaça de pinhões
que se junta em torno da casa em uma noite quieta,
e dos crisântemos na porta da cozinha (…)”

Estreando o fogão em grande estilo 12

Posted on abril 06, 2009 by Luciana Mastrorosa

Como eu disse no post anterior, comprei um fogão novo. E nada melhor do que uma festinha entre amigos para fazer a tão esperada estreia do bichinho! :D

Posso garantir que, depois de uma pilha de blini, duas fôrmas de batatas assadas com alho, alecrim e orégano, um panelão de risoto, uma frigideira de filé au poivre, e uma dúzia de minibolos de chocolate, ele passou no teste!

Bolinho de chocolate com sorveteO almoço seria no domingo, em homenagem a um casal de amigos que viera do Rio para passar o fim de semana. Então, no sábado, fiz as compras e já assei os doze bolinhos, que seriam parte da sobremesa no dia seguinte.

No domingo, acordei cedo e preparei a pilha de blini, aquelas panquequinhas russas que se come, tradicionalmente, com creme azedo e ovas. Como não achei ovas decentes, e creme azedo é raro por aqui, improvisei com salmão defumado e cream cheese. (Que os russos me perdoem por ter usado cream cheese, e não smetana!)

Fritando bliniOs blini foram servidos como entrada, ao lado de outras coisinhas para beliscar, como azeitonas temperadas, linguiça curada apimentada, amêndoas salgadas, damascos…

Para beber, vodka, bien sûr, e vinho tinto. Com direito a brindes em russo, português e até hebraico! Casa multicultural e amigos que falam outros idiomas: não têm preço! :P

Risoto e acepipesComo prato principal, risoto de legumes e parmesão, batatas assadas e filé au poivre, com pimentinhas verdes bem ardidinhas, para encher a mesa de graça com as lágrimas de alguns convidados. Nem era tão forte assim, vai!

De sobremesa, um bolinho que já se tornou clássico aqui em casa. Pequenino, de porção individual, é um bolo de chocolate com sorvete de creme e calda de chocolate quente, feita na horinha de servir. Para um toque azedinho, geleia de mirtilos. Delícia, delícia.

Filé ao poivreNão preciso dizer que a garrafa de vodka se esvaziou como magia, depois de tantos brindes especiais. Tomamos até-a-última-gota!

Resultado: o fogão  passou no teste e foi mais do que aprovado. Só preciso tomar cuidado com o forno, que é um foguete perto do meu anterior. Assa tudo muito rápido!

E mais uma comprovação, esta mais sentimental e menos científica, mas totalmente verdadeira: quando estamos entre pessoas queridas, o tempo passa singularmente mais rápido.

Uma pena, porque uma festa como essa não deveria acabar nunca. :)

Alguém tirou esta foto abaixo da cozinheira, em um momento de merecido descanso. Gostei dela, inclusive pela falta de nitidez.

É a vodka, a vodka…

A cozinheira

A felicidade é um fogão novo 7

Posted on abril 02, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta tem sido minha frase no MSN desde ontem. Porque, meus amigos, eu comprei um fogãozinho novo, 4 bocas, com acendimento automático, grill no forno e timer! Ai, ai, ai… Há tempos não me sentia tão feliz!

É branco e tem botão de acendimento automático

É branco e bonito!

Meu primeiro fogão era MUITO simples, mas durou quase dez anos. Comprei-o em 2001, quando comecei a morar sozinha. Não tinha nem acendimento automático, para horror do meu marido (que detesta fósforos, sei lá porquê).

Mas ele me serviu muito bem todos esses anos, e foi fundamental para minhas experiências gastronômicas, cada vez mais frequentes.

Só que, uma hora, tudo muda, e o fato é que eu precisava de um bichinho mais potente, com forno melhor e tudo e tal.

Por isso investi no meu novo fogãozinho, que agora abrilhanta a minha cozinha pequenina.

Ainda não fiz o début do fogão, apenas esquentei algumas comidinhas. O que será que eu faço para a estréia?

Sugestões são bem-vindas ;)

É dia de pizza! 5

Posted on abril 01, 2009 by Luciana Mastrorosa

Como já comentei com vocês, estou numa fase “massas” na minha vida. Primeiro, veio a foccacia. Agora, chegou a vez da pizza!

E foi assim que eu transformei uma terça-feira sem graça numa noite feliz de experimentações na cozinha. Fazer massa é mesmo uma alegria!

Pizza de salame, mussarela e provolone. Foto: Luciana Mastrorosa

Fiz uma receita caseira de massa de pizza que minha mãe me ensinou. Assim que senti o cheirinho da pizza assando, fui imediatamente transportada para algum momento entre 1989 e 1993. Sábado era dia de pizza feita em casa. E eu adorava!

A massa é simples, e fica com sabor bem diferente da massa de pizza assada no forno a lenha e tudo. Mas vale pela nostalgia e pela alegria que é preparar a sua própria pizza, molho inclusive!

Diversão garantida com os amigos, por um excelente custo-benefício. Deixo abaixo a receitinha com vocês. Cada receita rende duas pizzas de tamanho médio, e o recheio é por sua escolha! :)

No final, deixo também um slideshow com o passo-a-passo e muitas fotos de bônus. Porque, como diz meu marido, eu tô beeeesta que só! :P

Pizza caseira

Massa:

- 2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1/2 xícara (chá) de amido de milho (maizena)
- 1 colher (chá) de sal
- 1 ovo
- 1 colher (sopa) de manteiga
- 1 colher (sobremesa) rasa de fermento em pó
- 1/2 xícara de leite

Molho:

- 7 tomates bem maduros, sem pele e sem sementes
- 1/2 cebola grande picadinha
- 3 dentes de alho picadinhos ou amassados
- 1 fio generoso de azeite
- sal e orégano seco a gosto

Peneire juntos a farinha, o fermento, o sal e a maizena, numa tigela grande. Misture bem e faça um “vulcão” de farinha. Bata levemente o ovo e despeje na mistura de farinha. Mexa bem. Amorne o leite com a manteiga e despeje na massa. Misture tudo muito bem até desgrudar das mãos. Se ficar muito seco, coloque mais algumas gotas de leite. Se ficar muito mole, junte mais farinha de trigo.

Quando desgrudar das mãos, coloque a massa sobre uma superfície lisa e amasse bem, sovando, até ficar bem lisa. Deixe descansar por 15 minutos numa tigela, coberta com um pano de prato limpo.

Enquanto isso, prepare o molho: tire a pele e as sementes dos tomates e pique muito bem a polpa. Reserve. Numa panela, frite a cebola e o alho no azeite até dourar e junte os tomates. Acrescente uma porção generosa de orégano e tempere com sal a gosto. Apure por alguns minutos em fogo baixo e deixe esfriar.

Montagem da pizza: quando a massa tiver descansado, corte-a ao meio e abra a metade da massa numa superfície lisa, polvilhada de farinha, com um rolo de macarrão. Abra com força e vontade, até a massa ficar circular e fininha. Enfarinhe uma forma de pizza e coloque a massa por cima. Coloque um pouco de molho e leve ao forno por alguns minutos, para cozinhar levemente a massa. No meu forno, foram 20 minutos. Se for um forno forte e bom, experimente deixar por 10 minutos.

Assim que a massa estiver pré-cozida, retire do forno, coloque mais um pouco de molho, se desejar, e cubra com seu recheio favorito. A primeira pizza eu fiz com mussarela, salame e provolone.

Leve ao forno novamente até a massa ficar ligeiramente dourada por baixo e o queijo derreter completamente. Regue com um fio de azeite, polvilhe orégano e finalize com azeitonas.

Voilà! Está pronta! :D

Faça a mesma coisa com a outra metade da massa, de preferência variando os recheios. A segunda pizza eu recheei com mussarela e atum em pedaços. Delícia!

As pizzas foram bem acompanhadas por um vinho cabernet sauvignon Valdivieso, chileno, 2005.

Veja abaixo as fotos do passo-a-passo e me diga: qual é o seu sabor favorito de pizza?



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