Julie&Julia, o filme. Eu quero!
Em fevereiro de 2008, comprei um livro chamado Julie&Julia, a despeito dos comentários negativos do meu marido, que achava melhor eu gastar meu (pouco) dinheirinho com enciclopédias de cozinha.
“Pare de comprar estes romances de comida”, ele argumentava. “Compre apenas livros que fortaleçam sua base culinária”. Eu sorria, apenas, tristemente.
Mas eu sou teimosa. Por isso, numa tarde triste depois de um trabalho onde não me sentia lá muito feliz, passei na livraria perto da redação para espairecer. E comprei Julie&Julia, o livro, da americana Julie Powell.
No caminho para casa, optei pelo metrô em vez do ônibus, porque o trânsito estava infernal. E comecei a ler. Prefácio de Rita Lobo? Legal. Escritora-blogueira? Legal! Escritora-blogueira-que-larga-emprego-tedioso-para-se-dedicar-à-cozinha? MUITO legal!!
E não parei mais de ler. Naquele dia, desci numa estação além da que devia, e percorri a distância restante até minha casa a pé, com lágrimas nos olhos. Era um daqueles momentos em que a gente acha que tudo está muito errado com a própria vida.
Por isso me encantei com o livro. A história me inspirou desde o início, tanto pela questão “trabalho chato, o que vou fazer da vida agora?”, quanto pelo fascínio que as panelas e receitas e ingredientes podem exercer sobre alguém.
Foi assim que descobri Julia Child, a “Ofélia” norte-americana, que amava Paris e estudou cozinha no Le Cordon Bleu. E foi assim também que conheci Julie Powell, uma garota qualquer, que usou seu cotidiano maçante para mudar a própria vida. E ser feliz. Escrevendo um blog!
E Julie dizia, no livro:
“(…) comecei a refletir: aquela vida que estávamos levando, Eric e eu, parecia o oposto de um Potage Parmentier. Era fácil continuar com nosso empregos abominavelmente maçantes; pelo menos isso nos poupava de fazer escolhas. Mas por quanto tempo eu conseguiria suportar uma vida assim tão fácil? Areia movediça era fácil. Caramba, morrer era fácil.”
E continuava:
“Talvez eu precisasse fazer como uma batata, separar o joio do meu trigo, tornar-me parte de algo que não fosse fácil, apenas simples”.
“Apenas simples”, pensei.
E, alguns dias depois, comecei o curso de cozinha na Wilma Kovesi (cuja matrícula havia feito em setembro do ano anterior!), com muito mais coragem para enfrentar meu sonho. Nem preciso dizer que pedi demissão algumas semanas depois, e o resto é história…
Por isso estou contando os dias para ver o filme baseado no livro, com Meryl Streep fazendo o papel da grandalhona e espirituosa Julia Child. Achei muito curioso que Julia, muito alta, não conseguia se adaptar aos tamanhos padronizados das cozinhas. Por isso, seu marido construiu uma cozinha enorme para ela, com tudo organizado e à sua disposição.
Eu, pequena, enfrento a dificuldade contrária, diante das milhares de prateleiras altas ao meu redor. Mas nem ligo: meu marido também fez uma cozinha para mim, com coisas e utensílios alcançáveis.
E ela é tão pequena como a cozinha que Julie Powell tinha à disposição para começar sua empreitada, que a levou ao sucesso.
Julie&Julia, o filme: eu quero ver! A estreia está prevista para setembro deste ano. Eba!
Enquanto isso, veja o trailer abaixo:


Muito bom seu post. Eu também conto os dias para ver o filme. Beijo, Marta
Obrigada, Martinha! Adorei a visita!
bjs!