Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for the ‘guloseima indica’


“Bahia de todos os santos, sol e areia… 1

Posted on novembro 18, 2009 by Luciana Mastrorosa

… eá, eá, eá….”

Passei uma semana ouvindo o marido cantar esta música, com os braços levantados, no ritmo do axé. Ah, sim, ele ainda imitava perfeitamente o sotaque soteropolitano, com direito a cumprimentos por parte de baianos legítimos. Pois é.

Tudo isso porque Bito, meu amigo retirante, casou-se no dia primeiro de novembro, Dia de Todos os Santos, em Salvador. Numa manhã linda e ensolarada de domingo, em cerimônia que emocionou até a mim, que nunca fui de chorar em casamentos. Depois dos 30, não consigo mais controlar as emoções. Ai de mim…

Aproveitei o motivo nobre para, além de presenciar o casório de Bito e Vanessa, também conhecer Salvador, tão amada por eles, tão cheia de encantos. Como demorei tanto tempo para provar, in loco, a especial culinária baiana? Não sei. Cometo erros em minha vida, como todo mundo, mas este consegui reparar a tempo.

Como são muitas coisinhas para contar e mostrar, preparei três posts para o que batizei de “série Bahia”. O primeiro deles é este, que deixa na boca um gostinho de dendê, manteiga de garrafa, geleia de cacau e outras delícias que provamos por lá. Além da puríssima farinha de mandioca, alva e gomada, e da pimenta ardida que me aqueceu o paladar e o coração.

Amanhã descrevo melhor a viagem e os acepipes que provamos por lá. Afinal, este é um blog de comidas, e todo mundo quer saber o que é que o tabuleiro da baiana tem. Mas posso adiantar que Salvador não me decepcionou, e posso dizer de boca cheia, como diz todo baiano que se preze: a Bahia é linda. :)

Acarajés do Iemanjá, em Salvador

Acarajés do Iemanjá, em Salvador, com camarões secos e vatapá.

Dendês e geleia de cacau

D.endês, manteiga de garrafa e geleia de cacau.

*

O título do post é uma referência aos versos da música Yá Olokum, de Márcia Millet: “Vamos salvar / o Dique de Tororó / Bahia de todos os santos / sol e areia / ea, ea, ea / perpetuar / aqueles que nos dão / a maré vazia e também a maré cheia”. Música esta que marido ficou cantando à exaustão, tamanho o seu amor pela terra de Jorge Amado. Posso dizer, pois, que saímos de lá vestidos com as cores e as armas de Jorge.

Ceviche e guacamole, la noche latina 5

Posted on outubro 13, 2009 by Luciana Mastrorosa

Depois de uma semana de muitas tristezas, o corpo e a alma pedem algum alívio, ainda mais diante desses dias feios e frios e chuvosos. Parece que o inverno não quer ir embora este ano, em todos os sentidos…

No sábado, acordei cedo e assisti à Nigella na TV preparando coisinhas de inspiração mexicana para um de seus banquetes. Divertido. Deu vontade de espantar um pouco a tristeza e apelar para os calores da latino-América querida, uma pitada de pimenta em tudo, uma certa picância para dar outro colorido ao fim de semana prolongado.

No mercado, muitas frutas, verduras e legumes, porque eu ainda tenho de pensar na dieta. Comprei também atum fresco, filés de linguado, uma bandeja de pimenta dedo-de-moça, alguns cogumelos, creme de leite fresco. Um bom maço de coentro, uma grande abóbora, vagens holandesas perfeitamente verde-escuras, fininhas e compridas, e um punhado de aspargos frescos, verdes, grossos. Para beber, vinho e cervejas.

Passei o sábado todo cozinhando, sozinha em casa, como há muito não se via. Marido de plantão todos os dias do feriado, uma calamidade. Mesmo assim, preparei guacamole e ceviche de linguado, atum em conserva de azeite, nachos para acompanhar. O atum ainda está dormindo em seu frasco bonito e hermeticamente fechado, até o momento de entrar na composição de saladas ou sanduíches.

Mas a guacamole e o ceviche… Não duraram nem uma hora! Foram devorados em minutos, junto com os nachos e uma cerveja Norteña gelada, prazeres simples para uma vida adulta com grandes e pequenos sobressaltos.

Recomendo fortemente. Vamos às receitas!

Ceviche e guacamole

Ceviche, guacamole e nachos para la noche latina en mi casa!

> Ceviche de linguado

220 g de filé de linguado limpo, sem espinhos, sem pele
1/2 pimenta dedo-de-moça em cubinhos, sem sementes
1/2 cebola roxa pequena em fatias muito finas
2 limões taiti grandes (suco)
3 pitadas de sal
1 fio de azeite extravirgem
1 punhado de coentro fresco picado

Corte os filés de linguado em tiras finas. Coloque-os num recipiente de vidro e cubra-os com o suco dos limões e a cebola picada. Cubra e deixe descansar na geladeira por 1 hora, ou até os pedaços de peixe ficarem brancos e opacos, cozidos no limão. Junte o coentro picado, a pimenta e o sal, e regue com o fi0 de azeite. Se quiser menos ácido, escorra o líquido que se formou, chamado de “leche de tigre”. Eu gosto bem suculento, para acompanhar os nachos salgadinhos. Rende 2 porções e vai muito bem com cerveja gelada.

> Guacamole

1 abacate pequeno
1 tomate grande, sem sementes, em cubinhos
1/2 pimenta dedo-de-moça em cubinhos
suco de 1 limão pequeno
2 colheres (sopa) de azeite extra-virgem
1 punhado de coentro fresco picado
sal a gosto

Corte a polpa do abacate em cubos e misture-a aos demais ingredientes. Acerte o sal e deixe por 30 minutos na geladeira antes de servir. Acompanhe com nachos e, claro, cerveja gelada. Ou tequila, se você for forte. Para algumas coisas, eu não sou. ;)

Rende 2 porções fartas para comensais gulosos. E um belo sorriso no rosto, depois.

Será o fim da Gourmet? 2

Posted on outubro 05, 2009 by Luciana Mastrorosa

Segunda-feira é sempre difícil, ainda mais quando se dá de cara com a notícia de que uma das suas revistas mais queridas no mundo pode fechar!

Pois é, deu no blog do New York Times que a Condé Nast pensa em descontinuar a revista norte-americana Gourmet, editada pela querida Ruth Reichl. Veja o post aqui.

A notícia ainda não é oficial, por isso torço fortemente para que a Gourmet continue, firme e forte, aos 68 anos. E mais, muito mais.

É, amigos, parece que é pra valer: “Conde Nast Shutters Gourmet After McKinsey Review”.

Tão triste, putz… :(

Quem falou em primavera… 0

Posted on setembro 27, 2009 by Luciana Mastrorosa

“Quem falou em primavera sem ter visto o teu sorriso, falou sem saber o que era.”

Flores na sala de casa, para celebrar a primavera que chega

Flores na sala de casa, para celebrar a primavera que chega

A frase que abre este post é da escritora e poeta Cecília Meireles, a quem sempre recorro vez em quando, nos momentos em que sinto falta de um pouco mais de delicadeza na vida.

Cecília foi uma das primeiras autoras “adultas” que li, na longínqua quinta série (quantos anos eu tinha? uns 11, talvez), e foi ela que me apresentou de fato à poesia. O livro era uma daquelas coletâneas que acho que nem existem mais, com diversas poesias de vários autores, e a Cecília era uma delas. Devo ter esse livro até hoje, perdido na bagunça da minha desorganizada (mas muito amada) pequena biblioteca.

Escolhi este trecho escrito pela poeta porque sempre me lembro dele quando a primavera chega assim, com um sol bonito e um céu azulzão, e as amoreiras do bairro ficam carregadas de frutinhas roxas que mancham a calçada.

Pequena que sou, nunca consigo alcançá-las nos galhos mais altos, mas sempre tem alguém com braços mais compridos para pegar um punhado para mim. Este ano, para minha surpresa, é possível encontrar amoras à venda no mercado do bairro, o que me deixou feliz. Mas não tão feliz quanto colher amoras na rua e mastigá-las assim mesmo, sem lavar, direto do galho para a boca. Traquinagens de infância que se revelam, vez por outra, nesta minha casca de mulher madura e balzaquiana.

Se você for um sortudo e tiver uma amoreira à disposição, coma quantas amoras puder, puras ou misturadas ao iogurte, batidas com leite, sobre a granola. Ou prepare geleias e bolos para manter o frescor das frutinhas por mais tempo já que, como se sabe, elas começam a perder o viço no exato momento em que são colhidas. Amoras e berries em geral duram pouco. Mas ficam uma beleza quando combinadas a creme batido com pouco açúcar, bem pouquinho mesmo, e um toque de baunilha, de preferência baunilha de verdade, e não aquelas essências artificiais que encontramos nas prateleiras do supermercado.

É mais caro, mas vale a pena. Meio litro de creme de leite fresco, 2 colheres de sopa de açúcar, meia fava de baunilha raspada (só as sementinhas). Bata tudo à mão ou na batedeira até obter um creme macio e firme, como um chantilly. Coloque uma porção do creme numa tigela bem bonita e cubra com as amoras lavadas e enxugadas levemente, para não ficarem aguadas. E coma em seguida. Pequenos prazeres que só a primavera pode fazer por você…

Termino este post com mais um texto de Cecília em homenagem à primavera, enquanto passo um cafezinho para a tarde preguiçosa de domingo que entra pela janela. É um texto grande, mas vale cada linha. E ainda traz inspiração para começar a semana com mais calma, mais sabor, mais amores e muita, muita, muita suavidade.

Primavera

(Cecília Meireles)

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(Do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1″, da Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366. Extraído do site Releituras)

Salada grega 2

Posted on setembro 24, 2009 by Luciana Mastrorosa

Manhã chuvosa de quinta-feira de primavera, eis que Luciana vai à academia, toda pimpona, fazer sua avaliação física. Depois de fracassar miseravelmente no teste de flexibilidade (eu, que já fui flexível como uma bailarina!) e perder o fôlego na bicicleta, recebi o diagnóstico: “é, esses meses sem exercícios influenciaram no resultado… Você precisa perder um pouco de gordura e ganhar massa muscular”, sentenciou a avaliadora. Lovely.

Sendo assim, vamos nessa! E dá-lhe criar pratos leves e saudáveis para fazer deste período de “dieta” algo mais prazeroso. E pode esquecer: adoçantes e coisas diet e light não entram na minha rotina. Coisas saudáveis, como saladas, frutas, iogurtes, etc, isso sim.

Para o jantar de hoje, acho que uma salada grega vai ser o ideal. Leve, crocante, fresquinha. Só preciso achar um bom queijo feta para acompanhar que, sem ele, a saladinha perde toda a graça.

A salada grega do restaurante Acrópoles, em São Paulo

A salada grega do restaurante Acrópoles, em SP

Salada grega

- folhas de alface limpas e secas à vontade

- 1 pepino japonês (com ou sem casca, vai do gosto pessoal)

- 2 tomates vermelhinhos

- azeitonas pretas gordas

- 1 fatia generosa de queijo feta

- vinagrete de limão com azeite extravirgem, sal, suco de limão e pimenta-do-reino moída na hora

O modo de preparo é o mais simples do mundo: rasgue as folhas de alface com as mãos, corte o pepino e os tomates em cubos, misture as azeitonas e o queijo feta também cortado em cubos. Para preparar o molho vinagrete, misture suco de limão com sal e pimenta e adicione o azeite em fio, batendo com um fouet ou uma colher, até virar um molho dourado e uniforme. Para um bom molho, o segredo é usar o dobro de azeite em relação ao limão (ou vinagre). Se sobrar molho, guarde na geladeira e use em, no máximo, 2 a 3 dias. Quanto mais fresco, melhor.

Misture o molho aos demais ingredientes e sirva imediatamente. Se a fome apertar, uma fatia de pão integral não vai fazer mal a ninguém… E, para os que gostam de cebola crua, fatias de cebola roxa incrementam a salada.

E você, tem receitas boas de salada também para estes períodos de controle alimentar? Divide comigo! ;)

* P.S.: a salada grega da foto é do restaurante Acrópoles, em São Paulo. No lugar do feta, eles usaram queijo branco, por dificuldades na compra do queijo de cabra.

Quebrando a casquinha 6

Posted on setembro 23, 2009 by Luciana Mastrorosa

Para comemorar  a conclusão de mais uma edição quentinha da Menu, depois de uma semana de muito sangue e suor, dei-me o direito de almoçar no Chez Fabrice hoje, um bistrô pequenino e simpático na Vila Madalena.

A ideia inicial era almoçar no Les Délices de Maya, que eu adoro, mas quando passei em frente ao Chez Fabrice, fiquei com vontade de provar. Ambiente simpático de bistrô, menu executivo para a hora do almoço: gostei. De entrada, saborosos pãezinhos, torradas e brioches, bem frescos e quentinhos, com caponata levemente picante, cream cheese delicado, bolinhas de manteiga e uma boa tapenade. De entrada, fui de saladinha com fatias de terrine de campagne, suave e saborosa com seus grãozinhos de pimenta verde. O prato principal me decepcionou: o boeuf bourguignon estava sem sabor, com o molho muito ralo e gosto forte do vinho, precisava de uma redução mais apurada. Cebolinhas, cenouras e cogumelos ácidos demais, com sabor de conserva. O que salvou foi o purê de batatas, bem leve, com um toque fresco de queijo de cabra.

Mas a sobremesa… Hummm! Redimiu totalmente o prato anterior e me deixou feliz no pós-fechamento: um trio de crème brûlée de baunilha, alecrim e limão siciliano. Nham!

Me senti a própria Amélie Poulain quebrando as casquinhas com a colher, tum-tum-tum, créc!, até chegar ao creminho amarelo e suave.

Para fechar, um café com trufinha de chocolate bem pequena, na medida certa para o meu pequeno estômago glutão. ;)

Um bom almoço para começar de novo, fazer planos, voltar para a academia e saudar a primavera, linda e chuvosa, que começou na tarde de ontem.

Feliz primavera pra você! :)

*

- Este post é uma homenagem ao Fabyuri, que me deu a maior bronca por eu não escrever com frequência por aqui. Desculpa, Fab. Como “madrinha” do Falando Russo, não posso te decepcionar. Hehehe! Quando vier a SP de novo, te levo no Chez Fabrice pra você conhecer seu xará francês! :D

- Obrigada, leitores queridos, por continuarem deixando recadinhos fofos aqui no Guloseima, apesar da ausência dramática de posts. Tô voltando, tô voltando! ;)

*

Chez Fabrice
Rua Mourato Coelho, 1140
Vila Madalena – São Paulo – SP
(11) 3032-4227

Geladinhos de (quase) primavera 7

Posted on setembro 01, 2009 by Luciana Mastrorosa

Humm, vejo céu azul, sem nenhuma nuvem, e os primeiros ipês amarelos já floriram. Isso só pode significar uma coisa: primavera está chegando!

Já contei milhares de vezes que adoro o outono e amo o inverno, mas depois de pegar duas gripes fortes quase que seguidas, os ares primaveris estão me animando bastante – e me fazendo muito bem, aliás.

Para tornar esses dias lindos ainda melhores, nada como um bom sorvete. De copinho, de casquinha, picolé, vale tudo. Entre os picolés, sou fã do Rochinha, mas tenho provado os sabores exóticos da Frutos do Cerrado,  já que agora tem uma lojinha deles perto de casa.

Entre os sorvetes de massa, o de morango da Häagen Dazs é praticamente imbatível, mas gosto também dos sabores deliciosos da sorveteria Alaska. E meu coração bate mais forte pelos frozen yogurts. Quando trabalhava perto do shopping Eldorado, sempre tomava um frozen do America, puro, sem firulas, depois do almoço.

No sábado descobri a Yogurberry, que serve frozen yogurts acompanhados de frutas diversas, como morango, kiwi, manga, ou caldas e confeitos. O frozen é servido em três tamanhos: pequeno, médio ou grande. Minha estreia foi com um pequeno, acompanhado de blueberries frescas. Não preciso dizer que me apaixonei imediatamente… Quero provar o frozen yogurt de chá verde, parece interessante.

Agora estou nessa obsessão de fazer sorvetes em casa, mas nem a geladeira é boa, nem tenho máquina de sorvete. Imitando o twitter: #comofaz? Só me dando uma máquina maravilhosa de presente no meu aniversário (novembro está aí! Viva! :D ).

Vi uma matéria maravilhosa na revista francesa Saveurs, com picolés branquinhos pontilhados com framboesas frescas rosadas. De chorar! Quero fazer em casa e testar com nossas frutas tropicalíssimas…

Será que é fácil encontrar uma boa máquina de sorvete por aqui? Alguma dica, leitores queridos e prendados?

E que venha a primavera, com muitos sorvetes, piqueniques, tardes ensolaradas. E noites de lua clara, grande, cheia, para aproveitar as delícias geladas em boa companhia.

É tudo grupo 2

Posted on agosto 25, 2009 by Luciana Mastrorosa

Gosto da cozinha porque ela está intimamente ligada à memória. Cheiros, cores, sons, frases, pessoas, famílias, amigos. Quanta coisa pode ser evocada pelo simples aroma de um café passado na hora ou de um bolo assando, enchendo a casa de perfumes mil…

Fiquei tanto tempo longe daqui que estou até com vergonha de pedir desculpas. Por isso, vou voltar mansamente, como se nada fosse, para nossas conversas (quase) diárias.

E retomo o diálogo indicando o blog do meu irmão: É tudo grupo! Foi por causa desse blog novíssimo em folha que eu  mencionei a ligação entre comida e memória, lá no comecinho deste post. Marcello conta os causos malucos da nossa família, da casa em que vivemos, e, claro, a comida está sempre presente nas histórias. Família italiana, né? Veja bem… :D

Adicionando: hoje estreei no blog do Marcello com o texto Sardinha e memória, na seção “Momento irmã”. Não é um engraçadinho este meu irmão? Adorei o nome! heheh!

E como eu disse no Twitter ontem, fim de semana foi de muito estudo na cozinha: cupcakes com cobertura de limão siciliano, barreado, e caldo de frango, tudinho feito em casa. O caldo foi preparado com um frango inteiro, inteirinho. Imagine a cara de espanto do meu marido diante de uma panela gigante com cenoura, alho-poró, louro, salsão, cebola, grãos de pimenta preta, salsa, cebolinha… e um frango INTEIRO dentro, imerso na água!

Enfins, estou de volta. E com uma saudade danada de vocês!

Aliás, já me segue no Twitter? Estou lá no www.twitter.com/lumastrorosa.

Massa fresca com cogumelos 10

Posted on julho 12, 2009 by Luciana Mastrorosa

Depois de pizza e focaccia, decidi fazer macarrão caseiro. Ano passado, durante o curso de chef de cozinha, tive uma aula maravilhosa de massas frescas com a chef Ana Soares, do Mesa III.

Ana deu um show de aula, misturando história, aspirações e sonhos além de, claro, receitas incríveis. Todo mundo saiu de lá emocionado. Aprendemos a fazer massas tradicionais, apenas com ovos e farinha, e massas coloridas, com espinafre, beterraba, cogumelos secos, ervas, etc.

Papardelle caseiro com ragu de cogumelos. Foto: Luciana Mastrorosa

Papardelle caseiro com ragu de cogumelos. Foto: Luciana Mastrorosa

Inspirada por essa experiência, decidi fazer minha primeira massa fresca. O formato escolhido foi papardelle, aquela massa larga e comprida, que caberia muito bem com um ragu de cogumelos frescos.

A experiência de fazer qualquer massa com as próprias mãos é incrível, acredite. Você precisa tentar! Vamos à receita:

Papardelle fresco com ragu de cogumelos

Macarrão caseiro: passo-a-passo. Fotos: Luciana Mastrorosa

Macarrão caseiro: passo-a-passo. Fotos: Luciana Mastrorosa

Massa

  • 400 g de farinha de trigo
  • 4 ovos

Molho

  • 400g de cogumelo Paris fresco
  • 400 g de cogumelo Cremini fresco
  • 3 dentes de alho picadinhos
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 1 1/2 xícara (chá) de creme de leite fresco
  • 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco
  • 1 fio de shoyu (molho de soja)
  • 1 ramo de tomilho fresco
  • sal e pimenta do reino a gosto

Massa

Para fazer a massa, peneire a farinha numa superfície lisa (no granito da pia ou numa travessa grande de vidro) e abra um buraco no meio, formando uma espécie de “vulcão”. Bata ligeiramente os ovos e coloque no buraco de farinha. Com um garfo, vá misturando a farinha e os ovos até a massa começar a ficar uniforme.

Se a massa ficar muito mole, polvilhe mais um pouquinho de farinha. Se, ao contrário, ficar muito dura, acrescente gotas de água. E sove. Sove bastante  a massa até que ela fique lisa e uniforme. Deixe descansar, coberta, por alguns minutos e, na hora de abrir, corte em quatro porções.

Pegue uma das porções, polvilhe farinha e abra até ficar fininha. O ideal é fazer isso com a ajuda de uma máquina de macarrão mas, caso não tenha, pode abrir com o rolo de madeira ou mármore.

Abra bem cada porção de massa até ficar comprida e bem fininha. Polvilhe farinha de todos os lados, para não grudar, e reserve. Na hora de cortar, enrole a massa como um rocambole e corte fatias grossas (2 cm). Polvilhe mais farinha e misture suavemente, para que as tiras se desprendam. Deixe as tiras secarem por alguns minutos, abertas sobre uma forma grande enfarinhada. Cozinhe em bastante água salgada, para que o macarrão fique soltinho.

Molho

Cogumelos frescos: cremini e de paris. Foto: Luciana Mastrorosa

Cogumelos frescos: cremini e de paris. Foto: Luciana Mastrorosa

Aqueça a manteiga e o azeite juntos e frite o alho picadinho até dourar levemente. Não deixe queimar! Junte os cogumelos picados aos poucos, para que não soltem muita água. Quando os cogumelos estiverem cozidos, junte o vinho branco, mexendo sempre, até absorver todo o líquido. Tempere com um fio de shoyu e acrescente o creme de leite fresco. Mantenha em fogo brando, mexendo sempre, até que o creme engrosse levemente. Acerte o sal, acrescente pimenta-do-reino a gosto e finalize com as folhinhas de tomilho fresco. Reserve.

Na hora de servir, junte a massa cozida e escorrida ao molho de cogumelos. Sirva com um fio de azeite (se for trufado, melhor!) e bastante parmesão. Aos que gostam, ofereça também salsinha picada ou mais folhinhas de tomilho fresco. Fica tãoooo bom! :D

Guloseimas de julho 2

Posted on julho 10, 2009 by Luciana Mastrorosa

Já devo ter escrito aqui no Guloseima sobre o mês de julho. Por muito tempo, com exceção das férias escolares (ótimas, claro), considerava o mês de julho pouco especial. Talvez levemente bacana, por causa do frio, já que sempre gostei do inverno. Chocolate quente em casa, cobertores, comidinhas quentinhas também me agradavam.

Depois de um tempo, comecei a reparar que julho transformou-se em mês de festa, tamanha a quantidade de amigos e parentes que nasceram neste mês. Este ano, pensei em dar um presente diferente para todas as pessoas que gosto, amo ou admiro, ou tudo isso junto. Pensei em dar alguma guloseima feita por mim, alguma comidinha que seja realmente especial para essas pessoas. Pois bem. Em busca da “guloseima perfeita”, comecei a traçar um perfil dos gulosos que amo. E não é que é a coisa mais difícil do mundo presentear alguém com uma comida que faça sentido só pra ela? Vejamos alguns perfis:

8 de julho: Marcello

Marcello gosta de churrasco, guloseimas, refrigerante e preguiça. Aprendeu a tomar água com gás e e a gostar de comida japonesa depois de adulto. É saudosista como ninguém. Nunca gostou de cigarros, não é de beber, prefere mesmo as borbulhas dos refrigerantes e da água gasosa. Adora provar comidas novas, mas é a pessoa mais crítica do mundo em relação às refeições: se não gosta, ele diz na cara. Por isso é um dos “provadores” favoritos na minha cozinha. Marcello é meu irmão e faz aniversário em julho. Dia 8. Ou seja: já fez. E eu ainda não consegui pensar em uma guloseima especial para ele. Fail.

16 de julho: Ricardo

Eu não chamo Ricardo de Ricardo, mas como gostei de me referir às pessoas neste post pelos seus primeiros nomes, vou seguir na linha. Pois bem. A primeira vez que Ricardo veio em casa, me trouxe um chocolate Lindt de presente. Achei a coisa mais delicada deste mundo, e acho que nunca consegui agradecer propriamente a gentileza. Por alguns meses, foi meu grande companheiro de almoços e cafés da tarde, e me apresentou ao capeletti in brodo do Gigio, que já me salvou diversas vezes quando estava em apuros estomacais ou em meio a gripes horrorosas. Ricardo tem uma falha: despeja – DESPEJA – adoçante no café, chá ou qualquer coisa que se beba em copo. Por isso meu presente para ele vai ser açucarado. Já sei até o que vou fazer. Só posso revelar que é algo na linha dos bolos. Ricardo é meu amigo workaholic, que nunca pode sair para tomar uma cerveja com a gente. Mas quando ele consegue, é um bom bebedor. Só por isso já merece meu respeito.

29 de julho: Juliana

Juliana adora doces. Quando estávamos na faculdade, eu sempre me referia a ela como “Juliana-comedora-de-doces”. A diabinha comida muitas guloseimas e não engordava nunca! Era incrível. Ju gosta de doces açucarados, como arroz caramelado japonês (okoshi). Adora um boteco e sempre pede batata frita para acompanhar a cerveja. Gosta muito de comida japonesa, mas não sei se come lámen também. Acabou de voltar de uma viagem linda pela Europa, então tomou muita cerveja boa por lá. A Ju nasceu no dia 29 de julho. Algo me diz que vou fazer uns docinhos para ela. Mas não revelo quais, porque ela pode ler este blog e descobrir seu presente antes do tempo. ;)

26 de julho: Fabrício

Fabrício odeia ser citado em blogs, mas agora ele tem um blog também, e blogueiro é para essas coisas. De amigo virtual (ele é carioca) passou a amigo real, grande bebedor de vodka, e grande chato em relação a comidas. ;) Não gosta de presunto, carne de porco, feijoada. Não toma cerveja e torce o nariz para vinhos. Não gosta de saladas, tampouco de legumes. Honestamente, não sei o que ele come, mas a esposa dele me garantiu que é um bom garfo. E parece mesmo. Me despreza por comer pizza de alcachofra, mas come azeitonas com garfo e faca, o que me faz rir e pensar: “por Deus, como uma pessoa pode ter medo de comer azeitona?”. Mas acho esse menino bacana de tudo. Especialmente porque ele é meu único amigo que sabe fazer brindes em russo. E brindes em russo, queridos, é uma coisa linda de se ver. Sobretudo porque, ao final, todo mundo entorna um copinho cheio de vodka. Mas o que dar de presente para este rapaz enjoado? Não faço ideia. Ai.

30 de julho: José

José só não tem paladar de criança, como dizem, porque tem um amor declarado por legumes. Gosta de comer alface sem tempero, prefere usar apenas azeite e sal na salada. Troca qualquer refeição deste mundo por pizza ou pipoca, mas é magro e alto como só as pessoas muito magras e muito altas conseguem ser. Desde que conheceu Nutella, nunca mais a abandonou: acaba com potes inteiros sozinho, e acostumou-se a comer o doce às colheradas, como se fosse muito normal comer um pote deste tamanho de Nutella às colheradas… Prefere cerveja a vinho, e agora decidiu gostar das cervejas caras. Tem a elegância de um felino. José é meu marido, e nasceu no dia 30 de julho. Ou seja: ainda dá tempo de pensar em algo bom. De preferência, que possa ser acompanhado por cervejas. Mas sem muita gordura, porque José é chato com gorduras. Ai, ai, ai.

E ainda há muitos outros aniversariantes julinos, mas não vou citar todos para não me estender demais. De toda forma, gosto de catalogar os gostos das pessoas mais queridas, saber exatamente do que elas gostam, e o que fazer para elas quando vierem em casa. Mas nunca pensei que fosse tão difícil estabelecer uma guloseima para cada pessoa!

Persisto. E aceito sugestões, naturalmente. Vocês também gostam de presentear com comida, ou eu é que ando obcecada demais pelo assunto? :D



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