Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for the ‘comida’


Pato para as massas 0

Posted on fevereiro 01, 2012 by Luciana Mastrorosa

Por Tatiana Barros

Peito de pato no supermercado

Peito de pato no supermercado

Pato! Para mim, saborear esse tipo de ave é novidade. Sempre vi o preparo de carne de pato em programas de culinária e em restaurantes mais refinados, mas nunca pensei em pedir. Até que outro dia, passeando pelo mercado passei pela sessão de ovos, notei uma caixinha com ovos maiores que o normal. Fui ver de perto e eram… ovos de pato! Assim, ali, como se fosse algo natural da sessão de ovos.

Peguei uma caixinha e voltei para casa super curiosa. Pela embalagem, procurei o site da marca. É uma marca de Quebec, se chama Brome Lake Ducks.

Que idéia genial popularizar produtos derivados de pato! Eles têm ovos, carne, caldos, molhos, patês, linguiças e até gordura, tudo feito dessa ave.

Eu nunca havia experimentado ovos de pato antes e confesso que são deliciosos. O sabor é similar ao ovo comum de galinha, mas muito mais acentuado. Por ser maior, também demora um pouco mais para cozinhar.

Dessa primeira experiência, minha próxima aventura foi comprar peito de pato direto da sessão de carnes ao lado dos frangos. Ainda estou contente pelo acesso tão fácil a algo que antes só encontrava em açougues ou em lojas especializadas.

Para quem não conhece, a carne do pato também é saborosíssima e bastante nutritiva. A carne e os ovos de pato são ricos em vitaminas A, B12, C, ferro, cálcio e outros.

Deixo para vocês a minha versão do peito de pato. Espero que gostem!

PEITO DE PATO GRELHADO (MAGRET)

Ingredientes:
1 peito de pato (magret)
2 colheres (sopa) de vinagre de maçã
1 pitada de tomilho
1 colher (sopa) de mel
alho em pó a gosto
cebola em pó a gosto
azeite de oliva quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Retire o peito de pato da geladeira 10 minutos antes de cozinhar. Com uma faca afiada, faça riscas sobre a pele, em padrão quadriculado, mas sem atingir a carne. Coloque o peito de pato em uma tigela, adicione o vinagre, o tomilho, o alho em pó, a cebola, o azeite, o sal, a pimenta e o mel. Esfregue bem essa mistura na carne e deixe marinar por 1 hora (meia hora de cada lado).

Magret com a pele quadriculada

Magret com a pele quadriculada

Depois do descanso, coloque o peito de pato, com o lado da pele para baixo, em uma frigideira pré-aquecida em fogo médio-alto por 2 minutos. Remova o excesso de gordura da panela e deixe selar por mais 2-3 minutos. Reduza o fogo para médio, e cozinhe por 6-7 minutos ou até que a temperatura interna chega a 63°C. O magret (como o peito de pato é chamado, em francês) é melhor quando servido ao ponto, ainda cor-de-rosa por dentro, mas bem tostadinho por fora.

Retire da panela e deixe descansar por 5 minutos. Depois, é só cortar o magret em fatias e servi-lo com o acompanhamento que preferir.

Magret grelhado, tostadinho

Magret grelhado, tostadinho por fora, rosado por dentro

Quem se aventurar a cozinhar algo com pato, mande notícias pra gente! Para mais receitas gostosas com carne de pato, confira o website da Brome Lake.

Até a semana que vem!

Delícias de São Paulo 2

Posted on janeiro 25, 2012 by Luciana Mastrorosa
São Paulo, SP, Brasil. Bairro de Pinheiros.

São Paulo vista da minha janela, à tardinha.

São Paulo, capital. A cidade em que nasci. A cidade que amparou meus primeiros passos e beijos, os tombos de bicicleta, as corridas e brincadeiras de pular corda na rua, as mágoas que eu achei que nunca iam passar, os meus trabalhos, as minhas cozinhas, o meu amor. Minha cidade, meu pequeno país.

É claro que eu poderia falar aqui de um monte de lugares que adoro na cidade, como o Museu do Ipiranga, a avenida Paulista, o meu bairro de Pinheiros. Mas como a comida é sempre o primeiro assunto que toca meu coração, não tenho como fugir do óbvio: selecionar, pela lembrança e pelo carinho, as comidinhas que primeiro me vêm à cabeça quando tenho fome nesta cidade enorme. São muitas, claro. E uma lista como esta é sempre injusta. Mas aqui o voto é de memória, sim: a minha.

O QUE EU GOSTO DE COMER EM SÃO PAULO?

O steak tartare do Le Jazz.

O croissant de presunto e queijo da Pain de France (e o pain au chocolat também).

Qualquer delícia japonesa do Tanuki (de preferência, junto com a Fefa e a Bibi).

O lámen com vegetais extras do Porque Sim.

Pão na chapa da Padaria AJ, na esquina de casa.

A sopa de won ton do Kar Wua.

O cheeseburger da Hamburgueria do Sujinho e os miniburgers do Ritz (entregues em casa, de preferência).

A batata-frita e o milk-shake de chocolate do Fiftie’s.

A esfiha de carne fechada, a de verdura e o quibe redondo do Jaber.

As alheiras da Casa Portuguesa.

O capeletti in brodo do Gigio (a salvação nos dias em que estou com gripe ou manha).

A porchetta do Vito. Ou o ravióli aberto com rabada.

O sanduíche de pernil do Estadão.

O pastel de feira da Maria (de carne, sem invencionices).

A feijoada do Consulado Mineiro.

O caldinho de feijão (e o chopinho) do Filial.

O torresmo do Mocotó.

A coxinha do Veloso (com a caipirinha de jabuticaba) e a do Frangó.

sonho da Cristallo.

E os PFs de tantas esquinas, as pizzas, os pasteis de feira, os quibes fritos, as guloseimas e doces de padaria, os brigadeiros, bolos, sonhos, pratos de macarrão com almôndegas e bastante queijo, os filés à parmegiana, os sorvetes e frozens, os doces antigos e escondidos, o café com chantilly. É claro que amo as delícias da alta gastronomia, sua delicadeza elegante, seus pratos de contos-de-fada. Mas quando penso em São Paulo, as memórias são cotidianas. Comida de ontem, hoje, de amanhã também. De todo dia.

My dear, my darling, my love: feliz aniversário, São Paulo de todas as gentes, de todas as línguas.

 

Shortbread de caramelo e chocolate – e uma novidade! 3

Posted on janeiro 24, 2012 by Luciana Mastrorosa

Eu, que não ligo muito para doces, estou numa fase chef pâtissière. Começou com a mania de brownies, deu nos bolos de limão e fubá, passou pelo primeiro post da Tati Barros e chegou na extravagância culinária deste fim de semana: shortbreads com caramelo e chocolate. Você leu direito? Leia novamente: biscoitos amanteigados (sim, com muita manteiga fresca, de verdade) cobertos com uma camada grossa de caramelo feito em casa e finalizado com uma camada fina de chocolate! Só digo isso: não é para os fracos! :P

Encontrei essa preciosa receita (no original, caramel chocolate shortbread) ao folhear o livro Perfect Chocolate – A Collection of Over 100 Essential Recipes (em inglês, da Parragon Books). E foi com ela que dei início a uma nova semana – e também a uma nova vida. A partir de hoje, começo oficialmente como editora da revista Gula. Despedi-me no final de dezembro da querida Menu, onde trabalhei com muito amor por quase três anos. Agora, é abraçar esses novos desafios para continuar fazendo, sempre, aquilo que escolhi: gastronomia. Este é meu mundo, esta é minha vida. ;)

Que seja uma jornada doce! Enquanto isso, saboreiem um pedacinho dessas pequenas tentações de manteiga, caramelo e chocolate, cuja receita, devidamente traduzida e ligeiramente adaptada, publico abaixo.

Porque a vida é uma só, e a gente deve vivê-la ao máximo. Começando por hoje! :)

SHORTBREAD DE CARAMELO E CHOCOLATE
(receita original publicada em Perfect Chocolate – A Collection of Over 100 Essential Recipes; Parragon Books)

Caramel chocolate shortbread

O crocante amanteigado casa com a doçura extrema do caramelo e o amarguinho do chocolate

Ingredientes:

shortbreads
115 g de manteiga (+ quanto baste para untar a forma)
175 g de farinha de trigo
55 g de açúcar refinado

recheio e cobertura
175 g de manteiga gelada, em cubos
115 g de açúcar refinado
3 colheres (sopa) de glucose de milho (xarope tipo Karo)
1 lata de leite condensado
200 g de chocolate meio-amargo (a receita original pede ao leite)

Modo de preparo:

Shorbreads – Misture a manteiga, a farinha e o açúcar numa tigela, com as pontas dos dedos, até obter uma farofa. Quando a massa começar a formar uma bola, transfira-a para uma forma retangular de cerca de 23 cm de comprimento, previamente untada com manteiga. Aperte bem a massa no fundo da forma, de modo a obter uma camada fina. Leve-a para assar em forno médio, preaquecido, a 180ºC, por 20 a 25 minutos ou até dourar. Depois de assada, retire a massa do forno e deixe esfriar.

Caramelo – Enquanto a massa está no forno, prepare o caramelo misturando a manteiga, o açúcar, a glucose de milho e o leite condensado em uma panela pequena. Leve a mistura ao fogo brando e cozinhe, mexendo sempre para não grudar no fundo da panela. Ao ferver, mantenha no fogo baixo por mais 6 a 8 minutos, sem parar de mexer, até obter um creme bastante grudento e ligeiramente alaranjado. Retire do fogo e despeje o caramelo sobre a massa de shortbread assada. Deixe esfriar e leve ao congelador para firmar.

Cobertura e finalização – Quando o caramelo estiver firme, derreta o chocolate em banho-maria, com cuidado para não entrar vapor de água. Depois de derretido, transfira o chocolate para uma tigela e mexa-o bem para amorná-lo. Espalhe então o chocolate líquido e morno sobre o caramelo, formando uma camada fina. Deixe esfriar. Se necessário, mantenha refrigerado por algum tempo, até formar uma casquinha crocante de chocolate. Depois de frio, corte o shortbread com uma faca bem afiada, formando quadradinhos. Coloque-os um recipiente seco e sirva.

DICAS

Esta receita fica deliciosa com chá ou café. Recomendo harmonizá-la com a infusão Ayurvedic Refreshing Pitta, da The Gourmet Tea – uma das minhas marcas favoritas de chá. Esta infusão tem como base a hortelã-pimenta, misturada a raiz de alcaçuz, hibisco, pétalas de rosa e lavanda. Tudo orgânico e muito perfumado.

Para garantir que a receita funcione, é fundamental seguir os tempos, temperaturas e quantidades de ingredientes indicadas na receita. Usei uma balança caseira, daquelas pequenas, para garantir que tudo pesasse corretamente. Essa dica é válida não só para essa receita, mas para todos os doces.

Criando novas tradições 0

Posted on janeiro 18, 2012 by Luciana Mastrorosa

por Tatiana Barros

Hoje vou falar um pouco sobre as tradições que vejo por aqui e uma maneira gostosa e criativa de entrar na dança.

Eu acreditava que o feriado de Thanksgiving – Dia de Ação de Graças – fosse uma tradição americana e não canadense. Mas descobri que, na verdade, esta é uma tradição antiga europeia para celebrar e agradecer por colheitas fartas. No Canadá, a celebração ocorre todo ano em outubro, enquanto os americanos o fazem em novembro. Conta a história que, quando um explorador inglês chegou à Newfoundland em 1578, ele quis agradecer pela chegada em segurança ao novo continente e celebrou o primeiro Thanksgiving no continente americano, 43 anos antes dos peregrinos em Plymouth, Massachusetts (nos EUA).

Ano passado, eu e um amigo resolvemos reinventar as comidas típicas do feriado, como o tradicional peru recheado e o gravy, molho feito com os ossos do bicho, legumes e vegetais, e a famosa torta de abóbora. Inspirados pela tradição, resolvemos criar nosso próprio cardápio: lasanha de peru com legumes e uma torta-bolo de pera e banana.

Peço desculpas desde já pois não vou passar medidas exatas nas receitas. Geralmente faço tudo a olho. Esta receita não depende da precisão das medidas para ficar gostosa então fique tranquilo, tudo dará certo!

Recomendo começar pela torta-bolo, assim pode deixá-la esfriar enquanto prepara a lasanha.

Eu não sei se o conceito de torta-bolo já existe, mas o que queríamos era um bolo com a casquinha da torta. É simples e delicioso! O bolo pode ter qualquer sabor e vocês podem escolher quaisquer frutas. Passarei a receita com os ingredientes que escolhemos. Eu queria que nossa sobremesa fosse colorida, então usamos corantes para alimentos.

TORTA-BOLO DE PERA E BANANA
Nota: Usamos massa para torta e mistura para bolos prontos. Se quiserem, podem fazer ambos do zero, claro.

Os ingredientes da torta-bolo de pera e banana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingredientes:
1 mistura para bolo sabor baunilha
3 peras
3 bananas
1 massa pronta para tortas
corantes variados para alimentos

Modo de preparo:
Prepare a massa de bolo de acordo com as instruções do fabricante e divida a massa em 4 partes. Reserve. Corte as frutas em cubinhos. Misture 1 corante de cada cor em cada tigela e adicione um pouco das frutas. Coloque a massa pronta para tortas em 2 formas médias e cubra-as com a mistura para bolos, intercalando as cores para dar um efeito divertido. Asse-as em forno médio, de acordo com as instruções do fabricante. Retire as tortas-bolos do forno e deixe esfriar.

Ceia de Thanksgiving completa, com lasanha de peru e torta-bolo colorida de pera e bananas

E agora, a lasanha:

LASANHA DE PERU

Os ingredientes da lasanha de peru

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingredientes:
massa para lasanha quanto baste
carne de peru moída (pode ser substituída por qualquer outro tipo de carne moída)
bacon, alho e cebola a gosto
sal a gosto
tomates, cenouras, cogumelos e mussarela quanto bastem para formar as camadas
molho gravy comprado pronto (é difícil de achar no Brasil; pode substituir por mais molho de tomate ou arriscar fazer um gravy como este aqui – receita em inglês)
água quanto baste
azeite de oliva quanto baste

Modo de preparo:
Cozinhe a massa para lasanha em água fervente até ficar macia. Escorra-a e reserve. Cozinhe também a cenoura (eu gosto de cozinhar no vapor). Reserve. Frite a carne com um pouco de azeite, numa frigideira grande, em fogo médio. Reserve a carne e use a mesma frigideira para fritar os cubos de bacon. Retire a gordura deixada pelo bacon na frigideira e adicione os cogumelos. Cozinhe-os em fogo baixo, até ficarem macios. Reserve. Em uma panela, refogue a cebola e o alho picadinhos em um pouco de azeite e em seguida adicione a carne, o bacon e o tomate picado. Se necessário, junte 1 colher (chá) de mel ou açúcar para quebrar a acidez do tomate. Quando o tomate estiver cozido, adicione a cenoura e o cogumelo, misture tudo e tire do fogo. Em uma forma grande, coloque a primeira camada de massa de lasanha, cubra com uma camada de carne, seguida pelo gravy e cubra com a mussarela. Repita até encher a forma ou acabarem os ingredientes. Coloque para assar em forno preaquecido a 180⁰C para gratinar, verifique de 10 em 10 minutos para ter certeza de que não passará do ponto.

A montagem da lasanha de peru

Espero que gostem, deixo vocês com algumas fotos do resultado final do nosso Thanksgiving diferente. Até a semana que vem!

Nova colunista, direto do Canadá 9

Posted on janeiro 11, 2012 by Luciana Mastrorosa

Para estrear essa nova fase do Guloseima, convidei uma amiga querida para dividir com a gente algumas aventuras gastronômicas direto de sua nova morada: Toronto, no Canadá. A primeira coluna da Tatiana Barros estreia hoje, com muito orgulho! Espero que gostem, sugiram temas e se divirtam muito com as histórias da Tati. Benvinda, Tatinha! :)

Biscoitinhos para quebrar o gelo!

por Tatiana Barros

Fachada da loja de Mary MacLeod's Shortbread, em Toronto, no Canadá

Fachada da loja de Mary Macleod's Shortbread, em Toronto, no Canadá

Olá! É com muito prazer que começo a escrever para o Guloseima!

Antes de deixar todos com vontade de comer coisas gostosas, gostaria de me apresentar: me chamo Tatiana e a partir de hoje estarei com vocês para dividir as delícias do Canadá, diretamente de Toronto. Nascida e criada em São Paulo, sou grande apreciadora de comidas gostosas e diferentes e é isso que busco aqui no Canadá. Espero que gostem!

Hoje vou falar sobre um lugar que descobri há alguns meses. Eles vendem apenas “shortbread”, que nós conhecemos como amanteigados, aqueles biscoitinhos que só de olhar já ganhamos uns três quilos. O nome do lugar é Mary Macleod’s Shortbread e fica na Queen Street, em Toronto. Apesar de existirem desde 1981 e serem conhecidos mundialmente, esta é a única loja deles. A filosofia da empresa diz que os produtos devem estar sempre fresquinhos (e sempre estão) e por isso produzem apenas pequenos lotes por vez.

A loja é pequenininha e aconchegante e o cheiro dos biscoitos produzidos logo atrás do balcão deixa qualquer um maluco. O atendimento também é diferenciado e pessoal. A pessoa que me atendeu fez questão de explicar todos os sabores e até ofereceu alguns para eu experimentar.

Mary Macleod, nascida na Escócia, veio para o Canadá há mais de 30 anos e conta que a receita inicial de seus biscoitinhos era de sua avó francesa. E a receita é constantemente aperfeiçoada. Os ingredientes são todos locais, sempre puros e frescos. Além da receita tradicional, eles produzem mais oito sabores. Dentre eles, misturas como chocolate e laranja, chocolate e avelã e café com chocolate branco. Outro ponto alto dos biscoitinhos são as opções crocantes. Pedacinhos de chocolate crocante são adicionados à massa e a textura é completamente diferente de tudo que já experimentei. Algumas das opções:

Shortbreads da Mary MacLeod's

Os vários sabores de shortbreads da Mary Macleod

Toronto, assim como todo o Canadá, é um lugar multicultural e cheio de comidas deliciosas, de lugares puramente tradicionais àqueles que fazem uma releitura das diferentes culturas e tendências. Será um prazer trazer isso para vocês aqui no Guloseima!

Deixo aqui os detalhes da loja e a receita original da Mary para poderem matar a vontade em casa. Caso estejam passeando por esses lados, não deixem de passar por lá!

Mary Macleod’s Shortbread
639 Queen Street East, Toronto, Ontario
(416) 461-4576
http://www.marymacleod.ca

*

BISCOITINHOS AMANTEIGADOS (SHORTBREAD)
receita original da Mary Macleod

ingredientes:
1 ¼ xícara (chá) de manteiga (225 gr)
2/3 de xícara (chá) de açúcar de confeiteiro (85 gr)
2 colheres (sopa) de frutose
¼ de xícara (chá) de farinha de trigo durum (55 gr)
2 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo comum, usada em bolos (340 gr)

Modo de preparo:
Pese todos os ingredientes em tigelas diferentes, com a manteiga na tigela da mistura principal. Misture a manteiga, o açúcar de confeiteiro, a frutose e a farinha de trigo durum, até obter um branco pálido.
Acrescente a farinha comum gradualmente, trabalhando a mistura com as mãos até obter uma massa suave e flexível. Às vezes não é necessário usar toda a farinha. A massa está boa quando parar de grudar nas mãos. Transfira a massa do shortbread para uma tábua de madeira ou polietileno e amasse-a por alguns minutos, até ficar flexível. Corte os amanteigados da maneira que preferir e coloque-os em uma assadeira para biscoitos. Asse-os em forno baixo, a 120°C, por 30 minutos. Gire a forma e asse-os por mais 30 minutos, até dourar. Retire-os do forno, deixe esfriar bem e guarde num pote limpo, com tampa.

Guloseima no Facebook 0

Posted on novembro 27, 2011 by Luciana Mastrorosa

Para quem adora uma novidade, agora estamos também com uma página toda própria no Facebook. É hoje que não saio da internet! :D

http://www.facebook.com/GuloseimaBlog

É só clicar, visitar e curtir. ;) E dar pitacos, claro!

beijos!

Lu

 

Doce novembro 0

Posted on novembro 27, 2011 by Luciana Mastrorosa
Le Creuset tradicional: laranja

Le Creuset tradicional: laranja

Dentre tantos outros meses do ano, novembro é o que eu mais gosto. O motivo principal é o mais cara-de-pau possível: novembro é o mês do meu aniversário, e sempre adorei comemorar as vitórias e conquistas de mais 12 meses. Quando eu era criança, achava um privilégio ter nascido em novembro porque, desde outubro, ganharia um presente por mês, na ordem: dia das crianças, meu aniversário e Natal. Era divertido.

Hoje, por motivos óbvios, não ganho mais presente no dia das crianças, mas meu aniversário continua sendo sagrado. Quanto mais festa, melhor – e não vou negar: adoro um presentinho! Hehehehe!

Este ano, nem fiz festa, mas tive uma surpresa muito feliz: ganhei minha primeira panela Le Creuset, linda, laranja, que agora vai cuidar com carinho das minhas Le Creuset-bebês de cerâmica, que enfeitam qualquer jantar. E quem diria que logo eu, a menina que detestava tarefas domésticas e tinha alergia à expressão “do lar” (tenho até hoje, aliás), ia chorar ao ganhar uma panela de presente de aniversário!

Fato é que eu chorei. E, convenhamos, Le Creuset não é qualquer panela: é “A” panela. É o recipiente que habita os sonhos dos cozinheiros, com suas lindas cores envolvendo o pesado ferro esmaltado que a compõe. É a panela que me traz as lembranças mais felizes do meu curso de cozinha na Wilma Kovesi, no já longínquo ano de 2008. É a panela que vou deixar de presente para meus filhos ou netos ou bisnetos ou sobrinhos – ou alguém muito querido, que saiba dar valor a ela.

Para comemorar como se deve, o primeiro prato que preparei nela foi um boeuf bourguignon, receita ligeiramente adaptada da minha amada Elizabeth David em Cozinha Regional Francesa (Cia das Letras). O prato, cozido por horas a fio, foi devorado em instantes por 4 convivas esfomeados. Quer prova melhor de que a panela funcionou?

Antes que alguém pergunte, este NÃO é um post patrocinado (nem sei se existe isso ainda, mas, enfim). É apenas o testemunho de alguém cada vez mais imerso no mundo da comida, com suas pequenas idiossincrasias e paixões inquestionáveis.

Eu (coração) Le Creuset.

*

Quer arriscar a receitinha em casa? Vamos lá:

BOEUF BOURGUIGNON

1 kg de alcatra em cubos grandes
120g de bacon em cubinhos
1 cebola grande em rodelas
1 ramo de tomilho
1 ramo de salsa
1 folha de louro
1 xícara (chá) de vinho tinto
500 ml de água (ou caldo de carne)
1 dente de alho
1 colher (sopa) de farinha de trigo
250 de cogumelos-de-Paris pequenos, inteiros e limpos
12 minicebolas, descascadas, inteiras
azeite de oliva quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Ponha os cubos de carne num recipiente que possa ser tampado e tempere-os com sal e pimenta. Adicione o vinho, a cebola grande em rodelas, os ramos de ervas e 2 colheres (sopa) de azeite. Misture bem, tampe e deixe marinar por 3 a 6 horas – quanto mais tempo, mais temperada ficará a carne.

Após esse período, coloque 1 colher (sopa) de azeite na sua Le Creuset (hehehe) e doure o bacon. Junte as minicebolas inteiras e deixe dourar, em fogo baixo, mexendo-as de vez em quando para não grudar. Quando estiverem dourados, retire o bacon e as cebolas e reserve. Retire os cubos de carne da marinada, coe o líquido e reserve. Seque os cubos, um a um, com papel-absorvente ou um pano limpo. Frite-os na gordura que sobrou na panela (adicione mais azeite, se necessário), até ficarem dourados. Não tenha pressa: doure os cubos aos poucos, para que não soltem muita água. Depois de dourar toda a carne, polvilhe os cubos com a farinha, sacudindo a panela para que a farinha se misture à gordura.

Adicione então a marinada coada e deixe ferver por 1/2 minuto. Junte o caldo, o dente de alho inteiro (descascado) e 1 buquê de ervas (tomilho, salsa e louro), amarrados com um barbante de algodão. Tampe a panela, abaixe bem o fogo e deixe cozinhar por cerca de 2 horas, observando o cozimento de tempos em tempos. Se o líquido secar, adicione mais água ou caldo quente.

Quando a carne estiver macia, junte o toucinho, as cebolas e os cogumelos inteiros (previamente secos numa frigideira quente, para não soltarem muita água). Deixe cozinhar por mais alguns minutos, corrija o sal e a pimenta e sirva.

Como acompanhamento, fiz batatas no forno, em rodelas, apenas temperadas com sal, pimenta e tomilho, assadas junto com dentes de alho inteiros, com casca.

Dá trabalho, mas fica divino, acredite.

Como diria Julia Child, que imortalizou o boeuf bourguignon francês para a América e o mundo, “boooooon appétiiiiiit”. ;)

*

PS: claro que tirei foto da minha fofura, mas alguma coisa estranha está acontecendo com o Flickr e não consegui subir nada aqui no WordPress (algum problema com minha versão). Prometo trazer mais fotos em breve. :) A imagem que ilustra este post veio do site oficial da marca, na França: www.lecreuset.fr

Falando de café 0

Posted on outubro 16, 2011 by Luciana Mastrorosa

Paris

Café é uma das minhas grandes paixões culinárias. Para ter uma ideia, tenho em casa várias opções para extrair o líquido negro e poderoso no meu café da manhã de todo dia: uma máquina de espresso De Longhi, uma Nespresso, coadores de plástico, uma moka italiana e uma minifrench press. Fora o arsenal para moer os grãos e as variedades de cafezinho que vou descobrindo por aí.

Meus favoritos hoje, em geral, têm sido os cafés brasileiros de microlotes, arábica, especialíssimos. Têm uma doçura natural e aromas que lembram achocolatado, caramelo, até floral. Para quem gosta de café, o céu é o limite.

Um viva para o Brasil e seus produtores dedicados, que têm aumentado, e muito, a qualidade das nossas bebidas!

Esses dias o portal da revista Espresso, especializado no assunto, me entrevistou sobre o Pingado e pão na chapa – Histórias e receitas de café da manhã, meu livro querido lançado no ano passado. Foi um papo gostoso, solto, em que falei dessa paixão tão intensa que tenho pelo café de todo dia. Não é para menos: sem minha xícara diária, não sou ninguém.

Confira aqui a minha entrevista sobre o livro no Portal Espresso.

Quer saber mais sobre o livro? Clique aqui!

*

PS: este café aí de cima não foi o melhor da minha vida em termos de qualidade, mas em termos afetivos ele cumpriu seu papel: foi oferecido após um almoço na universidade francesa Sorbonne, em outubro de 2010, parte do curso Hautes Études du Goût, no qual me formei. Foi um dia emocionante em que aprendi um pouco mais sobre os produtos regionais franceses, em aula ministrada nessa universidade mítica. Ter aula de comida na Sorbonne? Com almoço depois? Pura emoção. E com chocolatinho amargo para acompanhar… Ai, que saudade! :)

Mania de brownie 2

Posted on outubro 15, 2011 by Luciana Mastrorosa

brownies

Não sei o que passa comigo, mas estou numa fase de brownies. Faço um atrás do outro, testo receitas que encontro aqui e ali e sempre fica bom. Brownie é o tipo de doce que nunca te decepciona: um exagero de chocolate, massa macia, bom quente ou gelado, com ou sem calda, com ou sem sorvete. O meu eu gosto puro, sem castanha, sem nada, só aquela loucura exagerada de chocolate para acompanhar uma xicara de café passado na hora ou várias xícaras de chá.

E o mais divertido: fica pronto rápido. Meia hora e o brownie se destaca da assadeira e vai direto aos pratinhos de servir em pedações açucarados. Anima qualquer alma, acredite.

A massa é para os fortes: um monte de chocolate em pó (ou em barra), açúcar, manteiga. Nem pense em economizar e fazer com margarina, porque o resultado é infinitamente inferior. Brownie bom é aquele cheinho de calorias felizes.

Como esta receita abaixo, tão deliciosa que adotei como a mais básica de todas na minha cozinha. Encontrei perdida na internet e não guardei o link (shame on me), mas eu lembro do nome da autora: Nicole.

Nicole, seja você quem for, aqui vai um salve: sua receita é ótima! Segue abaixo a receitinha desse brownie delicioso e prático, com ligeiras adaptações feitas por moi même:

Brownie da Nicole

200 g de manteiga em temperatura ambiente (consistência de pomada)
2 xícaras (chá) de açúcar (uso açúcar de baunilha, que aromatizo com as favas usadas em outras receitas)
4 ovos (orgânicos, de gema bem amarelinha)
1 1/2 xícara (chá) de chocolate em pó (pode usar metade chocolate, metade cacau em pó, para um resultado mais amarguinho)
1 xícara (chá) de farinha de trigo sem fermento, peneirada

Misture a manteiga e o açúcar em uma tigela e bata por 1 minuto, até incorporar bem os ingredientes. É importante que a manteiga esteja macia justamente para assimilar melhor o açúcar. Em seguida, junte os ovos e mexa bem. Adicione então o chocolate, misture e incorpore a farinha, até obter uma massa pesadinha e bonita. Eu misturo tudo à mão, numa tigela grande, porque se bater demais a massa ficará fofa, o que não é o objetivo aqui. Neste momento, você pode acrescentar um punhado ou dois de nozes picadas, que fica delicioso também (fiz uma versão assim para a mamãe, que adora nozes). Ou de outras castanhas de sua preferência, claro.

Coloque para assar numa forma média, retangular (20 a 25 cm), forrada com papel-manteiga. Se fizer dessa forma, não precisa untar nem enfarinhar a forma. Se não tiver papel-manteiga, então unte a forma com manteiga e enfarinhe (ou use cacau em pó). Leve para assar em forno médio, a 180oC, por 30 a 40 minutos. Como a temperatura muda muito de forno para forno, sugiro enfiar um palito de dente no centro do brownie já por volta dos 25 minutos. O palito deve sair úmido, mas não molhado (nem seco). Está pronto! Deixe esfriar na forma para depois cortar em pedaços quadrados.

E comer sem culpa, como se não houvesse amanhã. :)

Delícias de inverno 5

Posted on junho 29, 2011 by Luciana Mastrorosa

Chá quente em noite fria, conforto imediato. Já nem peço mais desculpas aos meus leitores queridos por minhas constantes ausências, porque não adianta. Falta é falta, e o tempo que passa, perdido está. Mas adianto que logo, muito em breve, terei notícias quentinhas para vocês. Estou repensando o Guloseima e planejo coisinhas novas e bacanas. E vocês serão os primeiros a saber, prometo! :)

Há um ano e pouco, estava lançando meu primeiro livro de cozinha, o Pingado e Pão na Chapa – Histórias e Receitas de Café da Manhã (se interessou? Clique aqui para comprar!). Agora, um ano depois, a vontade que dá é a de criar mais e mais. Escrever sempre, cozinhar diariamente, não perder nunca a curiosidade infantil diante de novos sabores. Um olhar sempre renovado sobre a vida.

E agora está um frio do cão em São Paulo. O inverno chegou com tudo, madrugada teve 6 graus, agora está beirando isso novamente. Pelo menos é o que eu sinto aqui na sala de casa, com apenas uma frestinha da janela aberta. Para reconfortar o corpo e a alma, faço um bule de chá.

Aqui, vale explicar que chá é, tecnicamente, a bebida preparada com as folhas da Camellia sinensis. Porém, eu chamo (incorretamente) de chá tudo aquilo que é infusão: mates, camomila, boldo, hortelã… Sempre adorei chá, e muitas vezes cheguei a trocar o leite matinal, quando criança, por uma caneca de mate com açúcar. Aliás, “chá” mate sempre me lembrará minha mãe e meu pai. Outras pessoas tomam essa bebida, lógico, mas para mim esta é uma daquelas coisas que, na minha percepção infantil, por muito tempo pertenceu apenas à minha família. Vai entender…

Fato é que me delicio demais com o ritual de um bom chazinho: encher a chaleira, medir as folhas da erva, contar o tempo para que a infusão saia perfeita… E depois despejar o líquido perfumado na xícara, esperando que chegue logo à temperatura exata, evitando queimar a língua na pressa de beber.

Dá uma calma boa, uma sensação de pertencimento. Algo do tipo: estou em casa. É assim que me sentia antes, é assim que me sinto agora.



↑ Top