Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for the ‘comida’


Feliz 2013! 2

Posted on janeiro 06, 2013 by Luciana Mastrorosa

2012 foi um ano intenso. Sei que não só para mim, mas para muitos. Trabalho, cansaço, stress, aquela coisa toda que pode tirar (e tira) nosso humor, mas também pode acrescentar mais vida e cor aos nossos dias.

Começo 2013 com um pão e os melhores votos para que, neste ano, a gente tenha coragem de fazer o que é necessário, sem fraquejar. Que o amor, os amigos, a família, as pequenas alegrias sejam abundantes e cotidianas. Que não falte trabalho, e que ele seja sempre feliz, satisfatório, um trabalho que reflita nossos sonhos e desejos realizados.

Este pão rústico encontrei na internet – mais precisamente aqui. É demorado, mas nem tanto. O que precisa é de paciência e uma certa dose de dedicação para que saia lindo e quente do forno, quase saltando da panela de ferro para a mesa.

É um pão que não necessita de sova: basta misturar os ingredientes certos – água, farinha, fermento, sal – e deixar que o milagre da multiplicação das leveduras aconteça. Depois de 12 horas, a massa estará boa para ser levada ao forno quente, 230 graus Celsius, dentro de uma panela resistente, de ferro, com tampa.

Com menos de uma hora de forno, pimba! Lá está o pão, pronto para esfriar e ser devorado com manteiga, azeite, ervas, um tico de sal, com toda a simplicidade que você puder imaginar.

Uma receita tão prosaica, rústica até, simboliza aquilo que desejo para o Ano Novo: que seja pleno de construção, menos pensamento e mais ação, mais vida acontecendo como deve ser: quase como num passe de mágica. Porque sem uma dose de magia, o cotidiano fica chato e sem graça.

Mas antes, um agradecimento a todos aqueles que fizeram de 2012 um ano mais doce. Obrigada por tudo, sempre!

Pode vir, 2013, estou preparada! :)

PÃO RÚSTICO, SEM SOVA

3 xícaras (chá) de farinha de trigo orgânica (ou específica para pão)
1 3/4 colher (chá) de sal (usei o rosa do Himalaia, mas pode ser qualquer um)
1/2 colher (chá) de fermento biológico seco
1 1/2 xícara (chá) de água

Para fazer o pão, é simples: comece misturando os ingredientes secos e, em seguida, adicione a água. Misture bem até obter uma massa mole: não precisa colocar mais farinha (talvez mais um tiquinho de água, se a massa ficar muito seca). Então, coloque a massa num recipiente grande e cubra com filme plástico. Deixe descansar por 12 a 18 horas. Após esse descanso, transfira a massa (mole, melequenta e cheia de bolhas) para uma superfície com bastante farinha. Forme uma bola e cubra com o mesmo filme plástico. Enquanto isso, aqueça o forno a 230 graus C e coloque dentro a panela de ferro, com tampa. Após esse período, coloque a bola de massa dentro da panela quente (cuidado, ela estará PELANDO de tão quente), tampe e leve ao forno por 30 minutos. Depois dessa meia hora assando, retire a tampa da panela e deixe assar por mais 15 minutos ou até que a crosta fique dourada.

Quando o seu pão estiver lindo, cheiroso e dourado, retire-o do forno, tire-o da panela quente e transfira-o para uma grade, para deixá-lo esfriar. Depois de frio, corte em fatias e coma com o que tiver à mão. Pode ser até puro!

Simplicidade 0

Posted on outubro 14, 2012 by Luciana Mastrorosa

Para curar o cansaço da alma, comida simples: pão, peixe, queijo, legumes. E vinho.

Eu falo de comida o tempo todo, gosto de comer, escrevo sobre isso e me considero afortunada por poder passar 24 horas por dia, literalmente, me dedicando ao assunto. E o Guloseima, claro, faz parte desse espaço que eu venho construindo, passo a passo, desde que tomei a sábia decisão de trabalhar exclusivamente com gastronomia – jornalismo e literatura incluídos nesse panteão.

Mas acontece que a gente vai engatando uma coisa na outra e a correria é tão imensa que às vezes a gente esquece do essencial, da simplicidade da coisa. Eis que hoje, finalmente, faço o que gosto em termos de profissão, mas tenho estranhamente me sentido fatigada, vazia mesmo, sem nada o que dizer a respeito daquilo que mais amo: comida. É como o Héctor Abad escreveu em seu lindo Livro de receitas para mulheres tristes, publicado pela Cia das Letras: “Só os bons poetas nos curam do fastio de palavras. Só a comida simples e essencial nos cura da saturação da gula.”

Simplicidade. Quando a mente cansa dos rituais, quando o corpo pede uma pausa, meu conforto está no silêncio, na paz, no simples. Mesmo com essa consciência, me deparei ocupando os pensamentos e o coração com questionamentos do tipo “O que posso fazer hoje para me divertir? Como posso descansar a mente tão fatigada?”, num dos poucos fins de semana em que não tinha compromissos a cumprir, ninguém doente (thank God) e nada pedindo minha presença, julgamento ou decisão urgentes. Alívio pelo tempo livre, susto por não saber como ocupá-lo.

Decidi ir ao cinema, paixão das antigas. Fui cedo, mas São Paulo sempre me surpreende: sessões estavam lotadas. Com fome e absolutamente enfastiada com as multidões que caminhavam na Paulista, afluíam aos cinemas e se debatiam em filas para comer nos cafés e restaurantes, abracei a simplicidade: queria voltar para casa, e rápido, para comer a minha comida, feita por mim e para mim.

Primeiro, brigadeiros: uma caixinha com quatro unidades, nos sabores tradicional, amargo, pistache e doce de leite. Depois, mercado: salmão defumado, queijo feta, e baguete estalando de tão fresca na padaria fofa que abriu aqui do lado.

Que sensação deliciosa voltar para casa! Sacola de compras, pão debaixo do braço, meu bairro me abraçando com seus mercadinhos, as pessoas felizes nos botecos, o céu cinza que convidava a ficar no sofá.

Assim improvisei meu almoço, um sanduíche simples acompanhado de uma taça de vinho. Saladinha de alface-catalônia orgânica, limão siciliano, sal, pimenta, queijo feita, azeitonas, tomatinhos. Uma versão da sempre benvinda salada grega. No pão, um ovo poché perfeito, cozido na água com vinagre de sidra, mais azeite, salmão defumado, gotinhas de limão e a pimenta moída na hora.

À taça de vinho, seguiu-se o espresso com os brigadeiros artesanais. E uma tarde de sábado simples, um pouco introspectiva, talvez, mas com aquela certeza tranquila de que não é errado precisar de descanso e paz  para acomodar melhor com as nossas mais loucas paixões.

Como assar um bolo gringo 2

Posted on junho 08, 2012 by Luciana Mastrorosa
Sweet Cream Cake Mix

Sweet Cream Cake Mix: rendeu todos esses bolos e mais um!

No começo do ano, ganhei uma massa de bolo norte-americana, cheirosa e macia, daquelas misturas prontas que produzem bolos de maneira prática, bastando acrescentar ovos, manteiga e leite. Uma massa texana, Sweet Cream Cake Mix (da San Antonio River Mill Brand), que, ainda dentro da embalagem, já exibia seu aroma delicioso de creme e baunilha.

Fato é que resolvi testá-la apenas hoje, um dia frio daqueles, feriado em São Paulo, com uma gripe ameaçando me derrubar. Como se vê, demorei meses até ter coragem de assar o bolo gringo, esperando pelo momento especial. Tenho muito disso, é uma mania que me acompanha desde criança: esperar o momento “especial” para comer tal guloseima, ou preparar tal prato. Às vezes tem uma certa utilidade, como quando recebo visitas inesperadas e tenho alguma coisinha gostosa para colocar à mesa. No mais das vezes, porém, é apenas bobagem minha, que já me rendeu a perda de muito ingrediente bom por simples… esquecimento.

Mas hoje, não. Decidida a não me deixar vencer pela gripe e pelas mesquinharias da vida, resolvi assar o bolo gringo para ver no que é que daria. Primeiro, o mais importante: converter aquelas medidas estranhas – onças, libras, fahrenheit – para o nosso amado sistema métrico de todo dia. Daí que 6 onças (oz) viraram 170 g de manteiga, e 300 graus F viraram, bem, o forno mais baixo possível, já que meu fogão só permite, como temperatura mínima, 180 a 200 graus Celsius, um pouquinho acima dos 170oC pedidos na conversão.

Divertido! Em seguida, o desafio de achar a forma certa: a embalagem (um lindo saquinho de pano, com o logotipo da marca e a receitinha no verso) informava ser necessário uma forma de bolo com furo no meio, grande, untada apenas com óleo. Só tenho formas pequenas (shame on me), então tive que improvisar.

Batendo a massa, logo percebi que a intenção é que o meu Sweet Cream Cake ficasse muito, muito macio. Mas haja batedeira! A massa, cremosa e amanteigada, virou rapidamente um creme denso, espesso, gordo – manteiga para tudo o que foi lado!

Só que eu não tenho uma Kitchen Aid para me ajudar nessas horas, então… O resultado foi uma batedeira quase arriando, enquanto eu ajudava, manualmente, a empurrar a massa para as pás que giravam e giravam, esforçadas, quase inúteis.

Depois de devidamente batida, a surpresa: era MUITA massa. Muita mesmo! Usei então duas formas de pão pequenas, uma forma de cupcakes (com capacidade para 6 unidades), mais uma forma pequena de bolo, com furo no meio. E paguei para ver.

Forno baixo, todas as formas juntinhas, e a o fogo começou a fazer sua mágica: depois de alguns minutos, a casa ganhou um perfume delicioso. Creme, manteiga, açúcar, ovos, leite, baunilha… Tudo junto e misturado, aquecendo a minha cozinha tão fria.

Depois de assados, a surpresa: aquela massa pesadona e rica transformou-se em bolos macios e delicados, de crosta crocante e interior fofinho, doces na medida certa, sem exagero para nenhum dos lados. Nada de gordura sobrando, nem cheiro de ovo, nem açúcar demais. No ponto, perfeita, a massa certa para um dia como hoje.

Como é um bolo básico, deve ficar uma delícia com acompanhamentos do tipo geleias, marshmallow, ganache meio amarga, caldinha de limão… O meu deve ganhar dois dedinhos de doce de leite Lapataia, que outro amigo me trouxe como lembrança – e é divino para bolinhos assim.

Para acompanhar, um bom café feito na french press, para beber com calma junto com meu bolo gringo – aliás, texano, para mandar todos os meus preconceitos pelo ralo. E eu que achava que a América só tinha mesmo era hambúrguer, Coca-cola e algumas cervejas.

Olha a minha massa aqui!

Amigos, não se acanhem: na próxima visita ao Texas, podem trazer essa e outras misturas deliciosas para assar. E não esqueçam de mim! ;)

Tudo muda o tempo todo no mundo… 1

Posted on maio 07, 2012 by Luciana Mastrorosa

…E aqui mudou também. Rolou uma ausência, né? Pois é, nem tenho cara mais de pedir desculpas. Mas garanto que foi por um motivo bom: mudanças, mudanças para o bem.

Como já tinha comentado por aqui, no final de janeiro comecei a trabalhar na revista Gula. Maaaaas, como 2012 chegou para bagunçar o coreto, recebi logo depois um convite para fazer parte da equipe da linda Prazeres da Mesa, onde estou, feliz, feliz, desde abril! :)

É por conta dessas mudanças todas – e de um projeto pessoal muito bacana que, ainda, está engavetado, mas breve verá a luz – que dei uma boa parada no Guloseima. Por enquanto, vai ficar assim, paradinho, até eu conseguir acertar os ponteiros da minha agenda maluca. Mas logo eu volto. Adianto que tenho cozinhado muitas coisinhas gostosas nas minhas (poucas) horinhas no lar. E pretendo dividir todas elas aqui com vocês.

Aguardem e confiem ;)

Um beijo

Lu

 

Manias locais 0

Posted on abril 04, 2012 by tatibarros

Por Tatiana Barros

Este final de semana fui conhecer um local chamado Evergreen Brickworks. Para ser honesta, não entendo muito o conceito do Evergreen, ainda mais vindo de São Paulo. Mas vamos lá. Eles se consideram uma “Comunidade ambiental  em larga escala”, OPA!

Os canadenses são bastante protecionistas, tudo deve ser local e tudo tem que ser “green”.  Grandes marcas internacionais como Johnson & Johnson e Nabisco por exemplo, ganham nomes diferentes para uma identidade mais local aos produtos.

À primeira vista, o Evergreen Brickworks nada mais é do que uma fábrica de tijolos antiga transformada em um espaço para a comunidade passar o tempo e comprar produtos locais. Olhando um pouco mais de perto, Evergreen é uma caridade que incentiva as comunidades a criar ambientes sustentáveis em centros urbanos.

O Projeto Evergreen é tão “verde” que no website você só encontra instruções de como chegar a pé, de ônibus ou bicicleta. Eles promovem educação sobre o meio ambiente e como se tormar uma pessoa mais “green”, criando projetos sustentáveis em escolas, parques e comunidades por todo o Canadá.  Além desses programas, o projeto Evergreen também possui workshops, aulas de culinária e o famoso “Farmer’s Market”, onde fazendeiros da região se reúnem para vender produtos de suas fazendas, desde frutas e vegetais até carnes e queijos.

Em outra sessão fica o “Garden’s Market” com plantas nativas e importadas com produtos orgânicos, casinhas para animais, como pássaros, borboletas e afins e ferramentas para jardinagem.

Para completar, o Evergreen Brickworks conta com um restaurante do Chef Brad Long, uma celebridade em Toronto, com vários restaurantes espalhados pela cidade e inúmeros prêmios de culinária. Ele também participou de uma das temporadas de um programa de televisão chamado “Restaurant Makeover” no canal Food Network.

O Cafe Belong deixa um pouco a desejar em minha opinião. Com todas essas coisas no currículo, eu imaginava menus mais criativos. O lugar é gostoso e aconchegante e o atendimento é muito bom, mas a comida não apresenta nada de diferente. Se posso fazer alguma sugestão, recomendo explorar as comidinhas das barraquinhas presentes no Farmer’s Market.

Como fui visitar durante o inverno, as opções estavam limitadas, Na área do jardim, onde normalmente ficam várias barraquinhas com produtos variados e artistas locais animando o pessoal, havia uma pista de gelo para famílias se divertirem andando de patins. Além da pista de patinação, havia 2 pavilhões. No primeiro, ficavam os vendedores com todos os tipos de comida incluindo legumes e vegetais, frutas, grãos, pães, carnes e peixes. No segundo, ficava a área reservada para vendedores de comidinhas prontas para beliscar. Waffles, sanduíches, quesadillas, crepes, sopas e muito mais. O Cafe Belong fica nesse segundo pavilhão.

Para quem está em Toronto, recomendo o passeio. Um lugar agradável e diferente para começar o dia e ficar para o almoço.

Evergreen Brickworks
550 Bayview Avenue, Toronto, ON  M4W 3X8 Canada
Tel: 416-596-7670



↑ Top