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abril 30, 2011 by
Luciana Mastrorosa

Ontem foi dia 29 de abril, dia do casamento real do príncipe William com a agora duquesa Catherine Middleton. Muita festa, muita foto na internet, muita piadinha e muita gente invejosa falando isso e aquilo. Básico para todos os casamentos, reais ou não.
Fato é que hoje me peguei curiosa com o cardápio da recepção. E, entre uma pausa e outra (Jesus, faz milênios que não escrevo aqui!) do trabalho de conclusão de curso que estou escrevendo, me deparei com o menu real, no site oficial do casamento. Fiquei surpresa, confesso, com a trivialidade de alguns itens. Ok, aspargos, ruibarbo e framboesas não são, assim, comidas do dia a dia do brasileiro. Mas são muito comuns na gastronomia europeia, e cansei de ver chefs do mundo todo fazendo pratos com coisas assim.
O que me chamou a atenção no cardápio real (o de almoço) foi a simplicidade. Entre os canapés, ovos de codorna com sal de aipo. Ovinhos de codorna, sim, aqueles que a gente vê todos os dias no restaurante por quilo, na hora do almoço. Pode parecer simplório, mas tem coisa mais inglesa? E a lista segue: salmão defumado com guacamole, cordeiro confitado, cogumelos, nozes carameladas… Mas a bebida, claro, não poderia ser outra: champanhe. E da boa. Segundo o site oficial do casório, a ideia era valorizar os ingredientes ingleses, o que achei bacana. Veja o cardápio completo aqui.
A cozinha de lá, tão duramente criticada por ser pesadona e sem graça, está se reinventando há algum tempo, com gratas surpresas – Heston Blumenthal está aí como prova disso, ou mesmo os manjados Jamie Oliver e Nigella Lawson, que ficaram famosinhos por aqui. Falo um pouco dessa nova gastronomia inglesa nesta matéria que fiz pra Menu, depois de viajar para Londres, a trabalho, ano passado. Por isso digo: cordeiro, batatas, aspargos, salmão, ovos, pato, molho hollandaise: todos são comidas comuns, do dia a dia mesmo, do britânico médio. São comidas que fazem parte das festas e da rotina. Não é interessantíssimo como o casamento real decidiu valorizar esses ingredientes? Eu acho. Podiam ter colocado foie gras e caviar do início ao fim, mas preferiram ruibarbo (ok, teve champanhe francês, mas não daria para ser diferente neste caso. Sidra inglesa não rolaria, a qualidade nem se compara).
Mas casamento é casamento, e a comida é fundamental para celebrar momentos felizes, seja da realeza, seja dos mais simplinhos, como eu e você. Nenhum demérito: somos todos humanos. E que bom que conseguimos dar vazão aos nossos sonhos e celebrar da maneira como mais gostamos, com um churrasco no quintal, ou bebendo Pol Roger, o champanhe oficial do royal wedding.
Acontece que dia 29 de abril também é dia do meu aniversário de casamento. Muito antes de Kate e William anunciarem a data do enlace, eu e José celebrávamos o nosso, na igrejinha de São José, em São Paulo. Vestido branco e buquê de rosas para a noiva, terno bonito e bem cortado para o noivo, bem-casados às toneladas (porque sou exagerada como o inferno). E tacinhas de espumante simples, porque naquela época eu não sabia que nossos espumantes brasileiros eram tão festejados e blablabá. E, claro, o orçamento não dava para champanhe de verdade.
Acontece que neste 29 de abril completamos 5 anos de casados. Embora ano passado, e o começo deste, tenham sido – estão sendo – os momentos mais difíceis e mais duros de todos os que enfrentamos. Ainda não sabemos se as memórias felizes daquele nosso dia 29 vão prevalecer entre tantas outras, mas é nisso que apostamos. Timidamente, timidamente, de novo, um recomeço.
Não foi um Pol Roger que bebemos ontem, mas um Marques de Casa Concha 2009, chileno. Não foram canapés com sauce hollandaise que provamos, mas um penne à bolonhesa que eu mesma fiz. E já que são “bodas de madeira”, como dizem, raspei um pauzinho de canela direto no molho, com o melhor ralador que tinha em mãos. Madeira em pozinho, para dentro do corpo, para trazer saúde e sorte, e para trazer a felicidade.
E alecrim também. Um raminho, bem pequeno, para afastar o mau-olhado. São essas coisinhas, esses detalhes insignificantes, que continuam fazendo a roda girar. Porque, para mim ou para a Kate, a torcida pode ser contra ou a favor. Mas estamos aí, firmonas, seguindo o caminho. E que bom que podemos levantar um brinde ao amor na mesma data, né, Kate?
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E agora vou lá parar de procrastinar e escrever mais um capítulo pro meu trabalhinho sobre espumantes. Desejem-me sorte. Em tudo.
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A foto que ilustra este post veio do flickr oficial do Royal Wedding. Vejam mais fotos aqui.