A busca às origens 0
Fico feliz demais quando vejo iniciativas como este prêmio Tastemakers 2012 da revista Bon Appétit, de homenagear pessoas que fazem a diferença na gastronomia – não só os chefs e autores badalados, mas o cara que faz queijo artesanal, a moça que se dedica a cultivar ervas, o amigo que tem um açougue com cortes e carnes especiais… Os produtores, grandes e pequenos, enfim.
E fico mais feliz ainda de ver que os brasileiros estão despertando para isso também. Neste fim de semana, o chef José Barattino, do Hotel Emiliano, em São Paulo, encabeçou a segunda edição de seu Market Day. Fui ao primeiro, em 2010, e neste domingo fiquei surpresa de ver como a ação cresceu, atraiu mais gente, começou a aproximar, de fato, o público dos produtores. Estavam lá desde marcas consagradas, como a deliciosa Valrhona, de chocolates megafinos (e incríveis, diga-se), até produtores menores, como a cervejaria Karavelle, de Indaiatuba (SP), e o pessoal bacana do Empório Poitara, mostrando ervas, frutas e sementes da Amazônia, ainda tão desconhecida para nós aqui do sul. Falando nisso, só a Amazônia já vale um post separado!
A ideia do chef Barattino, aliás, é justamente esta: aproximar o cliente do produtor para mostrar ao público a importância de se respeitar as estações, de fazer um trabalho benfeito, com produtos de qualidade, sem aquela loucura toda de “ah, temos que servir morangos o ano inteiro”. Ora, não tem morango o ano inteiro! Percebe?
Trabalhando numa revista grande de gastronomia, como a Gula, estou sempre pensando em como fazer esse trabalho de aproximação também. Em especial, tenho um olhar crítico para receitas e ingredientes. Adoro quando pego um livro de receitas gringo, por exemplo. Mas fico triste quando vejo que, dentre os ingredientes, vemos uma enxurrada de opções que mais valem para a Europa do que para nós. Custava manter as receitas no original, claro, e sugerir substituições por ingredientes mais fáceis de achar por aqui, ou simplesmente mais típicos?
Ou melhor: vamos escrever mais livros sobre a nossa cozinha, que é tão absurdamente linda, rica, variada? Eu topo! o/
Também gostaria que a gente começasse a criar mais o hábito de perceber o que está ao nosso redor, valorizar as boas ações. Conhecer o comércio do bairro, pedir para saber de onde vêm os produtos, fazer compras menores e mais certeiras, desperdiçar menos.
Este é um dos meus desafios para 2012, aliás: desperdiçar menos, pouco, quase nada. Seja comida, seja meu precioso, e escasso, tempo.
E aproveitar mais o meu entorno, ocupar meu bairro, minha casa, minha vida. E se eu puder contribuir, um pouquinho que seja, com meu quinhão para a gastronomia, ficarei feliz, feliz.
Como já estou, aliás.
Chef Barattino promete que logo tem mais Market Day, vamos aguardar!




































