Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for the ‘memória’


E o livro vai para… 1

Posted on julho 06, 2010 by Luciana Mastrorosa

… A Júlia, que foi a sorteada e ganhou um lindo exemplar do meu livro Pingado e Pão na Chapa – histórias e receitas de café da manhã.

Parabéns, Júlia! :D

A vencedora deixou este recadinho aqui no Guloseima:

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Enviado em 29/06/2010 às 14:44

Olá Luciana,
Tudo bem?
Conheci seu blog pelo blog da Cris e gostei muito!
Parabéns pelo lançamento do livro, queria muito ter ido, mas não consegui.
Agora quero ganhar um! hehehehe
Um beijo grande

*

Querida Júlia, vou te mandar um e-mail pedindo seu endereço. Logo, logo o livrinho estará nas suas mãos. Quero saber sua opinião, hein? ;)

Aconteceu. E foi lindo! 6

Posted on maio 28, 2010 by Luciana Mastrorosa

Pingado e Pão na Chapa

O lançamento do Pingado e Pão na Chapa – Histórias e receitas de café da manhã, meu primeiro livrinho, foi lindo.

Muitas pessoas queridas, amigos, família e leitores estavam lá para prestigiar a noite. Até minha mestra Carole Crema foi!

Deixo aqui meu agradecimento a todos que estiveram lá, em presença ou em pensamento. :)

Para quem quiser conhecer meu trabalho, o livro já está disponível para venda nas grandes livrarias, como a Cultura. Veja aqui.

Ontem minha editora querida, a Camila, me mandou uma foto com uma pilha dos meus livrinhos na livraria da Travessa, no Rio. Espero que os amigos cariocas curtam o Pingado e Pão na Chapa também. :D

Olha que estão falando da gente por aí:

Blog do Paladar (Estadão)
“Um bom motivo para sair da cama”, resenha da Cintia Bertolino sobre o livrinho.

UOL Receitas e Restaurantes
“Roteiro traz 12 receitas de itens indispensáveis para um delicioso café da manhã”, texto de Rafael Mosna com dicas ótimas e alguns pitacos meus ;)

*

E aguardem! A semana está terminando na mais alta correria, adrenalina pura, mas tenho duas novidades para vocês para a semana:

- Vai ter sorteio do meu livrinho querido para os leitores do Guloseima, em breve seguem as regrinhas para participar ;)

- E vou falar também de um movimento novo, novíssimo, que está rolando por aqui: “Eu adoro pingado”. Acho que vão gostar!

É hoje! 1

Posted on maio 25, 2010 by Luciana Mastrorosa

E finalmente chegou o dia do lançamento do meu livro, Pingado e Pão na Chapa – Histórias e Receitas de Café da Manhã.

Todos estão convidados, apareçam para fazer um brinde conosco :)

Pingado e Pão na Chapa, o livro

Pingado e Pão na Chapa, o livro. Te vejo no lançamento!

A primeira sopa do outono 5

Posted on maio 11, 2010 by Luciana Mastrorosa
Sopa de frango com legumes para aquecer no tempo frio

Sopa de frango com legumes para aquecer no tempo frio

Já devo ter mencionado milhares de vezes aqui neste blog, mas não custa repetir: eu adoro o outono! É, de longe, minha estação favorita do ano…

Quando o tempo começa a esfriar, o desejo por comidas quentinhas aumenta. Sopas, ensopados, tortas recém-saídas do forno… Bebidas quentes pela manhã, para acompanhar uma torrada fresquinha com um ovo mexido. Hummm!

Hoje fui ao dentista (ai, ai, ai…) depois do trabalho e, na volta para casa, fiquei contente com a temperatura baixa. A noite caiu, e a temperatura desceu junto!

Chegando em casa, decidi preparar a primeira sopa do outono, para aquecer a noite e me ajudar a relaxar um pouco em casa. Têm sido dias de tantas novidades boas (viva!), mas com elas vem também muito trabalho e correria. Não reclamo: eu gosto! Ainda mais com uma sopa bem quentinha para curtir o jantar em casa.

Na geladeira, tinha peito de frango com osso, batatas, mandioquinha, tomates, salsão, alho-poró e cheiro-verde. Cebola, alho, azeite, louro, sal e pimenta eram os temperos. O que fazer com tudo isso? Sempre faço sopa de frango com legumes, mas hoje queria algo com mais gosto de frango, como um caldo intenso e perfumado.

Enquanto picava os ingredientes, o forte aroma do salsão invadiu a cozinha, e me mandou direto para uns 15 anos de volta no passado, quando minha mãe preparava canjas e sopas leves para mim, no fim da tarde, antes de eu ir para o cursinho, e depois antes de ir para a faculdade… De repente bateu aquela saudade imensa de morar numa casa com quintal, de ter a sopa da mamãe no fim da tarde, de alimentar todos aqueles sonhos de adolescente entrando na faculdade… Gostoso, né? E como o tempo passa rápido, nossa…

Com todas essas memórias a embalar meus movimentos, inventei uma nova versão para minha sopa de frango com legumes, que batizei de canja de outono.

Ficou com uma bela cor alaranjada, como as folhas que caem das árvores nesta época do ano. Então eu fiz assim:

Canja de outono

1 peito de frango (sem pele e com osso) de cerca de 500 g
1 tomate grande em cubos
3 batatas grandes em cubos
3 cenouras grandes em cubinhos
4 mandioquinhas pequenas
1 alho-poró em rodelas
3 talos pequenos de salsão em cubinhos
1 folha de louro
1/2 cebola em cubinhos
1 dente de alho inteiro e com casca
3 talos de cebolinha picados
3 ramos finos de salsinha picadinha
2 litros de água
azeite de oliva quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Em um caldeirão alto, aqueça 1 colher (sopa) de azeite. Enquanto isso, lave o peito de frango e seque-o com um papel-absorvente. Tempere-o com sal e pimenta a gosto e frite-o no azeite quente, de todos os lados, até ficar dourado. Junte então a água, a cebola picada, o dente de alho, o salsão e o louro. Tampe e deixe cozinhar por 5 minutos. Adicione a cenoura, a batata, a mandioquinha, o tomate, o alho-poró e a cebolinha, misture e tempere com 1 colher (chá) de sal. Deixe cozinhar em fogo baixo, com a panela tampada, por 20 minutos. Retire então o peito de frango e desfie-o, descartando os ossos. Volte os pedaços de frango para a sopa, tempere com a salsinha picada e ajuste o sal e a pimenta. Cozinhe por mais 10 minutos em fogo baixo e sirva.

Para a refeição ficar perfeita, coloque a sopa bem quente numa cumbuca e finalize com um fio de azeite extravirgem e uma fatia de pão torrado. Sirva uma taça de vinho, acomode-se na sala e… bom friozinho e boas lembranças para você! ;)

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Em tempo: feliz Dia das Mães para dona Dalva, a minha mamãe querida! Não postei nada aqui no domingo porque estava na casa da mamma almoçando com toda a família as delícias preparadas pela mamãe. :)

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E a entrevista para a CBN, no sábado, foi muito divertida! Gravei o áudio, posto aqui em breve para vocês ouvirem.

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E para lembrar, dia 25 tem lançamento do Pingado e Pão na Chapa: histórias e receitas de café da manhã, meu primeiro livro de receitas, culinária e companhia. Te espero lá na livraria Cultura!

Veja o convite aqui.

Missão cumprida! 8

Posted on março 26, 2010 by Luciana Mastrorosa

Acabo de chegar em casa, depois de um compromisso muito interessante: dei aula de jornalismo gastronômico online para a primeira turma do curso de Jornalismo Gastronômico do Senac.

Foram mais de 3 horas de conversa boa, com uma turma super atenta e participativa. Adorei!

Espero que eles tenham curtido também, e que se animem a escrever mais sobre a gastronomia, este assunto delicioso que sempre rende discussões ótimas e apaixonadas.
:)

(E sempre que vou ao Senac Santo Amaro me dou conta de como aquele campus é lindo! Fosse um pouquinho só mais acessível, seria perfeito. Mas, ainda assim, é um lugar muito agradável. Chegar lá depois de enfrentar a chuva e o caos no transporte público hoje foi como chegar ao oásis. E valeu a pena o esforço. Muito!)

Desejos 1

Posted on março 17, 2010 by Luciana Mastrorosa
Macarons coloridos

Macarons de café e de limão siciliano. Foto: Luciana Mastrorosa

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Macarons coloridos sempre me animam. Nunca me arrisquei a prepará-los em casa, na solidão da cozinha vazia, confiando na minha própria sorte e na minha habilidade culinária, sempre em desenvolvimento.

Mas, sempre que mastigo um pedacinho desse doce francês, me sinto imediatamente transportada para um outro tempo. Bem diferente deste, em que os dias passam tão rápido que a gente nem percebe que ficou mais de um mês sem postar.

*

“Lua cheia!
Por mais que caminhe,
O céu é de outro lugar.”

(Chiyo-jo).

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Aqui tem mais haikais. Ando apaixonada por eles.

Pimentas, louros e romãs para um feliz 2010 4

Posted on janeiro 02, 2010 by Luciana Mastrorosa

Meus amigos queridos, leitores e amantes do Guloseima, Feliz 2010! :D

O Feliz 2010 estampado na lousa da minha cozinha.

Os votos de feliz Ano Novo estampados na lousa da minha cozinha.

Espero que todo mundo tenha feito as tradicionais simpatias de réveillon, como comer sementes de romã, colheradas de lentilhas, arroz e cereais para nunca faltar comida, peixes, frutos do mar, carne de porco. Cada um tem seus pequenos rituais para a virada, e o meu, este ano, foi encher a casa de amigos incríveis para comemorarmos juntos a chegada de 2010. E não é que deu certo?

Eu mesma preparei toda a ceia, com exceção das sobremesas. Maria de Fátima, nossa mestre-crepeira, providenciou deliciosos e crocantes crepes dentelle. Já Camila, especialista em tortas, fez uma incrível torta de chocolate com macadâmias caramelizadas, para comer sem culpa e com muito prazer, luxo e glamour.

De entrada, o prendado Fábio fez brusquetas com tomates frescos, manjericão, azeite e bolinhas de mussarela de búfala. Uma tostatinha no forno e pronto: caímos de boca!

Para o jantar, preparei saladinha verde com vinagrete de limão (que o Zé me ajudou a fazer), camarões à provençal, com vinho branco e tomilho, cuscuz marroquino com nozes, frutas secas e aspargos e dois enormes filés de salmão ao forno, com cenouras, cebolas fatiadas e tomate. E tomilho e orégano e azeite… Ai ai ai! Para completar, batatas fatiadas assadas com alecrim, azeite e alho, já um clássico aqui de casa.

Márly e Rodrigo trouxeram garrafas e garrafas de espumantes, que juntaram-se aos vinhos brancos do Fábio e a mais dois espumantes que eu havia botado de véspera para gelar.

Resultado: começamos a bebericar os espumantes por volta das 18h30, e só paramos por volta das 3h, totalmente exaustos, mas felizes.

Para deixar a festa ainda mais bonita, preparei corações de papel com o nome de cada conviva, e mais uma estrelinha que brilha no escuro, para abrir os caminhos de todos nós. Bem no estilo Julia Child, que ela foi mesmo a maior influência para mim em 2009.

Claro que os corações foram a sensação da festa! :D

lu-feliz2010

E o coração de Feliz 2010 fez sucesso!

Ao final, distribuí também folhinhas de louro para os convidados. É uma tradição em casa, serve para trazer sorte e manter a carteira sempre com dinheirinho. Minha avó fazia questão de distribuir uma folhinha de louro para cada um em toda virada do ano, e essa foi uma das tradições que escolhi para seguir.

Por isso, para todos nós, que 2010 seja maravilhoso. Que boas e lindas histórias cruzem nossos caminhos. Que nossas mesas sejam sempre cheias de amigos, de família, de boa comida e bebida. Que nossas vidas tenham mais sentido, e a gente possa rir mais, amar mais, ser mais amado, dançar na chuva, fazer exercícios, cozinhar com amor.

Um brinde à vida! :)

Marly e Rodrigo trouxeram garrafas e garrafas de espumantes, que juntaram-se aos vinhos brancos do Fábio e a mais dois espumantes que eu havia botado de véspera para gelar

Feliz 2010! 4

Posted on dezembro 29, 2009 by Luciana Mastrorosa
Flores de algodão: esperança

Que 2010 seja florido e recheado de amor, paz, saúde, luz e prosperidade. Sempre.

Então, mais um ano vai chegando ao fim.

2009 foi difícil, bem difícil. Cansativo, dolorido, confuso, corrido. Muito corrido. Em mil e uma situações diferentes, me senti o próprio coelho branco da Alice correndo contra o tempo, de relógio em punho, sempre atrasada, atrasada, atrasada… A ponto de me perguntar, muitas vezes: atrasada para o que, mesmo?

Noutras vezes, me senti Alice: coma-me, beba-me, cuidado, veneno! Experimentando, cheirando, sentindo, tudo novo, muito novo, colorido, psicodélico. Adentrando o verdadeiro país das maravilhas, também conhecido, para mim, como o maravilhoso mundo da gastronomia. Vinhos, comidas, temperos, ingredientes e receitas, muitas receitas. Deus, como gosto de receitas! E de gastronomia, em geral. Me perdi, caí no poço sem fundo logo no comecinho do ano, mas me achei. Igualzinha à Alice.

Agora, com o sorriso enigmático do Gato de Cheshire, vou me despedindo de 2009, me perguntando mansamente o que é que 2010 vai me trazer de bom? Não só para mim, mas para todos nós, porque felicidade partilhada é sempre melhor, sempre, sempre.

Por isso, quero começar 2010 sem muitas listas de desejos, apenas um: manter o pensamento firme e focado em direção à felicidade. Por que a vida é difícil mesmo, e o que faz realmente a diferença são aqueles pequenos e exultantes momentos de glória que temos de vez em quando.

São esses que eu quero, sempre. Para nós.

Feliz 2010!

Um beijo,

Luciana

Fim de ano outra vez 7

Posted on dezembro 02, 2009 by Luciana Mastrorosa
Como ficar triste diante de uma carinha dessas?

Como ficar triste diante de uma carinha dessas?

Então começa dezembro e me sinto mais cansada do que nunca, sem vontade nem de cozinhar, o que é raro. Novembro passou, meu aniversário passou, os fins de semana passaram, e dezembro chegou rapidamente. Com ele, a expectativa para as festas de Natal e Ano Novo, onde vai ser a comilança, na casa de quem, qual será o cardápio…

Mas nem isso, que sempre me deixou muito feliz, está me animando.

Este ano tem sido difícil para mim. Começou com o desemprego logo em janeiro, e depois foram muitos percalços até começar a trabalhar novamente, desta vez na área que quero seguir, a gastronomia. Mas agora, em dezembro, percebo como falta muito para chegar ao que realmente quero. Muito. E, cada vez mais cansada, não consigo me concentrar em criar e planejar um futuro melhor. Vivo, simplesmente. Cansada, com o sono sempre atrasado, comendo qualquer coisa, vendo os quilinhos e as olheiras se acumularem dia após dia. E as rugas, porque agora eu ultrapassei a barreira dos 30 anos e minha pele, ai, só com creminhos e olhe lá!

Por isso me pego pensando agora como é tão importante parar, respirar, preparar uma comida gostosa, curtir o dia… Mesmo nesta nossa São Paulo tão feia e suja, mesmo no meio do trânsito a cada dia mais infernal, mesmo diante de situações tolas no trabalho que irritam cotidianamente.

É preciso parar, pensar, refletir, respirar, mexer o corpo.

Ainda é cedo (será?) para pensar nos objetivos para 2010, até porque minha árvore de Natal nem foi montada… Mas começo a mentalização para o novo ano desde agora, pedindo ao Papai Noel que me traga, por favor, um pouco mais de paz e felicidade e realizações neste Natal e nos anos vindouros…

Será que consigo?

Quem falou em primavera… 0

Posted on setembro 27, 2009 by Luciana Mastrorosa

“Quem falou em primavera sem ter visto o teu sorriso, falou sem saber o que era.”

Flores na sala de casa, para celebrar a primavera que chega

Flores na sala de casa, para celebrar a primavera que chega

A frase que abre este post é da escritora e poeta Cecília Meireles, a quem sempre recorro vez em quando, nos momentos em que sinto falta de um pouco mais de delicadeza na vida.

Cecília foi uma das primeiras autoras “adultas” que li, na longínqua quinta série (quantos anos eu tinha? uns 11, talvez), e foi ela que me apresentou de fato à poesia. O livro era uma daquelas coletâneas que acho que nem existem mais, com diversas poesias de vários autores, e a Cecília era uma delas. Devo ter esse livro até hoje, perdido na bagunça da minha desorganizada (mas muito amada) pequena biblioteca.

Escolhi este trecho escrito pela poeta porque sempre me lembro dele quando a primavera chega assim, com um sol bonito e um céu azulzão, e as amoreiras do bairro ficam carregadas de frutinhas roxas que mancham a calçada.

Pequena que sou, nunca consigo alcançá-las nos galhos mais altos, mas sempre tem alguém com braços mais compridos para pegar um punhado para mim. Este ano, para minha surpresa, é possível encontrar amoras à venda no mercado do bairro, o que me deixou feliz. Mas não tão feliz quanto colher amoras na rua e mastigá-las assim mesmo, sem lavar, direto do galho para a boca. Traquinagens de infância que se revelam, vez por outra, nesta minha casca de mulher madura e balzaquiana.

Se você for um sortudo e tiver uma amoreira à disposição, coma quantas amoras puder, puras ou misturadas ao iogurte, batidas com leite, sobre a granola. Ou prepare geleias e bolos para manter o frescor das frutinhas por mais tempo já que, como se sabe, elas começam a perder o viço no exato momento em que são colhidas. Amoras e berries em geral duram pouco. Mas ficam uma beleza quando combinadas a creme batido com pouco açúcar, bem pouquinho mesmo, e um toque de baunilha, de preferência baunilha de verdade, e não aquelas essências artificiais que encontramos nas prateleiras do supermercado.

É mais caro, mas vale a pena. Meio litro de creme de leite fresco, 2 colheres de sopa de açúcar, meia fava de baunilha raspada (só as sementinhas). Bata tudo à mão ou na batedeira até obter um creme macio e firme, como um chantilly. Coloque uma porção do creme numa tigela bem bonita e cubra com as amoras lavadas e enxugadas levemente, para não ficarem aguadas. E coma em seguida. Pequenos prazeres que só a primavera pode fazer por você…

Termino este post com mais um texto de Cecília em homenagem à primavera, enquanto passo um cafezinho para a tarde preguiçosa de domingo que entra pela janela. É um texto grande, mas vale cada linha. E ainda traz inspiração para começar a semana com mais calma, mais sabor, mais amores e muita, muita, muita suavidade.

Primavera

(Cecília Meireles)

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(Do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1″, da Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366. Extraído do site Releituras)



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