Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


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Receitinha rápida 0

Posted on julho 07, 2010 by Luciana Mastrorosa

Corro o risco de me repetir e parecer uma chata de galochas (ai, essa expressão revela a idade… hehehe), mas a verdade é que este ano está VOANDO. Mesmo. Já estamos em julho, julho! E eu não postei nem metade das coisas que gostaria de escrever por aqui.

Mas tudo bem: a correria tem sido grande, mas o esforço tem compensado.

No meio do dia de 36 horas, tenho me dedicado a pratos rápidos e saborosos, de preferência com legumes, muitos legumes, para conseguir jantar uma coisinha gostosa sem ter que apelar para o delivery (e sem ficar frustrada por não cozinhar…).

Esta receita é muito simples, mas incrivelmente boa. Leva apenas couve-flor, farinha de rosca e manteiga. Um toque de sal e pimenta, alguns minutinhos de forno bem alto e voilà: um prato gostosinho para complementar o jantar.

Couve-flor à polonaise

1 couve-flor
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
4 colheres (sopa) de farinha de rosca
água quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Lave bem a couve-flor, desmembrando-a em pequenos floretes e cortando eventuais pontinhos pretos. Cozinhe a couve-flor em água fervente, com sal a gosto, por 8 minutos. Em seguida, resfrie-a em água gelada.

Acomode a couve-flor em uma tigela que possa ir ao forno e reserve. Enquanto isso, derreta a manteiga em uma frigideira antiaderente e junte a farinha. Torre por alguns minutos, em fogo médio, até a farinha ficar dourada e desprender um aroma agradável. Coloque essa farinha sobre a couve-flor e leve a tigela ao forno alto, bem quente, para gratinar por 10 minutos.

Retire do forno, tempere com sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto e sirva.

É um acompanhamento delicioso para um salmão assado, por exemplo, ou um singelo bife grelhado.

*

Em tempo: farinha de rosca boa de verdade é aquela que a gente faz em casa. Se tiver pãozinho francês sobrando, corte-o em fatias e leve ao forno alto por alguns minutos, como se fosse para fazer torradas, até ficar bem seco. Deixe esfriar e moa as torradas num moedor, processador ou liquidificador, até virar uma farinha. Fácil, fácil, e ainda aproveita os pãezinhos que sempre sobram. ;)

Curry para dias frios 2

Posted on maio 13, 2010 by Luciana Mastrorosa

Além das sopas e caldos, como esta canja de outono que postei aqui ontem, também adoro comidas picantes para dias frios.

Hoje preparei um curry de frango e pera muito rápido, ficou pronto em meia hora. Fica maravilhoso com arroz branco, especialmente depois que descobri a INCRÍVEL máquina elétrica de fazer arroz japonês! :D Ahh, eu amo a Liberdade. Mesmo.

Curry rápido de frango e pera

1 peito de frango (500 g) sem pele e sem ossos, em cubinhos
1 xícara (chá) de caldo de frango
3 dentes de alho picadinhos
1/2 cebola picada
3 cravos
1 canela em pau
2 colheres (sobremesa) de curry em pó
1 folha de louro
300 g de creme de leite fresco
1 pera portuguesa, sem casca, em cubos
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de azeite de oliva
sal e pimenta-do-reino a gosto

Em uma panela média, aqueça o azeite e a manteiga. Junte a cebola e o alho e mantenha no fogo até dourar. Acrescente o frango em cubinhos e tempere com um pouco de sal e pimenta.Misture bem e frite até que o frango esteja levemente dourado.

Junte a pera, o curry, o louro, os cravos e a canela e misture. Acrescente em seguida o caldo de frango quente e mexa bem. Adicione o creme de leite e abaixe o fogo, mexendo sempre até o creme engrossar ligeiramente. Acerte o sal e a pimenta, misture bem e sirva em seguida, com arroz branco.

Se quiser, junte também fatias de manga fresca ou alguma verdura refogada, como espinafre ou escarola. Fica delicioso e esquenta que é uma beleza…

*

E para quem perdeu a minha entrevista para a rádio CBN, no sábado passado, deixo aqui o link para o áudio. Ficou muito divertido, acho que você vai gostar.

Mamãe ficou superemocionada porque eu falei dela no rádio. Adoro! ;) Beijo, mamma!

A primeira sopa do outono 5

Posted on maio 11, 2010 by Luciana Mastrorosa
Sopa de frango com legumes para aquecer no tempo frio

Sopa de frango com legumes para aquecer no tempo frio

Já devo ter mencionado milhares de vezes aqui neste blog, mas não custa repetir: eu adoro o outono! É, de longe, minha estação favorita do ano…

Quando o tempo começa a esfriar, o desejo por comidas quentinhas aumenta. Sopas, ensopados, tortas recém-saídas do forno… Bebidas quentes pela manhã, para acompanhar uma torrada fresquinha com um ovo mexido. Hummm!

Hoje fui ao dentista (ai, ai, ai…) depois do trabalho e, na volta para casa, fiquei contente com a temperatura baixa. A noite caiu, e a temperatura desceu junto!

Chegando em casa, decidi preparar a primeira sopa do outono, para aquecer a noite e me ajudar a relaxar um pouco em casa. Têm sido dias de tantas novidades boas (viva!), mas com elas vem também muito trabalho e correria. Não reclamo: eu gosto! Ainda mais com uma sopa bem quentinha para curtir o jantar em casa.

Na geladeira, tinha peito de frango com osso, batatas, mandioquinha, tomates, salsão, alho-poró e cheiro-verde. Cebola, alho, azeite, louro, sal e pimenta eram os temperos. O que fazer com tudo isso? Sempre faço sopa de frango com legumes, mas hoje queria algo com mais gosto de frango, como um caldo intenso e perfumado.

Enquanto picava os ingredientes, o forte aroma do salsão invadiu a cozinha, e me mandou direto para uns 15 anos de volta no passado, quando minha mãe preparava canjas e sopas leves para mim, no fim da tarde, antes de eu ir para o cursinho, e depois antes de ir para a faculdade… De repente bateu aquela saudade imensa de morar numa casa com quintal, de ter a sopa da mamãe no fim da tarde, de alimentar todos aqueles sonhos de adolescente entrando na faculdade… Gostoso, né? E como o tempo passa rápido, nossa…

Com todas essas memórias a embalar meus movimentos, inventei uma nova versão para minha sopa de frango com legumes, que batizei de canja de outono.

Ficou com uma bela cor alaranjada, como as folhas que caem das árvores nesta época do ano. Então eu fiz assim:

Canja de outono

1 peito de frango (sem pele e com osso) de cerca de 500 g
1 tomate grande em cubos
3 batatas grandes em cubos
3 cenouras grandes em cubinhos
4 mandioquinhas pequenas
1 alho-poró em rodelas
3 talos pequenos de salsão em cubinhos
1 folha de louro
1/2 cebola em cubinhos
1 dente de alho inteiro e com casca
3 talos de cebolinha picados
3 ramos finos de salsinha picadinha
2 litros de água
azeite de oliva quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Em um caldeirão alto, aqueça 1 colher (sopa) de azeite. Enquanto isso, lave o peito de frango e seque-o com um papel-absorvente. Tempere-o com sal e pimenta a gosto e frite-o no azeite quente, de todos os lados, até ficar dourado. Junte então a água, a cebola picada, o dente de alho, o salsão e o louro. Tampe e deixe cozinhar por 5 minutos. Adicione a cenoura, a batata, a mandioquinha, o tomate, o alho-poró e a cebolinha, misture e tempere com 1 colher (chá) de sal. Deixe cozinhar em fogo baixo, com a panela tampada, por 20 minutos. Retire então o peito de frango e desfie-o, descartando os ossos. Volte os pedaços de frango para a sopa, tempere com a salsinha picada e ajuste o sal e a pimenta. Cozinhe por mais 10 minutos em fogo baixo e sirva.

Para a refeição ficar perfeita, coloque a sopa bem quente numa cumbuca e finalize com um fio de azeite extravirgem e uma fatia de pão torrado. Sirva uma taça de vinho, acomode-se na sala e… bom friozinho e boas lembranças para você! ;)

*

Em tempo: feliz Dia das Mães para dona Dalva, a minha mamãe querida! Não postei nada aqui no domingo porque estava na casa da mamma almoçando com toda a família as delícias preparadas pela mamãe. :)

*

E a entrevista para a CBN, no sábado, foi muito divertida! Gravei o áudio, posto aqui em breve para vocês ouvirem.

*

E para lembrar, dia 25 tem lançamento do Pingado e Pão na Chapa: histórias e receitas de café da manhã, meu primeiro livro de receitas, culinária e companhia. Te espero lá na livraria Cultura!

Veja o convite aqui.

Hoje na CBN 6

Posted on maio 08, 2010 by Luciana Mastrorosa

Como anunciei no post de ontem, daqui a pouco estarei na rádio CBN falando com vocês sobre este blog querido e o lançamento do meu novo livro, Pingado e Pão na Chapa – Histórias e Receitas de Café da Manhã.

Ouçam e me digam o que acharam! :)

*

ATUALIZAÇÃO: não conseguiu ouvir a entrevista? Não tem problema! Ouça aqui e me conte!

*

E aproveitando o post, hoje está um sábado perfeito para cozinhar em casa. Chuva de manhã, tempo friozinho em São Paulo… Acho que vou preparar algo no forno, para deixar a casa toda quentinha!

Ou talvez prepare uma boa massa fresca. Que tal esta, com ragu de cogumelos? Nham!

Como preparar o café da manhã da mamãe 5

Posted on maio 07, 2010 by Luciana Mastrorosa

Maio está cheinho de novidades, que coisa boa! :)

Dia 25/05 tem o lançamento do Pingado e Pão na Chapa – Histórias e Receitas de Café da Manhã, como já anunciei para vocês aqui.

E por ocasião do lançamento do livro, o UOL me convidou para fazer uma matéria muito divertida para a TV UOL. O resultado está no ar hoje!

No vídeo, eu ensino a preparar uma bandeja linda de café da manhã para as mamães.

E para completar o ciclo, amanhã às 13h30 falarei ao vivo na rádio CBN sobre o Guloseima e meu livrinho novo. :)

Segue o vídeo de hoje, digam o que acharam:

Meu livrinho vem aí 6

Posted on abril 20, 2010 by Luciana Mastrorosa
livro de Luciana Mastrorosa

Pingado e Pão na Chapa: vem aí meu primeiro livro

Adoro contar histórias, isso não é novidade: não foi à toa que virei jornalista. Se as histórias forem sobre comida, então… Daí eu me divirto mesmo!

Hoje recebi da minha editora a foto da capa do meu primeiro livro de histórias e receitas. Que delícia! Mal posso esperar para tê-lo, quentinho, nas mãos, com cheirinho de papel novo.

Em breve, mais detalhes e o convite para o lançamento! :D

Agora só falta um layout novo e lindo para este meu blog querido. E mais atualizações, claro ;)

Potage parmentier para melhorar o humor 0

Posted on fevereiro 05, 2010 by Luciana Mastrorosa
Potage parmentier: batatas e alho-poró formam a base desta sopa

Potage parmentier: batatas e alho-poró formam a base desta sopa

Quando a gente fica doente, perde a fome. Isso também vale para os males de amor: infelicidade conjugal é falta de apetite na certa. Por isso, quando os aromas da panela fumegante começam a ser novamente atraentes, fazendo a boca salivar e os olhos brilharem um pouco mais, é sinal de que as coisas estão indo melhor.

Este começo de ano me deixou assim, meio sem ânimo, de péssimo humor, ouvindo a voz triste de Cat Power cantar suas músicas. Para completar, o verão mais chuvoso em sei lá quantos anos manda tempestades há mais de 40 dias – seguidos – aqui para São Paulo. E dá-lhe céu escuro, enchentes, árvores caídas e trânsito impraticável…

Para uma dessas tardes de chuvas e trovoadas, em que a recuperação se faz necessária para atingir a “mente sã em corpo são”, recomendo uma boa sopa, no melhor estilo mamma italiana. Sim, está calor, mas quem liga? Sopa é um dos melhores remédios já inventados pela humanidade para curar males diversos. Especialmente os da alma, pode acreditar.

Minha opção desta vez foi por uma versão à minha moda da famosa potage parmentier, uma sopa preparada com batatas e alhos-porós fatiados. Manteiga, cebola, azeite de oliva, pimenta e louro completam o caldo.

O mágico desta sopa é que ela pode ser servida quente e pedaçuda, ou batida e fria, com creme de leite fresco para enriquecer.

Eu prefiro assim, pura e quente, em pedacinhos delicadadamente dourados de manteiga e azeite, prontos para serem engolidos sem grandes dificuldades:

Potage parmentier à minha moda

4 batatas médias sem casca, em cubinhos
2 alhos-porós grandes, bem limpos, finamente fatiados
1 cebola média picadinha
1,5 litro de caldo de frango
1 folha de louro
2 colheres (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de azeite extravirgem
sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

Aqueça a manteiga e o azeite numa panela grande, em fogo médio, e sue a cebola até murchar levemente. Acrescente o alho-poró fatiado, coloque uma pitada de sal, mexa e mantenha no fogo até murchar. Acrescente as batatas, a folha de louro e tempere com mais uma pitada de sal e pimenta. Junte o caldo de frango quente e misture. Quando ferver, abaixe bem o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 30 minutos, ou até que as batatas estejam macias. Verifique o sal, mas cuidado para não salgar demais. Como diria Dona Canô, “o sal é um dom”.

Para servir, retire a folha de louro e coloque a sopa em tigelas individuais. Finalize com mais azeite e pimenta e sirva com tiras de pão torrado.

Para uma versão gelada, deixe a sopa esfriar e acrescente 1 xícara (chá) de creme de leite fresco. Bata no liquidificador e mantenha na geladeira até a hora de servir. Sirva com croûtons ou folhinhas de ervas frescas.

*

Cat Power – Troubled Waters

Ceviche e guacamole, la noche latina 5

Posted on outubro 13, 2009 by Luciana Mastrorosa

Depois de uma semana de muitas tristezas, o corpo e a alma pedem algum alívio, ainda mais diante desses dias feios e frios e chuvosos. Parece que o inverno não quer ir embora este ano, em todos os sentidos…

No sábado, acordei cedo e assisti à Nigella na TV preparando coisinhas de inspiração mexicana para um de seus banquetes. Divertido. Deu vontade de espantar um pouco a tristeza e apelar para os calores da latino-América querida, uma pitada de pimenta em tudo, uma certa picância para dar outro colorido ao fim de semana prolongado.

No mercado, muitas frutas, verduras e legumes, porque eu ainda tenho de pensar na dieta. Comprei também atum fresco, filés de linguado, uma bandeja de pimenta dedo-de-moça, alguns cogumelos, creme de leite fresco. Um bom maço de coentro, uma grande abóbora, vagens holandesas perfeitamente verde-escuras, fininhas e compridas, e um punhado de aspargos frescos, verdes, grossos. Para beber, vinho e cervejas.

Passei o sábado todo cozinhando, sozinha em casa, como há muito não se via. Marido de plantão todos os dias do feriado, uma calamidade. Mesmo assim, preparei guacamole e ceviche de linguado, atum em conserva de azeite, nachos para acompanhar. O atum ainda está dormindo em seu frasco bonito e hermeticamente fechado, até o momento de entrar na composição de saladas ou sanduíches.

Mas a guacamole e o ceviche… Não duraram nem uma hora! Foram devorados em minutos, junto com os nachos e uma cerveja Norteña gelada, prazeres simples para uma vida adulta com grandes e pequenos sobressaltos.

Recomendo fortemente. Vamos às receitas!

Ceviche e guacamole

Ceviche, guacamole e nachos para la noche latina en mi casa!

> Ceviche de linguado

220 g de filé de linguado limpo, sem espinhos, sem pele
1/2 pimenta dedo-de-moça em cubinhos, sem sementes
1/2 cebola roxa pequena em fatias muito finas
2 limões taiti grandes (suco)
3 pitadas de sal
1 fio de azeite extravirgem
1 punhado de coentro fresco picado

Corte os filés de linguado em tiras finas. Coloque-os num recipiente de vidro e cubra-os com o suco dos limões e a cebola picada. Cubra e deixe descansar na geladeira por 1 hora, ou até os pedaços de peixe ficarem brancos e opacos, cozidos no limão. Junte o coentro picado, a pimenta e o sal, e regue com o fi0 de azeite. Se quiser menos ácido, escorra o líquido que se formou, chamado de “leche de tigre”. Eu gosto bem suculento, para acompanhar os nachos salgadinhos. Rende 2 porções e vai muito bem com cerveja gelada.

> Guacamole

1 abacate pequeno
1 tomate grande, sem sementes, em cubinhos
1/2 pimenta dedo-de-moça em cubinhos
suco de 1 limão pequeno
2 colheres (sopa) de azeite extra-virgem
1 punhado de coentro fresco picado
sal a gosto

Corte a polpa do abacate em cubos e misture-a aos demais ingredientes. Acerte o sal e deixe por 30 minutos na geladeira antes de servir. Acompanhe com nachos e, claro, cerveja gelada. Ou tequila, se você for forte. Para algumas coisas, eu não sou. ;)

Rende 2 porções fartas para comensais gulosos. E um belo sorriso no rosto, depois.

Quem falou em primavera… 0

Posted on setembro 27, 2009 by Luciana Mastrorosa

“Quem falou em primavera sem ter visto o teu sorriso, falou sem saber o que era.”

Flores na sala de casa, para celebrar a primavera que chega

Flores na sala de casa, para celebrar a primavera que chega

A frase que abre este post é da escritora e poeta Cecília Meireles, a quem sempre recorro vez em quando, nos momentos em que sinto falta de um pouco mais de delicadeza na vida.

Cecília foi uma das primeiras autoras “adultas” que li, na longínqua quinta série (quantos anos eu tinha? uns 11, talvez), e foi ela que me apresentou de fato à poesia. O livro era uma daquelas coletâneas que acho que nem existem mais, com diversas poesias de vários autores, e a Cecília era uma delas. Devo ter esse livro até hoje, perdido na bagunça da minha desorganizada (mas muito amada) pequena biblioteca.

Escolhi este trecho escrito pela poeta porque sempre me lembro dele quando a primavera chega assim, com um sol bonito e um céu azulzão, e as amoreiras do bairro ficam carregadas de frutinhas roxas que mancham a calçada.

Pequena que sou, nunca consigo alcançá-las nos galhos mais altos, mas sempre tem alguém com braços mais compridos para pegar um punhado para mim. Este ano, para minha surpresa, é possível encontrar amoras à venda no mercado do bairro, o que me deixou feliz. Mas não tão feliz quanto colher amoras na rua e mastigá-las assim mesmo, sem lavar, direto do galho para a boca. Traquinagens de infância que se revelam, vez por outra, nesta minha casca de mulher madura e balzaquiana.

Se você for um sortudo e tiver uma amoreira à disposição, coma quantas amoras puder, puras ou misturadas ao iogurte, batidas com leite, sobre a granola. Ou prepare geleias e bolos para manter o frescor das frutinhas por mais tempo já que, como se sabe, elas começam a perder o viço no exato momento em que são colhidas. Amoras e berries em geral duram pouco. Mas ficam uma beleza quando combinadas a creme batido com pouco açúcar, bem pouquinho mesmo, e um toque de baunilha, de preferência baunilha de verdade, e não aquelas essências artificiais que encontramos nas prateleiras do supermercado.

É mais caro, mas vale a pena. Meio litro de creme de leite fresco, 2 colheres de sopa de açúcar, meia fava de baunilha raspada (só as sementinhas). Bata tudo à mão ou na batedeira até obter um creme macio e firme, como um chantilly. Coloque uma porção do creme numa tigela bem bonita e cubra com as amoras lavadas e enxugadas levemente, para não ficarem aguadas. E coma em seguida. Pequenos prazeres que só a primavera pode fazer por você…

Termino este post com mais um texto de Cecília em homenagem à primavera, enquanto passo um cafezinho para a tarde preguiçosa de domingo que entra pela janela. É um texto grande, mas vale cada linha. E ainda traz inspiração para começar a semana com mais calma, mais sabor, mais amores e muita, muita, muita suavidade.

Primavera

(Cecília Meireles)

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(Do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1″, da Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366. Extraído do site Releituras)

Salada grega 2

Posted on setembro 24, 2009 by Luciana Mastrorosa

Manhã chuvosa de quinta-feira de primavera, eis que Luciana vai à academia, toda pimpona, fazer sua avaliação física. Depois de fracassar miseravelmente no teste de flexibilidade (eu, que já fui flexível como uma bailarina!) e perder o fôlego na bicicleta, recebi o diagnóstico: “é, esses meses sem exercícios influenciaram no resultado… Você precisa perder um pouco de gordura e ganhar massa muscular”, sentenciou a avaliadora. Lovely.

Sendo assim, vamos nessa! E dá-lhe criar pratos leves e saudáveis para fazer deste período de “dieta” algo mais prazeroso. E pode esquecer: adoçantes e coisas diet e light não entram na minha rotina. Coisas saudáveis, como saladas, frutas, iogurtes, etc, isso sim.

Para o jantar de hoje, acho que uma salada grega vai ser o ideal. Leve, crocante, fresquinha. Só preciso achar um bom queijo feta para acompanhar que, sem ele, a saladinha perde toda a graça.

A salada grega do restaurante Acrópoles, em São Paulo

A salada grega do restaurante Acrópoles, em SP

Salada grega

- folhas de alface limpas e secas à vontade

- 1 pepino japonês (com ou sem casca, vai do gosto pessoal)

- 2 tomates vermelhinhos

- azeitonas pretas gordas

- 1 fatia generosa de queijo feta

- vinagrete de limão com azeite extravirgem, sal, suco de limão e pimenta-do-reino moída na hora

O modo de preparo é o mais simples do mundo: rasgue as folhas de alface com as mãos, corte o pepino e os tomates em cubos, misture as azeitonas e o queijo feta também cortado em cubos. Para preparar o molho vinagrete, misture suco de limão com sal e pimenta e adicione o azeite em fio, batendo com um fouet ou uma colher, até virar um molho dourado e uniforme. Para um bom molho, o segredo é usar o dobro de azeite em relação ao limão (ou vinagre). Se sobrar molho, guarde na geladeira e use em, no máximo, 2 a 3 dias. Quanto mais fresco, melhor.

Misture o molho aos demais ingredientes e sirva imediatamente. Se a fome apertar, uma fatia de pão integral não vai fazer mal a ninguém… E, para os que gostam de cebola crua, fatias de cebola roxa incrementam a salada.

E você, tem receitas boas de salada também para estes períodos de controle alimentar? Divide comigo! ;)

* P.S.: a salada grega da foto é do restaurante Acrópoles, em São Paulo. No lugar do feta, eles usaram queijo branco, por dificuldades na compra do queijo de cabra.



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