Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


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Massa fresca com cogumelos 10

Posted on julho 12, 2009 by Luciana Mastrorosa

Depois de pizza e focaccia, decidi fazer macarrão caseiro. Ano passado, durante o curso de chef de cozinha, tive uma aula maravilhosa de massas frescas com a chef Ana Soares, do Mesa III.

Ana deu um show de aula, misturando história, aspirações e sonhos além de, claro, receitas incríveis. Todo mundo saiu de lá emocionado. Aprendemos a fazer massas tradicionais, apenas com ovos e farinha, e massas coloridas, com espinafre, beterraba, cogumelos secos, ervas, etc.

Papardelle caseiro com ragu de cogumelos. Foto: Luciana Mastrorosa

Papardelle caseiro com ragu de cogumelos. Foto: Luciana Mastrorosa

Inspirada por essa experiência, decidi fazer minha primeira massa fresca. O formato escolhido foi papardelle, aquela massa larga e comprida, que caberia muito bem com um ragu de cogumelos frescos.

A experiência de fazer qualquer massa com as próprias mãos é incrível, acredite. Você precisa tentar! Vamos à receita:

Papardelle fresco com ragu de cogumelos

Macarrão caseiro: passo-a-passo. Fotos: Luciana Mastrorosa

Macarrão caseiro: passo-a-passo. Fotos: Luciana Mastrorosa

Massa

  • 400 g de farinha de trigo
  • 4 ovos

Molho

  • 400g de cogumelo Paris fresco
  • 400 g de cogumelo Cremini fresco
  • 3 dentes de alho picadinhos
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 1 1/2 xícara (chá) de creme de leite fresco
  • 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco
  • 1 fio de shoyu (molho de soja)
  • 1 ramo de tomilho fresco
  • sal e pimenta do reino a gosto

Massa

Para fazer a massa, peneire a farinha numa superfície lisa (no granito da pia ou numa travessa grande de vidro) e abra um buraco no meio, formando uma espécie de “vulcão”. Bata ligeiramente os ovos e coloque no buraco de farinha. Com um garfo, vá misturando a farinha e os ovos até a massa começar a ficar uniforme.

Se a massa ficar muito mole, polvilhe mais um pouquinho de farinha. Se, ao contrário, ficar muito dura, acrescente gotas de água. E sove. Sove bastante  a massa até que ela fique lisa e uniforme. Deixe descansar, coberta, por alguns minutos e, na hora de abrir, corte em quatro porções.

Pegue uma das porções, polvilhe farinha e abra até ficar fininha. O ideal é fazer isso com a ajuda de uma máquina de macarrão mas, caso não tenha, pode abrir com o rolo de madeira ou mármore.

Abra bem cada porção de massa até ficar comprida e bem fininha. Polvilhe farinha de todos os lados, para não grudar, e reserve. Na hora de cortar, enrole a massa como um rocambole e corte fatias grossas (2 cm). Polvilhe mais farinha e misture suavemente, para que as tiras se desprendam. Deixe as tiras secarem por alguns minutos, abertas sobre uma forma grande enfarinhada. Cozinhe em bastante água salgada, para que o macarrão fique soltinho.

Molho

Cogumelos frescos: cremini e de paris. Foto: Luciana Mastrorosa

Cogumelos frescos: cremini e de paris. Foto: Luciana Mastrorosa

Aqueça a manteiga e o azeite juntos e frite o alho picadinho até dourar levemente. Não deixe queimar! Junte os cogumelos picados aos poucos, para que não soltem muita água. Quando os cogumelos estiverem cozidos, junte o vinho branco, mexendo sempre, até absorver todo o líquido. Tempere com um fio de shoyu e acrescente o creme de leite fresco. Mantenha em fogo brando, mexendo sempre, até que o creme engrosse levemente. Acerte o sal, acrescente pimenta-do-reino a gosto e finalize com as folhinhas de tomilho fresco. Reserve.

Na hora de servir, junte a massa cozida e escorrida ao molho de cogumelos. Sirva com um fio de azeite (se for trufado, melhor!) e bastante parmesão. Aos que gostam, ofereça também salsinha picada ou mais folhinhas de tomilho fresco. Fica tãoooo bom! :D

Cupcakes do amor 12

Posted on maio 18, 2009 by Luciana Mastrorosa

E o tempo voa, voa, voa e me atropela. É assim com vocês também ou só eu estou assombrada porque já estamos no final de maio? Ai, ai, ai…

Cupcakes decorados com estrelinhas de açúcar. Foto: Luciana Mastrorosa

Cupcakes decorados com estrelinhas de açúcar

Mas tudo bem. Têm acontecido coisas boas e minha vontade de cozinhar e criar receitinhas novas só aumenta. Para celebrar meu retorno aos teclados, deixo com vocês uma receitinha de cupcakes. A Ana Lúcia, do Cabana Bacana, me pediu uma receita desses bolinhos há semanas! Ela fez um post lindo sobre o assunto, vejam aqui. Na correria, não consegui enviar a tempo. Por isso, este post também é uma homenagem a ela. :) Agora vai, Aninha!

Para quem não sabe, cupcakes são aqueles bolinhos delicados, em miniatura, cobertos com algum tipo de glacê e decorados com confeitos, flores de açúcar, granulado…

Esta receita eu peguei num programa da Nigella Lawson e modifiquei ligeiramente. Diminuí a quantidade de açúcar e alterei a cobertura, colocando gotas de corante alimentício cor-de-rosa e estrelinhas de açúcar coloridas. Foi por isso que decidi chamá-los “cupcakes do amor”.

Acho que é uma boa maneira de pedir desculpas pela longa ausência, não? ;)

Cupcakes do amor

(receita original de Nigella Lawson, adaptada por mim)

  • 125 g de manteiga sem sal, en pommade (amolecida)
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar
  • 3/4 (xícara) de farinha de trigo
  • 2 ovos pequenos e orgânicos
  • 1 colher (chá) de fermento em pó
  • 1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (chá) de essência de baunilha
  • 2 colheres (sopa) de leite
  • adicional: forminhas de papel para cupcakes (as mais bonitas que encontrar!)

Para a cobertura (glacê real cor-de-rosa)

  • 350 g de açúcar de confeiteiro (peneirado)
  • 2 claras de ovos
  • suco de 1 limão siciliano

Para fazer a massa, bata todos os ingredientes na batedeira, com exceção do leite. Quando a massa estiver ficando homogênea, vá acrescentando as colheres de leite, sem deixar de bater. A massa fica amarela e brilhante e não deve ter pedacinhos de manteiga sobrando. Por isso é importante que a manteiga esteja amolecida (mas não derretida).

Quando a massa estiver pronta, abra as forminhas de papel e coloque uma colher de sobremesa da massa (rasa) em cada uma delas. Cuidado para não despejar massa demais, ou os bolinhos podem crescer muito e escapar das forminhas.

Leve os cupcakes para assar em forno moderado, pré-aquecido, a 200 graus C, por cerca de 15 a 20 minutos. Quando estiverem dourados e assados, retire do fogo e deixe esfriar.

Enquanto isso, prepare o glacê: bata o açúcar peneirado com as claras de ovo na batedeira até formar uma massa. Vá acrescentando aos poucos o suco de limão, batendo sempre, para que fique um creme espesso e brilhante. Aos poucos, pingue quantas gotas desejar de corante cor-de-rosa (eu usei 16 gotas, porque queria um rosa bem clarinho). Se preferir, pode usar o creme branquinho, sem corante algum.

Quando os cupcakes estiverem frios, cubra cada um deles com o glacê e decore com confeitos coloridos, se desejar. Sirva geladinho.

Dicas extras:

-   Se quiser garantir um formato perfeito para os cupcakes, coloque as forminhas de papel já recheadas de massa em formas de empadinha e leve para assar. Eu não usei as formas de empadinha, e alguns bolinhos vazaram…

- Cupcakes ficam ainda mais bonitos se você encontrar forminhas decoradas de papel. Achei apenas as branquinhas, por isso escolhi caprichar nas estrelinhas coloridas.

- Se não encontrar limão siciliano para a cobertura, ou se estiver muito caro, fique à vontade para substituir por limão galego, que é mais forte e azedinho que o siciliano. Vá experimentando a mistura até chegar ao seu ponto ideal de doçura e acidez.

- Se achar a massa básica demais, sinta-se livre para adicionar raspinhas de limão, pedacinhos de castanhas, granulado… Use a imaginação e divirta-se! :)

É dia de pizza! 5

Posted on abril 01, 2009 by Luciana Mastrorosa

Como já comentei com vocês, estou numa fase “massas” na minha vida. Primeiro, veio a foccacia. Agora, chegou a vez da pizza!

E foi assim que eu transformei uma terça-feira sem graça numa noite feliz de experimentações na cozinha. Fazer massa é mesmo uma alegria!

Pizza de salame, mussarela e provolone. Foto: Luciana Mastrorosa

Fiz uma receita caseira de massa de pizza que minha mãe me ensinou. Assim que senti o cheirinho da pizza assando, fui imediatamente transportada para algum momento entre 1989 e 1993. Sábado era dia de pizza feita em casa. E eu adorava!

A massa é simples, e fica com sabor bem diferente da massa de pizza assada no forno a lenha e tudo. Mas vale pela nostalgia e pela alegria que é preparar a sua própria pizza, molho inclusive!

Diversão garantida com os amigos, por um excelente custo-benefício. Deixo abaixo a receitinha com vocês. Cada receita rende duas pizzas de tamanho médio, e o recheio é por sua escolha! :)

No final, deixo também um slideshow com o passo-a-passo e muitas fotos de bônus. Porque, como diz meu marido, eu tô beeeesta que só! :P

Pizza caseira

Massa:

- 2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1/2 xícara (chá) de amido de milho (maizena)
- 1 colher (chá) de sal
- 1 ovo
- 1 colher (sopa) de manteiga
- 1 colher (sobremesa) rasa de fermento em pó
- 1/2 xícara de leite

Molho:

- 7 tomates bem maduros, sem pele e sem sementes
- 1/2 cebola grande picadinha
- 3 dentes de alho picadinhos ou amassados
- 1 fio generoso de azeite
- sal e orégano seco a gosto

Peneire juntos a farinha, o fermento, o sal e a maizena, numa tigela grande. Misture bem e faça um “vulcão” de farinha. Bata levemente o ovo e despeje na mistura de farinha. Mexa bem. Amorne o leite com a manteiga e despeje na massa. Misture tudo muito bem até desgrudar das mãos. Se ficar muito seco, coloque mais algumas gotas de leite. Se ficar muito mole, junte mais farinha de trigo.

Quando desgrudar das mãos, coloque a massa sobre uma superfície lisa e amasse bem, sovando, até ficar bem lisa. Deixe descansar por 15 minutos numa tigela, coberta com um pano de prato limpo.

Enquanto isso, prepare o molho: tire a pele e as sementes dos tomates e pique muito bem a polpa. Reserve. Numa panela, frite a cebola e o alho no azeite até dourar e junte os tomates. Acrescente uma porção generosa de orégano e tempere com sal a gosto. Apure por alguns minutos em fogo baixo e deixe esfriar.

Montagem da pizza: quando a massa tiver descansado, corte-a ao meio e abra a metade da massa numa superfície lisa, polvilhada de farinha, com um rolo de macarrão. Abra com força e vontade, até a massa ficar circular e fininha. Enfarinhe uma forma de pizza e coloque a massa por cima. Coloque um pouco de molho e leve ao forno por alguns minutos, para cozinhar levemente a massa. No meu forno, foram 20 minutos. Se for um forno forte e bom, experimente deixar por 10 minutos.

Assim que a massa estiver pré-cozida, retire do forno, coloque mais um pouco de molho, se desejar, e cubra com seu recheio favorito. A primeira pizza eu fiz com mussarela, salame e provolone.

Leve ao forno novamente até a massa ficar ligeiramente dourada por baixo e o queijo derreter completamente. Regue com um fio de azeite, polvilhe orégano e finalize com azeitonas.

Voilà! Está pronta! :D

Faça a mesma coisa com a outra metade da massa, de preferência variando os recheios. A segunda pizza eu recheei com mussarela e atum em pedaços. Delícia!

As pizzas foram bem acompanhadas por um vinho cabernet sauvignon Valdivieso, chileno, 2005.

Veja abaixo as fotos do passo-a-passo e me diga: qual é o seu sabor favorito de pizza?

Primeiras vezes 3

Posted on março 31, 2009 by Luciana Mastrorosa

Pronto, amigos, estou de volta. Recuperada, comendo de tudo novamente. Como é bom estar com a boca em dia!

Fim de semana passado foi um momento de muitas “primeiras vezes” na minha cozinha. Fiz uma foccacia pela primeira vez (as do curso não valem, né!), fiz um fumet de peixe sozinha pela primeira vez e fiz a melhor lula ensopada da minha vida. Isso sim é que é primeira vez! :P

Hoje vou ensinar a fazer a foccacia, para que vocês tenham o gostinho de preparar uma massa em casa alguma vez na vida. O cheiro da foccacia assando é tranquilizador, acredite.

Como já comentei por aqui, minha cozinha é pequenina, não tenho muito espaço para amassar a massa de pão, foccacia, pizza, como se deve. Mas improvisei no granito da pia – devidamente limpa – e foi um sucesso. É muito bom sovar a massa, parece que descarrega as tensões!

Só errei no recheio da foccacia. Em vez de colocar linguiça portuguesa crua, em rodelas, decidi assá-las antes. Fail. Ficaram duras e crocantes além da medida, embora o sabor fosse bom.

(Agora estou num momento “massa-descontrol”, de modos que comprei duas formas de pizza para fazer pizza caseira e agradar o maridón. Sim, ele não tem nada de gourmet: seus pratos favoritos são pizza e pipoca. E isso lá é prato? Bem, gosto não se discute, é o que dizem…)

Mas, voltando à foccacia: para uma primeira tentativa, a massa ficou saborosa, mas eu preferia que ela ficasse um pouco mais aerada. Acho que preciso caprichar mais na hora de sovar.

E foccacia, você sabe, pode levar qualquer coisa como recheio. A clássica leva somente alecrim e sal grosso, para se ter uma idéia. Mas fica ótima com tomate e alho confitado, fatias de cebola carameladas, linguiça seca, atum, sardinha… Uma infinidade de sabores. Misturar ervas frescas ou secas na massa também pode dar resultados interessantes, é só uma questão de testar.

E fica melhor ainda se consumida bem quentinha, recém-saída do forno. Quando esfria, a massa endurece ligeiramente e perde um pouco da graça, eu acho. Gosto de tudo quente.

Quer aprender a fazer foccacia também? Vamos lá!

Foccacia de linguiça portuguesa e pesto

foccacia-pronta

- 7,5gr de fermento biológico seco instantâneo (ou, se preferir, 15 g de fermento biológico fresco)
- 2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 colher (chá) de açúcar
- 200ml de água morna
- 1 colher (chá) de sal
- 6 colheres (sopa) de azeite extra-virgem
- sal grosso para polvilhar a massa
- azeite extra-virgem para regar, ao final

Para o recheio

- 1/2 linguiça portuguesa crua, em rodelas
- 4 alhos assados
- folhinhas de tomilho fresco
- 2 colheres (sopa) de molho pesto

Para preparar a foccacia, é importante tomar cuidado para não matar o fermento. Por isso,  a primeira coisa a fazer é juntar, numa vasilha pequena, o fermento, o açúcar e metade da água morna. Morna mesmo! Se for muito quente, o fermento morre e nada de massa.

Misture bem e deixe descansar por mais ou menos 10 minutos. A mistura vai mudar de cor e de cheiro, criando borbulhas.

Enquanto isso, numa forma maior, junte a farinha e o sal. Faça um vulcão no meio e coloque o fermento, já crescidinho, o azeite e a outra metade da água. Misture bem e, quando estiver com uma cara de massa, despeje tudo no granito (ou numa superfície lisa e muito limpa), polvilhado com farinha.

Amasse, sove, aperte a massa, sempre acrescentando um pouquinho de farinha para não grudar nas mãos. Quando a massa estiver dourada e lisa, deixe-a descansando numa tigela grande, coberta com um pano limpo e ligeiramente úmido por mais ou menos uma hora e meia, ou até a massa dobrar de tamanho.

Quando a massa já tiver crescido, abra-a numa forma (retangular ou redonda) untada com óleo. Faça pequenos buraquinhos sobre a massa, onde você vai colocar os recheios. Por fim, salpique com sal grosso, distribua o pesto nas covinhas e regue com azeite.

Leve ao forno pré-aquecido por cerca de 30 minutos, até que a massa comece a ficar dourada.

Ao tirar do forno, regue com mais azeite e sirva. Nham! :D

Quer ver um mini-passo-a-passo da receita? Clique no slideshow aí embaixo:

Bem-vindos à casa nova! :D 10

Posted on março 16, 2009 by Luciana Mastrorosa

Olá, amigos. Como eu disse no meu post de despedida do Blogs Abril, inauguro aqui os trabalhos na casa nova, a casa própria, o Guloseima.net.

Antes, um pouco de mim, para os que não conhecem: eu gosto de cozinhar, de viajar, de ler e de escrever sobre comida. Adoro meus amigos, amo animais e, por mim, a vida seria sempre uma festa!

Por que tenho um blog de comida? Porque amo cozinhar e receber bem. Sou jornalista, mas talvez devesse ter escolhido a profissão de chef de cozinha. Por via das dúvidas, fiz um curso de cozinha ano passado, na tradicional Escola Wilma Kovesi, em São Paulo, onde comecei a aprender um pouquinho das artimanhas da cozinha profissional. Porque para comer bem, você sabe, eu comecei o treinamento faz tempo! :D

Além de tudo, sou apaixonada pela França, por Paris, em especial. Poderia passar a minha vida lá, comendo baguettes no café da manhã, e pains au chocolat no lanche da tarde. E jantando em lugares modestos, mas deliciosos. Enquanto isso não acontece, me ocupo de estudar francês e treinar na minha cozinha pequenina as jóias da culinária francesa, como um maravilhoso Tournedo Rossini, à minha moda. ;)

Por isso escolhi uma receita doce, de personalidade forte, para inaugurar esta minha casa nova: Fondant au chocolat!

É um bolo de chocolate molinho, quase um petit gateau como o conhecemos, mas gigante. Uma fôrma inteirinha de petit gateau! :D

E fica pronto rapidamente, antes do que você possa imaginar. Por isso, fique à vontade, sente aqui na sala e aproveite a tarde tomando um cafezinho e comendo uma fatia do meu bolo molinho de chocolate à moda francesa. E seja bem-vindo à minha casa! :)

Fondant au chocolat

Fondant au chocolat

- 200 g de chocolate meio-amargo (de preferência, 60% cacau)

- 8 quadrados do mesmo chocolate

- 220 g de manteiga (NÃO pode ser margarina)

- 160 g de açúcar

- 120 g de farinha de trigo

- 4 ovos

Pré-aqueça o forno a 220 graus C. Enquanto isso, em banho-maria, derreta o chocolate cuidadosamente, e, quando estiver molinho, acrescente a manteiga e mexa bem até tudo virar um líquido marrom e brilhante.

Assim que estiver tudo derretido, tire do fogo, reserve e deixe esfriar. Enquanto isso, bata os ovos inteiros com o açúcar e vá acrescentando a farinha aos poucos, mexendo bem. Quando o chocolate estiver frio, acrescente à massa misturando com delicadeza.

Leve a mistura a uma forma alta, revestida com teflon, sem untar. Despeje metade da massa, distribua uniformemente os quadradinhos de chocolate, e cubra com o restante da massa. Leve para assar por 15 minutos e, ao tirar do forno, deixe mais 15 minutos descansando, antes de desenformar.

Sirva quente, com uma bola de sorvete de creme ou morango (o melhor que encontrar!) ou frio, acompanhado de frutas frescas (berries, preferencialmente).

O vinho que acompanha esta sobremesa maravilhosa é um Porto tinto, ou um Banyuls, francês, bien sûr. ;)

Esta receita adorável eu consegui na minha escola de francês. Porque aprender outra língua vai muito, muito além de decorar verbos da terceira conjugação.

Sopa de feijão branco, para um quase outono 2

Posted on março 13, 2009 by Luciana Mastrorosa

De repente, a tarde ficou cinza e começou a chover, do nada. Depois daquele calorão todo, é até bem agradável passar a tarde em casa, pesquisando, com a chuvinha caindo. É, o outono está chegando mesmo, embora eu nem acreditasse que ele viria este ano! :P

Mas na verdade passei por aqui para dizer que estou planejando muitas mudanças para o Guloseima, coisa boa, semana que vem conto mais, prometo explicar tudinho. Acho que vocês vão gostar! :D

Enquanto isso, deixo com vocês uma sopinha mais quente, boa para os momentos em que a gente só precisa mesmo é de uma comidinha que conforte:

Sopa de feijão branco

Sopinha

- 2 xícaras de feijão branco
- 1 litro e 1/2 de caldo de frango, legumes ou carne (ou água, se preferir)
- 1 linguiça portuguesa, seca e defumada
- 1 cebola pequena
- 3 dentes de alho
- cebolinha picada e ramos de tomilho
- azeite, sal e pimenta-do-reino, moída na hora

Deixe o feijão de molho, de um dia para o outro. No dia seguinte, escorra a água e lave o feijão. Leve para cozinhar em uma panela grande, coberto com o caldo, até amolecer. Enquanto isso, frite as linguiças em rodelas e escorra o óleo. Reserve as linguiças.

Numa frigideira, frite a cebola picadinha em um pouco de azeite, polvilhe sal, e adicione o alho picadinho também. Quando estiverem dourados, acrescente as linguiças, a cebolinha picada, o tomilho, e duas conchas do feijão cozido, com caldo. Refogue até o feijão amolecer.

Feito isso, coloque esse tempero na panela do feijão, acerte o sal e deixe a sopa apurar, para tomar gosto e o feijão ficar ainda mais molinho.

Quando estiver no ponto desejado, sirva bem quentinha, acompanhada de croutons ou fatias de pão fresquinhas.

Bolinhos de siri para começar a semana 0

Posted on março 10, 2009 by Luciana Mastrorosa

Comecei a semana preparando bolinhos de siri. São simples, bolinhos de massa mole, daqueles com cara de infância. Minha avó fazia bolinhos com essa massa usando recheios como camarão ou miolo (de boi). Eu já fiz uma versão com atum em lata, ficaram gostosos também.

Mas a carne de siri é mais adocicada e leve, então pede algum temperinho a mais, como um pouco de pimenta picadinha. Eu fiz assim:

Bolinhos de siri à minha moda

- 5 colheres de sopa de farinha
- 1/2 copo de leite
- 2 ovos inteiros
- 300g de carne de siri, já limpa
- 1/2 cebola picadinha
- 1 colher (sobremesa) de manteiga
- 1/2 pimenta dedo-de-moça sem sementes, picadinha
- 1 fio de molho shoyu
- sal e pimenta-do-reino a gosto
- gotas de Tabasco

Frite levemente a cebola na manteiga e deixe esfriar. Enquanto isso, prepare a massa: bata os ovos e misture a farinha, o leite, a carne de siri e os temperos. Se a massa estiver muito mole, acrescente mais farinha. É importante que a massa fique mole, mas não aguada.

Quando a cebola estiver fria, acrescente à massa e mexa bem. Se gostar, pode acrescentar algumas ervinhas picadas, como cebolinha. Misture tudo e frite em óleo bem quente. Prove o sal do primeiro bolinho e, se estiver sem graça, coloque um pouco mais de sal na massa e mexa bem. Coloque os bolinhos com cuidado num prato com papel-toalha, para absorver bem a gordura.

Acompanha bem uma salada verde e também uma cerveja gelada… Gotas de Tabasco trazem mais alegria aos bolinhos, assim como um pouco de limão espremido. É booom! :D

* Post originalmente publicado no Blogs Abril. Para ler os comentários antigos, clique aqui.

O que comer no verão? 0

Posted on março 03, 2009 by Luciana Mastrorosa
Anchova assada, coberta com molho pesto feito em casa

Anchova assada, coberta com molho pesto feito em casa

Tempo quente, calor recorde em São Paulo, e não tem nem aquela brisa marinha boa para refrescar… Ai, ai, ai, que saudade do mar!

Conforto-me com peixe. Assado, com um mínimo de azeite, sal, pimenta e tomilho, aplaca a fome e não deixa o corpo suando e suando como se fosse desidratar em minutos.

Ando testando métodos para me aperfeiçoar em pratos rápidos, saborosos e mais leves porque, como disse anteriormente, o curso de chef engrossou minha cintura. ;)

Se você também está nessa, experimente esta receita de peixe de verão, aposto que vai gostar!

Peixinho de verão ao pesto

- 2 filés de anchova frescos
- azeite
- sal
- pimenta-do-reino
- raminhos de tomilho fresco

O preparo não poderia ser mais simples: tempere os filés de peixe minutos antes de levar ao forno com um fio de azeite, sal, pimenta e tomilho.

Unte de leve uma assadeira pequena com um fio de azeite, espalhe bem e acomode os filés de peixe com a pele virada para baixo. Leve para assar, descobertos, em forno alto por 20 minutos. E pronto!

Para acompanhar, prepare uma salada fresca e crocante com alface americana, cenoura crua em tiras (use o descascador de legumes) e tomates bem vermelhos e suculentos. Tempere com um vinagrete simples, ou como preferir.

Como eu precisava de um pouquinho de carboidrato, cozinhei algumas batatas-bolinha e finalizei na frigideira, com um pouquinho (mínimo) de manteiga e sal.

Leve, prático, saudável e fica pronto rapidamente! Essa receita dá para duas pessoas não muito famintas, em dias de extremo calor.

E se você quiser dar um toque mais fino ao seu prato, uma colherada de molho pesto (feito em casa, se possível) é o acabamento perfeito. E faz você se sentir mais perto do Mediterrâneo…

Camarão com jeito de praia 0

Posted on fevereiro 13, 2009 by Luciana Mastrorosa

Quer um prato chique e simples para um almoço de sábado especial? Vá de camarão! Sábado é dia de feira perto de casa, e é sempre o dia em que eu procuro peixe e frutos do mar fresquinhos para o almoço. Não confio em pescados de supermercado, não tem jeito…

Se você tiver camarões fresquíssimos em mãos, pode prepará-los de maneira muito prática e rápida, com alguns temperos, ervas, azeite e vinho branco. E nada mais!

Fica bom para comer com arroz branquinho, com pão fresquíssimo ou puro, como petisco. Quer aprender?

Camarão com jeito de praia

Camaroes-ao-vinho

500 g de camarão médio, limpo
1 cebola pequena picadinha
3 dentes de alho picadinhos
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de azeite
1 xícara de vinho branco seco
ramos de tomilho fresco
sal e pimenta a gosto

Faça assim: primeiro, limpe os camarões (tire as cascas, cabeças e tripinhas, com um palito de dente) e lave bem. Reserve. Numa frigideira grande, aqueça a manteiga e o azeite e frite a cebola e o alho, até dourar. Junte o vinho branco e deixe cozinhar um pouco, até perder o cheiro excessivo de álcool.

Acrescente os camarões e cozinhe levemente, temperando com sal, pimenta e tomilho, por poucos minutos, até o camarão ficar macio. Ele não precisa dourar, apenas cozinhar e ficar rosado. O objetivo é ter um camarão suculento, com um delicioso molhinho de vinho e temperos no final.

Sirva quente, imediatamente, com arroz branco ou fatias grossas de pão fresco. Acompanha muitíssimo bem um vinho branco gelado, do tipo Chardonnay, Sauvignon Blanc ou outro de sua preferência. E acompanha melhor ainda uma conversa deliciosa com o seu amor, ou uma turma de amigos queridos. Quem precisa de mais alguma coisa para ser feliz?

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.

Barreado meu 0

Posted on fevereiro 12, 2009 by Luciana Mastrorosa

Quando começamos a nos apaixonar de novo (ainda que seja pela mesma pessoa, ou pela vida), carregamos a mão nos temperos. Será uma verdade universal ou só acontece comigo?

É assim: depois de uma fase ruim, começo, pouco a pouco, a enxergar a vida, e todas as coisas que a ela pertence, com outras cores. Tudo parece mais perfumado, mais doce, mais exageradamente bom: o cominho em pó, a canela, o açúcar escuro, as folhas de coentro, verdes e frescas. Pico a cebola, corto ao meio os dentes de alho, lavo bem e seco dois ramos gordos de coentro. E dá-lhe cortar a linda pimenta vermelha, dedo-de-moça, comprida, tirar as sementes ardidas, picar. Arrumo tudo na panela, em camadas, a carne, o toucinho, a cebola, tomates picados, o alho, o coentro, a pimenta e, por cima, duas folhas de louro, e uma pitada bem grande, exagerada, de cominho em pó. Um pouco de água para completar, nenhum sal por enquanto. Tudo cortado em pedaços grossos.

Fecho a grande panela de pressão (presente de casamento), com um certo medo dela, e rezo para que tudo corra bem, que fique tudo na medida certa. Mas… Em dez minutos o cheiro penetrante de todas as especiarias começa a dominar a cozinha, chegando até à sala, e eu penso, até com uma certa poesia, que deve ser assim o cheiro de uma cozinha indiana. Talvez, de todas as casas na Índia. “Já comi curries mais fortes”, penso, com ligeiro pânico. Deve dar certo.

Estou preparando uma espécie de Barreado, mais simples, tentando evocar o sabor delicioso que aprendi no curso de cozinha. Foi numa aula da chef Mara Salles que conheci esse prato típico do litoral do Paraná, receita de origem açoriana. Mara preparou o Barreado para os alunos comme il faut: na panela de barro, cozido muito, mas muito lentamente, panela vedada com uma pasta de farinha de mandioca e água, para não sair nenhum vapor.

A minha panela não é de barro, mas de inox, e o meu tempo também é mais curto, e não disponho nem de um fogão a lenha nem de uma chapa para dissipar o calor, como seria necessário caso eu seguisse a receita à risca, como os antigos, como até hoje se faz.

Para acompanhar o meu “barreado” adaptado, faço também uma panela de arroz branquíssimo, temperado com alho e cebola, e compro a melhor farinha de mandioca que encontro. Pequena frustração: as farinhas de mandioca vendidas em saquinho, aqui em São Paulo, nem se comparam à pura farinha de mandioca, branca, que meu amigo Bito me trouxe da Bahia um dia. Preciso dar um jeito de encontrar esse ingrediente por aqui… Ou perturbar a paciência dos meus amigos! :)

O barreado também se serve acompanhado de banana-da-terra, frita em pouca manteiga, chapeada, o suficiente para ficar levemente tostada por fora. Também não tenho banana-da-terra, mas vou improvisar com banana-prata. Cozinha é improviso, não?

Começo a pensar que exagerei novamente, agora na quantidade. Em casa, somos só dois, e eu fiz uma panela gigante de barreado. Penso que é excesso de amor, só pode ser, e tudo vai ficar bem. Nunca preparei este prato antes, mas assim que senti seu sabor pela primeira vez, entendi que ali estava mais uma “comida de alma” para mim. Com gosto de comida caseira, demorada, simples nos ingredientes. E brasileira, muito brasileira. Um carinho para almas cansadas da guerra, mas que não perdem nunca o gosto pela vida.

Para servir, um prato fundo com farinha, o barreado por cima – carne e caldo – , as fatias de banana frita. Para brindar, cachaça. Ou vinho espumante, gelado, bem ácido. Mas só um pouquinho, porque todos temos de trabalhar amanhã. Mais felizes, no entanto.

Barreado

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.



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