Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima


Archive for the ‘restaurantes’


O novo Le Jazz 2

Posted on janeiro 20, 2010 by Luciana Mastrorosa

Le Jazz Brasserie

Passei o dia ouvindo Melody Gardot cantar “Your heart is as black as night”. Passei dias ouvindo Charles Mingus e sua “Haitin fight song”, certamente para tentar abrandar o coração diante da tragédia no Haiti.

Neste primeiro mês de 2010, penso, portanto, que o jazz combinou perfeitamente, seja em suas versões mais animadas ou românticas, até as mais tristes melodias do cool jazz. Nada mais adequado, portanto, do que fazer uma visita à jovem brasserie Le Jazz, na rua dos Pinheiros, em São Paulo.

A casa é pequena, de poucas mesas, com paredes recheadas de ídolos dessa vertente musical. E a comida é boa, muito boa. A ponto de sempre – sempre – ter filas na porta em busca de um steak tartare bem temperado com fritas sequinhas e crocantes, uma salada, um sanduíche…

O sotaque francês fica evidente já no couvert: logo que conseguimos, com sucesso, sentar numa das mesinhas, o garçom nos trouxe fatias de bom pão para acompanhar uma manteiga excelente e uma jarra de água da casa. Tem coisa mais francesa que isso? Lembro da minha primeira visita a Paris, tonta de tudo, pedindo “un verre d’eau, s’il vous plaît” ao garçom que mal entendia meus primeiros balbucios em francês…

O Le Jazz já ganhou muitos pontos na minha admiração só por esse detalhe, mas a verdade é que a entrada de tutano assado com salsa e flor de sal, para “comer de colher” com uma torrada DESTE tamanho estava espetacular. O entrecôte com molho secreto da casa, rosado por dentro e bem dourado por fora, também estava impecável, assim como as fritas. Sequinhas, crocantes e macias ao mesmo tempo, como só boas batatas fritas conseguem ser. E, para ativar ainda mais a saudade da França, o garçom nos trouxe também um potinho de mostarda Dijon para acompanhar os pratos. Oui, bien sûr, je voudrais bien la moutarde, merci!

Para beber, escolhemos um malbec em meia garrafa que casou bem com as carnes vermelhas, cruas ou grelhadas. Pena que não sobrou um espacinho sequer no estômago para a sobremesa… Queria bem provar o clafoutis de cerejas ou amoras para acompanhar o café.

Mas, como o Le Jazz tem a vantagem de ser perto, pertinho, da minha casa, sem dúvida voltarei. Com Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Cole Porter e nosso amigo Coltrane para embalar o jantar.

Quebrando a casquinha 6

Posted on setembro 23, 2009 by Luciana Mastrorosa

Para comemorar  a conclusão de mais uma edição quentinha da Menu, depois de uma semana de muito sangue e suor, dei-me o direito de almoçar no Chez Fabrice hoje, um bistrô pequenino e simpático na Vila Madalena.

A ideia inicial era almoçar no Les Délices de Maya, que eu adoro, mas quando passei em frente ao Chez Fabrice, fiquei com vontade de provar. Ambiente simpático de bistrô, menu executivo para a hora do almoço: gostei. De entrada, saborosos pãezinhos, torradas e brioches, bem frescos e quentinhos, com caponata levemente picante, cream cheese delicado, bolinhas de manteiga e uma boa tapenade. De entrada, fui de saladinha com fatias de terrine de campagne, suave e saborosa com seus grãozinhos de pimenta verde. O prato principal me decepcionou: o boeuf bourguignon estava sem sabor, com o molho muito ralo e gosto forte do vinho, precisava de uma redução mais apurada. Cebolinhas, cenouras e cogumelos ácidos demais, com sabor de conserva. O que salvou foi o purê de batatas, bem leve, com um toque fresco de queijo de cabra.

Mas a sobremesa… Hummm! Redimiu totalmente o prato anterior e me deixou feliz no pós-fechamento: um trio de crème brûlée de baunilha, alecrim e limão siciliano. Nham!

Me senti a própria Amélie Poulain quebrando as casquinhas com a colher, tum-tum-tum, créc!, até chegar ao creminho amarelo e suave.

Para fechar, um café com trufinha de chocolate bem pequena, na medida certa para o meu pequeno estômago glutão. ;)

Um bom almoço para começar de novo, fazer planos, voltar para a academia e saudar a primavera, linda e chuvosa, que começou na tarde de ontem.

Feliz primavera pra você! :)

*

- Este post é uma homenagem ao Fabyuri, que me deu a maior bronca por eu não escrever com frequência por aqui. Desculpa, Fab. Como “madrinha” do Falando Russo, não posso te decepcionar. Hehehe! Quando vier a SP de novo, te levo no Chez Fabrice pra você conhecer seu xará francês! :D

- Obrigada, leitores queridos, por continuarem deixando recadinhos fofos aqui no Guloseima, apesar da ausência dramática de posts. Tô voltando, tô voltando! ;)

*

Chez Fabrice
Rua Mourato Coelho, 1140
Vila Madalena – São Paulo – SP
(11) 3032-4227

Bito e o acarajé 2

Posted on maio 19, 2009 by Luciana Mastrorosa

O Bito, amigo e retirante, está deixando São Paulo para começar vida nova em Brasília. Além de amigo querido, é um especialista em acarajé, e meu consultor (e fornecedor) de culinária baiana.

Foi o Bito quem me apresentou a farinha de mandioca bem branquinha e fresca que eles comem em Salvador, os beijus em formato de canoa, para comer quentinho com manteiga de manhã, e as cocadinhas da Bahia, um brinde especial que sempre – SEMPRE – me fará recordar dele.

Para fazer uma despedida, fomos no sábado ao Soteropolitano comer acarajés. Como o especialista é Bito, deixo com vocês o ótimo post de avaliação que ele fez do restaurante.

Bito e os amigos, em despedida no Soteropolitano

Bito, o de jaqueta de couro, e os amigos, em despedida no Soteropolitano. A foto eu peguei emprestada do blog de Bito, o Retirante 2.0 ;)

Eu provei dois acarajés pequeninos e tomei um caldo de frutos do mar, carregado de leite de coco e dendê. Tudo acompanhado de uma caipirinha de caju, que estava ótima.

Não sou especialista em acarajé mas, para mim, os camarões vieram em quantidade insuficiente e o caruru estava muito pegajoso. Não gostei. Gostei menos ainda do garçom e sua risadinha irônica quando o Bito pediu para trazer mais camarões. Não é assim que se deve tratar os clientes, eles já deviam saber disso…

Fora isso, a despedida foi excelente. Agora é esperar que Bito se transforme logo num conhecedor da culinária de Brasília. Ou que, finalmente, resolva escrever um livro sobre sua maior especialidade, o acarajé.

Boa viagem, amigo! :)

Call me Ishmael* 2

Posted on maio 01, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta semana, em mais uma comemoração do mês de abril, fomos jantar no Sal Gastronomia, do chef Henrique Fogaça, em Higienópolis.

Estava curiosa a respeito de sua comida, li muitas resenhas favoráveis e queria experimentar. Chegamos à Galeria Vermelho, onde fica o restaurante, por volta das 22h30.

Não gosto de chegar tarde a restaurantes que fecham por volta de meia-noite, porque me sinto mal de ver que, não raro, somos os últimos clientes do lugar. Mas o atendimento foi cordial do princípio ao fim, então relaxei e curti o jantar, apesar da minha neurose com horários.

Para começar, o couvert estava bom. Pães crocantes (mas que me pareceram longe de estar fresquíssimos) acompanhados por quatro cumbuquinhas com manteiga de mel e limão (a melhor de todas), sardela de pimentão (suave), frango desfiado em um molho com bastante azeite e temperos (muito bom) e cebola agridoce (não gosto de cebola…).

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa

De entrada,pedimos a bruschetta de polvo com vinagrete de hortelã. Vieram duas unidades, grandes, preparadas com fatias grossas de pão italiano. O recheio de polvo cheirava muito bem, e ficamos com água na boca. Além do polvo, macio, desmanchando na boca, o recheio levava alguns legumes e muitas ervas, como hortelã e salsa. Tudo regado com azeite. Gostei muito!

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa

Como prato principal, pedi o magret de pato ao vinho do Porto, acompanhado de purê de mandioquinha, banana-ouro e cebolinha ao caramelo de capim-santo. Para ele, o prato foi cupim na manteiga de garrafa com farofa de banana e mandioca cozida.

Os pratos estavam bons, mas achei que faltava um algo mais. A carne do magret, por exemplo, estava no ponto, suculenta, mas a pele – que deveria ser crocante – estava mole. Bem mole. Eu esperava mais de um peito de pato, especialmente depois das aulas que tive na Wilma Kovesi, e dos maravilhosos magrets que preparamos no curso.

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa

O purê de mandioquinha estava um tanto pesado demais, gorduroso. A banana-ouro era uma banana-ouro, ou seja, sem mais surpresas. Por incrível que pareça, o que me impressionou foi a cebola (e eu não gosto de cebola!): veio inteira, pequenina, roxa, completamente caramelada. Comi um pedaço e achei interessante, mas confesso que não senti gosto do capim-santo no caramelo.

O cupim, que também provei, estava bom, mas também não tinha um “algo mais” que eu esperava. A farofa, porém, estava deliciosa, crocante, bem temperada, excelente. A mandioca também estava ok, sem nenhum atrativo a mais.

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. A farofa estava excelente. Foto: Luciana Mastrorosa

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. Foto: Luciana Mastrorosa

Acompanhamos o jantar com um vinho Carmen Merlot, em meia garrafa. E, para finalizar… Eu, Capitão Ahab, encontrei minha Moby Dick no cardápio: pannacotta!

Ao ver minha excitação diante da pannacotta, uma das minhas obsessões culinárias, meu marido balbuciou: “Call me Ishmael”. Hehe. Engraçadinho! Imediatamente, nasceu a ideia de batizar este post em homenagem à Moby Dick, branca como minha querida sobremesa.

A pannacotta com calda de framboesa estava excelente. Foto: Luciana Mastrorosa

Pannacotta com calda de framboesa ou, segundo meu marido, minha "Moby Dick" particular. Pois é. Foto: Luciana Mastrorosa

Em resumo: a pannacotta estava excelente, acompanhada de uma calda de framboesa muito boa, com acidez que contrastava bem com a cremosidade branca da pannacotta. Fiquei feliz, enfim. E quebrando a cabeça, claro, para entender o segredo desta sobremesa que é tão simples e tão matreira, cheia de segredinhos para ficar perfeita. E a pannacotta do Sal estava perfeita.

Trate-me por Ishmael.

***

Sal Gastronomia

Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis – São Paulo/SP

Fone: (11) 3151-3085

***

* O título deste blog faz referência à primeira frase do livro “Moby Dick”, de Herman Melville, que conta a história de ódio (e amor) do velho Capitão Ahab pela baleia branca Moby Dick. Melville começou a contar sua intrincada saga com a frase mais simples do mundo: “Call me Ishmael” ou, em bom português, “Trate-me por Ishmael”. Virou uma das frases de abertura de livro mais famosas da literatura. Gênio.

Acarajé, como na Bahia 6

Posted on abril 23, 2009 by Luciana Mastrorosa

Sábado de sol, feriado, gripe, marido de plantão. O que fazer? Comer, oras! :)

Aceitei o convite de meu amigo Bito, o Retirante, para provar um acarajé que prometia ser “como o da Bahia”.

Bito é jornalista, interneteiro, baiano e, como tal, amante de tudo o que vem lá de Salvador e afins, como um bom acarajé.

Munidos de fome e vontade de comer, partimos – eu, ele e sua amada, Vanessa – para a Rota do Acarajé, em Santa Cecília.

As pimentas da Rota do Acarajé

Chegando lá, logo sentamos numa mesinha ainda no salão, mas perto da calçada, e estudamos gulosamente o cardápio. Para começar, é claro, acarajé. “Como na Bahia”, ou seja, completo!

Acarajé da Rota do Acarajé, em SP

Com vatapá, caruru, camarão, salada, pimenta em pasta para acompanhar. Bito e Vanessa me explicam que o bom acarajé deve ter a massa bem sequinha e crocante, para absorver bem a deliciosa pasta amarela que é o vatapá.

A Nessa pediu sem caruru (feito de quiabo), mas eu quis o meu completo, com “salada” e tudo. A “salada” é um molho feito de tomates mais para verdes, com gostinho do molho vinagrete que conhecemos (aquele do churrasco), mas sem tanta cebola. Gostei.

Pedimos o acarajé para ser comido com as mãos, comme il faut, mas Bito e Nessa não gostaram do papel que envolvia os bolinhos: frágil demais, deixava cair todo o recheio, molhou rápido e esfarelou. Nada parecido com o resistente papel usado na Bahia, que permite que se coma mais tranquilamente com as mãos.

Depois do acarajé, Vanessa pediu uma casquinha de siri, que decepcionou todo mundo: massuda, sem gosto de siri. Já comi melhores em Parati.

Casquinha de siri da Rota do Acarajé

Bito, guloso, pediu mais um acarajé. Eu, conhecendo meu estômago tamanho P, aguardei pelo prato principal: moqueca de camarão!

Estava boa, com muitos camarões, farta, mas os camarões eram pequenos, menores do que os servidos em Salvador, como observou o casal baiano.

Moqueca de camarão da Rota do Acarajé

De sobremesa, Bito escolheu uma ambrosia (doce demais, disse ele), e Nessa foi de tapioca com leite condensado e coco (mas ela deixou metade, disse que estava meio pesada). Eu fiquei com uma bolinha de sorvete de tapioca, sem muito mérito, mas boa.

No geral, gostei de tudo e, com uma cerveja geladinha, ficou melhor ainda. Mas devo admitir que faltava algo naquela moqueca. Nunca provei a autêntica baiana, mas acho que faltava um toque a mais de coentro, alguma leve acidez, não sei dizer ao certo. Mesmo a farofa de dendê e o pirão que a acompanhavam deixaram um pouco a desejar…

Mas do acarajé, gostei. Fico com água na boca de lembrar! Agora preciso mesmo é ir a Salvador para provar o autêntico. Com casquinha marrom por fora, sequinho por dentro, recheado com muita salada, vatapá, caruru e camarões. Hummmmmm….

***

Rota do Acarajé

Rua Martim Francisco, 529/533
Santa Cecília – São Paulo/SP

***

Mais relatos sobre o almoço à moda baiana? Leia o Retirante! :)

La Casserole, para ocasiões especiais 16

Posted on abril 14, 2009 by Luciana Mastrorosa

Semana passada, para celebrar uma ocasião muito especial neste mês de tantas celebrações especiais, fomos conhecer o tradicional bistrô La Casserole.

Fica no centro de São Paulo, no largo do Arouche, bem em frente a uma romântica banca de flores. Para alguém mais sonhador, como eu, quando se entra no La Casserole, é possível relembrar os melhores momentos do centro de São Paulo, quanto tudo era muito luxuoso e belo.

Salão chique do La Casserole

Nossa visita ao restaurante – aberto desde 1954! – foi numa quarta-feira à noite, e o restaurante não estava lotado. Apenas alguns casais dividiam vinhos e pratos apetitosos, no meio do salão bonito, com cara de antigamente, muito bem cuidado.

Para celebrar, pedimos um espumante Miolo Brut e fomos muito bem atendidos pelo garçon/sommelier, que aprovou nossa escolha e explicou um pouco da evolução do mercado de espumantes no Brasil.

O couvert logo chegou à mesa, com tirinhas de pepino e cenoura, crus, arrumados num copo com um cubo de gelo. Muita manteiga fresca, pães fresquinhos e uma tigelinha de excelente tapenade também foram servidos.

Espiando de leve os pratos das mesas vizinhas (xereta!), vi que as porções eram grandes, embora não o suficiente para dividir. Dessa forma, conhecendo meu pequenino estômago, fiquei só no couvert, enquanto meu marido pediu uma omelete com ervas de entrada. Experimentei, claro, e estava deliciosa: casquinha firme por fora, molinha por dentro.

Diante de tantas opções clássicas para o prato principal, bem francesas, fiquei na dúvida se devia pedir o pato com laranja – muito tradicional na casa – mas optei por um steak tartare, que estava morrendo de vontade de experimentar. Como é feito com filé mignon cru – cortado na ponta da faca, e não moído – não é o tipo de prato que se pede em qualquer lugar. Mas o La Casserole é muito bem cotado, e eu sabia que não me decepcionaria.

Steak tartare do La Casserole

Para ele, um aromático coelho com batatas e muitas ervas frescas, com um caldo muito bom para se molhar o pãozinho. Não é fino, eu sei, mas é delicioso!

Novamente, acharam que o steak tartare era para ele, e não para mim! :P Sempre acontece isso nos restaurantes… Hehehehe!

Coelho ensopado e batatas

O fato é que o meu prato foi preparado na nossa frente pelo simpático garçon/sommelier, que nos explicou como se deve fazer um verdadeiro steak tartare. Mas o do La Casserole não leva uma gema crua, como seria o tradicional, porque os ovos no Brasil podem ter salmonela, aquela história que nós conhecemos.

Eu achei até bom, porque não gosto assim tanto de ovo cru. E o prato estava excelente, temperado na medida certa, e foi devidamente acompanhado com fatias de pão torrado e batatas fritas gordinhas e sequinhas.

Comi, comi e comi, bebi, bebi e bebi, e não sobrou espaço para a sobremesa… Mas arrematamos a refeição com um café espresso excelente, com apenas um tiquinho de açúcar para mim, acompanhado de uma madeleine. Me senti Proust.

La Casserole, voltarei. E recomendo.

***

La Casserole

Largo do Arouche, 346 – Centro – São Paulo/SP

http://www.lacasserole.com.br/

A rica culinária indiana 2

Posted on março 24, 2009 by Luciana Mastrorosa

Sou apaixonada pelos aromas e cores da culinária indiana, que uma amiga me apresentou lá pelos idos de 2000, quando trabalhávamos juntas perto do restaurante Ganesh.

Tandoor

Tandoor por guloseima, no Flickr

O Ganesh, assim como o Govinda e o Tandoor, são alguns dos mais tradicionais representantes da culinária indiana em São Paulo. Quem fica com água na boca de ver as preparações da novela Caminho das Índias pode provar um pouquinho do tempero indiano nesses restaurantes.

Muito aromática, a comida indiana abusa dos temperos e ervas, como cominho, coentro, canela, cravo, assa-fétida, feno grego, mas sem resultar em algo enjoativo. A comida também pode ser bem apimentada, por isso é bom informar-se com o garçon antes de fechar o pedido. Em alguns restaurantes, como o Ganesh, os pratos são classificados com “estrelas” de pimenta, sendo uma estrela o mais fraco e 4 estrelas o mais forte. Eu nunca passei do número dois, e olha que adoro pimenta!

Para começar com algo mais simples, peça as samosas, pasteizinhos recheados de batatas e ervilhas, ou ainda de frango. Os restaurantes indianos costumam ter uma boa oferta de pratos vegetarianos, o que agrada, e muito, aqueles que não comem carne.

Para beber, experimente o lassi, uma bebida refrescante feita à base de iogurte, que pode ser misturada com frutas ou tomada pura. É boa para aliviar aquele gostinho residual de pimenta, caso você tenha exagerado um pouquinho na dose.

Tandoor

Tandoor por guloseima, no Flickr

E, para completar, não deixe de provar os chutneys de entrada, que a maioria dos restaurantes oferece, para serem consumidos com o delicioso naan, um tipo de pão indiano, assado na hora no forno tandoor. É uma das melhores partes da refeição.

Todas as fotos que ilustram este post foram clicadas por mim no restaurante Tandoor. O arroz vermelhinho tem um aroma incrível de especiarias, e os outros dois pratos mostram o delicioso curry de frango que comemos por lá. Repare nas delicadas panelinhas em que as comidas são servidas. Parece pouco, né? Mas não é, não. A porção dá para duas pessoas, se você tiver comido os deliciosos pãezinhos e chutneys de entrada. E, quem sabe, uma ou duas samosas de batatas? Nham! :D

Deixo com vocês uma receitinha básica de curry, que faço em casa há muito tempo, variando apenas nos acompanhamentos. É prática e dá um gostinho diferente ao frango de todo dia.

Curry simples de frango com maçã

- 50o g de peito de frango cortado em cubos

- 1 a 2 maçãs pequenas e azedinhas, descascadas e cortadas em cubos

- 1 xícara de creme de leite fresco

- 1 xícara de caldo de frango

- 1 pau de canela

- 4 cravos-da-índia

- 1 colher (sopa) de azeite

- 1 colher (sopa) de manteiga

- 1 cebola pequena

- 2 a 3 dentes de alho picadinhos

- castanha-de-caju a gosto para finalizar

- 1 colher (sopa) de curry em pó (de boa qualidade)

- sal e pimenta-do-reino a gosto

Derreta o azeite e a manteiga numa panela funda e frite a cebola e o alho até ficarem ligeiramente cozidos, mas sem dourar. Feito isso, acrescente os cubos de frango e deixe fritar até tudo ficar douradinho. Nesse ponto, misture o curry, os cravos, a canela e a maçã, e despeje a xícara de caldo de frango, quente.

Deixe cozinhar por alguns minutos, acrescente a pimenta-do-reino moída e um pouquinho de sal e mexa bem. Quando tudo estiver amarelinho, acrescente o creme de leite fresco e, em fogo brando, cozinhe tudo até que o creme fique espesso e as maçãs estejam cozidas.

Retire os cravos e a canela em pau e sirva, bem quente, com arroz branco e castanha-de-caju picadinha.

Este prato acompanha muito bem também um pouco de chutney de manga ou ainda fatias de manga fresca, fatias de banana ou coco fresco ralado.

Se quiser apimentar ainda mais seu prato, acrescente uma pimenta dedo-de-moça picadinha, sem as sementes, no preparo.

Tem alguma boa indicação de restaurante indiano? Deixe seu comentário aqui no Guloseima!

***

Restaurantes indianos em São Paulo

Ganesh

Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Morumbi
São Paulo /SP
Fone: (11) 5181-4748

Govinda

Rua Princesa Isabel, 379 – Brooklin
São Paulo/SP
Fone: (11) 5092-4816

Tandoor

Rua Doutor Rafael de Barros, 408 – Paraíso
São Paulo/SP
Fone: (11) 3885-9470

Rabada com polenta no Nello’s 2

Posted on março 19, 2009 by Luciana Mastrorosa

Sábado à noite, vontade de comer comida italiana, mas sem pique para ir ao mercado. Decidimos, então, procurar uma das inúmeras cantigas gostosas do bairro, e acabamos parando no Nello’s, em Pinheiros.

Já tinha ouvido falar nela, sobretudo por causa do dono, consagrado na telinha por causa daquele comercial cujo jargão era “bonita camisa, Fernandinho!”. Coisas da minha, da sua, da nossa época. ;)

Apostamos no lugar e na fama para saber se a comida era realmente boa, e de bons preços. O Nello’s tem salão espaçoso, atendimento correto, mas menos cortês do que estamos acostumados em cantinas italianas, de estilo napolitano e afins. E, lá, tudo lembra Roma, das fotos e cartazes estampados nas paredes, às escolhas do cardápio. Até o tipo de descendente de italiano que frequenta a cantina é diferente, como bem observou meu marido.

Para beber, vinho tinto em meia garrafa, bom. Para comer, logo que vi as opções, fiquei interessada em… rabada com polenta, uma das sugestões especiais do dia. E não me arrependi. Olha a cara deliciosa do prato:

Nello's

Meu marido, diferentemente de mim, tem gostos mais suaves e preferiu um scalopine al limone. Daí que aconteceu de novo: os garçons sempre acham que aquela garota pequenina, loirinha e tão educada vai querer, claro, o prato mais leve… E se surpreendem enormemente quando percebem que, na verdade, ela gosta mesmo é de ossobuco, rabada com polenta, feijoada… Hahahaha!

Hummm… Os scalopine também estavam bons:

Nello's

É sempre assim! Meu marido até deixou de ficar constrangido diante dos olhares de óbvia reprovação dos garçons. Afinal, aquele moço alto e barbudo ali vai comer scalopini al limone? Onde já se viu? :D Me divirto.

Os pratos são bem servidos, com porções generosas que alimentam um comensal faminto, como estávamos naquele dia. Mas não tão generosas a ponto de meia porção servir duas pessoas, como na Cantina Gigio, outra deliciosa – e econômica – opção em Pinheiros. Mas o Gigio merece um post só dele, de tanto que já me salvou a vida. Até cappeleti in brodo eu já pedi para entregarem em casa. E estava maravilhoso!

Voltando ao Nello’s, é uma opção bastante recomendável para quem quer provar outros pratos italianos, mas com preços mais acessíveis. Fiquei bem interessada em experimentar o Fígado à veneziana, difícil de encontrar nas cantinas em geral. E, claro, para quem procura um bom e honesto prato de massa, lá também tem, com molhos tradicionais, como funghi, 4 formaggi, carbonara, puttanesca…

O site do Nello’s é ótimo e traz, além da história do restaurante, o cardápio inteiro, com os preços. Assim você já sai de casa pensando no que vai comer, e no quanto quer gastar… Veja aqui o cardápio do restaurante.

***

Nello’s

Rua Antonio Bicudo, 97 – Pinheiros -São Paulo/SP
Fone: (11) 3082-4365

No Caverna Bugre 1

Posted on fevereiro 18, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta semana visitei o Caverna Bugre, na rua Teodoro Sampaio que, entre outras coisas, é a rua dos músicos e das lojas de instrumentos musicais, dos móveis e do comércio popular de roupas, brinquedos, sapatos… A rua é comprida, e cada trecho tem uma “especialidade”, digamos assim.

No começo da rua, pertinho do Hospital das Clínicas, está o Caverna, um desses restaurantes antigos, que servem pratos enormes e pesadões, de inspiração alemã, desde 1950! O prato mais pedido da casa é o filé alpino, um filé fininho coberto com copa, provolone e catupiry, gratinado, mais arroz e molho inglês, e dá para duas pessoas.

Mas na minha primeira visita eu arrisquei outro prato, o kassler: bisteca suína ligeiramente defumada, frita, acompanhada de salsichas (uma das quais branca, de vitela), batata cozida e chucrute. Mesma coisa: um prato serve mais do que bem duas pessoas e é, de fato, pesado, como eu já havia previsto. De entrada, pedi croquetes de carne, que vieram salpicados por um tempero de sabor estranho, o sal de aipo. Para acompanhar, cerveja de trigo, Erdinger, servida naqueles copos enormes.

Pedi o kassler porque tenho um certo afeto por esse prato. A primeira vez que provei kassler foi há muito tempo, num restaurante delicioso que, infelizmente, não existe mais, o Kakuk. Eu era uma adolescente ainda, começando a me ligar nessa idéia de sabores e novas comidinhas, e lembro que torci o nariz quando meu namorado da época me convidou para jantar lá, com seu pai.

Mas que nada! Logo me apaixonei pela comida. O kassler do Kakuk era macio, rosado, e tinha purê de maçã e purê de ervilha como acompanhamentos, além do tradicional chucrute. Amei. Nunca mais encontrei um purê de ervilha feito daquela forma, macio e verdinho, mas consistente.

E o ambiente era uma delícia, parecia um vagão de trem, com mesas e bancos de madeira escura, reservados, cada um na sua “cabine”. Lembro até do que conversamos naquele dia: Agatha Christie! Certas coisas a memória não apaga… Devo esta lembrança deliciosa ao saudoso Melo, meu ex-sogro, que me apresentou o Kakuk e também o Gigetto, mas isso eu conto em outra história.

O Kakuk ficava na Santa Cecília, e fazia o melhor kassler que provei até hoje. A bisteca do Caverna Bugre é boa, mas não tanto quanto à do falecido Kakuk… Ainda estou na busca.

Em tempo: o filé alpino, carro-chefe do Caverna Bugre, é bastante apetitoso. Um pouco pesado, prato de antigamente, mas vale como um grande clássico de São Paulo, o que lhe rendeu até prêmio Paladar em 2008!

***
Caverna Bugre

Rua Teodoro Sampaio, 334
(Na altura do Hospital das Clínicas)
Fone: (11) 3085-6984
São Paulo – SP

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.

Um jantar no Arturito 0

Posted on novembro 21, 2008 by Luciana Mastrorosa

O Arturito é um restaurante novo, na minha antiga rua, que conquistou meu coração. Cheguei lá na véspera de feriado, quarta-feira à noite,  por volta das 22h, com uma expectativa gigante. Tudo o que havia pesquisado a respeito indicava que o restaurante tinha uma comida bacana, porém cara. E com uma carta de vinhos mais cara ainda!

Mas persisti. A idéia era comemorar meu aniversário lá, com meu marido, de maneira especial… No dia 12 de novembro eu fiz 30 anos, balzaquiana feliz. Mas, não conseguindo ir no dia certo, fomos uma semana depois, e foi até melhor. Menos ansiedade, né?

Restaurante Arturito. Foto: DivulgaçãoEu tinha um objetivo em mente: comer miolo de vitela à milanesa. Antes que você pule da cadeira, te digo: é delicioso! Admito que é um gosto adquirido, pois minha avó paterna fazia “bolinho de miolo” praticamente todo fim de semana. Com limão espremido na hora, tinha um gosto diferente de tudo o que eu já tinha comido. E era bom!

Quando soube que a chef Paola Carosella oferecia miolo à milanesa no menu do Arturito, soube que tinha de ir até lá. E fui. E era espetacular!

Para começar, chegamos ao restaurante e fomos recebidos de maneira gentil e atenciosa. Como havia espera, sentamos perto do bar e, muito finos, pedimos dry martinis. ; ) Meu marido estava especialmente inspirado e matou a charada: “nossa, tem um cheiro muito leve e fresco de pinho”. Verdade. E era foooorte! Eu nunca tinha tomado dry martini, gostei bastante.

Meia hora depois, fomos encaminhados à mesa e chegou o couvert: fatias grossas de pão caseiro e pão integral com erva-doce, para molhar no azeite aromatizado com um toque de alho frito, alecrim fresco e parmesão ralado bem fininho. Uma delícia, e tão simples… Fiquei impressionada!

Também havia uma manteiga muito fresca e cremosa para acompanhar os pães, mas eu fiquei mesmo foi no azeite.

Fizemos então os pedidos: de entrada, miolo de vitela à milanesa, acompanhado de tomate, chicória frisé, limão siciliano e mostarda Dijon. A textura do miolo à milanesa foi o que mais me impressionou: derretia na boca, completamente diferente do bolinho da minha avó, mas tão refinado, e casando tão bem com a acidez do limão e da mostarda, que me emocionou de verdade.

Até a bebida que pedimos combinou com tudo: um espumante Chandon, geladíssimo, contribuiu com sua acidez para harmonizar muito bem com a entrada. Ponto para a chef! Mas, de fato, a carta de vinhos tem opções elegantíssimas e carésimas. Porém, é possível encontrar algumas opções interessantes (poucas) por preços mais amenos…

Como prato principal, pedi mexilhões frescos à provençal, com torrada grossa coberta com uma pasta de dill verdinho. O molho era de chorar, de tão bom!

Maridón ficou de olho no meu prato, mas decidiu pedir o ravióli de queijo de cabra, sálvia, limão siciliano e manteiga de aspargos, dill e laranja. Sem perceber, pedimos dois pratos com dill, e o aroma acabou marcando a noite. Excelente!

Comemos e comemos até não poder mais. A melhor definição da noite foi a de José: “Este ravióli é como uma nuvem! Tão leve!”. Disse tudo: o ravióli, delicadíssimo, explodia na boca.

Para encerrar, alegres pela quantidade um tantinho excessiva de álcool e inebriados pelos pratos incríveis, pedimos dois cafés e fomos andando e rindo alto pelas ruas, até chegar em casa. Noites como essas não existem aos montes mas, quando acontecem, são realmente inesquecíveis.

***
Arturito
Rua Artur de Azevedo, 542 – Pinheiros
São Paulo/SP
Fone: (11) 3063-4951
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, a partir das 19h

***
Desta vez eu não tirei foto, porque esqueci a câmera e meu celular não conseguiu se adaptar ao ambiente escuro do Arturito. Mas eu prometo que, na próxima, levo a câmera! :D A foto que ilustra este post é de divulgação, e você pode ver outras no site do restaurante.

* Post originalmente publicado no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.



↑ Top