Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



Qualquer calmaria… 4

Posted on maio 26, 2011 by Luciana Mastrorosa

Noite de quarta-feira com cara de sexta, não fosse o cansaço e as olheiras que não desaparecem nem com corretivo!

Qualquer calmaria é bem-vinda, porém, depois de semanas a fio trabalhando loucamente durante o dia e escrevendo duplamente em casa, de noite, para concluir minha tese para o HEG (curso que fiz na França em outubro do ano passado). Que correria, meu Deus.

E hoje foi a primeira noite com relativa calma depois desse furacão todo (com fechamento no meio, ainda por cima. Mamãe me salve!). Com vontade de comer comidinha de casa, e com algum tempo para cozinhar após SEMANAS com o nariz enfiado nos livros, passei no mercado com a ideia inicial de fazer um risoto de aspargos e presunto cru. Já tinha o arroz, só faltava… todo o resto.

Daí que o mercado só tinha aspargos brancos, e eles estavam feios. Hum. Aqui, uma pausa: é impressão minha ou os legumes em geral têm estado lindos e há uma infinidade de cogumelos nas prateleiras? Será efeito do outono?

Pois bem. Na ausência de aspargos verdes e gordinhos, comprei miniberinjelas apetitosas e frescas, tomates bem vermelhos, um maço de coentro. A essa altura, já tinha desistido completamente do risoto, e o cansaço começou a bater mais forte. Em nome da praticidade, comprei uma bandejinha de frango assado e tudo bem. E uma garrafa de chardonnay chileno, simples de tudo, só para fazer um brinde a mim mesma – que hoje eu mereço, vou dizer…

Voltei sentindo o peso das sacolas, mas ainda assim aproveitando esse tempinho de outono tão agradável. Os dias e noites têm sido lindos, claros, com aquela luminosidade que apenas essa estação do ano e alguns dias do inverno podem trazer. Gosto muito.

Cheguei em casa, lavei as berinjelinhas, tirei os cabinhos e furei uma a uma, com um garfo. Em seguida, elas foram para o forno médio-alto por 30 minutos, tempo suficiente para amaciarem por dentro e formarem uma casquinha por fora. Enquanto isso, piquei o tomate em fatias grossas, lavei e piquei o coentro (1 punhado bem gordo) e os dois formaram a minha salada. Já mencionei que adoro coentro? Amo. Muito. Mesmo.

Com o frango aquecido, tirei as berinjelinhas do forno e as temperei, ainda quentes, com suco de limão, pimenta-do-reino moída na hora, sal e azeite extravirgem. A delícia da simplicidade.

Mas ainda faltava algo e decidi cortar um dentinho de alho, só para perfumar…

Absorta, já antevendo o sabor da minha refeição frugal, e um pouco zonza pela privação de sono por tantos dias seguidos… ZUPT! – cortei o dedo. Cortei o dedo!! Pela primeira vez, desde o meu curso de cozinha, em 2008, cortei o meu dedo com minha faca de chef. AI QUE DOR. Não um cortezinho bobo, não. Um senhor corte.

Ai que dor, ai que dor. Grito e me sinto ridícula. Corro para o banheiro lavar, e o sangue brota com uma jovialidade que me impressiona. E dói. Jesuuuuus, como dói! Começo a chorar e a me sentir mais ridícula ainda, imediatamente depois. Mas choro e choro, e o dedo dói e dói, até que eu vejo que não vou ter que ir ao hospital (não foi um corte tão profundo), e dou um suspiro aliviado. Coloco um curativo e, um pouco desolada, lavo a minha faca de chef tão amada, que me feriu pela primeira vez. : /

Qualquer calmaria, né? Bobagem… O importante é estar vivo, e atento.

Recuperada, montei o pratinho da primeira noite de relativa – eu disse relativa – calmaria em meses: tomates com muito coentro fresco picado, berinjelinhas assadas, frango assado em pedaços. Tudo temperado com limão, sal, alho picado e aquecido no azeite, mais pimenta, mais azeite. Uma comfort food imediata.

E enchi a taça de vinho e suspirei aliviada novamente: sobrevivi.

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