Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



No Caverna Bugre 1

Posted on fevereiro 18, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta semana visitei o Caverna Bugre, na rua Teodoro Sampaio que, entre outras coisas, é a rua dos músicos e das lojas de instrumentos musicais, dos móveis e do comércio popular de roupas, brinquedos, sapatos… A rua é comprida, e cada trecho tem uma “especialidade”, digamos assim.

No começo da rua, pertinho do Hospital das Clínicas, está o Caverna, um desses restaurantes antigos, que servem pratos enormes e pesadões, de inspiração alemã, desde 1950! O prato mais pedido da casa é o filé alpino, um filé fininho coberto com copa, provolone e catupiry, gratinado, mais arroz e molho inglês, e dá para duas pessoas.

Mas na minha primeira visita eu arrisquei outro prato, o kassler: bisteca suína ligeiramente defumada, frita, acompanhada de salsichas (uma das quais branca, de vitela), batata cozida e chucrute. Mesma coisa: um prato serve mais do que bem duas pessoas e é, de fato, pesado, como eu já havia previsto. De entrada, pedi croquetes de carne, que vieram salpicados por um tempero de sabor estranho, o sal de aipo. Para acompanhar, cerveja de trigo, Erdinger, servida naqueles copos enormes.

Pedi o kassler porque tenho um certo afeto por esse prato. A primeira vez que provei kassler foi há muito tempo, num restaurante delicioso que, infelizmente, não existe mais, o Kakuk. Eu era uma adolescente ainda, começando a me ligar nessa idéia de sabores e novas comidinhas, e lembro que torci o nariz quando meu namorado da época me convidou para jantar lá, com seu pai.

Mas que nada! Logo me apaixonei pela comida. O kassler do Kakuk era macio, rosado, e tinha purê de maçã e purê de ervilha como acompanhamentos, além do tradicional chucrute. Amei. Nunca mais encontrei um purê de ervilha feito daquela forma, macio e verdinho, mas consistente.

E o ambiente era uma delícia, parecia um vagão de trem, com mesas e bancos de madeira escura, reservados, cada um na sua “cabine”. Lembro até do que conversamos naquele dia: Agatha Christie! Certas coisas a memória não apaga… Devo esta lembrança deliciosa ao saudoso Melo, meu ex-sogro, que me apresentou o Kakuk e também o Gigetto, mas isso eu conto em outra história.

O Kakuk ficava na Santa Cecília, e fazia o melhor kassler que provei até hoje. A bisteca do Caverna Bugre é boa, mas não tanto quanto à do falecido Kakuk… Ainda estou na busca.

Em tempo: o filé alpino, carro-chefe do Caverna Bugre, é bastante apetitoso. Um pouco pesado, prato de antigamente, mas vale como um grande clássico de São Paulo, o que lhe rendeu até prêmio Paladar em 2008!

***
Caverna Bugre

Rua Teodoro Sampaio, 334
(Na altura do Hospital das Clínicas)
Fone: (11) 3085-6984
São Paulo – SP

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.



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