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março 11, 2009 by
Luciana Mastrorosa
Estava lendo meu amigo Monstro na Cozinha, também conhecido como Daniel, e ele estava justamente apresentando sua cozinha nova e se enveredando por novos pratos, como uma rabada de aparência deliciosa, feita já na casa nova.
Lá estava o Monstro, todo contente com sua cozinha mais espaçosa e arejada, e eu comecei a pensar em todas as cozinhas que já tive.
Comecei a cozinhar aos dez anos, e minha primeira “especialidade” era omelete. Daquelas bem simples, fininhas, nada parecidas com as omeletes úmidas e dobradas que fui aprender a fazer só muitos anos depois, no curso de chef. Naquela época, eu não gostava muito de ajudar minha mãe na cozinha (odeio lavar louça até hoje), mas ficava sempre metendo o nariz e as mãozinhas nas receitas. Gostava mesmo, era um passatempo divertido. Escolhia feijões, fazia doce de leite na panela, amassava uma massinha bem simples para fazer biscoitos…
Outra coisa que eu fazia muito não é nem uma receita, propriamente dita, mas um recheio de sanduíche. Chamamos em casa, carinhosamente, de “potchinho”, nem sei de onde diabos isso veio, mas é uma delícia. Para o potchinho, você só precisa de uns tomates bem maduros, algumas fatias de mussarela, um fio de azeite, pitadinha de sal e uma pitada generosa de orégano fresco.
E eu fazia potchinho, junto com a minha mãe, nos sábados ou domingos preguiçosos, no fim da tarde, para comer com pão francês estalando de fresquinho. Era derreter o tomate, colocar os temperinhos, misturar o queijo e… comer o mais rapidamente possível, porque potchinho bom é potchinho quente!
Bem, digressões à parte, eu estava falando era de cozinha. E a primeira cozinha da minha vida, na casa dos meus pais, era ligeiramente espaçosa, tinha uma pia grande, de mármore branco, uma mesa de seis lugares, de fórmica, um armário pequeno só para as coisas básicas, geladeira, fogão, tudo sempre muito simples e sem luxo. Mas eu gostava de lá, e gostava muito de ter uma janela em cima da pia. E do ladrilho vermelho e frio no chão…
Quando comecei a morar sozinha, minha primeira cozinha de apartamento era pequena, nem cabia uma mesa. Mas, novamente, havia uma janela em cima da pia, e eu gostava muito disso.
Mudei de novo, desta vez para um sobrado, e a cozinha era um sonho, de tanto espaço! Cabia uma mesa grande no meio, armários por todos os lados, o fogão e a geladeira que eu quisesse colocar lá. Mas… a casa não era minha, e eu mudei de novo…
Meu segundo apartamento era lindo, espaçoso, antigo, e tinha uma cozinha quadradinha, de azulejos fora de moda e feios, mas eu amava aquela cozinha! Cabia uma mesa pequena, redondinha, e eu realmente gostava de ficar ali, cozinhando, bebericando uma taça de vinho, enquanto os amigos ficavam por perto para ver o que eu estava fazendo. Tempos bons, aqueles. Mas ainda não era a minha cozinha de verdade porque, novamente, o apartamento era alugado…
E, de lá, vim parar aqui, na minha cozinha pequenina. Ela não tem divisão entre a área de serviço e a cozinha, e isso me entristece muito, especialmente porque tenho duas cachorrinhas, e elas fazem aquela bagunça. Desta vez, o apartamento é do meu marido, então pudemos reformar a cozinha para ficar mais aconchegante. Mas, como disse, ela é pequenina, então eu tenho de me espremer quando tem gente por lá, me ajudando.

Na minha cozinha não tem mesa, mas na sala tem!
E sempre cabem os amigos!
Mas ela é jeitosa, a pequena. Tem uma pia nova, azulejos brancos e outros com pastilhinhas verdes, um balcãozinho embaixo da pia. Tem uma prateleira que o marido prendado colocou para mim, na parede oposta à da pia, e tem armários grudadinhos nas paredes. Eu também sou pequena, então nem tudo nesses armários consigo acessar sem a devida ajuda de uma escada, ou de um banquinho.
Mas esta é a minha cozinha, então tento fazer tudo o que posso para adaptá-la às minhas necessidades.
O fogão e a geladeira, tadinhos, são daqueles distantes idos de 2001, quando eu estava recomeçando a me apaixonar pelas panelas e afins, por isso já estão dizendo adeus. Mas, se tudo der certo, este ano hei de dar um novo fogão e uma nova geladeira para a minha cozinha pequena.
Afinal, foi nesse espaço diminuto que eu preparei os inesquecíveis Tournedos Rossini à minha moda, as quesadillas de camarão, a minha primeira vichyssoise, o barreado de panela de pressão… E é onde cultivo o meu tomilho, plantos as minhas ervas, alimento a minha vida.
E, claro, as portas estão sempre abertas a todos os que forem bem-vindos.
E você, como é sua cozinha? Conte tudo aqui para nós!
* Post originalmente publicado no Blogs Abril. Para ler os comentários antigos, clique aqui.