Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



Caos doméstico 1

Posted on dezembro 20, 2010 by Luciana Mastrorosa

Considero que tenho algum talento para a cozinha, mas confesso: não sou uma boa dona-de-casa. Não sei limpar a casa a ponto de deixá-la “um brinco”, não consigo nunca decidir qual a quantidade correta de amaciante para lavar a roupa, e meus panos de pratos sempre têm manchinhas diversas, resultado do bravo trabalho que desempenham na minha cozinha diminuta.

Daí que hoje fui testar a máquina nova de lavar roupa, daquelas com uma portinha de vidro na frente. Bacana. Feliz, tarde bonita, fui lavar uns panos de prato para testar o aparelho.  Botei uns seis panos de prato, mais uns guardanapos, ajustei a quantidade de sabão e liguei a máquina, toda feliz. Enquanto isso, preparava o arroz integral que acompanharia um curry de camarões.

Entre um dente de alho picado e uma cebola fatiada, o caos acontece: espuma saindo da máquina. Por todos os lados. TODOS.

É claro que errei a mão no sabão. Enquanto tentava botar o arroz para cozinhar, juntei todos os panos de chão possíveis e sequei a cozinha, e mais água saía, e mais espuma, e mais bolhas, e o circo estava armado.

Tudo bem. Respira, respira.

Na panela, o arroz cozinha e cozinha. Arroz cateto integral, leva várias xícaras de água para ficar gordinho e ainda crocante, al dente, como dizem os italianos. Mas, com tanto tempo longe da cozinha, às vezes parece que perco a mão: é o mesmo fogão, a mesma cozinheira, as mesmas panelas, mas ainda assim o arroz teima em grudar, falta sal, algo inexplicável acontece.

Bateu um certo pânico. Mas, em meio ao caos doméstico mais puro e simples, começo a rir. Sozinha, feito uma louca, dou risada e espaireço: vai passar.

Tudo passa.

E, como diria Seven of Nine (momento nerd mode on), “I will adapt”. I am sure of it.

Queimando as panelas 4

Posted on setembro 21, 2010 by Luciana Mastrorosa

Ontem aconteceu uma coisa um tanto absurda e quase inédita na minha vida pós-panelas: queimei a comida.

Isso nunca acontece. NUNCA, nunquinha, porque quando eu cozinho, me entrego de corpo, alma e tudo o mais. No máximo, coloco uma música boa para rolar enquanto afio as facas e começo a arte do mis-en-place. Colocar tudo no seu devido lugar, cada tempero em seu potinho, cada ingrediente lavado, cortado e preparado para entrar em cena na hora certa, como um balé, uma orquestra afinada.

Mas ontem a grande maestrina falhou, e eu errei a mão, perdi a noção do tempo e, quando vi, minha carne de panela estava lá, preta e esfumacenta, mesmo no fogo baixo. Porque quando baixei o fogo, era tarde demais: estava tudo perdido.

Mas enquanto há cozinha e uma cozinheira, há solução. Humildemente, baixei a música, desliguei o som, enchi de água a panela queimada e transferi antes o que sobrou da comida (a parte não queimada) para uma frigideirona wok untada com azeite. Muito azeite. E umas gotas de água, para finalizar o cozimento da batata.

Consegui salvar minimamente o jantar, mas quem já deixou a comida queimar alguma vez na vida sabe que tudo fica estranho depois. A carne endurece, as batatas absorvem a fumaça como se não houvesse amanhã, os legumes perdem o viço.

Salvei o jantar, mas permaneço inquieta. O que é que dizem mesmo quando a gente esquece a comida no fogo? Cabeça nas nuvens, deve ser isso.

*

Espanha - Barcelona

Cozinha pequenina 3

Posted on março 11, 2009 by Luciana Mastrorosa

Estava lendo meu amigo Monstro na Cozinha, também conhecido como Daniel, e ele estava justamente apresentando sua cozinha nova e se enveredando por novos pratos, como uma rabada de aparência deliciosa, feita já na casa nova.

Lá estava o Monstro, todo contente com sua cozinha mais espaçosa e arejada, e eu comecei a pensar em todas as cozinhas que já tive.

Comecei a cozinhar aos dez anos, e minha primeira “especialidade” era omelete. Daquelas bem simples, fininhas, nada parecidas com as omeletes úmidas e dobradas que fui aprender a fazer só muitos anos depois, no curso de chef. Naquela época, eu não gostava muito de ajudar minha mãe na cozinha (odeio lavar louça até hoje), mas ficava sempre metendo o nariz e as mãozinhas nas receitas. Gostava mesmo, era um passatempo divertido. Escolhia feijões, fazia doce de leite na panela, amassava uma massinha bem simples para fazer biscoitos…

Outra coisa que eu fazia muito não é nem uma receita, propriamente dita, mas um recheio de sanduíche. Chamamos em casa, carinhosamente, de “potchinho”, nem sei de onde diabos isso veio, mas é uma delícia. Para o potchinho, você só precisa de uns tomates bem maduros, algumas fatias de mussarela, um fio de azeite, pitadinha de sal e uma pitada generosa de orégano fresco.

E eu fazia potchinho, junto com a minha mãe, nos sábados ou domingos preguiçosos, no fim da tarde, para comer com pão francês estalando de fresquinho. Era derreter o tomate, colocar os temperinhos, misturar o queijo e… comer o mais rapidamente possível, porque potchinho bom é potchinho quente! :D

Bem, digressões à parte, eu estava falando era de cozinha. E a primeira cozinha da minha vida, na casa dos meus pais, era ligeiramente espaçosa, tinha uma pia grande, de mármore branco, uma mesa de seis lugares, de fórmica, um armário pequeno só para as coisas básicas, geladeira, fogão, tudo sempre muito simples e sem luxo. Mas eu gostava de lá, e gostava muito de ter uma janela em cima da pia. E do ladrilho vermelho e frio no chão…

Quando comecei a morar sozinha, minha primeira cozinha de apartamento era pequena, nem cabia uma mesa. Mas, novamente, havia uma janela em cima da pia, e eu gostava muito disso.

Mudei de novo, desta vez para um sobrado, e a cozinha era um sonho, de tanto espaço! Cabia uma mesa grande no meio, armários por todos os lados, o fogão e a geladeira que eu quisesse colocar lá. Mas… a casa não era minha, e eu mudei de novo…

Meu segundo apartamento era lindo, espaçoso, antigo, e tinha uma cozinha quadradinha, de azulejos fora de moda e feios, mas eu amava aquela cozinha! Cabia uma mesa pequena, redondinha, e eu realmente gostava de ficar ali, cozinhando, bebericando uma taça de vinho, enquanto os amigos ficavam por perto para ver o que eu estava fazendo. Tempos bons, aqueles. Mas ainda não era a minha cozinha de verdade porque, novamente, o apartamento era alugado…

E, de lá, vim parar aqui, na minha cozinha pequenina. Ela não tem divisão entre a área de serviço e a cozinha, e isso me entristece muito, especialmente porque tenho duas cachorrinhas, e elas fazem aquela bagunça. Desta vez, o apartamento é do meu marido, então pudemos reformar a cozinha para ficar mais aconchegante. Mas, como disse, ela é pequenina, então eu tenho de me espremer quando tem gente por lá, me ajudando.


Na minha cozinha não tem mesa, mas na sala tem! :D E sempre cabem os amigos!

Mas ela é jeitosa, a pequena. Tem uma pia nova, azulejos brancos e outros com pastilhinhas verdes, um balcãozinho embaixo da pia. Tem uma prateleira que o marido prendado colocou para mim, na parede oposta à da pia, e tem armários grudadinhos nas paredes. Eu também sou pequena, então nem tudo nesses armários consigo acessar sem a devida ajuda de uma escada, ou de um banquinho. ;) Mas esta é a minha cozinha, então tento fazer tudo o que posso para adaptá-la às minhas necessidades.

O fogão e a geladeira, tadinhos, são daqueles distantes idos de 2001, quando eu estava recomeçando a me apaixonar pelas panelas e afins, por isso já estão dizendo adeus. Mas, se tudo der certo, este ano hei de dar um novo fogão e uma nova geladeira para a minha cozinha pequena.

Afinal, foi nesse espaço diminuto que eu preparei os inesquecíveis Tournedos Rossini à minha moda, as quesadillas de camarão, a minha primeira vichyssoise, o barreado de panela de pressão… E é onde cultivo o meu tomilho, plantos as minhas ervas, alimento a minha vida.

E, claro, as portas estão sempre abertas a todos os que forem bem-vindos. :)

E você, como é sua cozinha? Conte tudo aqui para nós!

* Post originalmente publicado no Blogs Abril. Para ler os comentários antigos, clique aqui.

Utensílios culinários 1

Posted on janeiro 19, 2009 by Luciana Mastrorosa

Arrumando panelas, frigideiras e dando uma geral na cozinha, percebi que estou com um “arsenal” interessante desde que comecei a cozinhar com mais dedicação.

Tacho-de-cobre-para-os-doces
O tacho de cobre, como este da foto, é muito útil para preparar doces

Aos poucos, fui trocando minhas panelas velhas de alumínio antiaderente por um conjunto de inox. Aposentei facas cegas por uma faca de chef, pesada e boa de usar, que mantém uma boa afiação e não escorrega. Ganhei uma linda frigideira de inox, com tampa, de presente de aniversário e comprei outras frigideiras queridas, estas de antiaderente, para preparar bifes, moquecas, ensopados e tudo o mais.

Investi numa “paellera”, própria para preparar paellas e também, se precisar, algum prato gostoso que leve arroz cozido, legumes e carnes diversas… Ganhei taças de cristal no meu casamento e comprei um faqueiro modesto, mas inteiramente de inox, como eu gosto.

Minhas aquisições mais recentes foram uma sopeira de porcelana branca, simples e linda, forminhas de petit gateau e formas de torta com o fundo removível, além de duas formas de pão/ bolo inglês. Já estreei quase tudo, mas ainda estou esperando uma oportunidade boa, num dia mais frio, para estrear a sopeira com um bom caldo verde.

Além dos utensílios que não podem faltar, gosto também de diversificar um pouco garimpando coisinhas em lojas e feiras de antiguidades. Outro dia, comprei três taças de champanhe antigas, naquele formato que é condenado pelos especialistas em vinhos: rasas e baixas. Mas são tão bonitas que eu não me importo de perder um pouco mais rápido as bolhinhas de champanhe, só pelo glamour que as taças antigas me transmitem. É quase como se eu estivesse num filme em preto-e-branco, de vestido longo e cabelão…

Ainda faltam, porém, algumas aquisições importantes para a cozinha, como um reluzente tacho de cobre (como o da foto acima!) para preparar doces, e panelas de barro para moquecas e barreado. E, claro… Ainda falta uma linda panela de ferro esmaltado, como as da Le Creuset, mas isso eu pretendo resolver em breve. ; )

E você, quais são os seus utensílios culinários mais queridos? Conte para a gente nos comentários!

Barreado
Panela de barro alta, como um caldeirão, própria para o preparo do barreado

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.



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