Call me Ishmael* 2
Esta semana, em mais uma comemoração do mês de abril, fomos jantar no Sal Gastronomia, do chef Henrique Fogaça, em Higienópolis.
Estava curiosa a respeito de sua comida, li muitas resenhas favoráveis e queria experimentar. Chegamos à Galeria Vermelho, onde fica o restaurante, por volta das 22h30.
Não gosto de chegar tarde a restaurantes que fecham por volta de meia-noite, porque me sinto mal de ver que, não raro, somos os últimos clientes do lugar. Mas o atendimento foi cordial do princípio ao fim, então relaxei e curti o jantar, apesar da minha neurose com horários.
Para começar, o couvert estava bom. Pães crocantes (mas que me pareceram longe de estar fresquíssimos) acompanhados por quatro cumbuquinhas com manteiga de mel e limão (a melhor de todas), sardela de pimentão (suave), frango desfiado em um molho com bastante azeite e temperos (muito bom) e cebola agridoce (não gosto de cebola…).

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa
De entrada,pedimos a bruschetta de polvo com vinagrete de hortelã. Vieram duas unidades, grandes, preparadas com fatias grossas de pão italiano. O recheio de polvo cheirava muito bem, e ficamos com água na boca. Além do polvo, macio, desmanchando na boca, o recheio levava alguns legumes e muitas ervas, como hortelã e salsa. Tudo regado com azeite. Gostei muito!

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa
Como prato principal, pedi o magret de pato ao vinho do Porto, acompanhado de purê de mandioquinha, banana-ouro e cebolinha ao caramelo de capim-santo. Para ele, o prato foi cupim na manteiga de garrafa com farofa de banana e mandioca cozida.
Os pratos estavam bons, mas achei que faltava um algo mais. A carne do magret, por exemplo, estava no ponto, suculenta, mas a pele – que deveria ser crocante – estava mole. Bem mole. Eu esperava mais de um peito de pato, especialmente depois das aulas que tive na Wilma Kovesi, e dos maravilhosos magrets que preparamos no curso.

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa
O purê de mandioquinha estava um tanto pesado demais, gorduroso. A banana-ouro era uma banana-ouro, ou seja, sem mais surpresas. Por incrível que pareça, o que me impressionou foi a cebola (e eu não gosto de cebola!): veio inteira, pequenina, roxa, completamente caramelada. Comi um pedaço e achei interessante, mas confesso que não senti gosto do capim-santo no caramelo.
O cupim, que também provei, estava bom, mas também não tinha um “algo mais” que eu esperava. A farofa, porém, estava deliciosa, crocante, bem temperada, excelente. A mandioca também estava ok, sem nenhum atrativo a mais.

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. Foto: Luciana Mastrorosa
Acompanhamos o jantar com um vinho Carmen Merlot, em meia garrafa. E, para finalizar… Eu, Capitão Ahab, encontrei minha Moby Dick no cardápio: pannacotta!
Ao ver minha excitação diante da pannacotta, uma das minhas obsessões culinárias, meu marido balbuciou: “Call me Ishmael”. Hehe. Engraçadinho! Imediatamente, nasceu a ideia de batizar este post em homenagem à Moby Dick, branca como minha querida sobremesa.

Pannacotta com calda de framboesa ou, segundo meu marido, minha "Moby Dick" particular. Pois é. Foto: Luciana Mastrorosa
Em resumo: a pannacotta estava excelente, acompanhada de uma calda de framboesa muito boa, com acidez que contrastava bem com a cremosidade branca da pannacotta. Fiquei feliz, enfim. E quebrando a cabeça, claro, para entender o segredo desta sobremesa que é tão simples e tão matreira, cheia de segredinhos para ficar perfeita. E a pannacotta do Sal estava perfeita.
Trate-me por Ishmael.
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Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis – São Paulo/SP
Fone: (11) 3151-3085
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* O título deste blog faz referência à primeira frase do livro “Moby Dick”, de Herman Melville, que conta a história de ódio (e amor) do velho Capitão Ahab pela baleia branca Moby Dick. Melville começou a contar sua intrincada saga com a frase mais simples do mundo: “Call me Ishmael” ou, em bom português, “Trate-me por Ishmael”. Virou uma das frases de abertura de livro mais famosas da literatura. Gênio.
