Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



Call me Ishmael* 2

Posted on maio 01, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta semana, em mais uma comemoração do mês de abril, fomos jantar no Sal Gastronomia, do chef Henrique Fogaça, em Higienópolis.

Estava curiosa a respeito de sua comida, li muitas resenhas favoráveis e queria experimentar. Chegamos à Galeria Vermelho, onde fica o restaurante, por volta das 22h30.

Não gosto de chegar tarde a restaurantes que fecham por volta de meia-noite, porque me sinto mal de ver que, não raro, somos os últimos clientes do lugar. Mas o atendimento foi cordial do princípio ao fim, então relaxei e curti o jantar, apesar da minha neurose com horários.

Para começar, o couvert estava bom. Pães crocantes (mas que me pareceram longe de estar fresquíssimos) acompanhados por quatro cumbuquinhas com manteiga de mel e limão (a melhor de todas), sardela de pimentão (suave), frango desfiado em um molho com bastante azeite e temperos (muito bom) e cebola agridoce (não gosto de cebola…).

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa

De entrada,pedimos a bruschetta de polvo com vinagrete de hortelã. Vieram duas unidades, grandes, preparadas com fatias grossas de pão italiano. O recheio de polvo cheirava muito bem, e ficamos com água na boca. Além do polvo, macio, desmanchando na boca, o recheio levava alguns legumes e muitas ervas, como hortelã e salsa. Tudo regado com azeite. Gostei muito!

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa

Como prato principal, pedi o magret de pato ao vinho do Porto, acompanhado de purê de mandioquinha, banana-ouro e cebolinha ao caramelo de capim-santo. Para ele, o prato foi cupim na manteiga de garrafa com farofa de banana e mandioca cozida.

Os pratos estavam bons, mas achei que faltava um algo mais. A carne do magret, por exemplo, estava no ponto, suculenta, mas a pele – que deveria ser crocante – estava mole. Bem mole. Eu esperava mais de um peito de pato, especialmente depois das aulas que tive na Wilma Kovesi, e dos maravilhosos magrets que preparamos no curso.

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa

O purê de mandioquinha estava um tanto pesado demais, gorduroso. A banana-ouro era uma banana-ouro, ou seja, sem mais surpresas. Por incrível que pareça, o que me impressionou foi a cebola (e eu não gosto de cebola!): veio inteira, pequenina, roxa, completamente caramelada. Comi um pedaço e achei interessante, mas confesso que não senti gosto do capim-santo no caramelo.

O cupim, que também provei, estava bom, mas também não tinha um “algo mais” que eu esperava. A farofa, porém, estava deliciosa, crocante, bem temperada, excelente. A mandioca também estava ok, sem nenhum atrativo a mais.

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. A farofa estava excelente. Foto: Luciana Mastrorosa

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. Foto: Luciana Mastrorosa

Acompanhamos o jantar com um vinho Carmen Merlot, em meia garrafa. E, para finalizar… Eu, Capitão Ahab, encontrei minha Moby Dick no cardápio: pannacotta!

Ao ver minha excitação diante da pannacotta, uma das minhas obsessões culinárias, meu marido balbuciou: “Call me Ishmael”. Hehe. Engraçadinho! Imediatamente, nasceu a ideia de batizar este post em homenagem à Moby Dick, branca como minha querida sobremesa.

A pannacotta com calda de framboesa estava excelente. Foto: Luciana Mastrorosa

Pannacotta com calda de framboesa ou, segundo meu marido, minha "Moby Dick" particular. Pois é. Foto: Luciana Mastrorosa

Em resumo: a pannacotta estava excelente, acompanhada de uma calda de framboesa muito boa, com acidez que contrastava bem com a cremosidade branca da pannacotta. Fiquei feliz, enfim. E quebrando a cabeça, claro, para entender o segredo desta sobremesa que é tão simples e tão matreira, cheia de segredinhos para ficar perfeita. E a pannacotta do Sal estava perfeita.

Trate-me por Ishmael.

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Sal Gastronomia

Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis – São Paulo/SP

Fone: (11) 3151-3085

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* O título deste blog faz referência à primeira frase do livro “Moby Dick”, de Herman Melville, que conta a história de ódio (e amor) do velho Capitão Ahab pela baleia branca Moby Dick. Melville começou a contar sua intrincada saga com a frase mais simples do mundo: “Call me Ishmael” ou, em bom português, “Trate-me por Ishmael”. Virou uma das frases de abertura de livro mais famosas da literatura. Gênio.



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