Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



Dias de dieta 1

Posted on fevereiro 28, 2011 by Luciana Mastrorosa

Daí que passei o domingo inteiro arrumando a casa. Gavetas, sapatos, maquiagens. Fazendo uma boa triagem, descobrindo preciosidades escondidas no fundo do armário, jogando umas tranqueiras fora. Incrível como a maioria de nós acumula um monte de roupas, sapatos e acessórios ao longo dos anos e acaba passando meses, ou ainda períodos mais longos, sem usar determinadas coisas.

Pois foi assim que eu descobri que tenho seis – SEIS – calças jeans no armário que não me servem mais, e apenas uma – UMA – que entra satisfatoriamente no meu corpinho. E me lembrei que já faz mais de ano que não uso nenhuma daquelas calças perdidas, tão bonitinhas, esquecidas no armário. Dentre elas, uma Levi’s linda, tamanho 36, que eu honestamente não me lembro da última vez que usei. Vergonha…

E o que isso tem a ver com um blog de gastronomia? – pergunta o leitor atento. E eu digo: tem tudo a ver. Porque decidi, depois de encontrar esses tesouros perdidos no armário, que preciso emagrecer de uma vez por todas uns quilinhos extras que venho acumulando. Quilinhos esses que foram ganhos com muita comidinha boa, aulas de cozinha, degustações na revista, etc. Não reclamo. Trabalhar com gastronomia é delicioso, e não me arrependo nem por um segundo das iguarias consumidas. Mas… Para continuar bem e garantir o corpinho saudável para as inúmeras receitas vindouras, é preciso dar uma mexida nas coisas. Nos hábitos.

Apesar de ter formação de técnica em Nutrição (ou talvez por isso), sou contra dietas restritivas, produtos diet e light em geral, e abomino adoçantes – claro que há casos em que realmente esses produtos podem ser necessários. Mas, para mim, acredito que diminuir o tamanho das porções e evitar certos “agressores”, como dia Mireille Guiliano (aquela do Mulheres Francesas Não Engordam) já basta. Só que o processo é longo, por isso comecei desde já.

Ontem fui à minha confraria de vinhos, a Les Bouchonés, e como cozinheira oficial do evento, preparei robalo assado servido com pesto feito na hora, acompanhado de risoto de limão siciliano e grana padano. Delícia máxima.

Hoje, já com o pé na dieta, preparei um caldo aromático com a espinha do robalo, que já estava me esperando na geladeira. Com o caldo, fiz uma sopa de abóbora e alho-poró que servi com 1 fio de azeite extravirgem e 1 pitada de gergelim preto. Depois do risoto opulento, vem a sopa levinha. Compensações… Não é esta a lei da vida?

Sopa de abóbora e alho-poró com caldo de peixe

Caldo de peixe

- 1 espinha de robalo (com cabeça)
- 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco (usei um Sauvignon Blanc chileno)
- 1/2 alho-poró picado
- 1 talo de erva-doce picado
- 1 cenoura grande picada
- 1/2 cebola picada
- 1 ramo de salsinha
- 1 ramo de cebolinha-verde
- 1 ramo de tomilho fresco
- 2 dentes pequenos de alho, inteiros e descascados
- 7 grãos de pimenta-do-reino
- 1 folha de louro
- 1 fio de azeite de oliva
- água quanto baste

Numa panela grande, aqueça o azeite e frite a espinha e a cabeça do peixe (já bem lavados) até ficarem cozidas. Adicione o vinho, mexa bem e mantenha no fogo até o álcool evaporar. Acrescente a cebola, frite mais um pouco e junte o restante dos ingredientes, menos a água. Deixe cozinhar por 5 minutos e então cubra tudo com água fria. Mantenha em fogo alto até ferver, retirando as impurezas que se formam na superfície. Quando ferver, abaixe o fogo, tampe e cozinhe por 30 minutos. Depois disso, escorra cuidadosamente numa peneira metálica ou chinois e reserve o caldo.

Eu já tinha fatias de abóbora cabotchã assadas com manteiga e louro, então o que fiz foi retirar as cascas das fatias e amassar a polpa. Cortei mais 1/2 alho-poró em rodelas e fritei as fatias em 1 colher (sopa) de manteiga. Quando estavam começando a pegar cor, juntei as abóboras amassadas, misturei bem e temperei com sal e pimenta. Acrescentei uma parte do caldo quente de peixe e deixei ferver. Quando ferveu, abaixei o fogo, tampei e deixei cozinhar por 35 minutos. Se preferir uma sopa mais cremosa, pode deixar mais tempo no fogo, para apurar.

É importante conferir o sal e a pimenta-do-reino da sopa, porque dieta é necessária, mas comida sem gosto não dá! :)

A doçura da abóbora combinou perfeitamente com o sabor delicado do peixe, por mais estranha que pareça a combinação. Quando os ingredientes são frescos, é difícil errar.

Da próxima vez que comprar peixe inteiro, não se acanhe: peça a espinha e a cabeça para fazer caldo. Garanto que fica uma delícia, e não dá trabalho nenhum.

E, claro, ajuda a começar bem uma dieta que promete durar looongos meses… ;)

Sem pão, sem leite 3

Posted on julho 27, 2010 by Luciana Mastrorosa

Ironia do destino é isso: a pessoa escreve um livro sobre café da manhã e… é obrigada a passar um mês – um mês inteirinho! – sem consumir glúten nem leite. Não é uma coisa de louco? :P

O bom dessa história é que estou tendo de usar muita criatividade na cozinha para preparar cafés da manhã e demais refeições saborosas sem ter de lançar mão de pão, leite e derivados.

Como adoro uma pesquisinha, já encontrei algumas receitas de pães, biscoitos e bolos sem glúten, e fiz algumas comprinhas básicas para começar os testes: amido de milho, fécula de batata, gergelim, crocantes de arroz… Até macarrão de arroz encontrei!

Não sou alérgica a glúten, mas minha nutricionista me orientou a ficar longe dele (e do leite) na tentativa de resolver alguns probleminhas de saúde. Se é para testar, vamos nessa, né?

Recordando: glúten é um tipo de proteína encontrada em alguns cereais, como trigo, cevada e aveia. Algumas pessoas são alérgicas ao glúten, e não podem consumi-lo de forma alguma. Por isso, as embalagens de produtos alimentícios são obrigadas a informar se o alimento contém ou não essa substância.

Quanto ao leite, mesma coisa: desde criança, não me dou muito bem com leite puro, embora adore o sabor. Para dar um tempo para meu organismo, vou ficar sem leite de vaca por um mês também. Tuuudo em nome da saúde.

Afinal, quem trabalha com gastronomia precisa ter todo o sistema digestivo em dia, né? Não pode bobear.

E falando em receitas… Alguém tem uma receitinha boa sem farinha de trigo e sem leite para me indicar? ;)

Salada grega 2

Posted on setembro 24, 2009 by Luciana Mastrorosa

Manhã chuvosa de quinta-feira de primavera, eis que Luciana vai à academia, toda pimpona, fazer sua avaliação física. Depois de fracassar miseravelmente no teste de flexibilidade (eu, que já fui flexível como uma bailarina!) e perder o fôlego na bicicleta, recebi o diagnóstico: “é, esses meses sem exercícios influenciaram no resultado… Você precisa perder um pouco de gordura e ganhar massa muscular”, sentenciou a avaliadora. Lovely.

Sendo assim, vamos nessa! E dá-lhe criar pratos leves e saudáveis para fazer deste período de “dieta” algo mais prazeroso. E pode esquecer: adoçantes e coisas diet e light não entram na minha rotina. Coisas saudáveis, como saladas, frutas, iogurtes, etc, isso sim.

Para o jantar de hoje, acho que uma salada grega vai ser o ideal. Leve, crocante, fresquinha. Só preciso achar um bom queijo feta para acompanhar que, sem ele, a saladinha perde toda a graça.

A salada grega do restaurante Acrópoles, em São Paulo

A salada grega do restaurante Acrópoles, em SP

Salada grega

- folhas de alface limpas e secas à vontade

- 1 pepino japonês (com ou sem casca, vai do gosto pessoal)

- 2 tomates vermelhinhos

- azeitonas pretas gordas

- 1 fatia generosa de queijo feta

- vinagrete de limão com azeite extravirgem, sal, suco de limão e pimenta-do-reino moída na hora

O modo de preparo é o mais simples do mundo: rasgue as folhas de alface com as mãos, corte o pepino e os tomates em cubos, misture as azeitonas e o queijo feta também cortado em cubos. Para preparar o molho vinagrete, misture suco de limão com sal e pimenta e adicione o azeite em fio, batendo com um fouet ou uma colher, até virar um molho dourado e uniforme. Para um bom molho, o segredo é usar o dobro de azeite em relação ao limão (ou vinagre). Se sobrar molho, guarde na geladeira e use em, no máximo, 2 a 3 dias. Quanto mais fresco, melhor.

Misture o molho aos demais ingredientes e sirva imediatamente. Se a fome apertar, uma fatia de pão integral não vai fazer mal a ninguém… E, para os que gostam de cebola crua, fatias de cebola roxa incrementam a salada.

E você, tem receitas boas de salada também para estes períodos de controle alimentar? Divide comigo! ;)

* P.S.: a salada grega da foto é do restaurante Acrópoles, em São Paulo. No lugar do feta, eles usaram queijo branco, por dificuldades na compra do queijo de cabra.



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