Memória em cubinhos 7

Embalagem antiga do açúcar Pérola.
Engraçado como a memória funciona. Temos algumas lembranças muito antigas, às quais dificilmente recorremos no dia-a-dia. No entanto, basta um cheiro, uma imagem, ou a passagem de um livro para trazer essas memórias à tona, como se tivessem acontecido ontem.
Lendo um livro para resenhar, me deparei, de repente, com uma passagem banal em que a autora citava o açúcar Pérola. De repente, como um raio, me vi criança novamente, com uns cinco anos de idade, fazendo um minibolo para dar de presente para meu pai, que havia viajado para o Rio de Janeiro, a trabalho. Um pouco surpresa, me dei conta de como até minhas memórias mais antigas têm a ver com comida!
E o que o açúcar Pérola tem a ver com isso? Bom, quando criança, eu adorava coisas em miniatura. Tomatinhos, bolinhos, docinhos, tudo o que pudesse caber em minhas mãos pequeninas. (A bem da verdade, até hoje gosto disso, daí minha paixão por cupcakes e docinhos de aniversário).
Então, entre outras coisinhas, meu pai me trouxe de presente um pacotinho mínimo com dois cubinhos de açúcar Pérola. Pensa o que é a emoção, para uma criança, mergulhar cubinhos de açúcar no chá? Foi a glória!
De lá para cá, mantive uma certa obsessão por cubinhos de açúcar, mas eram difíceis de achar. Hoje é possível encontrar esses cubinhos fabricados pela União, em São Paulo, em embalagens grandes, de plástico. Mas o açúcar Pérola em cubos vinha embalado em um papel fininho, dois a dois, como eu só vi novamente na minha primeira viagem a Paris, em 2002. Nem preciso dizer que virei criança de novo ao ver a embalagem com dois cubinhos de açúcar para acompanhar meu café…
A grande ironia dessa história é que meu pai acabou de se descobrir diabético. E eu, que sempre demonstrei meu afeto com bolinhos, docinhos, chocolates, sobremesas e que tais, agora não posso mais oferecer açúcar ao meu velho pai. Mas vou descobrir uma forma de cozinhar umas receitas bem bonitas e saudáveis para ele.
E deixar que as lembranças doces fiquem ali, num cantinho da memória, para serem acessadas e recontadas sempre. “Para não esquecer”, como dizia a Clarice.
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E por falar em memória, meu irmão virou blogueiro. Em “É tudo grupo…”, Marcello conta as histórias divertidas (ou bizarras…) que aconteceram na nossa família desde meus bisavós. Ou o que a gente lembra das histórias dos nossos bisavós, com uma ajudinha dos pais, é claro!
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Em tempo: minha primeira revista Menu já está nas bancas e ficou linda de tudo. E a capa, de risotos, é minha.
Contribuam com o orçamento familiar e dêem uma espiada. Depois me digam o que acharam
