Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



O novo Le Jazz 2

Posted on janeiro 20, 2010 by Luciana Mastrorosa

Le Jazz Brasserie

Passei o dia ouvindo Melody Gardot cantar “Your heart is as black as night”. Passei dias ouvindo Charles Mingus e sua “Haitin fight song”, certamente para tentar abrandar o coração diante da tragédia no Haiti.

Neste primeiro mês de 2010, penso, portanto, que o jazz combinou perfeitamente, seja em suas versões mais animadas ou românticas, até as mais tristes melodias do cool jazz. Nada mais adequado, portanto, do que fazer uma visita à jovem brasserie Le Jazz, na rua dos Pinheiros, em São Paulo.

A casa é pequena, de poucas mesas, com paredes recheadas de ídolos dessa vertente musical. E a comida é boa, muito boa. A ponto de sempre – sempre – ter filas na porta em busca de um steak tartare bem temperado com fritas sequinhas e crocantes, uma salada, um sanduíche…

O sotaque francês fica evidente já no couvert: logo que conseguimos, com sucesso, sentar numa das mesinhas, o garçom nos trouxe fatias de bom pão para acompanhar uma manteiga excelente e uma jarra de água da casa. Tem coisa mais francesa que isso? Lembro da minha primeira visita a Paris, tonta de tudo, pedindo “un verre d’eau, s’il vous plaît” ao garçom que mal entendia meus primeiros balbucios em francês…

O Le Jazz já ganhou muitos pontos na minha admiração só por esse detalhe, mas a verdade é que a entrada de tutano assado com salsa e flor de sal, para “comer de colher” com uma torrada DESTE tamanho estava espetacular. O entrecôte com molho secreto da casa, rosado por dentro e bem dourado por fora, também estava impecável, assim como as fritas. Sequinhas, crocantes e macias ao mesmo tempo, como só boas batatas fritas conseguem ser. E, para ativar ainda mais a saudade da França, o garçom nos trouxe também um potinho de mostarda Dijon para acompanhar os pratos. Oui, bien sûr, je voudrais bien la moutarde, merci!

Para beber, escolhemos um malbec em meia garrafa que casou bem com as carnes vermelhas, cruas ou grelhadas. Pena que não sobrou um espacinho sequer no estômago para a sobremesa… Queria bem provar o clafoutis de cerejas ou amoras para acompanhar o café.

Mas, como o Le Jazz tem a vantagem de ser perto, pertinho, da minha casa, sem dúvida voltarei. Com Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Cole Porter e nosso amigo Coltrane para embalar o jantar.



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