Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



Pato para as massas 0

Posted on fevereiro 01, 2012 by Luciana Mastrorosa

Por Tatiana Barros

Peito de pato no supermercado

Peito de pato no supermercado

Pato! Para mim, saborear esse tipo de ave é novidade. Sempre vi o preparo de carne de pato em programas de culinária e em restaurantes mais refinados, mas nunca pensei em pedir. Até que outro dia, passeando pelo mercado passei pela sessão de ovos, notei uma caixinha com ovos maiores que o normal. Fui ver de perto e eram… ovos de pato! Assim, ali, como se fosse algo natural da sessão de ovos.

Peguei uma caixinha e voltei para casa super curiosa. Pela embalagem, procurei o site da marca. É uma marca de Quebec, se chama Brome Lake Ducks.

Que idéia genial popularizar produtos derivados de pato! Eles têm ovos, carne, caldos, molhos, patês, linguiças e até gordura, tudo feito dessa ave.

Eu nunca havia experimentado ovos de pato antes e confesso que são deliciosos. O sabor é similar ao ovo comum de galinha, mas muito mais acentuado. Por ser maior, também demora um pouco mais para cozinhar.

Dessa primeira experiência, minha próxima aventura foi comprar peito de pato direto da sessão de carnes ao lado dos frangos. Ainda estou contente pelo acesso tão fácil a algo que antes só encontrava em açougues ou em lojas especializadas.

Para quem não conhece, a carne do pato também é saborosíssima e bastante nutritiva. A carne e os ovos de pato são ricos em vitaminas A, B12, C, ferro, cálcio e outros.

Deixo para vocês a minha versão do peito de pato. Espero que gostem!

PEITO DE PATO GRELHADO (MAGRET)

Ingredientes:
1 peito de pato (magret)
2 colheres (sopa) de vinagre de maçã
1 pitada de tomilho
1 colher (sopa) de mel
alho em pó a gosto
cebola em pó a gosto
azeite de oliva quanto baste
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Retire o peito de pato da geladeira 10 minutos antes de cozinhar. Com uma faca afiada, faça riscas sobre a pele, em padrão quadriculado, mas sem atingir a carne. Coloque o peito de pato em uma tigela, adicione o vinagre, o tomilho, o alho em pó, a cebola, o azeite, o sal, a pimenta e o mel. Esfregue bem essa mistura na carne e deixe marinar por 1 hora (meia hora de cada lado).

Magret com a pele quadriculada

Magret com a pele quadriculada

Depois do descanso, coloque o peito de pato, com o lado da pele para baixo, em uma frigideira pré-aquecida em fogo médio-alto por 2 minutos. Remova o excesso de gordura da panela e deixe selar por mais 2-3 minutos. Reduza o fogo para médio, e cozinhe por 6-7 minutos ou até que a temperatura interna chega a 63°C. O magret (como o peito de pato é chamado, em francês) é melhor quando servido ao ponto, ainda cor-de-rosa por dentro, mas bem tostadinho por fora.

Retire da panela e deixe descansar por 5 minutos. Depois, é só cortar o magret em fatias e servi-lo com o acompanhamento que preferir.

Magret grelhado, tostadinho

Magret grelhado, tostadinho por fora, rosado por dentro

Quem se aventurar a cozinhar algo com pato, mande notícias pra gente! Para mais receitas gostosas com carne de pato, confira o website da Brome Lake.

Até a semana que vem!

Call me Ishmael* 2

Posted on maio 01, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta semana, em mais uma comemoração do mês de abril, fomos jantar no Sal Gastronomia, do chef Henrique Fogaça, em Higienópolis.

Estava curiosa a respeito de sua comida, li muitas resenhas favoráveis e queria experimentar. Chegamos à Galeria Vermelho, onde fica o restaurante, por volta das 22h30.

Não gosto de chegar tarde a restaurantes que fecham por volta de meia-noite, porque me sinto mal de ver que, não raro, somos os últimos clientes do lugar. Mas o atendimento foi cordial do princípio ao fim, então relaxei e curti o jantar, apesar da minha neurose com horários.

Para começar, o couvert estava bom. Pães crocantes (mas que me pareceram longe de estar fresquíssimos) acompanhados por quatro cumbuquinhas com manteiga de mel e limão (a melhor de todas), sardela de pimentão (suave), frango desfiado em um molho com bastante azeite e temperos (muito bom) e cebola agridoce (não gosto de cebola…).

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa

Couvert do restaurante Sal Gastronomia. Foto: Luciana Mastrorosa

De entrada,pedimos a bruschetta de polvo com vinagrete de hortelã. Vieram duas unidades, grandes, preparadas com fatias grossas de pão italiano. O recheio de polvo cheirava muito bem, e ficamos com água na boca. Além do polvo, macio, desmanchando na boca, o recheio levava alguns legumes e muitas ervas, como hortelã e salsa. Tudo regado com azeite. Gostei muito!

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa

Bruchetta de polvo, de entrada. Foto: Luciana Mastrorosa

Como prato principal, pedi o magret de pato ao vinho do Porto, acompanhado de purê de mandioquinha, banana-ouro e cebolinha ao caramelo de capim-santo. Para ele, o prato foi cupim na manteiga de garrafa com farofa de banana e mandioca cozida.

Os pratos estavam bons, mas achei que faltava um algo mais. A carne do magret, por exemplo, estava no ponto, suculenta, mas a pele – que deveria ser crocante – estava mole. Bem mole. Eu esperava mais de um peito de pato, especialmente depois das aulas que tive na Wilma Kovesi, e dos maravilhosos magrets que preparamos no curso.

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa

Magret com com purê de mandioquinha e molho de vinho. Foto: Luciana Mastrorosa

O purê de mandioquinha estava um tanto pesado demais, gorduroso. A banana-ouro era uma banana-ouro, ou seja, sem mais surpresas. Por incrível que pareça, o que me impressionou foi a cebola (e eu não gosto de cebola!): veio inteira, pequenina, roxa, completamente caramelada. Comi um pedaço e achei interessante, mas confesso que não senti gosto do capim-santo no caramelo.

O cupim, que também provei, estava bom, mas também não tinha um “algo mais” que eu esperava. A farofa, porém, estava deliciosa, crocante, bem temperada, excelente. A mandioca também estava ok, sem nenhum atrativo a mais.

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. A farofa estava excelente. Foto: Luciana Mastrorosa

Cupim na manteiga de garrafa, com farofa e mandioca. Foto: Luciana Mastrorosa

Acompanhamos o jantar com um vinho Carmen Merlot, em meia garrafa. E, para finalizar… Eu, Capitão Ahab, encontrei minha Moby Dick no cardápio: pannacotta!

Ao ver minha excitação diante da pannacotta, uma das minhas obsessões culinárias, meu marido balbuciou: “Call me Ishmael”. Hehe. Engraçadinho! Imediatamente, nasceu a ideia de batizar este post em homenagem à Moby Dick, branca como minha querida sobremesa.

A pannacotta com calda de framboesa estava excelente. Foto: Luciana Mastrorosa

Pannacotta com calda de framboesa ou, segundo meu marido, minha "Moby Dick" particular. Pois é. Foto: Luciana Mastrorosa

Em resumo: a pannacotta estava excelente, acompanhada de uma calda de framboesa muito boa, com acidez que contrastava bem com a cremosidade branca da pannacotta. Fiquei feliz, enfim. E quebrando a cabeça, claro, para entender o segredo desta sobremesa que é tão simples e tão matreira, cheia de segredinhos para ficar perfeita. E a pannacotta do Sal estava perfeita.

Trate-me por Ishmael.

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Sal Gastronomia

Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis – São Paulo/SP

Fone: (11) 3151-3085

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* O título deste blog faz referência à primeira frase do livro “Moby Dick”, de Herman Melville, que conta a história de ódio (e amor) do velho Capitão Ahab pela baleia branca Moby Dick. Melville começou a contar sua intrincada saga com a frase mais simples do mundo: “Call me Ishmael” ou, em bom português, “Trate-me por Ishmael”. Virou uma das frases de abertura de livro mais famosas da literatura. Gênio.



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