Comfort food 0
Eu adoro restaurantes. Na verdade, amo. Desde o momento da escolha – onde vamos jantar hoje? – até o estudo minucioso do cardápio em busca do que mais pode apetecer o estômago (a alma?) naquele dia. Amo ainda os momentos festivos ou amorosos que se passam ao redor de uma mesa de restaurante, a conquista, os olhares, o convite: quer jantar comigo hoje?
Mas, de tudo, o que eu mais gosto, em termos de cozinha, são reuniões de família. É claro que nem sempre são harmoniosas, mas não estou falando das relações, em si, mas da comida, é claro.
Nem todos tiveram a sorte de nascer numa família de glutões como a minha, em que planejamos o almoço de Natal do tipo… na Páscoa. E já estamos falando sobre a refeição seguinte sem ao menos ter terminado o almoço!
Mesmo sem o exagero da minha, acredito que cada família tenha seus rituais em torno da mesa, nem que seja o restaurante favorito em que toooodo mundo se reúne aos domingos, ou para celebrar alguma data especial.
Fato é que sou apaixonada por essas receitas de alma, comfort food, como dizem os gringos. Essas receitas e pratos que dão uma saudade apertada quando a gente sente falta de um familiar querido, ou de tempos idos de criança, quando tudo era tão complicado, mas ao mesmo tempo, tudo parecia tão mais simples.
Alguns sabores se perdem com o tempo, outros são retomados pelas gerações mais jovens, que cuidam de passar adiante aquela receitinha da mãe, da avó, da tia, do tio, do pai, enfim… Sempre tem alguém “com mão boa” para cozinhar, não é assim que se falava antigamente, muito antes da gastronomia adquirir ares de coisa fina e luxuosa?
Pois é dessas receitas que vou atrás. Não só as da minha família, as de todas as famílias me interessam. Caderninhos de receitas antigos, então… São um sonho!
E se um dia eu tiver uma família para chamar de minha, com filhos e netos e coisa e tal, vou fazer questão de passar um pouco desse conhecimento pra eles. Mesmo que, nesse futuro distante, ninguém mais dê a menor bola para refeições e festas em família, mesas cheias de amigos e parentes e tudo o mais.
Vai ver que é por isso que eu admiro tanto este tipo de convite, um pouco raro nos dias de hoje: “vamos jantar juntos hoje? Onde? Na minha casa. Vou cozinhar para você.” É assim que nascem algumas famílias, afinal.

