Receitas, culinária e gastronomia, por Luciana Mastrorosa

Guloseima



Mas é carnaval! 0

Posted on fevereiro 21, 2009 by Luciana Mastrorosa

Semana de carnaval, atribulada e esquisita, a única semana em que parece que fez verão de verdade em São Paulo, ou será só a minha percepção?

Na sexta-feira com cara de sábado, tudo mudou. O movimento nas ruas – carros e gente – parecia maior, mas também mais leve e mais festivo.

Eu não sou lá muito de curtir a “festa de Momo”, mas este ano decidi aproveitar o carnaval para não me preocupar com absolutamente nada, nada, nada. Comecei pela sexta-feira feliz, com um almoço tardio no Arábia Express do shopping Iguatemi, pedindo o mesmo combinado que eu peço sempre e amo cada vez mais: salada Arábia, babaganuche (perfeito!) e quibe assado.

De sobremesa, o especial de morango da Ofner, tão delicado e colorido, vermelho, alegre.

De braço dado com o clima festivo, com a tarde azul, com excelentes companhias, descobri logo depois um boteco com cara de bar que meu avô frequentaria, mas em pleno… Itaim! Pelo que apurei, é o Botequim do Hugo, mas eu e meus convivas achamos mais apropriado apelidá-lo de “secos e molhados”, em homenagem ao cardápio de poucas opções, escrito à mão. Tem tremoços, sanduíche de linguiça, pratinhos de queijos, pasteis apetitosos e, no meio da noite, um dos donos passou de mesa em mesa oferecendo pipoca fresquinha, recém-estourada, de cortesia!

Que delícia de boteco! Uma casona antiga, com quintal do lado, árvores no jardim, cadeiras e mesas simples de madeira, fotografias velhas de uma São Paulo mais velha ainda nas paredes. Lembrou muito minha primeira casa, no bairro da Saúde, com seu portãozinho de madeira no meio do quintal, e as paredes bicolores, janelas baixas…

A tarde foi caindo, a noite foi caindo, e a gente aproveitou o calor e a brisa mole para beber cerveja e ficar de papo para o ar.

“Quanto riso, oh, quanta alegria”, e o carnaval está só começando!

Deixo com vocês a “Noite dos Mascarados”, numa interpretação bacana – e antiga – de Chico Buarque, Nara Leão e MPB-4. E feliz carnaval para todo mundo! :D

“(…) Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser”

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.

No Caverna Bugre 1

Posted on fevereiro 18, 2009 by Luciana Mastrorosa

Esta semana visitei o Caverna Bugre, na rua Teodoro Sampaio que, entre outras coisas, é a rua dos músicos e das lojas de instrumentos musicais, dos móveis e do comércio popular de roupas, brinquedos, sapatos… A rua é comprida, e cada trecho tem uma “especialidade”, digamos assim.

No começo da rua, pertinho do Hospital das Clínicas, está o Caverna, um desses restaurantes antigos, que servem pratos enormes e pesadões, de inspiração alemã, desde 1950! O prato mais pedido da casa é o filé alpino, um filé fininho coberto com copa, provolone e catupiry, gratinado, mais arroz e molho inglês, e dá para duas pessoas.

Mas na minha primeira visita eu arrisquei outro prato, o kassler: bisteca suína ligeiramente defumada, frita, acompanhada de salsichas (uma das quais branca, de vitela), batata cozida e chucrute. Mesma coisa: um prato serve mais do que bem duas pessoas e é, de fato, pesado, como eu já havia previsto. De entrada, pedi croquetes de carne, que vieram salpicados por um tempero de sabor estranho, o sal de aipo. Para acompanhar, cerveja de trigo, Erdinger, servida naqueles copos enormes.

Pedi o kassler porque tenho um certo afeto por esse prato. A primeira vez que provei kassler foi há muito tempo, num restaurante delicioso que, infelizmente, não existe mais, o Kakuk. Eu era uma adolescente ainda, começando a me ligar nessa idéia de sabores e novas comidinhas, e lembro que torci o nariz quando meu namorado da época me convidou para jantar lá, com seu pai.

Mas que nada! Logo me apaixonei pela comida. O kassler do Kakuk era macio, rosado, e tinha purê de maçã e purê de ervilha como acompanhamentos, além do tradicional chucrute. Amei. Nunca mais encontrei um purê de ervilha feito daquela forma, macio e verdinho, mas consistente.

E o ambiente era uma delícia, parecia um vagão de trem, com mesas e bancos de madeira escura, reservados, cada um na sua “cabine”. Lembro até do que conversamos naquele dia: Agatha Christie! Certas coisas a memória não apaga… Devo esta lembrança deliciosa ao saudoso Melo, meu ex-sogro, que me apresentou o Kakuk e também o Gigetto, mas isso eu conto em outra história.

O Kakuk ficava na Santa Cecília, e fazia o melhor kassler que provei até hoje. A bisteca do Caverna Bugre é boa, mas não tanto quanto à do falecido Kakuk… Ainda estou na busca.

Em tempo: o filé alpino, carro-chefe do Caverna Bugre, é bastante apetitoso. Um pouco pesado, prato de antigamente, mas vale como um grande clássico de São Paulo, o que lhe rendeu até prêmio Paladar em 2008!

***
Caverna Bugre

Rua Teodoro Sampaio, 334
(Na altura do Hospital das Clínicas)
Fone: (11) 3085-6984
São Paulo – SP

* Post publicado originalmente no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.

Quesadillas de camarão 0

Posted on janeiro 16, 2009 by Luciana Mastrorosa

Como comentei no post anterior, o calor anda brabo por estas bandas paulistanas. Só consigo pensar em saladas, grelhados e coisas simples para as refeições…

Pensando nisso, resolvi colocar em prática ontem uma receita apetitosa que o chef Hugo Delgado, do restaurante Obá, ensinou na aula de comida mexicana do curso de chef (ai, que SAUDADE do curso!): quesadillas de camarão!

Para preparar, usei tortillas de trigo, que hoje você pode comprar no mercado com o nome de Rap 10. E não é que ficou bom? Para o recheio, usei abobrinha, cebola, milho verde, pimenta dedo-de-moça, alho e camarões. Complementei com queijo meia-cura ralado e ficou um excelente prato rápido para o jantar.

Dica útil: se você estiver sem nenhum tempo sobrando, compre camarões limpos. Frescos, fresquíssimos, porém já limpos. Eu perdi uma boa meia hora para tirar as cascas e a tripinha dos camarões…

Estava com tanta fome que esqueci de tirar foto dos pratos! Mas, blogueira precavida que sou, tinha fotos da receita preparada em aula pelo meu grupo. Mesmo com pequenas adaptações de ingredientes, a receita ficou igualzinha à das fotos! :D Quer aprender?


Na foto, as quesadillas sendo preparadas. Bastante recheio!

Quesadillas de camarão

Rendimento: 5 quesadillas

400g de camarões médios, limpos e sem casca
1 abobrinha cortada em fatias finas, em formato de meia-lua
1 cebola em fatias finas
1 tomate
1 xícara de milho verde
1 dente de alho picadinho
1 pimenta dedo-de-moça em fatias finas, sem semente
1 pitada de pimenta calabresa
10 tortillas de trigo já prontas
1 pedaço de queijo meia-cura ralado
azeite para fritar
sal e pimenta a gosto

Primeiro, prepare o recheio: frite a cebola, o alho, o milho e a pimenta no azeite até a cebola amolecer. Acrescente a abobrinha e o tomate e frite rapidamente. Por último, acrescente os camarões, tempere com sal e pimenta calabresa e cozinhe muito rápido, para não passar do ponto (minutinhos, mesmo). Reserve.

Aqueça uma frigideira, sem óleo, e coloque uma tortilla sobre ela. Cubra com um pouco de queijo meia-cura ralado e, sobre ele, um pouco do recheio. Deixe a tortilla esquentar e ficar crocante e cubra com outra tortilla. Vire a quesadilla para que a outra tortilla esquente também e sirva. O ideal é comer logo depois de pronta, porque a tortilla fica crocante e faz um bom par com o queijo derretido do recheio…

Acompanhe com salada de folhas para ficar ainda mais saudável, gostoso e fresquinho!


Bagunça na cozinha: o recheio delicioso das quesadillas

***

Fiz algumas adaptações à receita do chef Hugo Delgado, a saber: troquei a pimenta jalapeño fresca por pimenta dedo-de-moça
e usei milho verde de lata, em vez de usar o da espiga fresca. É claro que fica muito mais gostoso com milho verde fresco, cozido em casa! Mas eu não tenho preconceitos com os milhinhos de lata, não.

Ah! Como a pimenta dedo-de-moça é muito mais suave que a jalapeño, acrescentei uma pitada de pimenta calabresa em flocos. Mas eu ainda prefiro a pimenta original (mais ardidinha e saborosa). :)

E servi a quesadilla com salada, em vez de guacamole e salsas mexicanas. Mas como a receita é excelente, ficou bom do mesmo jeito. Qualquer dúvida, já sabem: deixem um comentário logo abaixo que eu explico tudo.

Hugo, obrigada pela receita deliciosa! :)

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Um jantar no Arturito 0

Posted on novembro 21, 2008 by Luciana Mastrorosa

O Arturito é um restaurante novo, na minha antiga rua, que conquistou meu coração. Cheguei lá na véspera de feriado, quarta-feira à noite,  por volta das 22h, com uma expectativa gigante. Tudo o que havia pesquisado a respeito indicava que o restaurante tinha uma comida bacana, porém cara. E com uma carta de vinhos mais cara ainda!

Mas persisti. A idéia era comemorar meu aniversário lá, com meu marido, de maneira especial… No dia 12 de novembro eu fiz 30 anos, balzaquiana feliz. Mas, não conseguindo ir no dia certo, fomos uma semana depois, e foi até melhor. Menos ansiedade, né?

Restaurante Arturito. Foto: DivulgaçãoEu tinha um objetivo em mente: comer miolo de vitela à milanesa. Antes que você pule da cadeira, te digo: é delicioso! Admito que é um gosto adquirido, pois minha avó paterna fazia “bolinho de miolo” praticamente todo fim de semana. Com limão espremido na hora, tinha um gosto diferente de tudo o que eu já tinha comido. E era bom!

Quando soube que a chef Paola Carosella oferecia miolo à milanesa no menu do Arturito, soube que tinha de ir até lá. E fui. E era espetacular!

Para começar, chegamos ao restaurante e fomos recebidos de maneira gentil e atenciosa. Como havia espera, sentamos perto do bar e, muito finos, pedimos dry martinis. ; ) Meu marido estava especialmente inspirado e matou a charada: “nossa, tem um cheiro muito leve e fresco de pinho”. Verdade. E era foooorte! Eu nunca tinha tomado dry martini, gostei bastante.

Meia hora depois, fomos encaminhados à mesa e chegou o couvert: fatias grossas de pão caseiro e pão integral com erva-doce, para molhar no azeite aromatizado com um toque de alho frito, alecrim fresco e parmesão ralado bem fininho. Uma delícia, e tão simples… Fiquei impressionada!

Também havia uma manteiga muito fresca e cremosa para acompanhar os pães, mas eu fiquei mesmo foi no azeite.

Fizemos então os pedidos: de entrada, miolo de vitela à milanesa, acompanhado de tomate, chicória frisé, limão siciliano e mostarda Dijon. A textura do miolo à milanesa foi o que mais me impressionou: derretia na boca, completamente diferente do bolinho da minha avó, mas tão refinado, e casando tão bem com a acidez do limão e da mostarda, que me emocionou de verdade.

Até a bebida que pedimos combinou com tudo: um espumante Chandon, geladíssimo, contribuiu com sua acidez para harmonizar muito bem com a entrada. Ponto para a chef! Mas, de fato, a carta de vinhos tem opções elegantíssimas e carésimas. Porém, é possível encontrar algumas opções interessantes (poucas) por preços mais amenos…

Como prato principal, pedi mexilhões frescos à provençal, com torrada grossa coberta com uma pasta de dill verdinho. O molho era de chorar, de tão bom!

Maridón ficou de olho no meu prato, mas decidiu pedir o ravióli de queijo de cabra, sálvia, limão siciliano e manteiga de aspargos, dill e laranja. Sem perceber, pedimos dois pratos com dill, e o aroma acabou marcando a noite. Excelente!

Comemos e comemos até não poder mais. A melhor definição da noite foi a de José: “Este ravióli é como uma nuvem! Tão leve!”. Disse tudo: o ravióli, delicadíssimo, explodia na boca.

Para encerrar, alegres pela quantidade um tantinho excessiva de álcool e inebriados pelos pratos incríveis, pedimos dois cafés e fomos andando e rindo alto pelas ruas, até chegar em casa. Noites como essas não existem aos montes mas, quando acontecem, são realmente inesquecíveis.

***
Arturito
Rua Artur de Azevedo, 542 – Pinheiros
São Paulo/SP
Fone: (11) 3063-4951
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, a partir das 19h

***
Desta vez eu não tirei foto, porque esqueci a câmera e meu celular não conseguiu se adaptar ao ambiente escuro do Arturito. Mas eu prometo que, na próxima, levo a câmera! :D A foto que ilustra este post é de divulgação, e você pode ver outras no site do restaurante.

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Visitando o Azaït 0

Posted on outubro 14, 2008 by Luciana Mastrorosa

Semana passada estive pela primeira vez no Azaït, restaurante de culinária mediterrânea nos Jardins. Era aniversário de uma amiga, e sete mulheres ruidosas e felizes se aconchegaram numa das mesas no fundo do restaurante, de iluminação indireta e parede de tijolinhos. Muito divertido!

Misteriosamente, eu fui a primeira a chegar, e comecei o jantar com uma água com gás com limão para acompanhar as entradinhas: focaccia de alecrim e sal grosso, pãezinhos integrais, azeitonas pretas e verdes no azeite, pasta de berinjelas, pasta de coalhada seca. Tudo muito apetitoso, especialmente a focaccia com alecrim, de textura perfeita.

Restaurante Azaït: o couvert delicioso. Foto: Luciana Mastrorosa
Azeitonas, sal grosso, focaccia… E foto ruim do celular :D

A casa, além de ter ótimos pratos da cozinha mediterrânea, também tem uma lojinha de azeites logo na entrada. Não me aventurei pela lojinha porque, depois do farto jantar, meu paladar só pedia água fresca. Mas quero voltar ao Azaït para a degustação de azeites e para escolher um frasco para levar para casa.

Vinho tinto português, do Alentejo, acompanhou a refeição das garotas. Duas garrafas, até que não foi tanto, vai! :)

E meu prato principal estava simplesmente um espetáculo inesquecível: filé com foie gras ao molho de vinho tinto, acompanhado de batatas coradas. Dá água na boca só de lembrar! E todos os pratos são harmonizados com um tipo diferente de azeite, um luxo.

Para encerrar a refeição, apenas café. Dificilmente peço sobremesas, ainda mais depois de tanta comida boa…

O preço é meio salgadinho (R$ 90 por cabeça), mas o Azaït me pareceu um bom lugar para celebrações, refeições especiais, festas, pedidos românticos de casamento… Assim como a Vinheria Percussi. Mas sobre a Vinheria eu escrevo em outro post. Vale MUITO a pena! ;)

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Azaït
Rua Peixoto Gomide, 1532 – Jardins
São Paulo-SP
11 3063-5799

* Post originalmente publicado no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.

As baladas de sexta-feira 0

Posted on outubro 10, 2008 by Luciana Mastrorosa

Hoje tenho um aniversário de uma amiga muito querida para ir. A festinha vai ser no restaurante Azaït, culinária mediterrânea chique nos Jardins. Mal posso esperar! :) Especialmente porque, além de restaurante, tem uma lojinha de azeites no local. E eu sou completamente apaixonada e enlouquecida por azeites!

Depois da festa, talvez seja o caso de encontrar outros amigos para uma cerveja e fechar o dia. Mas aí pode ser um boteco bem simples, daqueles que a gente senta e nem vê o tempo passar…

Mas não posso exagerar, né? Não quero ficar doente de novo! Então, melhor pegar leve.

E o tempo parece que finalmente está querendo melhorar! Outubro, minha gente, outubro…. Ninguém aguenta mais frio de 13ºC em outubro! Não no Brasil, pelo menos! :D

Há perspectiva de bons ventos para o fim de semana… Vamos torcer! O que eu queria mesmo era ir à praia, passear de escuna, tomar sol e água de coco. Um dia, né? Quem sabe…

* Post originalmente publicado no Blogs Abril. Para ver os comentários antigos, clique aqui.



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