Orgânicos na cozinha 2
Sei que não falo muito de alimentos orgânicos por aqui, mas preciso comentar que, desde que comecei a cozinhar, me surpreendi com a diferença que alguns alimentos apresentam. Frango, por exemplo.
Como está um verão chuvoso e frio, resolvi fazer uma sopa reconfortante para começar o ano numa dieta desintoxicante. Saí do trabalho correndo e passei no mercado. A ideia era fazer uma canja leve, com peito de frango (com osso), alho, cebola, alho-poró, batatas, cenouras e tomate. Sal, azeite e pimenta para temperar, e só.
Chegando no mercado, a única marca de frango orgânico não tinha peito de frango com osso, apenas filés de peito, asas e sobrecoxas. Mas eu queria um peito de frango inteiro, com osso, com ou sem pele. Na ausência, peguei um peito de frango comum e trouxe para casa.
Que decepção! A carne meio molenga, os ossos de uma cor pálida e triste. Nem de longe lembrava o peito que um dia pertenceu a um frango saudável… A sopa ficou ok, mas essas coisas me fazem parar para pensar: até onde vale pagar menos por um produto tão, mas tão longe do natural?
A mesma coisa acontece com os ovos: desisti de comprar ovos de granja. Agora, na minha geladeira entram apenas ovos caipiras, orgânicos, com aquele selo que indica que as galinhas tiveram uma vida minimamente feliz (e saudável) antes de botar aqueles ovos. A diferença é nítida: um ovo orgânico tem a gema beeem laranja, firme, e o sabor é muito mais pronunciado. Tem gosto de ovo de verdade. Desisti de comprar ovos comuns depois de me deparar, um dia, com gemas simplesmente amareladas, quase transparentes. Deu dó de ver.
Sei que esses produtos orgânicos custam mais caro, mas me consolo pensando que, se todo mundo exigir que os bichos sejam criados com dignidade, os preços tendem a baixar. Porque orgânico vai virar o comum, o natural. Não sei se estou sendo utópica, mas se a gente é o que come, acredito que devemos refletir um pouco mais sobre o que colocamos no prato.
Isso porque eu nem falei da margarina ainda…

